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PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO AUMENTA RESULTADO DE ESTABELECIMENTOS FARMACÊUTICOS

PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO AUMENTA RESULTADO DE ESTABELECIMENTOS FARMACÊUTICOS

  e Wandy Ribeiro

O empreendedor farmacêutico, antes de tudo, precisa ter ciência de que existe uma ampla variedade de impostos e tributos nas esferas governamentais. Por isso, ter o mínimo de conhecimento sobre gestão tributária e financeira pode ser um fator preponderante para alcançar o tão esperado sucesso no negócio.

O advogado especialista nas áreas fiscal e tributária do segmento farmacêutico, Marcello Coria, afirma que definir o regime adequado para um determinado estabelecimento farmacêutico é uma tarefa que exige atenção, empenho e conhecimento.

“A definição do regime tributário ideal para a farmácia não é uma questão simples. Abrir uma empresa exige a escolha de qual regime tributário se pretende para a operação. É preciso fazer uma análise minuciosa para escolher o regime mais adequado ao negócio. Muitos varejistas pagam mais impostos do que deveriam porque não conhecem a tributação e a legislação, o que gera custos operacionais que impactam diretamente no resultado da loja”, orienta Coria que, atualmente, é controller Financeiro na União Química.

Outra sugestão sobre o regime tributário ideal para estabelecimentos farmacêuticos em fase inicial foi dada pelo advogado e sócio contador da área tributária, Fernando Ribeiro. Segundo ele, para que o farmacêutico possa escolher o melhor regime para seu negócio, deve primeiro realizar projeções, observando a atividade empresarial que será desenvolvida, o faturamento projetado, as mercadorias que serão vendidas, a folha de pagamento esperada, entre outros fatores econômicos que forem relevantes ao resultado. A partir dessas informações será possível definir qual o melhor regime tributário.

De acordo com o ele, antes de tudo, a organização tributária na fase inicial contribui para o auxílio no processo de consolidação do empreendimento. “A primeira grande vantagem é, por óbvio, a redução da carga tributária. Além disso, também permite que o farmacêutico acompanhe o desenvolvimento de seu negócio ao longo do tempo, permitindo adequações ao planejamento, conforme a necessidade”, completa.

Para reforçar, o contador e membro do Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRC-GO), José Alvarenga, exemplifica a ideia e cita os três modelos de planejamento tributário adequados para quem pretende abrir um empreendimento farmacêutico: simples nacional, lucro presumido e lucro real.

Segundo Alvarenga, no caso do farmacêutico, após a definição do planejamento tributário, será possível optar pelo regime em que a folha de pagamento sofra menos encargos, podendo variar de 0 a até  28,8%, pois, esse plano também vai indicar, conforme o faturamento, qual é a alíquota que está de acordo com o regime tributário.

No caso do simples nacional, as alíquotas vão de 4% a 19% para faturamentos de R$ 1 a R$ 4,8 milhões. “É importante ficar atento à tributação monofásica de medicamentos”, ressalta o contador.

Por sua vez, Coria destaca outros fatores importantes neste modelo tributário. “O simples nacional é um regime tributário usado, especialmente, por microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) que reúnem, num único documento de arrecadação, todos os tributos incidentes na operação, como o IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e ICMS. Apenas negócios que possuem receita bruta de até R$ 4,8 milhões ao ano podem adotar esse regime. Por isso, é imprescindível ter muita atenção aos valores faturados”, destaca ele.

No caso de farmácias, ele indica que, antes de escolher o regime tributário ideal, é importante levar em consideração o porte da empresa, a folha de pagamento (número de funcionários), a margem de lucro e o faturamento bruto, além da carga tributária incidente na operação.

“Alguns Estados concedem benefícios fiscais (regimes especiais de tributação) para o ICMS, que varia muito de Estado para Estado e o tipo de benefício”, destaca Coria.

Lucro presumido

Já no lucro presumido, Alvarenga orienta que o imposto de renda (IR) não é calculado sobre o lucro efetivo. Tanto o IR como a contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) são calculados sobre uma base presumida de lucro, sendo que os cálculos são feitos em períodos trimestrais e as alíquotas do PIS e confins são fixas, com tributação monofásica.

Coria completa com sua explicação sobre o sistema tributário: “lucro presumido é uma forma de tributação considerada simplificada, pois permite à receita federal determinar a base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), sem que se apure, necessariamente, as despesas de uma empresa. O limite de faturamento para o enquadramento no lucro presumido é de R$ 78 milhões no ano. As empresas que estão aptas a adotar esse regime de tributação têm, portanto, uma base de cálculo pré-fixada, com margens de lucro específicas, de acordo com a atividade. Para o comércio a margem de lucro é de 8%”, garante ele.

Ele ainda aponta que há vantagens e desvantagens nessa modalidade. O principal ponto negativo é que existe a possibilidade de a empresa pagar mais impostos do que deveria em algumas circunstâncias, especialmente, quando as margens de lucro efetivas forem menores do que aquelas dispostas na lei.

Lucro real

Em relação ao lucro real, o contador enfatiza que a empresa optante por esse modelo tributário paga o IR sobre o lucro apurado nos seus balanços, que pode ser trimestral ou anual. PIS e confins são alíquotas com tributação monofásica. “O lucro real é obrigatório para as empresas que faturam acima do teto do lucro presumido, porém, facultativo para as que faturam menos”, completa a informação, o advogado Ribeiro.

Novamente, Coria acrescenta: “No regime do lucro real, tanto o imposto sobre a renda das pessoas jurídicas (IRPJ) como a contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) são determinados mediante a apuração dos resultados contábeis da empresa ocorridos no período de apuração. A escolha do regime pelo lucro real exige maior atenção e cautela, uma vez que esses impostos são calculados após a soma das receitas e a subtração das despesas”, afirma.

Entretanto, ele destaca que nem sempre o empreendedor deve ter como primeiro conceito, na hora de abrir uma farmácia, apenas os benefícios com um planejamento tributário econômico. Para ele, manter a periodicidade das obrigações fiscais também é uma boa maneira de evitar problemas e otimizar os negócios de maneira econômica.

“Nem sempre pagar menos impostos é a única forma de economia sob a ótica fiscal. Estar com as obrigações fiscais em dia, pagar os impostos no prazo, manter os arquivos dos documentos em ordem, revisar periodicamente a operação da empresa, eliminando, assim, eventuais riscos fiscais são ações que também devem ser implementadas no planejamento tributário”, ressalta Coria.

Nesse aspecto, atenção às obrigações fiscais e tributárias na hora de planejar o seu empreendimento deve ser uma prioridade. Para o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini, no Brasil, o regime de tributos é algo bastante peculiar, se comparado aos demais países. “Enquanto numa empresa nos Estados Unidos são utilizadas 250 horas para fazer todas as suas obrigações fiscais, no Brasil, são gastas, em média, 2.050 horas, ou seja, 10 vezes mais. Isso não tem muito cabimento quando se olha para o restante do mundo”, lamenta o executivo.

Noções de alíquotas e NCM

Conforme explica Alvarenga, para calcular a precificação e a margem de lucro é necessário saber o custo real do produto. Para ele, as empresas devem estar atentas ao cálculo do diferencial de alíquota (DIFAL) do ICMS para evitar problemas e menor lucratividade. “A aquisição de um produto em regiões onde a tributação é baixa naquele Estado vai de encontro a um pagamento maior no diferencial de alíquotas”, ressalta.

Coria considera que, como as farmácias não comercializam exclusivamente medicamentos, é importante que o empresário farmacêutico tenha noções das diversas alíquotas de ICMS que incidem sobre os produtos comercializados e também sobre os regimes de tributação: tributação pela regra geral (sistema débito/crédito), sistema de cobrança do ICMS pela substituição tributária, antecipação do ICMS com encerramento de fase e antecipação do ICMS sem encerramento de fase.

Sobre a nomenclatura comum do Mercosul (NCM) ou classificação fiscal, o advogado ressalta que não é uma questão muito simples. “Basicamente, a NCM é uma composição numérica que nomeia internacionalmente determinado produto e, por meio dessa classificação, conseguimos saber quais os impostos incidentes. Por isso é imprescindível que o empresário também tenha noções dessas classificações. A adoção de uma NCM indevida pode resultar em impostos pagos por valores inferiores aos efetivamente devidos, expondo a farmácia a riscos fiscais sem necessidade”, destaca ele.

Vale ressaltar que a receita federal é o único órgão oficial competente e responsável por determinar o correto enquadramento e definição da NCM para as mercadorias brasileiras, em que os técnicos (engenheiros, químicos, farmacêuticos etc.) da Coordenação-Geral do Sistema Aduaneiro e da Superintendência Regional da Receita Federal possuem o conhecimento específico necessário para essas análises.

Já Ribeiro prefere frisar o grau de relevância sobre o conhecimento da NCM pelo farmacêutico empreendedor. “A importância de se ter esse conhecimento decorre do fato de que inúmeros medicamentos são tributados apenas na origem, isto é, quando vendido pelo industrial ou importador. Já o restante da cadeia fica desonerada, com alíquota zero. Se o farmacêutico não conhecer as alíquotas ou o NCM correrá sério risco de tributar uma venda desnecessariamente”, pontua.

Riscos da sonegação na área farmacêutica

Os riscos da sonegação de impostos dentro da área farmacêutica podem levar o profissional a sofrer graves consequências fiscais. De acordo com Alvarenga, além de pesadas multas que chegam aos assombrosos 150% no âmbito estadual e federal, pode ocorrer a negativação em cartórios de registros e no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (CADIN), devido à falta de pagamentos ou autos de infrações não negociados.

Importante ter atenção nas mudanças constantes na legislação tributária no Brasil, cuja velocidade das alterações pode ser, praticamente, impossível de acompanhar. Por isso, Coria recomenda contar com a assessoria de um escritório especializado no tema e, principalmente, no setor farmacêutico.

Coria ainda lembra que, com todos os sistemas eletrônicos e integrados das secretarias da receita federal, de fazenda, das prefeituras e também de outros órgãos, o fisco tem 100% do controle das operações realizadas pela farmácia. Todas as notas fiscais emitidas em nome do estabelecimento já ficam na base de dados desses órgãos.

“O que as farmácias precisam fazer? Precisam se preparar. Precisam garantir que todas as suas operações estejam registradas e que todas as obrigações fiscais federais, estaduais e municipais estejam rigorosamente em dia. Sem isso, o risco de autuação por qualquer infração é inevitável”, alerta ele.

Como obter benefícios fiscais?

Diante de tantas informações sobre os mais variados impostos e regimes tributários, a pergunta que fica no ar é: será possível obter benefícios fiscais no Brasil, com tanta fiscalização?

Segundo Alvarenga, a resposta é sim! Para ele, os benefícios fiscais já começam com uma boa escolha do regime tributário. “Lembrando que todo começo de ano, no calendário, é possível mudar de regime tributário. E durante o ano, só é possível mudar para um regime superior ao que a empresa se encontra. No caso do simples nacional, é possível migrar para qualquer outro no decorrer dos doze meses. Entretanto, uma vez escolhido o presumido ou real só poderá mudar espontaneamente no começo do ano seguinte”, orienta ele.

Ainda sobre a questão, uma dica fornecida por Ribeiro está relacionada ao fato de que os benefícios fiscais podem variar segundo o Estado de localização da empresa, bem como de acordo com os produtos vendidos: “O ideal é estudar a legislação local e identificar os potenciais benefícios. Nessa tarefa, vale a pena contar com um profissional especialista em tributos”.

Em contraponto, Coria pede cautela: antes de pensar em obtenção de benefícios fiscais é necessário pensar na estratégia, em conhecer o mercado no qual se pretende instalar uma farmácia. “Temos que pensar sobre a moeda de troca – as contrapartidas - com esse ou com aquele determinado Estado, temos que conhecer quais os benefícios já concedidos para outras empresas do setor e, principalmente, ter certeza de que a casa está em ordem e que não existe nenhuma pendência fiscal”, enfatiza ele.

Por fim, Coria destaca, novamente, a importância de ter conhecimento ou contar com um profissional qualificado que possa apresentar boas alternativas tributárias e fiscais. “Considerando que o setor farmacêutico tem inúmeras particularidades, a contratação de um escritório de contabilidade ou de um contador que conheça o setor é essencial para o correto cumprimento de todas as obrigações fiscais e contábeis, e com isso eliminar eventuais riscos fiscais”, sugere o advogado.

Alvarenga finaliza: "Sem dúvidas, é fundamental contar com um profissional que já conhece a área farmacêutica e suas tributações monofásicas. Isso vai auxiliar, e muito, a empresa no melhor caminho a seguir, porém, todo conhecimento vem pela busca constante de aprendizado e atualizações”.

Matéria publicada no Portal do ICTQ

10 PASSOS PARA DISPENSAÇÃO DE ANTIBIÓTICOS NAS FARMÁCIAS

10 PASSOS PARA DISPENSAÇÃO DE ANTIBIÓTICOS NAS FARMÁCIAS

A desinformação da população brasileira sobre o uso racional de antibióticos é preocupante e, em alguns casos, chega a ser considerada até motivo de piadas! Um exemplo disso foi a viralização, nas redes sociais, do depoimento de uma jovem, em um talkshow da Rede TV, afirmando que havia engravidado de um antibiótico. Claro que houve uma abordagem sensacionalista sobre o tema, mas o fato é que alguns antibióticos diminuem ou anulam o efeito dos anticoncepcionais orais. O pior é que, no programa, em momento algum isso foi mencionado ou lembrado.

Outro exemplo factual do consumo irracional de antibióticos está na pesquisa do ICTQ, realizada em 2014. O estudo apontou que 18,4% dos brasileiros pesquisados em 16 capitais consumiram antibióticos sem prescrição médica e sem a orientação farmacêutica nos 12 meses que antecederam a pesquisa. A capital com o maior índice desse consumo irregular foi Goiânia (GO), com 33%.

Frente a tanta desinformação e uso irregular desse tipo de medicamento, ficam as perguntas: o que fazer para ampliar a informação à população sobre o uso racional de antibióticos? Qual é o papel do farmacêutico na dispensação desse tipo de medicamento na farmácia? Quais passos ele deve seguir na orientação ao paciente?

O professor do ICTQ, Alexandre Massao Sugawara, que ministra Farmacologia e Atenção Farmacêutica diz que a dispensação de antibióticos em farmácias e drogarias públicas e privadas se dá mediante a retenção da segunda via da receita, devendo a primeira via ser devolvida ao paciente. “Mais que isso, o papel do farmacêutico em suas atribuições clínicas deve observar as metas da farmacoterapia ideal, assegurando um uso necessário, aderente, efetivo e seguro. A prescrição inadequada, falhas de adesão e inefetividade terapêutica podem levar ao desenvolvimento de resistências bacterianas. Cabe ao farmacêutico observar em seguimento farmacoterapêutico tais aspectos da farmacoterapia e propor intervenções farmacêuticas”, fala Sugawara.

Ele afirma que a intervenção em uma prescrição desnecessária de antibióticos deve ser baseada em diretrizes e protocolos clínicos que subsidiem o médico prescritor para uma reanálise. As falhas de adesão podem ser minimizadas com melhoria do conhecimento e colaboração do paciente ao tratamento. Além disso, ferramentas de suporte, como adesivos de lembrança e símbolos de horário, são bem-vindos.

A inefetividade terapêutica é sinal de baixa sensibilidade ao antibiótico à cepa do micro-organismo infectante, aqui novamente um encaminhamento ao médico prescritor se faz necessário. As inseguranças clínicas devem ser sempre monitoradas pelo farmacêutico. Este acompanhamento deve ser registrado em prontuário na farmácia. “Alguns transtornos menores associados ao uso de antibióticos, como diarreias e náuseas, podem ser tratados com prescrição farmacêutica. Queixas e sintomas mais graves e prolongados, sobretudo em gestantes e crianças, devem ser encaminhadas ao médico”, afirma o professor.

A farmacêutica Michelle Dweck lembra que a política para retenção de receitas prescritas de antibióticos vem por um histórico de uso indiscriminado de maneira incorreta. Assim, cabe aos farmacêuticos orientar o seu uso, isto é, fazer uma boa dispensação, fornecendo orientação no ato de entrega e da venda do medicamento. É ela quem indica os 10 passos na hora de dispensar antibióticos, com a resalva de que o tópico 4 é uma contribuição especial do Farmacêutico Jauri Siqueira. Confira:

1 - Certifique se a prescrição está legível. Caso positivo, veja se está com a dose correta (de acordo com a dose usual). Caso haja ilegibilidade lembre-se de que isto invalida a prescrição, mas é possível tentar entrar em contato com o prescritor para validar a receita. Isso ajuda a todos os lados, prescritor, paciente e farmácia.

2 - Verifique se a prescrição está datada, dentro do prazo de validade para uso e tempo de tratamento. A receita de antimicrobianos é válida em todo o território nacional, por dez dias, a contar da data de sua emissão. Em situações de tratamento prolongado a receita poderá ser utilizada para aquisições posteriores dentro de um período de 90 dias.

3 - Complete com dados do paciente e do prescritor. No ato da dispensação, devem ser registrados nas duas vias da receita os seguintes dados: I - a data da dispensação; II - a quantidade aviada do antimicrobiano; III - o número do lote do medicamento dispensado; e IV - a rubrica do farmacêutico, atestando o atendimento, no verso da receita. As receitas e notas fiscais de compra devem ficar retidas pelo prazo de dois anos para fins de fiscalização sanitária. A dispensação é na quantidade adequada, porém não é permitido o fracionamento.

4 - O intercâmbio - troca de medicamentos, assim como a dispensação de controlados, é atividade privativa do farmacêutico, devendo ser registrada no verso da receita conforme preconizado pela legislação e autorizada pelo mesmo. Alertamos que caso o prescritor no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, os responsáveis pelas prescrições devem adotar obrigatoriamente a DCB, ou na sua falta, a DCI. Nos serviços privados de saúde, a prescrição ficará a critério do prescritor, que pode utilizar o nome genérico ou comercial. Caso tenha alguma restrição à substituição do medicamento de marca pelo genérico correspondente, o prescritor deve manifestar claramente sua decisão, de próprio punho, de forma clara, incluindo no receituário uma expressão como “Não autorizo a substituição”.

5 - Informe o paciente: O medicamento genérico passa por testes de bioequivalência e biodisponibilidade e temos grande confiança em sua segurança e eficácia - Cabe a você farmacêutico, informar ao usuário dessa garantia de segurança.

6 - Explique ao paciente que é lenda urbana o fato de que, ao tomar o antibiótico com leite, o medicamento não vai prejudicar o estômago. Dependendo do antibiótico, na verdade, não haverá a absorção nem do antibiótico nem mesmo do cálcio do leite.

7 - Antibiótico, e qualquer outro medicamento, se toma com água. O ideal é utilizar um copo de, ao menos, 200 mL.

8 - Indicar ao usuário para ter cuidado também com os horários, pois se o antibiótico foi prescrito de oito em oito horas, ele não deve ser tomado no café da manhã, no almoço e no jantar. Temos que manter os picos do medicamento para garantir o seu efeito. Oriente sempre para que o medicamento seja ingerido nos horários corretos. Vale dar a dica de usar despertador, lembrete no celular ou até aplicativos que ajudam neste tipo de tratamento.

9 - Oriente às mulheres em idade fértil, que utilizam como único método contraceptivo a pílula anticoncepcional, principalmente as de baixo teor de hormônios, que seu uso concomitante ao antibiótico reduz o efeito da pílula. Isso pode gerar uma gravidez indesejada. Sugira o uso de outro método anticoncepcional, além da pílula, como o preservativo durante o tratamento com antibiótico.

10 - Diga ao usuário para evitar as bebidas alcoólicas, que podem ter grandes interações com os antibióticos, pois ambos são metabolizados no fígado, em sua grande maioria.

Matéria publicada no Portal do ICTQ

ENTENDA COMO DISTRIBUIDORES DE MEDICAMENTOS FATURARAM R$ 6,6 BILHÕES, ABASTECENDO 65% DO VAREJO

ENTENDA COMO DISTRIBUIDORES DE MEDICAMENTOS FATURARAM R$ 6,6 BILHÕES, ABASTECENDO 65% DO VAREJO

As empresas distribuidoras nacionais comemoraram um crescimento real de 6,7% em 2019, sobre o ano anterior. Os membros da Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan), entidade que reúne 141 empresas distribuidoras de medicamentos e produtos de Higiene Pessoal e Cosméticos (HPC), registraram um faturamento total a Pharmacy Purchase Price (PPP – preço pago pela farmácia), de acordo com dados da IQVIA, de R$ 6,6 bilhões versus R$ 5,8 bilhões em 2018.

Esses players distribuíram mais de 1,1 bilhões de unidades, representando quase 20% do mercado total do varejo farmacêutico. Em relação aos empreendimentos farmacêuticos, a Abradilan cobre cerca de 65% do total, mostrando a pujança e a importância desse canal para o abastecimento do varejo farmacêutico.

O presidente da entidade, Vinícius Andrade (foto), está muito otimista com a performance das empresas distribuidoras, o que demonstra o crescimento de toda a cadeia farmacêutica, sendo o elo de ligação entre a indústria e as farmácias.

Andrade falou, com exclusividade, ao jornalismo o ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico sobre a inovação, quando ressaltou o papel importante do Governo no incentivo à inovação, que fica prejudicado por barreiras burocráticas e que impedem o desenvolvimento de projetos relevantes do setor farmacêutico. “Estamos tentando sair na frente com projetos de Analytics, Inteligência Artificial (IA) e tentando evoluir sempre na conectividade dos nossos negócios”, ressaltou.

Além disso, ele comentou sobre os projetos de lei que atrapalham o varejo (como a venda de medicamentos em supermercados), com a ciência de que eles não causariam impacto na distribuição. Embora ele não tenha se posicionado sobre o fato, é fácil entender que os distribuidores poderão se beneficiar com a aprovação desse PL, pois teriam um novo canal para a comercialização de seus produtos.

Entre outros temas, Andrade contou sobre as expectativas da Abradilan Conexão Farma 2020, um evento realizado em São Paulo (SP) que deverá reunir 12 mil visitantes entre 17 e 19 de março de 2020. Acompanhe sua entrevista.

ICTQ - Como o senhor vê os impactos da atual política de inovação governamental para o setor farmacêutico? O que isso representa para o varejo nacional?

Vinícius Andrade - Acredito que o Governo tem um papel importante de incentivo à inovação no Brasil, porém, devido às prioridades e às burocracias não vem desenvolvendo projetos tão relevantes, principalmente quando se fala do setor farmacêutico. Na prática, a maioria das iniciativas de inovação do mercado é bancada por empresas privadas.

ICTQ – O MCTIC, em conjunto com o Ministério da Saúde, lançou a Câmara de Saúde 4.0. A área da saúde é um dos quatro temas prioritários identificados no Plano Nacional de Internet das Coisas (IoT), do MCTIC. O senhor acredita que o programa irá beneficiar o segmento farmacêutico?

Vinícius Andrade - Este é um programa amplo para a saúde do Brasil, e possui iniciativas importantes, principalmente, voltadas para a prevenção e vigilância de doenças graves. Além disso, a criação de uma base de dados única, com informações de cada paciente, pode trazer grandes ganhos para o custo da saúde brasileira. Como o segmento farmacêutico está inserido neste contexto amplo de saúde, também poderá ser beneficiado com este programa.

ICTQ - Quais são as principais tendências tecnológicas a serem incorporadas ao varejo farmacêutico nacional em breve?

Vinícius Andrade - A utilização de dados será cada dia mais importante nas tomadas de decisões do varejo farmacêutico. Além disso, todas as formas de tecnologia que chegarem, no sentido de agregar serviços e diferenciais aos varejistas, deverão ser cada dia mais relevantes no negócio farmacêutico.

Muitas empresas varejistas já vêm investindo em startups e inovação na área de saúde, visando sair na frente dos concorrentes no mercado farmacêutico.

ICTQ - O senhor acredita que o mercado de dispositivos vestíveis, embutíveis e, mais recentemente, os ingeríveis serão uma realidade acessível que irá chegar ao varejo mundial? E no Brasil?

Vinícius Andrade - Os dispositivos vestíveis já são uma realidade importante no mercado e vem auxiliando muito no sentido de conectividade e monitoramento de informações da população. Acredito que, como a tendência é que tenhamos sempre mais conexão entre dispositivos, isso será a cada dia mais relevante, tanto no Brasil como no mundo. A migração para dispositivos embutíveis e ingeríveis deve evoluir em longo prazo.

ICTQ - Qual é a penetração da Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial (IA) e conectividade nos negócios dos associados à Abradilan?

Vinícius Andrade - Este é um tema que estamos tratando com bastante foco na Abradilan, devido à sua importância no futuro próximo. Temos discutido muito em nossos eventos sobre como incentivar as nossas empresas a inovar. Inclusive temos feito viagens técnicas (em 2019 fomos ao Vale do Silício) procurando abrir nossas cabeças para esta nova forma de pensar.

Porém, em geral, quando analisamos os avanços de inovação nas empresas de atacado de todos os ramos brasileiros, vemos poucas iniciativas relevantes. Estamos tentando sair na frente com projetos de Analytics, Inteligência Artificial (IA) e tentando evoluir sempre na conectividade dos nossos negócios. Este é um desafio importante para o futuro.

ICTQ - Como o senhor avalia a performance dos associados ao longo dos último cinco anos?

Vinícius Andrade - Em 2019, os membros da Abradilan, entidade que reúne 141 empresas distribuidoras de medicamentos e produtos de Higiene Pessoal e Cosméticos (HPC), tiveram um faturamento total registrado a Pharmacy Purchase Price (PPP – preço pago pela farmácia), de acordo com dados da IQVIA, de R$ 6,6 bilhões versus R$ 5,8 bilhões em 2018, o que totalizou um crescimento real de 6,7% em 2019. É importante ressaltar que seus associados distribuíram mais de 1,1 bilhões de unidades, representando quase 20% do mercado total do varejo farmacêutico.

Cerca de 65% do negócio do varejo farmacêutico é atendido pelo canal de distribuição, o que reforça o papel e a importância dos distribuidores no abastecimento do varejo farmacêutico. Sendo assim, a Abradilan está presente em todos os Estados brasileiros, com uma cobertura de mais de 85% em todas as categorias de produtos das farmácias e drogarias. Se forem consideradas apenas as categorias de 1-7 (definição da IQVIA para determinar tamanhos de lojas), esse índice sobre para 95% de cobertura.

Os resultados alcançados foram muito relevantes, expondo números bastante positivos. A Abradilan está presente em 95% dos municípios brasileiros e vem crescendo acima do mercado farmacêutico, mesmo quando a população e o País ainda se recuperam da crise.

ICTQ - Quais serão as principais conquistas do setor para os próximos anos?

Vinícius Andrade - Para 2020 pretendemos potencializar, cada vez mais, a distribuição regional, que aquece o mercado e fortalece os associados. Apesar da crise da economia brasileira, o mercado farmacêutico, continua crescendo ano após ano. Isso deverá se intensificar com a retomada da economia e trará crescimentos mais fortes para o mercado.

ICTQ - Nós últimos dois anos, o varejo farmacêutico vem convivendo com as investidas de deputados e senadores que tentam aprovar leis que permitam a venda de MIPs em supermercados. A mais recente batalha do setor está sendo contra o PL 5455/19, de autoria do Senador Sérgio Petecão (PSD/AC). Caso esse PL seja aprovado, como o fato impactaria os negócios dos associados à Abradilan?

Vinícius Andrade - Esta é uma discussão antiga e que vai e volta à tona frequentemente. Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), apesar de não precisarem de receitas médicas para serem comercializados, são medicamentos e devem ser vendidos exclusivamente em farmácias e drogarias. Os impactos de uma decisão como esta é maior no varejo que na distribuição.

ICTQ - Quais são suas expectativas com relação ao Conexão Farma 2020?

Vinícius Andrade - A expectativa para o Abradilan Conexão Farma 2020 é alcançar cerca de 12 mil visitantes nos três dias de evento. Esperamos levar muito mais conteúdo direcionado, como finanças, investimentos e empreendedorismo. Entre as palestras confirmadas, está a do idealizador e sócio proprietário do projeto ‘O Primo Rico’, de Thiago Nigro. O tema dele é: Do Mil ao Milhão – Sem Cortar o Cafezinho.

Outra palestra de peso, e muito esperada, é a do fundador e CEO da marca de roupas carioca Reserva, Rony Meisler. Ele ministrará a palestra Rebeldes Tem Asas: Empreendedorismo, Liderança, Inovação, E-Commerce e Varejo. Para encerrar o ciclo de palestras da Arena Conexão, o mineiro erradicado no Rio de Janeiro, Rick Chester, ministrará a palestra Pega a visão!.

Haverá ainda muitas novidades com a ‘Farmácia Inteligente’ e a ‘Farmácia dos Sonhos’, a inovação em treinamento com o ‘Abradilan Learning’, sem falar nas mais de 30 horas de conteúdos com as palestras que acontecerão simultaneamente em arenas, em ambiente aberto, com a utilização de fones de ouvido, como foram nos últimos eventos da Abradilan e que agradaram ao público.

É importante lembrar que a feira está com 100% do espaço vendido e 15% são novos expositores, que atuam nas áreas de Higiene & Beleza (H&B), nutrição e serviços, já que a expectativa é ampliar a lista de expositores para todos os fornecedores de produtos comercializados nas farmácias, bem como poder melhorar a oferta de conteúdos relevantes sobre o mercado dos participantes. O foco do evento é aumentar a diversificação de portfólio nos varejos independentes. Esperamos que seja um dos maiores eventos já tidos da associação.

Por ocorrer sempre antes da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) anunciar o reajuste anual dos medicamentos, o evento também se torna uma oportunidade aos players do canal farma realizarem grandes negociações. As principais indústrias apresentarão seus produtos com condições especiais, além de demonstrar lançamentos e muita capacitação para os profissionais do setor. O Abradilan Conexão Farma consegue reunir todos os elos da indústria farmacêutica, trazendo relacionamento e bons negócios.

Matéria publicada no portal do ICTQ 

CONFIRA: PLANO DE NEGÓCIOS PARA CONSULTÓRIO FARMACÊUTICO, DENTRO E FORA DA FARMÁCIA

CONFIRA: PLANO DE NEGÓCIOS PARA CONSULTÓRIO FARMACÊUTICO, DENTRO E FORA DA FARMÁCIA

 

Segundo dados do Censo Demográfico Farmacêutico, desenvolvido pelo ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, de 2017, naquele ano já haviam mais de 1.400 consultórios farmacêuticos em todo o País, que funcionavam dentro e fora de farmácias.

Desde a publicação das Resoluções 585 e 586, em 2013, pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF); e da Lei 13.021/14 surgiu uma forte tendência entre os farmacêuticos e empresários do setor para montar seus consultórios e passar a fazer atendimentos à população, prescrevendo medicamentos e aplicando vacinas, entre outros serviços farmacêuticos.

Devido a isso, consultórios farmacêuticos se tornaram empreendimentos que podem trazer bastante rentabilidade, além de facilitar o acesso da população à saúde de qualidade.

Entretanto, montar um consultório não é uma tarefa muito fácil. Para o professor do Centro Universitário do Rio Grande do Norte (UNI-RN), Marcelo Arcanjo, o planejamento estratégico auxilia o farmacêutico a estabelecer o rumo a ser seguido pelo seu estabelecimento de saúde, com vistas à otimização da relação do consultório farmacêutico com o ambiente em que se insere.

“A tradução do planejamento em ações estratégicas conduz o posicionamento da farmácia frente à concorrência e ao alcance da sua visão de futuro, ou seja, o seu estado desejável no mercado. Assim, é imprescindível que o profissional farmacêutico busque clareza e definição da identidade organizacional do consultório estabelecendo a sua missão, visão e valores, bem como realizando uma minuciosa análise de ambientes interno (forças e fragilidades - ou pontos de melhoria - do estabelecimento) e externo (oportunidades e ameaças do mercado)”, explica.

O farmacêutico, consultor e palestrante de Gestão e Marketing, dr. Amilson Alvares, complementa e enfatiza que, antes de tudo, para desenvolver um bom plano de negócios para um consultório farmacêutico, dentro e fora da farmácia, são necessários estudos por meio de uma empresa especializada no setor de estruturação e abertura de negócio e montagem de consultórios farmacêuticos, o que existe muito pouco no mercado brasileiro, por ser um segmento novo e estar em fase de implantação, testes e experiências.

“Inicialmente, para os mais conservadores, aconselho a começar seu consultório dentro de uma farmácia, principalmente porque grande parte do público da farmácia é formado por possíveis clientes transformados em pacientes para o consultório. No entanto, é necessário seguir detalhadamente a construção de um plano de negócios com planejamento estratégico e usar de todas as ferramentas que o mercado fornece para análise, evitando, assim, a maioria dos erros recorrentes na abertura de um novo estabelecimento”, enfatiza Alvares.

Já o advogado tributarista, Fernando Ribeiro, faz questão de lembrar sobre a importância do regime tributário ideal nesta fase inicial. “Para que o farmacêutico possa escolher o melhor regime para seu consultório, ele deve primeiro realizar projeções observando a atividade empresarial que será desenvolvida, o faturamento projetado, as mercadorias, a folha de pagamento esperada, entre outros fatores econômicos que forem relevantes ao resultado. A partir dessas informações será possível definir qual o melhor regime tributário”, complementa.

Indicadores no gerenciamento de um consultório farmacêutico

Mas, afinal, como tocar os primeiros dias do negócio? Arcanjo lembra um dos mais importantes autores sobre a administração moderna, Peter Drucker, que ajudou a disseminar o pensamento de que “o que não pode ser medido, não pode ser melhorado”. Sua frase remete à utilização de indicadores como ferramenta de medição de desempenho, de maneira quantificável, buscando entender se os objetivos estão sendo atingidos e identificando a necessidade de adoção de medidas corretivas.

Dessa forma, para a maximização de resultados de um consultório farmacêutico, podem ser adotados os indicadores de produtividade:

  • Número de consultas farmacêuticas agendadas;
  • Número de atendimentos realizados;
  • Tempo médio de duração da consulta;
  • Taxa de retorno de pacientes (número de retornos de pacientes após a realização da consulta; intervalo médio de agendamento de retorno; e nível de fidelização de pacientes);
  • Novos pacientes (número de novos atendimentos e identificação do meio pelo qual eles tiveram o conhecimento do serviço prestado pelo consultório farmacêutico);
  • Faltas e cancelamentos de consultas (número de consultas agendadas e não realizadas pela ausência do paciente ou pelo seu cancelamento); e
  • Nível de satisfação dos pacientes (o índice satisfatório dos pacientes com os serviços prestados no consultório farmacêutico pode ser compreendido por aspectos diversos que vão desde a limpeza do local à confiabilidade de entrega dos benefícios prometidos na execução da consulta).

“Essas ações poderão ajudar a definir e reforçar estratégias de propagação e consolidação do consultório no mercado. É importante ressaltar que estes não são os únicos indicadores existentes, e a métrica de avaliação e melhoria podem (e devem) ser ajustadas de acordo com a realidade de cada estabelecimento”, reforça Arcanjo.

Ele ainda lembra que, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), a lógica do ponto de equilíbrio mostra que, quanto mais baixo for o indicador, menos arriscado é o negócio. Para ele, é natural que no início das atividades do consultório farmacêutico haja despesas elevadas em decorrência dos investimentos iniciais com reformas e adequações de layout e espaço físico do estabelecimento, como: aquisição de equipamentos e utensílios, capacitação e maximização de habilidades e competências profissionais, divulgação do serviço, dentre outros.

“Não obstante, o fluxo de adesão ao consultório pelos novos pacientes cresce de maneira gradativa e a entrada de dinheiro em caixa tende a acontecer neste mesmo ritmo. É relevante para a empresa o acompanhamento e controle contínuos dos parâmetros: receitas (valores recebidos) e despesas (custos fixo e variável). Portanto, um negócio revela-se mais competitivo e com melhor rentabilidade frente aos concorrentes quando apresenta um menor ponto de equilíbrio, ou seja, quando possui os seus custos mais relacionados à operação (custos variáveis) do que à sua manutenção (custos fixos)”, diz o professor.

Melhor local para se abrir um consultório farmacêutico

Segundo Alvares, para a escolha do lugar ideal para abrir o consultório farmacêutico, é necessário uma análise do cenário, como macroambiente e microambiente. “No macroambiente devemos estudar a região geográfica, as condições econômicas e sociais da população, o perfil do público-alvo, condições políticas, concorrência, definir nossas oportunidades, ameaças e tudo que vai interferir em nosso negócio, agora ou futuramente”, orienta.

“No microambiente, tenho que olhar para dentro do meu consultório, como colaboradores, equipamentos, serviços prestados, processos a serem desenvolvidos, estratégias do negócio para ter sucesso e acompanhar os indicadores, para manter ou mudar as estratégias”, comenta Alvares.

Sobre os produtos a serem oferecidos, o ele considera os serviços farmacêuticos, os procedimentos clínicos e os atos ali executados: “Acredito que para ter uma demanda satisfatória o farmacêutico terá que aproveitar todo portfólio de oportunidades que engloba as atividades farmacêuticas, garantidas nas resoluções do CFF e pelas RDC da Anvisa, para que possa ter ampla oferta de serviços na criação de uma carteira de clientes que venha a trazer equilíbrio e prosperidade financeira ao local”, define ele.

Planejamento financeiro do estabelecimento

Planejamento financeiro é indispensável para qualquer negócio e, para o bom desempenho de um consultório farmacêutico, a realidade não é diferente. A base para realização de um efetivo plano de um estabelecimento do segmento passa pela ciência e a atenção de tudo aquilo que entra e sai de dinheiro do estabelecimento.

“Desse modo, é intuitivo que, para a garantia da saúde financeira do consultório, esta balança apresente maior peso para a entrada de receita financeira em detrimento dos gastos. O bom controle e registro financeiro faz com que as finanças do consultório sejam medidas e, consequentemente, possam ser melhoradas e otimizadas”, ressalta Arcanjo.

De acordo com ele, os custos – que podem ser fixos e variáveis – devem ser bem monitorados e, sempre que possível, reduzidos. Assim, despesas fixas como aluguel, tarifas de energia, água, telefone, internet, materiais de expediente (papel, canetas, grampos etc.), publicidade e propagandas, serviços de informática, contábeis, dentre outros, devem se manter em níveis reduzidos e bem controlados, uma vez que, independentemente do farmacêutico estar trabalhando muito ou pouco, atendendo muitos pacientes ou não, estarão contabilizando gastos mensais à atividade.

“Já os custos variáveis são despesas que ocorrem proporcionalmente ao faturamento, ou seja, serão maiores ou menores, de acordo com o desenvolvimento da atividade no consultório”, enfatiza o especialista.

Quando o assunto é planejamento financeiro do consultório farmacêutico, muitas perguntas são comuns. Uma dúvida sempre frequente é sobre a questão das consultas. Alvares explica que primeiro o profissional farmacêutico precisa definir a tabela de preços a cobrar por tais serviços, procedimentos e consultas, pontuando a importância de que esses valores sejam determinados para cada serviço prestado.

“Para definir estes valores, o farmacêutico deve calcular o valor do salário, uso da infraestrutura, depreciação de equipamentos e imobilizados, todas as obrigações sociais, lucro almejado, impostos federais e municipais pagos pelos serviços, o valor do conhecimento e a responsabilidade de efetuar cada serviço, além de um seguro de possíveis ações por danos físicos e moral. Deve levar em consideração ainda a inadimplência, taxa de ocupação, entre outros”, analisa ele.

Já com relação aos valores, Arcanjo tem uma visão mais analítica e defende que o serviço de cobrança para consulta farmacêutica passa pela etapa de validação, de maneira que há uma verificação do funcionamento dos processos do serviço e dos benefícios percebidos ao final da prestação dele, sob a ótica do paciente (o verdadeiro consumidor do serviço).

“Assim, essa fase de testes pode ser caracterizada como uma etapa de pré-operação e é justamente neste momento que o farmacêutico poderá testar, ajustar, melhorar e definir o serviço de consulta farmacêutica a ser inserido no seu negócio”, defende ele. Passado o período de validação e havendo clareza do produto e do serviço entregues ao seu paciente, é hora de cobrar pelo serviço prestado. Neste sentido, é importante haver, não apenas a cobrança financeira do serviço ofertado, mas a certeza do valor (benefício) proporcionado ao paciente, comunicando, inclusive, tais benefícios para que haja a valorização do serviço. “Mas, quanto deve ser cobrado pela consulta? Neste momento é que deve ser resgatado o levantamento dos custos fixos e variáveis, assim como a estimativa da remuneração por hora de um farmacêutico clínico, capacitado e apto para o desenvolvimento de tal atividade para, então, definir o preço da consulta”, afirma Arcanjo.

Redes sociais, divulgação e tecnologia

Na era das novas tecnologias e de um mundo completamente conectado, a divulgação por meio das redes sociais pode ser um aspecto preponderante no sucesso do consultório farmacêutico. Afinal, a transformação digital e a internet têm revolucionado e impactado diretamente os negócios nos cinco continentes. As redes sociais oportunizaram o encurtamento das distâncias físicas e relacionamentos, não apenas entre pessoas, mas também entre empresas e seus consumidores, alavancando e estendendo a jornada e experiência dos clientes e pacientes com os profissionais de diversos setores.

Arcanjo acredita que o uso das redes sociais possibilita uma inserção e um alcance anteriormente inimagináveis, e que permite uma demonstração consistente da qualidade e da diversidade dos serviços oferecidos em um consultório farmacêutico. Ele lembra que o investimento para a adesão a esta prática é significativamente mais acessível do que as mídias tradicionais (comerciais em TV, por exemplo) e se adequam ao perfil atual dos consumidores que estão cada vez mais conectados.

“Divulgar as práticas realizadas no consultório, levar informação relevante à comunidade e ao paciente, consolidar uma marca atrativa do estabelecimento onde é ofertado o serviço e, principalmente, engajar o público a acompanhar as novidades e atrações por meio dos canais disponíveis são estratégias interessantes na busca de um segmento de clientes potenciais do negócio. Tais estratégias ajudam no posicionamento da marca, seja ela por baixo preço, diferenciação na construção de valor e entrega de benefícios aos clientes ou mesmo por enfoque, buscando atender a um nicho de mercado específico”, reforça o farmacêutico.

Ele ainda acrescenta e pontua que é importante ressaltar que algumas regras de etiqueta virtuais são sempre bem vistas e acabam por causar uma melhor impressão ao público, como o uso adequado da escrita e da fala da língua portuguesa; uma interação respeitosa e não invasiva, buscando vigiar sempre e cuidar para expressar os valores e a boa educação do negócio, evitando, também, conteúdos controversos e polêmicos.

A tecnologia, atualmente, fornece suporte cada vez mais robusto e assertivo às demandas pessoais e organizacionais. Para o consultório farmacêutico, Arcanjo exemplifica que tal apoio pode ser dado por meio de um bom conjunto de softwares e hardwares, como é o caso de um programa de CRM (Gestão de Relacionamento com o Cliente), que otimiza o relacionamento com o paciente, gerenciando, também, a agenda de consultas.

“Além disso, há um programa com amparo legal nas resoluções do Conselho Federal de Farmácia, de acompanhamento clínico do paciente, com o registro e monitoramento da anamnese clínica, farmacêutica, nutricional e de atividade física, além de avaliação de parâmetros, sinais e sintomas das mais diversas patologias, com o acompanhamento de exames e perfil clínicos do paciente. Oferece, ainda, orientações sobre o uso racional de medicamentos, indicações, contraindicações, reações adversas, intervalo posológico, formas farmacêuticas disponíveis, nome dos medicamentos de referência e similar, bem como os seus fabricantes”, aconselha.

O farmacêutico lembra que é imprescindível o fato de dos novos aparatos tecnológicos serem um “meio” de suporte e não uma atividade “fim”, oferecendo um direcionamento aos serviços clínicos farmacêuticos aplicados em consultórios, sendo, de suma importância, o desempenho das habilidades e competências técnicas do profissional no exercício da prática clínica.

A importância da capacitação do farmacêutico

Sobre a capacitação e qualificação em assuntos que o profissional farmacêutico ainda não domina plenamente, Alvares afirma que essa é a base do sucesso. Para ele, que é um profissional renomado, o farmacêutico deve ser muito bom no que faz, ser o melhor, oferecer o serviço de mais alto nível, ser referência na região, fazer com que o marketing boca a boca trabalhe para o profissional da melhor forma possível.

“É fundamental mostrar aos pacientes que é conhecedor do serviço que está prestando e descrever os procedimentos em voz alta aos pacientes nos primeiros atendimentos, como explicações fisiológicas e farmacológicas do porque é necessário para aquele procedimento. Assim o paciente começa a valorizar o valor pago e perceber a qualidade de seu serviço”, sugere ele.

Por fim, Alvares reforça que todo investimento feito em qualificação, treinamento e conhecimento, se colocado em prática, com certeza terá bons frutos, e o grande problema é “sair da teoria e chegar à prática”.

“Existe um start que é muito difícil de ser acionado, mas se tiver um acompanhamento de uma consultoria que conhece os processos corretos, com certeza a rentabilidade financeira é certeira. Como eu sempre digo, é um oceano azul de oportunidades a montagem de um consultório farmacêutico com um profissional qualificado para trabalhar. Demanda existe muita, só é preciso identificar os pacientes e solucionar suas carências de serviços e procedimentos para atender às necessidades e resolver as doenças já diagnosticadas e não tratadas (ou desprezadas) de cuidados de um profissional de saúde, como no caso do diabetes, hipertensão, dislipidemia e problemas respiratórios, entre tantos outros também com carência de atendimento e cuidados”, finaliza Alvares.

Matéria publicada no Portal do ICTQ 

CONFIRA: FARMACÊUTICOS PODERÃO PRESCREVER MEDICAMENTOS TARJA VERMELHA

CONFIRA: FARMACÊUTICOS PODERÃO PRESCREVER MEDICAMENTOS TARJA VERMELHA

Por Egle Leonardi

Uma nova categoria de medicamentos – tarja azul - poderá ser criada a partir da aprovação no Congresso Nacional do projeto de lei (PL) 5443/19, do deputado Eduardo Bismarck (PDT-CE) (entrevista exclusiva abaixo). A partir da aprovação desse PL, a prescrição farmacêutica tomará outro rumo no País, e os farmacêuticos passarão a prescrever alguns medicamentos tarja vermelha.

O projeto prevê que receberão a tarja azul aqueles medicamentos que, atualmente, têm tarja vermelha (sem retenção de receita) que possuem, no mínimo, 70% dos critérios estabelecidos para os medicamentos isentos de prescrição (MIPs). Isso quer dizer que esses tarja vermelha que se enquadrarem nesses critérios poderão ser prescritos por farmacêuticos.

O projeto altera a Lei 9.782/99, que criou a Anvisa, e amplia o espectro da  Resolução 586/13, do Conselho Federal de Farmácia (CFF), que autoriza os farmacêuticos a prescreverem MIPs. Uma das partes consideradas mais polêmicas ficou por conta da autorização da revalidação, pelos farmacêuticos, das prescrições médicas de antibióticos, por uma única vez, no prazo máximo de 30 dias.

O deputado defende que a formação dos farmacêuticos proporciona a eles conhecimento técnico e científico suficiente para uma avaliação mínima do paciente e, eventualmente, com possibilidade de prescrever um medicamento para tratamento da saúde.

O PL 5443/19 estabelece novos critérios para o enquadramento ou desenquadramento de MIPs, que passam a ser regulamentados exclusivamente por lei. Vale lembrar que a constituição de uma lista contendo esses critérios é prerrogativa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e foi publicada por meio da Instrução Normativa (IN) 11, de 29 de setembro de 2016.

Apenas para lembrar, a classificação de um medicamento como isento de prescrição médica atende, atualmente, a sete critérios definidos pela Anvisa. A RDC 98/16, fixa as exigências para que um medicamento seja registrado como MIP e possa ser vendido diretamente o consumidor.

Sete regras para ser considerado isento de prescrição:

  1. Tempo de comercialização;
  2. Perfil de segurança: deve possuir reações adversas com casualidades conhecidas, baixo potencial de toxicidade e de interações medicamentosas;
  3. Deve ser indicado para o tratamento de doenças não graves e com evolução lenta ou inexistente;
  4. É utilizado por curto período ou pelo tempo previsto em bula no caso de medicamentos de uso preventivo (não existem MIPs de uso contínuo);
  5. Precisa ser de fácil manejo pelo paciente, cuidador ou mediante orientação pelo farmacêutico;
  6. Necessita apresentar baixo potencial de risco em situações de mau uso ou abuso; e
  7. O MIP não deve possuir potencial de gerar dependência química ou psíquica.

CFF comemora o PL

O presidente do CFF, Walter Jorge João, comemorou o fato, por meio de suas redes sociais, lembrando que a prescrição farmacêutica está autorizada pelo Conselho Federal de Farmácia desde 2013 (Resolução 586/13).

Sobre o PL 5443/19, Jorge João disse: “Qual é a vantagem disso? É que é sempre mais seguro contar com o farmacêutico na hora de usar um MIP. O farmacêutico é o profissional da saúde que tem mais conhecimento sobre medicamentos. Atua desde a pesquisa de novos fármacos até fabricação, distribuição, dispensação e orientação sobre o seu uso! O PL cria uma nova classificação de medicamentos, os de tarja azul, que serão prescritos por farmacêuticos, e médicos, claro!”.

Leia também: Resolução 586/13, sobre prescrição farmacêutica, comentada.

Como era de se imaginar que a classe médica seria contra esse PL 5443/19, a equipe de jornalismo do ICTQ entrou em contato com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e, por meio de sua assessoria de imprensa, recebeu essa resposta: “O conteúdo desse projeto de lei está sendo avaliado no âmbito da Comissão de Assuntos Políticos do Conselho Federal de Medicina, que ainda não se posicionou a respeito”.

Todos os profissionais interessados poderão opinar sobre o tema. Para isso, está disponível um link no site da Câmara dos Deputados onde as pessoas podem participar e registrar suas opiniões sobre o PL 5443/19 (opine aqui).

Para falar mais profundamente sobre o PL 5443/19, o deputado Eduardo Bismarck concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalismo do ICTQ. Acompanhe.

ICTQ - Deputado, por que o senhor decidiu apresentar a proposta de ampliar o conceito da prescrição farmacêutica?

Eduardo Bismarck - Foi por meio de uma demanda de farmacêuticos que me sugeriram esse enquadramento novo, ou seja, a criação do medicamento de tarja azul. Como essa atividade já acontece e já é praticada no exterior, aqui no Brasil seria uma modernização da legislação. Assim, eu entendi que seria um tema pertinente para ser debatido.

ICTQ - A proposta da sua lista de medicamentos de tarja azul estaria ampliando a lista da Anvisa já estabelecida para itens de prescrição farmacêutica?

Eduardo Bismarck - Na verdade, nós criaremos a tarja azul para nomear todos os medicamentos que já podem ser prescritos pelo farmacêutico, trazendo uma segurança maior para as pessoas que adquirem o medicamento. O projeto amplia, sim, a lista já disponibilizada pela Anvisa. Ele engloba os medicamentos de tarja vermelha que atendem a 70% dos critérios estabelecidos para os medicamentos isentos de prescrição (MIPs). Ele transforma todos esses medicamentos em tarja azul. Ele cria um critério novo, uma nova categoria de medicamento, e dá uma segurança maior para o consumidor.

ICTQ - O senhor quer dizer que, ao pegar esses medicamentos tarja azul, o consumidor, necessariamente, teria de passar pela orientação do farmacêutico? Ou eles ficariam dispostos nas gôndolas como medicamentos de venda livre?

Eduardo Bismarck - Os medicamentos de tarja azul, especificamente, devem receber a orientação do farmacêutico sobre a forma de utilização. Isso diminui a automedicação, por isso é importante essa nova categoria, evitando com que ele tenha de ficar usando repetidamente o mesmo medicamento, uma vez que o farmacêutico pode renovar a prescrição para até 30 dias, apenas uma vez, evitando o uso recorrente daquele medicamento, o que acaba, muitas vezes, causando um dano muito maior para o paciente, porque ele usa repetidamente aquele medicamento que pode mascarar um problema mais grave, tornando-se um problema crônico no futuro.

A ideia é que ele use, de uma forma mais controlada, o medicamento que ele já compra livremente na farmácia. E, que no caso de ele não estar usando corretamente, o farmacêutico, que é o profissional preparado, vai orientá-lo imediatamente a procurar um médico.

ICTQ – Mas os medicamentos de tarja azul poderão ficar nas gôndolas normalmente?

Eduardo Bismarck - Sim. Eles continuam nas gôndolas, mas sob a supervisão do farmacêutico, que terá um papel muito mais atuante nesse processo e um papel mais responsável. Ele ganha um protagonismo nesse processo e, ao mesmo tempo, ele será o maior aliado do médico, porque ele estará encaminhando o paciente para cuidar dos seus sintomas para que ele não vire uma bomba relógio.

ICTQ - No seu projeto de lei, o senhor fala sobre antibióticos, que são um problema de saúde pública mundial por conta da resistência bacteriana. O senhor indica que o farmacêutico poderá prescrever essa classe de medicamentos por mais uma vez e no período de 30 dias. Como isso funcionaria, sendo que a prescrição dessa classe não é permitida ao farmacêutico?

Eduardo Bismarck - Muitas vezes acontece... e já aconteceu comigo. O paciente não toma o antibiótico direito, perdeu o antibiótico ou não fez o tratamento da forma adequada. Essa ‘represcrição’ evitaria ele ter de voltar para a fila do hospital ou do posto de saúde para uma repetição de dose. O farmacêutico poderá prolongar por 30 dias, a partir da data que foi dada a receita, e fazer uma segunda carga de antibióticos. A ideia é que uma única vez seria o limite adequado para a revalidação da receita.

ICTQ – O senhor postou uma matéria publicada no Portal do ICTQ sobre esse tema nas suas redes sociais, e pediu sugestões para a classe. Os farmacêuticos estão a favor desse projeto de lei?

Eduardo Bismarck - Veja, tem gente que está apoiando e tem gente compra, dos dois lados, ou seja, tanto do médico como do farmacêutico. Eu entendo que essa é uma discussão muito mais profunda do que está na lei. Eu sou advogado, não sou médico nem farmacêutico. Eu propus esse PL justamente para que haja uma discussão. A Câmara dos Deputados é muito boa nisso, e a maioria dos profissionais que atua lá é de médicos. Por isso, essa é uma discussão que não vai passar em branco.

ICTQ – Como o PL está tramitando?

Eduardo Bismarck - Depois que eu apresento um projeto, eu não tenho mais ação sobre ele. Neste caso, a relatora é a deputada Flávia Morais (PDT-GO), que foi destacada para o PL 5443. Ele está na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF).

A deputada, com certeza, irá ouvir os dois lados. Eu irei sugerir para ela que aprofunde o debate. O primeiro passo para aprofundar esse debate é a realização, ainda neste ano, de uma audiência pública, chamando o Conselho Federal de Farmácia, o Conselho Federal de Medicina e a própria Anvisa para a mesa. Assim, cada um emitirá a sua opinião sobre o assunto, e a deputada Flávia Morais poderá emitir um relatório na CSSF.

Se o relatório dela for negativo, o projeto nem passa para a próxima etapa. Se o relatório dela for positivo, ela pode até apresentar uma saída alternativa com os ajustes necessários para atender a todas as partes. Para isso é importante a audiência pública e fazer um debate.

Eu incentivei o debate na minha própria rede social, mas não imaginei que tomaria uma repercussão tão grande assim. Apesar de alguns poucos comentários negativos, eu acho muito produtiva essa discussão, pois ela traz opiniões e traz até questões como o local onde o farmacêutico poderia fazer essa prescrição, seja no balcão, seja em pé ou na gôndola. Esses são ajustes que a gente colocou e que serão ponderados ao longo do processo.

A legislação que a gente propõe - e o papel do legislador é justamente esse - é uma questão que precisa ser solucionada, além do pleito dos farmacêuticos, o que me convenceu foi que esse tema vai trazer uma segurança maior ao consumidor, e vai contra a automedicação recorrente. Com isso, eu faço questão de que o debate aconteça e que a gente tenha um ganho para a sociedade. A beleza do parlamento é essa...já que são 513 cabeças pensando.

ICTQ - Deputado, algum representante do CFF e do CFM chegou a procurar o senhor para falar sobre o assunto?

Eduardo Bismarck – Ainda não. Eu já recebi pedidos de audiência em Brasília. Irei receber todas as entidades para um debate e encaminhar essas sugestões para a nossa relatora da CSSF, para que ela faça audiência pública, da qual eu farei questão de participar, para gerar a maior amplitude de debate possível.

Matéria publicada no Portal do ICTQ 

AS TENDÊNCIAS PARA AS FARMÁCIAS EM 2020

AS TENDÊNCIAS PARA AS FARMÁCIAS EM 2020

POR EGLE LEONARDI

O mercado farmacêutico brasileiro alcançou vendas de R$ 215,6 bilhões em 2019. Os números integram o Estudo de Mercado Institucional da IQVIA, empresa global associada a soluções de auditoria, tecnologia e consultoria para o mercado de saúde, presente no Brasil desde 1974. O estudo mostrou crescimento do varejo abaixo dos canais institucionais, porém ainda acima da inflação.

Segundo o diretor associado de Relacionamento com Parceiros Estratégicos da IQVIA, Alexandre Santos, o mercado farmacêutico está em mudança devido à nova onda de lançamentos das indústrias farmacêuticas, que buscam soluções, principalmente, para oncologia, depressão, Alzheimer e doenças raras. Esses problemas, na maioria dos casos, são tratados em ambiente hospitalar, e não na farmácia tradicional.

“O mercado farmacêutico apresenta crescimento próximo a 10% em 2019, acima do verificado nos últimos anos, que ficou em torno de 4% a 8%. Se descontarmos a inflação, 2019 foi o melhor ano dos últimos cinco anos em termos de crescimento real”, avaliou Santos.

Público e privado

A adoção de novas terapias acelera o crescimento do canal institucional privado. “Essas ações, em geral, são novos medicamentos, que apresentam maior eficácia e menos efeitos colaterais, aumentando a sobrevida de pacientes ou proporcionando a cura, como no caso da Hepatite C”, conta Santos.

O maior volume de venda direta concentrou-se nos canais públicos, os quais mantêm alta relevância no canal Institucional. Porém, perdeu importância quando comparado ao cenário de quatro anos atrás. “O canal público tem uma deficiência crônica de financiamento, que se não for repensada deve estrangular cada vez mais o orçamento do Ministério da Saúde”, diz ele.

De acordo com o diretor, isso impacta na adoção de tecnologias mais modernas de tratamentos, sejam medicamentos ou não, pois em geral possuem custo mais elevado de entrada. Já o canal privado tem maior flexibilidade para adoção de novas terapias, mais eficientes. A tendência é que o abismo entre público e privado se torne cada vez maior no País, principalmente para tratamentos de doenças mais complexas, como o câncer.

Farmacêutico oncológico

De acordo com as tendências, o farmacêutico oncológico terá, cada vez mais, destaque no segmento. O cuidado do câncer tem recebido uma abordagem centrada no paciente, buscando a sobrevivência da pessoa doente e atentando a aspectos psicossociais, empoderamento e qualidade de vida. O medo da morte e o receio aos eventos adversos causados por terapias agressivas são reveses que precisam ser encarados e superados.

Assim, o farmacêutico em oncologia deve criar um protocolo de acompanhamento do paciente baseado em diretrizes oficiais. É importante descrever, no plano de tratamento inicial, a duração do tratamento, nomes das drogas que compõem o tratamento, doses, esquema proposto, cirurgia e radioterapia, se aplicáveis. Em seguida, acompanhar toxicidades, abordar interações medicamentosas e realizar reconciliação medicamentosa, no que tange a prerrogativa desse profissional.

Tendências para 2020

“A farmácia, cada vez mais, tem se posicionado como um ponto de contato da população para o tratamento de doenças e busca de saúde e bem-estar. O farmacêutico volta a ser protagonista no ambiente de saúde e as recentes aprovações de aplicação de vacinas, indicação dos medicamentos isentos de prescrição (MIPs) e acompanhamento do tratamento em busca de maior adesão a eles são movimentos importantes no fortalecimento da profissão”, diz o diretor.

Além disso, a farmácia tem expandido seu portfolio, principalmente em itens de higiene e beleza, linha infantil e conveniência, o que deve impulsionar o crescimento nas vendas nos próximos anos.

Segundo pesquisas, os MIPs representam cerca de 30% das unidades vendidas do total de medicamentos no Brasil, e uma pequena parcela do receituário médico abrange produtos dessa categoria. Os médicos sabem, exatamente, a utilidade terapêutica que os MIPs possuem — e não por acaso os prescrevem.

De acordo com a IQVIA, o canal de farmácia, mesmo crescendo mais de 100% em 2019, principalmente com vacinas meningocócicas, representa ainda 0,2% do mercado de vacinas no País.

Vários fatores contribuem para o crescimento acima da média, para o canal farmacêutico – essencialidade dos medicamentos na cesta de compras; demografia, uma vez que medicamentos para doenças crônicas cresceram 16% em 2016.

Até 2050, a quantidade de idosos triplicará no Brasil, chegando a 30% da população; além destes, patologias endêmicas como dengue, Zika, H1N1 e febre amarela, por exemplo, aquecerão a demanda de algumas categorias.

Mercado de infusão

Diferentes provedores estão entrando no mercado de infusão, ampliando seus serviços para uma população crescente. A tendência dos laboratórios de análises clínicas, por exemplo, é oferecer um serviço de maior valor agregado - com maior acompanhamento do paciente - e atender pessoas com doenças autoimunes e com câncer.

As maternidades estão dedicando parte de sua estrutura para pacientes com neoplasias – crianças e adultos ou mesmo fechando a ala pediátrica. Algumas clínicas de hemodiálise já estão aproveitando sua estrutura de infusão para pacientes com câncer. Já os planos de saúde representam 5% das compras de medicamentos oncológicos total e 9,9% do privado. Em oncologia geral, eles já representam 9% do total e 14% do canal privado. As farmácias de manipulação vêm se tornando importantes fornecedoras de hospitais sem estrutura ou que querem conveniência operacional.

Varejo

O varejo farmacêutico cresceu 7,1% no último ano, com aumento da importância da cesta de não medicamentos nas vendas totais. Quase 75% do mercado farmacêutico brasileiro está concentrado em oito Estados. Cada um apresenta um perfil de crescimento diferente: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Santa Catarina e Goiás.

Apesar do avanço do associativismo, as Redes ainda têm o domínio de grande parte do mercado. Segundo Santos, ele cresce acima dos demais canais, principalmente nas regiões Sudeste e Norte. Com 16% das cerca de 79 mil farmácias do Brasil, as vendas médias das redes ainda são superiores as do canal do associativismo.

Ainda que o Brasil possua um número parecido ao dos países da Europa em termos de farmácias por habitantes, o consumo per capta é baixo em relação aos países desenvolvidos. Nos Estados, a média de habitantes por farmácia varia bastante - Norte e Nordeste têm uma média superior ao Brasil.

Envelhecimento populacional

O panorama traçado pela IQVIA mostra que em 30 anos o Brasil será um País grisalho. A expectativa para 2020 é de 29,8 milhões de habitantes acima de 60 anos. Para 2050 o número deve chegar aos 60 milhões.

A partir de 65 anos pacientes já manifestam, pelo menos, quatro doenças crônicas, podendo chegar a seis a partir dos 75 anos. Mais de 42% das pessoas sexagenárias tomam, em média, mais que cinco medicamentos por dia.

No Brasil, o comportamento em relação ao autocuidado já está evoluindo. “O paciente/consumidor está mais exigente, preparado para o autocuidado. Tem mais poder de compra, está mais interessado sobre como a indústria fornece seus produtos; está mais inclinado às soluções naturais, tem mais foco em prevenção, além de estar mais conectado”, explica o diretor responsável pelas negociações comerciais junto a empresas parcerias que fornecem informações de mercado, tanto empresas privadas, como distribuidores, redes de farmácia, planos de saúde, quanto entidades governamentais.

Publicado no Portal do ICTQ

 

5 REDES DE FARMÁCIAS CONCENTRAM 33% DO FATURAMENTO NO VAREJO FARMACÊUTICO

5 REDES DE FARMÁCIAS CONCENTRAM 33% DO FATURAMENTO NO VAREJO FARMACÊUTICO

Durante a 488a Reunião Plenária do Conselho Federal de Farmácia (CFF), realizada entre 21 e 22 de novembro, com a cobertura jornalística completa do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, o diretor da IQVIA, Alexandre Barros, fez uma palestra sobre o panorama do mercado farmacêutico brasileiro e suas tendências e oportunidades. Ele destacou que esse mercado girou em torno de R$ 215,6 bilhões em vendas no último ano.

Além disso, com relação às vacinas, o canal farma, apesar de crescer mais de 100% em 2019, representa apenas 0,2% do mercado de vacinas brasileiro.

Outro dado apresentado foi o de que o varejo farmacêutico cresceu 7,1% no último ano, encabeçado pelos não medicamentos. Ele ressaltou que os cinco maiores players do mercado fazem 33% do faturamento do varejo: Raia/Drogasil, Pacheco, Pague Menos, São João e Panvel.

Em termos de oportunidades, ele ressaltou que a população está ficando mais idosa e, com isso, cresce o consumo de medicamentos, sendo que a partir dos 65 anos as pessoas passar a ter quatro doenças crônicas. Depois dos 75 anos elas têm de seis a sete.

Na influência para a tomada de decisão na compra de Medicamentos, a farmácia entra em segundo lugar, com 77%, atrás apenas dos médicos. Em terceiro lugar está o Google.

Diversos temas foram abordados na 488a Reunião Plenária do CFF, que teve início, em 21 de novembro, com a discussão dos recursos apresentados para os processos eleitorais dos Estados. Começando pelo Pará, onde houve a impossibilidade de 41 farmacêuticos participarem das eleições 2019 - o que mudaria o cenário eleitoral daquele Estado - ocorreu a apresentação das justificativas da empresa responsável pelas eleições pela internet. Todos os conselheiros federais presentes acataram as justificativas.

Assim, o recurso apresentado foi negado e o processo eleitoral homologado. Leia matéria sobre o assunto no Portal de Conteúdo do ICTQ -, cuja matéria tem o título: Mais de 50 mil farmacêuticos deixaram de votar nas eleições de 2019 (leia aqui).

Na sequência, foram avaliados os processos de Alagoas, Amazonas e Rio de Janeiro, todos homologados. Depois disso, foi apresentado o relatório de viagem à Assembleia Geral da Associação de Farmacêuticos de Língua Portuguesa, em Portugal.

A pauta contou, ainda, com a indicação, pelos conselheiros federais, dos farmacêuticos que se destacaram em suas atividades durante o ano para receberem a Comenda da Ordem do Mérito Farmacêutico, que ocorrerá em 2020.

Posteriormente, foi proferida, pela farmacêutica e física médica, Amanda Gomes, a palestra O Papel do Radiofarmacêutico na Medicina Nuclear, abordando a necessidade da responsabilidade técnica ser atribuída ao farmacêutico.

No final do primeiro período da reunião plenária, o conselheiro federal Romeu Cordeiro, do Acre, levantou a questão que tramita no STF sobre a atuação dos técnicos em farmácia. O conselheiro e o presidente do CFF, Walter Jorge João, contestaram uma matéria do ICTQ em que a instituição afirma ser a única aceita no processo do STF como amicus curiae. Eles afirmaram que isso não é verdade e que o CFF e alguns conselhos regionais também entraram com o pedido.

O que ocorre é que algumas instituições realmente tentaram entrar no processo, porém o pedido ainda não foi analisado. Apenas o ICTQ foi aceito. Veja matéria sobre este tema no portal de conteúdo do ICTQ, intitulada Porque somente o ICTQ está em defesa do farmacêutico no STF, como amicus curiae (leia aqui).

Anuidades parte 1

Os trabalhos do período da tarde, da 488a Reunião Plenária do CFF, foram iniciados com a discussão sobre as anuidades a serem pagas pelos farmacêuticos e pelas farmácias no exercício de 2020. A boa notícia é que os valores ficarão congelados na base do que foi pago em 2019, ou seja, não haverá reajuste.

Importante admitir que todos os conselheiros se manifestaram e, quase por unanimidade (exceto a conselheira de Tocantins,  Martha de Aguiar Franco, que deseja o reajuste das anuidades) votaram a favor desse congelamento das anuidades, apesar de o sistema CFF/CRF deixar de arrecadar R$ 7 milhões no ano. Entretanto, não foi considerado que haverá novas inscrições de farmacêuticos, que aumentarão o bolo final arrecado pelos conselhos.

O parcelamento continua em seis vezes, com vencimento da primeira parcela no quinto dia útil seguinte. O desconto para antecipação será mantido, de 15% em janeiro e 10% em fevereiro.

Anuidades parte 2

Na abertura do segundo dia da 488a Reunião Plenária do CFF, em 22 de novembro, foram retomados alguns pontos da resolução que trata dos valores da anuidade, especialmente as isenções (temporárias ou não) dos pagamentos em casos especiais, como as inscrições remidas, casos de doenças e farmacêuticos militares.

Além disso, houve uma discussão acirrada sobre a cobrança das anuidades de pessoas jurídicas, descontos para postos de coleta e isenção para unidades mantidas pela União, entre outros. Apesar de tudo, a resolução foi aprovada na íntegra.

Na sequência, foi aprovada outra resolução que dispõe sobre as atribuições do farmacêutico na logística de importação e exportação, distribuição, armazenagem, transporte de medicamentos e insumos farmacêuticos, substâncias sujeitas a controle especial e outros produtos para a saúde, cosméticos, itens de higiene pessoal, perfumes, saneantes, alimentos com propriedades funcionais ou finalidades especiais e produtos biológicos. Leia matéria exclusiva no Portal de Conteúdo do ICTQ, intitulada Nova resolução sobre as atribuições do farmacêutico na logística e distribuição (leia aqui).

Segundo a professora e consultora em sistemas de qualidade e logística, Sonja Helena Macedo Preto Borges, essa nova norma veio para regulamentar as atribuições do farmacêutico, tendo em vista as atualizações regulatórias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),  além de acompanhar as tendências de mercado com as novas tecnologias.

A Resolução já está em consonância com a nova RDC 304, de 17 de setembro de 2019, que dispõe sobre as Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e de Transporte de Medicamentos. “Eu destacaria a regulamentação das atribuições do farmacêutico, principalmente, na cadeia de frio, pois não havia regulamentação para essa atividade”, evidencia Sonja, que coordenou a apresentação da proposta de Resolução na Reunião Plenária.

Processos administrativos

Dando continuidade ao segundo dia da 488a Reunião Plenária do CFF, em 22 de novembro, foi aprovada a ata da 487a Reunião Plenária, ocorrida em outubro de 2019.

O tema seguinte foi a discussão sobre os processos administrativos de Mato Grosso do Sul (sobre diárias e jetons), Distrito Federal (empréstimo de recursos para folha de pagamento de dezembro e 13o salário), Maranhão (empréstimo), Pernambuco ( empréstimo para pagamento de salários de novembro, dezembro e 13o).

Para finalizar, foi apresentado um comunicado da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) se posicionando contra as resoluções do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e do Conselho Federal de Farmácia (CFF), afirmando que essas normativas pretendem aumentar a proporção de farmacêuticos, enfermeiros e técnicos por sessão nas clínicas que prestam serviços de terapia renal substitutiva para o Sistema Único de Saúde (SUS). A Associação orienta as clínicas a manterem o quadro de funcionários, além das rotinas de exames e atendimento.

Contra esse documento, o CFF desenvolveu uma nota técnica de repúdio com a argumentação contrária, que foi aprovada por unanimidade pelos conselheiros federais e deverá ser disponibilizada à associação e às entidades ligadas à classe e aos farmacêuticos.

Publicado no Portal do ICTQ

DROGARIA SÃO PAULO É A 1a. NO RANKING DATAFOLHA

Pelo quarto ano consecutivo, a rede Drogaria São Paulo conquistou o primeiro lugar no ranking Datafolha – uma pesquisa realizada entre os paulistanos sobre os melhores serviços que a cidade oferece.  Em sua categoria, a DSP atingiu a marca de 35% dos votos dos entrevistados. Ano passado havia ficado com 32%.

Com a ideia de atrair o típico cliente paulistano, que busca cada vez mais produtos de higiene, cosméticos e perfumaria, a empresa fez constantes investimentos em melhorias, movimentos que podem ser percebidos desde as novas fachadas e logotipo, até lançamento da marca própria de produtos Ever Care e parceria com o médico Drauzio Varella, fonte especialista para a empresa disseminar conteúdo informativo de saúde via programa de relacionamento Viva Saúde.

“Queremos nos posicionar como uma empresa que não vende só remédio, mas saúde e bem-estar, diz o presidente do Grupo DPSP, Marcelo Doll. O grupo administra as redes Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo.

Viva Saúde & Drauzio Varella

As redes Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo fecharam uma parceria com o médico Drauzio Varella para levar conteúdo de saúde para seus clientes do programa de relacionamento da empresa, Viva Saúde, atualmente com milhões de pessoas cadastradas. A parceria tem como objetivo disseminar de forma clara e democrática conteúdo exclusivo e segmentado sobre saúde, usando redes sociais, vídeos e encontros presenciais com o especialista em diversas regiões do Brasil. A parceria correrá ao longo de 2018.

A parceria DPSP com o médico Drauzio Varella prevê a publicação de conteúdos informativos sobre saúde para os clientes e seguidores das marcas nas redes sociais, além da transmissão ao vivo de programas com a participação de especialistas e do público.

“A farmácia nos oferece uma oportunidade única de acesso a um público que está diretamente interessado em saúde. Acreditamos que esse ambiente favoreça a disseminação de informações corretas e com base científica”, afirma Drauzio Varella.

O programa de relacionamento Viva Saúde possui um grande volume de cadastrados, o que viabiliza uma comunicação mais dirigida para milhões de pessoas. Por meio dessa ferramenta, a empresa acompanha as necessidades de seus clientes. “Acreditamos que podemos auxiliar nossos consumidores, contribuindo com informação para tratamentos e cuidados com a saúde. Para isso, usaremos a expertise da nossa ferramenta para selecionar e direcionar o conteúdo de forma personalizada para cada cadastrado”, fala Doll.

“A farmácia, muitas vezes, é primeiro lugar onde a pessoa busca uma informação ou um atendimento no caso de uma enfermidade de menor gravidade. Entendemos o nosso papel e queremos evidenciar a nossa preocupação com o tema. E por meio desta atitude, garantir que as pessoas tenham cada vez mais um atendimento direcionado e esclarecedor e que possam cuidar da sua saúde”, finaliza Doll.

Ever Care

A linha Ever Care apresenta mais de 50 itens de cuidados e assepsia, atendendo consumidores com perfis e momentos de vida diferentes. Entre os primeiros produtos da nova marca estão: hastes flexíveis, algodão, gel antisséptico, absorvente para seios, gaze estéril, curativos, atadura, fita microporosa, água boricada, água oxigenada, oficinais, luvas látex, soro fisiológico, esparadrapo, ataduras, entre outros.

 

ANÁLISE DE TENDÊNCIAS DAS FARMÁCIAS AMERICANAS E SEU IMPACTO NAS BRASILEIRAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ANÁLISE DE TENDÊNCIAS DAS FARMÁCIAS COMUNITÁRIAS INDEPENDENTES AMERICANAS E SEU POSSÍVEL IMPACTO NAS BRASILEIRAS

 

 

 *POR MARCELO POLACOW E EGLE LEONARDI

 

 

“Se você não pode medir, você não pode gerenciar”. Esta é uma das citações mais famosas de Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna, que chama à reflexão sobre a importância das métricas na gestão do negócio.

Com esse foco, em novembro de 2017 a National Community Pharmacists Association (NCPA) (uma associação americana de farmacêuticos comunitários) e a Cardinal Health (empresa com sede em Dublin, Ohio, EUA) publicaram o Digest NCPA de 2017. É uma espécie de sumário contendo um retrato da farmácia comunitária nos Estados Unidos. No entanto, o documento é tão atual e preciso, que também pode ser interpretado sob a ótica das farmácias comunitárias brasileira, guardadas as devidas proposições.

Digest NCPA ajuda os proprietários de farmácias comunitárias a gerenciar melhor seus negócios, fornecendo dados, números e perfis. Essas informações essenciais descrevem o impacto que as farmácias comunitárias têm nos pacientes e nas comunidades onde estão inseridas. E é justamente nesse público que a farmácias independentes têm seu maior impacto, não só econômico, mas também por meio de sua contribuição social, que ajudam a tornar esses lugares opções melhores para se viver.

De acordo com o artigo desenvolvido pelo CEO da National Community Pharmacists Association, B. Douglas Hoey, por mais de oito décadas, o Digest tem fornecido o mais abrangente relatório sobre a farmácia comunitária independente. Isso permite que seus proprietários tomem decisões empresariais prudentes e municiem seus funcionários com a informação que eles precisam para elaborar políticas sólidas.

O cenário dos cuidados de saúde ao redor do mundo mudou drasticamente desde o primeiro Digest. Por conta disso, a devoção e os cuidados dos farmacêuticos independentes mostram aos seus pacientes e a sua comunidade que eles permaneceram firmes em seus propósitos.

Segundo Hoey, a publicação do Digest exigiu intenso trabalho ao longo de vários meses. Além disso, consumiu despesas significativas. A concretização do projeto não seria possível sem o patrocínio da Cardinal Health, em benefício da NCPA e de todos os farmacêuticos ao redor do mundo.

Digest é essencialmente uma compilação de dados fornecidos por proprietários independentes de farmácias comunitárias dos Estados Unidos, que respondem à pesquisa anual da NCPA. Os membros dessa entidade obtiveram acesso antecipado ao Digest na Convenção Anual da NCPA, ocorrida em outubro de 2017.

Saiba mais sobre o tema no link: http://www.ncpanet.org/home/ncpa-digest

 

ALGUNS DADOS DO SUMÁRIO

Digest NCPA de 2017 é uma visão abrangente da farmácia comunitária independente de 2016, com foco em três áreas principais: escopo do mercado, serviços de saúde oferecidos e envolvimento de proprietários e funcionários da farmácia local.

 

  1. O MERCADO INDEPENDENTE DA FARMÁCIA COMUNITÁRIA

As farmácias comunitárias independentes nos Estados Unidos continuam sendo um dos principais segmentos, com um mercado de US$ 80 bilhões. Esses players representam 36% do varejo americano. No total, há 22.041 farmácias, incluindo aquelas de lojas únicas e múltiplas, redes regionais de administração familiar e franqueados de propriedade individual.

Vinte e nove por cento dos proprietários de farmácias comunitárias independentes são donos de duas ou mais unidades. Porém, a média de propriedades por cada empreendedor do segmento é de 1,96.

Mais de 250 mil pessoas são empregadas por essas farmácias em tempo integral ou por período parcial, reforçando as economias estaduais e locais e as receitas fiscais. Os medicamentos prescritos são seu ponto focal, representando 92% da receita total de vendas.

Vale ressaltar o importante volume de farmácias comunitárias independentes que cuidam de populações com carência de atendimento em saúde: 81% desses estabelecimentos estão situados em áreas populacionais de até 50 mil habitantes.

Outros destaques:

  • O volume de receita diminuiu de 60.493 prescrições em 2016 para 59.746 em 2017, provavelmente devido, em parte, aos requisitos de renovação das receitas por mais 90 dias (comum nos Estados Unidos) em casos de pacientes crônicos e/ou atendidos por PBMs.
  • Os medicamentos genéricos compreendem 84% de todas as prescrições dispensadas.
  • 52% das receitas totais são cobertas pelos programas Medicare Part D e Medicaid.
  • 90% das farmácias comunitárias estão oferecendo algum tipo de programa de adesão ao tratamento com medicamentos.
  • Os reembolsos abaixo do custo, exacerbados pelas taxas da DIR na Part D do Medicare contribuíram para a queda de 5% nas margens brutas nos últimos cinco anos.

 

  1. SERVIÇOS PRESTADOS PARA ATENDER ÀS NECESSIDADES LOCAIS DE SAÚDE

Farmácias comunitárias independentes são provedores acessíveis de medicamentos prescritos, aconselhamento de medicação e outros serviços importantes de cuidados de saúde. O NCPA Digest de 2017 relacionou os tipos de serviços que esses estabelecimentos normalmente oferecem.

Serviços de cuidados prolongados

Os farmacêuticos comunitários independentes desempenham um papel importante no cuidado com os 46,2 milhões de idosos dos Estados Unidos. Nesse segmento, eles fornecem cuidados farmacêuticos em lares de idosos, instalações de assistência de saúde, hospitais psiquiátricos e em cuidados domiciliares.

Entre os serviços especializados para idosos estão a avaliação e suporte nutricional, terapia intravenosa, equipamentos médicos duráveis, suprimentos de ostomia e gerenciamento de dor. De acordo com Hoey, pensando de forma inovadora, vale lembrar que os farmacêuticos comunitários independentes fornecem os serviços necessários à população e, com isso, melhoram seus rendimentos.

Em 2016, 44% dos farmacêuticos comunitários independentes forneceram serviços de cuidados de longa duração (que nos Estados Unidos são chamados de LTC – Long Term Condition) para pacientes que são identificados pelas seguradoras (planos de saúde) com dificuldade para realizarem seus tratamentos por diversos motivos, inclusive adesão ao tratamento.

 Serviços de adesão

Os gastos associados às doenças crônicas são um dos principais impulsionadores do aumento dos custos dos cuidados de saúde nos Estados Unidos. Para a maioria dessas doenças crônicas, os medicamentos são o tratamento mais econômico, mas muitos pacientes não tomam sua medicação de forma correta.

Para ajudar a combater o problema da não adesão aos medicamentos da ordem de US$ 290 bilhões nos EUA, e ainda melhorar a saúde do paciente, 90% das farmácias comunitárias independentes daquele país implantaram programas abrangentes de adesão, com quase 77% delas oferecendo serviços de sincronização de medicamentos aos seus pacientes.

O modelo de sincronização de medicamentos (nos Estados Unidos chamado de med sync) é o processo de alinhamento de todos os medicamentos que o paciente deve utilizar no dia. Isso é estabelecido em uma consulta com o farmacêutico.

Medicação Especializada

A farmácia independente está desempenhando um papel importante no varejo farmacêutico especializado e está em franco crescimento. Para se ter uma ideia, vale citar que 39% das farmácias comunitárias independentes dispensam medicamentos especiais. Os principais medicamentos dispensados ​​por incluem os destinados a tratar artrite reumatoide (85%), HIV (55%) e hepatite C (45%). Essas farmácias fornecem cuidados de alto valor aos pacientes que precisam desses medicamentos em suas comunidades.

Outros serviços oferecidos pelas farmácias comunitária independentes incluem:

  • 44% fornecem serviços de acolhimento de pacientes em parceria com hospitais e clínicas;
  • 87% oferecem gerenciamento de terapia de medicamentos;
  • 76% fazem imunização;
  • 72% realizam entregas;
  • 62% proporcionam serviços de mensuração de pressão arterial.

* Os dados acima são específicos de lojas que oferecem linha completa, mas não estão, necessariamente, presentes em todas as farmácias pesquisadas.

 

  1. ENVOLVIMENTO DA COMUNIDADE

As farmácias independentes são, muitas vezes, consideradas pilares de suas comunidades locais, e o NCPA Digest de 2017 fez o registro dessa percepção. Quase 70% de todos os donos de farmácias comunitárias fizeram doações para, pelo menos, cinco organizações locais, com 43% doando para dez ou mais organizações locais.

Essas pequenas empresas afetam a economia regional por meio da criação de empregos e da geração de receitas fiscais. Assim, desempenham um papel importante em sua comunidade por meio de suas contribuições sociais, visando à prosperidade das suas comunidades.

Outros destaques do envolvimento social e beneficente das farmácias independentes:

  • 51% dos proprietários ou funcionários têm relações pessoais diretas com um representante do estado ou um membro chave dessa equipe;
  • 64% dos proprietários ou funcionários têm relações pessoais diretas com um prefeito ou membro chave de sua equipe;
  • 4% de todos os proprietários ou funcionários ocupam um cargo eleito;
  • 23% dos proprietários e 9% dos funcionários são membros de uma associação comercial local;
  • 59% dos proprietários e 12% dos funcionários são membros da Câmara de Comércio.

 

VISÃO DOS AUTORES SOBRE O PARALELO COM O BRASIL

            No Brasil, assim como nos Estados Unidos, as farmácias independentes sofrem com a concorrência das grandes redes. Para se diferenciarem no mercado optaram por focar nos serviços clínicos (em especial o gerenciamento da farmacoterapia) e na dispensação de medicamentos genéricos com benefícios para os pacientes. A interlocução com entidades, sejam elas governamentais ou não, é fundamental para a definição de políticas que atendam ao segmento em consonância com as necessidades da população.

Os serviços de imunização em farmácias no Brasil, agora regulamentados pelo CFF, MS e ANVISA possibilitam aumentar o rol de serviços, como acontece nos EUA.

No Brasil, diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, os planos de saúde não têm a prática e o hábito de manter farmácias conveniadas para prestar serviços clínicos, em especial de adesão ao tratamento, focando-se somente nos descontos (PBMs).

É importante frisar que não é só o custo que afasta os pacientes da adesão aos seus tratamentos. Com essas medidas, as farmácias independentes têm enfrentado a concorrência de melhor forma.

Observa-se também a necessidade no Brasil de estatísticas confiáveis e ferramentas de organização/gestão para melhorar os resultados.

 

CONCLUSÃO

Na maioria das cidades americanas, as farmácias comunitárias independentes tratam pacientes como família, promovem o uso seguro e eficaz de medicamentos e participam ativamente da vida comunitária.

Ao mesmo tempo, tanto o volume de receita decrescente como a redução do reembolso de medicamentos prescritos refletem um mercado em mudança, no qual os proprietários de farmácias comunitárias devem ajustar seu modelo de negócios. Assim, os proprietários devem considerar, mais do que nunca, todas e quaisquer opções para diversificar sua receita, enquanto continuam a se concentrar na avaliação da economia de reembolsos de terceiros.

É extremamente necessário que as farmácias independentes brasileiras se realinhem às tendências internacionais e, em especial, ao varejo americano, pois suas realidades são, de certa forma, muito próximas.

 

AUTORES:

*Marcelo Polacow – Farmacêutico pela USP/Ribeirão Preto, mestre e doutor em Farmacologia pela UNICAMP, coordenador e professor de Pós-Graduação, autor de livros e consultor empresarial.

*Egle Leonardi – Jornalista especializada no segmento farmacêutico, MBA em Gestão de Comunicação Corporativa, especializada em Marketing Digital. Recebeu o Prêmio Abrafarma de Melhor Jornalista na Categoria Imprensa Especializada no Segmento de Saúde. Diretora da Vitae Editora.


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