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APROVADA RESOLUÇÃO SOBRE ATRIBUIÇÕES DOS FARMACÊUTICOS EM DIÁLISE

APROVADA RESOLUÇÃO SOBRE ATRIBUIÇÕES DOS FARMACÊUTICOS EM DIÁLISE

As atribuições do farmacêutico no âmbito dos serviços de diálise foram regulamentadas pela Resolução 672, de 18 de setembro de 2019. A norma está sendo considerada um importante marco na atuação farmacêutica na medida em que considera outras atribuições do farmacêutico que são essenciais à qualidade do tratamento do paciente em diálise.

Além disso, a Resolução visa aos serviços de tratamento de água e da qualidade dos insumos que são usados nos procedimentos. A terapia renal substitutiva (TRS) exige cuidado integral para a redução de desfechos desfavoráveis, como a mortalidade cardiovascular e a progressão para a doença renal crônica terminal.

Segundo a Resolução, “Nos serviços de diálise, o farmacêutico contribui para a garantia dos requisitos técnicos e legais no tratamento da água, na fabricação e no controle da qualidade do concentrado polieletrolítico para hemodiálise. Além disso, desempenha ações clínicas e gerenciais, bem como colabora com as atividades voltadas ao ensino e à pesquisa”.

Assim, o protagonismo do farmacêutico na TRS pode contribuir para a melhoria do processo de uso dos medicamentos, a redução dos riscos, a gestão e a qualidade dos serviços prestados ao paciente.

O tema já havia passado por consulta pública, cujo trabalho foi coordenado pela Comissão de Legislação e Regulamentação (Coleg), do Conselho Federal de Farmácia (CFF). Essa proposta altera a Resolução 500/09.

D acordo com a Resolução 672/19, capítulo II, Art. 3º, as atribuições do farmacêutico em serviços de diálise são atribuições relacionadas ao tratamento de água e à fabricação e controle de qualidade do Concentrado Polieletrolítico para Hemodiálise (CPHD). Sua função é controlar, monitorar e garantir a qualidade da água para hemodiálise e do dialisato; exercer a responsabilidade técnica pela fabricação e pelo controle de qualidade do CPHD; e executar as operações farmacotécnicas (diluição, fracionamento, reconstituição, envase, análise e controle de qualidade).

Atribuições clínicas

Já o Art. 6º da Resolução lista as atribuições clínicas do farmacêutico:

  1. Prevenir, identificar, avaliar, monitorar e intervir nos incidentes relacionados aos medicamentos e a outros problemas relacionados à farmacoterapia e demais produtos utilizados na assistência ao paciente;
  2. Acessar, conhecer, interpretar e organizar as informações constantes do prontuário, a fim de proceder à avaliação do paciente;

III. Conhecer as condições fisiopatológicas do paciente;

  1. Fazer a anamnese farmacêutica, incluindo a história da doença atual, comorbidades, hábitos de vida, alergias conhecidas, uso prévio de medicamentos, entre outros;
  2. Fazer a conciliação de medicamentos;
  3. Fazer o acompanhamento farmacoterapêutico;

VII. Analisar a prescrição do paciente quanto aos aspectos legais e técnicos, de modo a promover o uso adequado de medicamentos e de outros produtos para a saúde;

VIII. Avaliar a farmacoterapia quanto à indicação, doses, frequência, horários, vias de administração, formas farmacêuticas, dialisabilidade, reconstituição, diluição, tempo e velocidade de infusão, duração do tratamento, com o objetivo de atender às necessidades individuais do paciente;

  1. Gerenciar, avaliar e otimizar a terapia antimicrobiana, com o objetivo de promover o uso racional de antimicrobianos, em consonância com as diretrizes da instituição relacionadas ao controle de infecção;
  2. Monitorar a necessidade de ajuste de dose de acordo com as características do fármaco, função renal e sistema de diálise;
  3. Avaliar a necessidade de adaptação de formas farmacêuticas e orientar quanto ao uso seguro, considerando as peculiaridades do paciente, a compatibilidade com os dispositivos para administração desses medicamentos e a efetividade terapêutica;

XII. Solicitar exames laboratoriais, quando necessário, com o objetivo de monitorar os benefícios e os riscos associados à farmacoterapia;

XIII. Interpretar e avaliar resultados de exames como ferramenta para a individualização da farmacoterapia;

XIV. Elaborar o plano de cuidado farmacêutico centrado no paciente, em consonância com os demais membros da equipe multiprofissional;

  1. Fazer as intervenções farmacêuticas e registrar as tomadas de decisão;

XVI. Promover ações de educação em saúde para o paciente, cuidador e outros profissionais;

XVII. Dispensar medicamentos e outros produtos para a saúde;

XVIII. Realizar a monitorização terapêutica de medicamentos;

XIX. Contribuir para a prevenção e o controle das infecções relacionadas à assistência;

  1. Colaborar com os outros membros da equipe multiprofissional nas ações de prevenção, identificação, correção e notificação de incidentes e queixas técnicas, a fim de minimizar possíveis danos relacionados à assistência;

XXI. Contribuir para a segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos;

XXII. Participar das decisões relativas à terapia medicamentosa e aos protocolos clínicos;

XXIII. Realizar os registros das ações farmacêuticas e mantê-los em arquivo em conformidade com a legislação;

XXIV. Participar ativamente do núcleo de segurança do paciente; e

XXV. Atuar, juntamente com os demais membros da equipe multiprofissional, da elaboração das rotinas padronizadas, orientando e capacitando o pessoal quanto ao preparo e administração dos medicamentos, no que diz respeito a  reconstituição, diluição e estabilidade; tempo e ordem de infusão de medicamentos injetáveis e incompatibilidade.

Temas relevantes na 486ª Plenária

A Resolução 672/19 foi aprovada na 486a Reunião Plenária do Conselho Federal de Farmácia (CFF), que aconteceu em Brasília, na sede da entidade, entre 18 e 19 de setembro. Além dessa norma, a reunião contou com outros temas relevantes, mas, também, deixou assuntos importantes de lado, como é o caso do aumento das anuidades a cada três meses - discutido inicialmente em maio - e que vem sendo ‘empurrado com a barriga’ para as próximas reuniões.

Além disso, os conselheiros federais também aprovaram a proposta de Resolução que dispõe sobre as atribuições e competências dos farmacêuticos nos serviços de hemoterapia e bancos de sangue (Resolução 673/19). O tema também passou por consulta pública entre 30 de agosto a 9 de setembro e altera a Resolução 617/15.

Como os hemocentros são referências no tratamento de coagulopatias hereditárias e doenças falciformes, a alteração dessa resolução viabilizou os procedimentos laboratoriais, consulta farmacêutica, atribuições clínicas e a dispensação de medicamentos.

Após a aprovação dessas propostas de Resolução que tratam das atribuições do farmacêutico nos serviços de diálise e de hemoterapia e bancos de sangue, a Reunião Plenária do CFF teve continuidade com dois temas polêmicos.

O primeiro deles foi levado pelo conselheiro federal (RJ), Alex Sandro Baiense. Ele popôs uma nota técnica a ser disponibilizada para os farmacêuticos explicando a situação do modelo de comercialização de medicamentos em marketplaces. O Portal de Conteúdo do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, publicou matéria exclusiva sobre o tema, intitulada Como vamos trabalhar com o IFood dos medicamentos? (leia aqui).

Segundo o conselheiro, o tema foi levantado pela mídia e suscitou debates entre a classe, especialmente no segmento magistral. A nota técnica iria instruir os farmacêuticos de que a legislação em vigor, a RDC 44/09 (Art. 52) e a Lei 5.991/73, (Art. 21) não preveem esse tipo de comércio. Os conselheiros pediram para avaliar um parecer técnico e retomaram o assunto no dia seguinte, quando aprovaram o mérito da necessidade da nota técnica, mas não conseguiram definir o conteúdo que ela terá.

Dessa forma, o texto será desenvolvido pela área técnica e a jurídica do CFF e será colocado em votação na reunião plenária 487ª, em outubro.

Pagamento de anuidades apenas pela matriz

Outro tema polêmico abordado foi a contratação de um parecerista para atuar no processo da isenção do pagamento de anuidades por filiais sem capital destacado. O assunto também já foi abordado no Portal do ICTQ, sob o título Justiça proíbe taxas do CRF e determina restituição dos últimos 5 anos (leia matéria aqui).

Em vez de R$ 140 mil (como anunciado anteriormente), foi corrigido o valor para R$ 155 mil, para que o jurista possa acompanhar todas as fases do processo. O conselheiro federal (CE), Luís Claudio Mapurunga, interveio, dizendo que foi o Regional de São Paulo quem solicitou, porém o CFF iria pagar. Assim, eles deveriam ficar atentos para que aquela regional não levasse todos os ‘louros’ no caso de um resultado positivo.

Além disso, foi tratada a utilização do título de doutor na cédula de identificação do farmacêutico, a exemplo do que faz os conselhos de enfermagem e de medicina. Na sequência, os conselheiros passaram a tratar os processos éticos.

Como é de praxe, em todas as reuniões plenárias há a fase de informes da diretoria e dos conselheiros federais. Porém, por conta do excesso de processos éticos a serem julgado pelos conselheiros, esse item da pauta foi postergado para a reunião de outubro.

A reunião plenária também contou com a aprovação das contas dos regionais, apresentadas pela comissão de tomada de contas (CTC). A maioria das contas apresentadas foi aprovada, com exceção do Conselho do Pará, que teve seus números reprovados com relação ao pagamento de combustível, diárias e outros itens.

Empréstimo para o Acre

Um dos itens da pauta previa a aprovação de um empréstimo para o Conselho Regional do Acre, a fim de que sejam pagas as despesas com as folhas de pagamento de setembro a dezembro, e também a do 13º salário. O Conselho daquele Estado alega não ter recursos para isso por conta da desoneração das taxas e de outras dificuldades financeiras.

Aproveitando a discussão sobre o tema, alguns conselheiros federais se manifestaram, dizendo que, realmente, a maioria dos regionais já começa a sentir o impacto, nas suas contas, com a desoneração das taxas.

Há os que afirmaram ter perdido cerca de 40% do rendimento da entidade por conta da queda da arrecadação de taxas.

Eles comentaram que, como foram diminuídas as suas receitas, eles terão de rever suas estratégias para que sejam também minimizadas as suas despesas. Todos eles se mostraram preocupados com essa questão.

Finalizando a plenária 486ª, do CFF, os conselheiros partiram para as discussões sobre os processos éticos, que somaram quase 50 itens para avaliação naquela pauta. Esse tema é sigiloso e não pôde ser acompanhado pela equipe de jornalismo do ICTQ.

Publicado no Portal do ICTQ

NAÇÃO FARMACÊUTICA COROA A EDIÇÃO DO ICTQ STATION 2019

NAÇÃO FARMACÊUTICA COROA A EDIÇÃO DO ICTQ STATION 2019

 

POR EGLE LEONARDI

Sucesso absoluto! Este foi o ICTQ Station, que já é considerado um dos maiores e mais inovadores eventos voltados exclusivamente para a nação farmacêutica. Com a presença de mais de 900 farmacêuticos, o evento foi realizado no último sábado (28), em um dos mais nobres e importantes espaços de convenções em São Paulo. Foram 26 palestras realizadas ao longo de 10 horas, além de shows e atrações musicais.

Na entrada, as pessoas foram recebidas com música clássica ao vivo. Já tendo tomado seus assentos, logo na abertura do evento, foi proporcionado um momento devocional aos participantes, em que a cantora Aline Barros executou algumas canções de louvor a Deus, ao lado do professor Thiago de Melo, que promoveu palavras de agradecimento pela realização desse grande sonho de levar conhecimento à nação farmacêutica. Em seguida, foi realizada a palestra do professor Eduardo Abreu, com seu tema irreverente: A Carreira do Farmacêutico Phodástico!

Com relação ao conteúdo, pode-se dizer que o formato foi totalmente inusitado para grande maioria dos presentes. Havia um grande palco com 18 metros de extensão, onde três palestrantes falaram ao mesmo tempo sem que uma palestra interferisse na outra. Eram palestrantes de três jornadas diferentes de cada vez no palco, sempre no mesmo ambiente: farmácia clínica, área hospitalar e farmácia industrial.

Os presentes estavam munidos de fones de ouvidos e equipamentos que sintonizavam o canal referente à sua jornada de interesse. Atrás de cada palestrante havia um telão gigante que projetava as imagens referentes ao tema em questão.

De qualquer lugar da plateia era possível ver os oradores. Além disso, os presentes podiam migrar de uma jornada para a outra apenas sintonizando o novo canal em seu equipamento. Esse sistema foi considerado inovador e muito funcional pelos presentes.

Entre os 24 palestrantes havia professores do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, além de outros profissionais renomados no mercado, todos com reconhecimento nacional em suas áreas de atuação.

Importante lembrar que em intervalos de palestras o cantor e compositor, Renato Vianna, fazia sua participação especial, com músicas de conhecimento do público. Ele foi campeão, em 2015, do programa The Voice Brasil, transmitido pela Rede Globo.

“Assim, a nação farmacêutica ficou de frente à maior arena de conhecimento farmacêutico do Brasil, com o poder de escolha dos conhecimentos mais relevantes em suas mãos”, falou o fundador do ICTQ, e idealizador do projeto do ICTQ Station, Marcus Vinicius de Andrade.

Palestras Magnas

As palestras magnas ficaram por conta do dr. Dráuzio Varela e Marcos Piangers. O médico fez uma análise da situação de atendimento da população pelo SUS e planos de saúde, com ênfase para o segmento farmacêutico.

“O farmacêutico é uma figura importantíssima na saúde pública brasileira. Sua atuação poderia promover ainda mais economias à saúde pública nacional e levar mais saúde à população, por ser um profissional mais próximo e acessível, desafogando o complicado sistema de saúde brasileiro”, falou Varela, com exclusividade, à equipe de jornalismo do ICTQ.

Já a outra palestra magna ficou por conta de Marcos Pianger - um dos mais irreverentes palestrantes da atualidade. Ele falou sobre o propósito de um farmacêutico disruptor e transformador. “O farmacêutico e todos os profissionais que estão numa indústria em transformação vão precisar ter a capacidade de enxergar as coisas de outro ângulo. As obsessões modernas de estar sempre correndo, sempre ligado à tecnologia não nos torna, necessariamente, mais produtivos. A tecnologia só é útil quando é capaz de nos transformar em profissionais mais assertivos, mais dedicados e mais focados”, disse ele, também com exclusividade ao jornalismo o ICTQ.

Casos de Sucesso

Também servindo como exemplos de sucesso da categoria aconteceram as apresentações de dois casos: um deles era o projeto intitulado Esse Rio é a minha Cura em que farmacêuticos do Pará percorrem os rios da região de Abaetetuba para fazer um atendimento farmacêutico à população ribeirinha. Esses atendimentos são feitos de barco e os farmacêuticos levam medicamentos para distribuir à população carente, sempre nos seus domingos de folga, atuando de maneira voluntária. Após algumas incursões pelos rios, o ICTQ tomou conhecimento do projeto e decidiu participar dele, oferecendo infraestrutura e outros recursos para a continuidade da campanha. Leia matéria completa aqui, com cobertura da jornalista Egle Leonardi, diretora da Vitae Editora.

 

Outro caso de sucesso apresentado no palco foi o da farmacêutica Elane Mendes.  Ela é uma profissional inquieta, que decidiu empreender em farmácia clínica no interior do Pernambuco, em Cabo de Santo Agostinho, abrindo um consultório farmacêutico. Além disso, com seu perfil multifacetado, ela atua em outros segmentos, inclusive hospitalar, para promover melhor condição de vida para a população de sua cidade. Ela é um exemplo de sucesso! Leia matéria completa sobre ela aqui.

Tarde de autógrafos

Houve o lançamento do livro Guia de Vacinação para Farmacêuticos, da professora do ICTQ, Angélica Pinto, com a participação do diretor do ICTQ, Eugênio Muniz. Além disso, a professora do Instituto, Daniela Silva, também autografou sua obra, intitulada Qualificação de Fornecedores – As Etapas Fundamentais para Garantir a Qualidade do seu Processo. O professor Thiago de Melo também autografou sua obra, cujo título é BiblioQuímica - As Evidências Biomédicas na Bíblia.

“Foram 250 obras, sorteadas previamente por meio das redes sociais do ICTQ, entregues e autografadas para os ganhadores da promoção, representando o apoio que o Instituto dá à produção e disseminação do conhecimento”, destacou Andrade.

Chave de ouro

E, para coroar o final dessa grande maratona de conhecimento e diversão, o encerramento ficou por conta de ninguém menos do que o consagrado cantor, ator e modelo, Lucas Lucco, que levantou o público e colocou todo mundo para dançar.

Claro que, para aguentar a festa até o final, visto que já eram quase 22 horas, os presentes puderam saborear frutas e bebidas energéticas e comemorar com champanhe a consagração do ICTQ Station.

“Foi muito interessante. Foi uma experiência que eu ainda não tinha visto. O ICTQ fez um congresso com palestrantes de alto nível, com excelentes palestras e capacitações. Os farmacêuticos ficaram muito contentes. Era possível ver nos colegas a alegria de estar ali participando de um evento com profissionais de gabarito elevado”, comentou o presidente do Conselho Federal de Farmácia de São Paulo (CRF-SP), Marcos Machado.

Ele relatou, em entrevista exclusiva ao jornalismo, a sua satisfação, pois o ICTQ, além de oferecer conhecimentos, também promoveu entretenimento. “Havia cantores, palestrantes motivacionais, houve um momento diferente de tudo, que era o momento religioso, enfim era um evento de porte mesmo, não era apenas um congresso de capacitação!”.

Ele confessou que não conhecia esse modelo, mas achou fantástico. “Como presidente do CRF-SP, eu entendo que é um modelo a ser seguido. O ICTQ está de parabéns, não só por capacitar, mas por encontrar uma fórmula que prendeu a atenção das pessoas e fez com que elas se sentissem em um ambiente diferente, se capacitando e se divertindo ao mesmo tempo. Eu não tinha visto isso ainda em nenhum dos eventos que eu participei. Parabéns ao ICTQ”, diz Machado.

Temas atuais

“O que esperar de um evento como o ICTQ Station? Foi simplesmente magnífico, com os melhores palestrantes do Brasil, com temas atuais e relevantes e com discussões de casos de alto nível. Na realidade, ficávamos atônitos em qual das palestras queríamos ouvir e assistir. Às vezes ficávamos de sintonia em sintonia para tentar pegar um pouquinho de cada palestra”, revelou o farmacêutico de Abaetetuba (PA), participante e mentor do Projeto Esse Rio é a Minha Cura, Thiago Braga.

Para ele, as atrações musicais de palco impactaram a todos. “Posso ressaltar a Aline Barros, com toda a sua adoração; depois veio o professor Thiago de Melo, com aquela abertura amável em uma alusão à categoria farmacêutica. Por fim, o cantor, Lucas Lucco, encerrou com chave de ouro, e já fica no ar a vontade de termos mais tempo de evento”, falou Braga.

Esperando o próximo

“O evento foi incrível. Estou sem palavras para descrever, mas, gostaria de dizer que nunca vivenciei um evento de tão grande porte. Sai de lá com uma coisa que jamais ninguém poderá tomar: o aprendizado. Quanta tecnologia de ponta! Que palestras foram aquelas... com conteúdos de excelência e palestrantes e professores com muita bagagem e experiência. Eu vivi o poder do conhecimento. Gratidão pela oportunidade de poder vivenciar tudo isso”, exprime a farmacêutica, Elane Mendes, que tem um consultório em Cabo de Santo Agostinho (PE), cujo caso foi mostrado no palco e já foi citado aqui anteriormente.

Ela comentou, ainda, que já está ansiosa para o próximo ICTQ Station. “O que achei também muito importante foi a gratidão a Deus. Começar o evento com o momento devocional foi tudo de lindo, pois aquela música de louvor a Deus tocou nossos corações”.

Farmácia Clínica é a realidade da profissão

A farmacêutica de Pirapora (MG), Aline Medeiros, criadora do blog WebFarmacêutica, assistiu à jornada de clínica e afirma que essa é a tendência para a farmácia. Ela destacou nas palestras: “O farmacêutico está sendo resgatado do modelo de boticas, antigamente, pois, temos um grande problema de saúde no Brasil e demora no atendimento. Sendo assim, a busca pela drogaria é maior. O farmacêutico é sinônimo de cuidado e ele é o diferencial dentro do consultório. As legislações permitem que nós possamos solicitar exames laboratoriais, realizar encaminhamentos e prescrever alguns medicamentos, promovendo seu uso racional”.

Além disso, Aline gostou da palestra de Eduardo Abreu, que mostrou que não se pode ter vergonha de batalhar por um futuro melhor, mas é preciso estar preparados para o futuro. “Faça o seu melhor onde você estiver. Sorte é estar preparado quando as oportunidades aparecerem. Estude, batalhe e seja humilde”, lembrou ela.

Ela ressaltou, ainda, a palestra de Dráuzio Varella, que citou a importância do atendimento clínico farmacêutico na drogaria, e ainda salientou que é preciso ousar mais em farmácia. “São anos dedicados aos estudos, um grande volume de conteúdo, para fazer o que fazemos na drogaria...e focar apenas no serviço burocrático? É preciso saber que o SUS não suporta as demandas atuais, e que os serviços farmacêuticos necessitam ser ofertados à população”.

A palestra do Marcos Piangers foi ousada e interativa. Aline, por estar sentada na primeira fila, foi alvo das indagações e brincadeiras do palestrante...e se saiu muito bem. “Ele estimulou a criatividade e a inovação dos farmacêuticos, levando a uma reflexão sobre o futuro. Esse foi o ponto mais forte da apresentação do Marcos Piangers. O toque de humor utilizado no decorrer da palestra foi sensacional”, relembrou a farmacêutica, que se mostrou muito bem-humorada nas interações com Piangers na plateia.

Bastidores

Todos os presentes elogiaram o evento e toda a estrutura oferecida para proporcionar uma experiência ímpar no segmento farmacêutico. No entanto, vale ressaltar que isso só foi possível com o empenho total da equipe de eventos o ICTQ, que investiu nove meses no planejamento e preparação do ICTQ Station.

Além disso, grande parte dos colaboradores da Instituição também se envolveu nos preparativos, sem falar nos 120 profissionais contratados para fazer o ICTQ Station virar uma realidade. Eles integraram as equipes de montagem, transporte, recepção, áudio, vídeo, alimentação, segurança, reportagem e infraestrutura.

“Eu sou uma pessoa de muita sorte...digo que tenho sorte porque estive diante de um auditório lotado, com gente de qualidade, gente que quer crescer...que quer evoluir! Esse é um privilégio para poucos...e os participantes o ICTQ Station me proporcionaram isso e me honraram com sua presença! Digo isso com a emoção de quem está celebrando dez anos do ICTQ, e que está presente em todos os Estados brasileiros, com dedicação integral ao farmacêutico!”, finaliza Andrade, que já mandou avisar: ano que vem tem mais! Em 2020, o ICTQ Station será ainda mais grandioso e espera receber mais de dois mil participantes. Até lá!

Publicado no Portal do ICTQ

HOSPITAL DO FUTURO E A TECNOLOGIA A FAVOR DA SAÚDE

HOSPITAL DO FUTURO E A TECNOLOGIA A FAVOR DA SAÚDE

 

POR EGLE LEONARDI

Os avanços tecnológicos estão proporcionando, cada vez mais, saúde e bem-estar ao ser humano, como pode ser lido no Anuário 360º do Mercado Farmacêutico 2019, publicado pelo ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico. Inovações em internet das coisas (IOT), 5G e, realidade aumentada e inteligência artificial (AI) já podem ser acessadas pela população da maneira mais simples possível, ou seja, com o futuro na palma da mão, por meio de um smartphone, por exemplo.

Na área hospitalar, é fato que o futuro também já chegou! A Coreia do Sul acaba de anunciar que, até 2020, pretende inaugurar um complexo hospitalar intitulado hospital do futuro, segundo o site Canaltech. O espaço ficará localizado na cidade de Yongin, mais precisamente há 40 quilômetros da capital, Seul. O complexo é fruto de uma parceria da renomada Universidade Yonsei com a operadora SK Telecom.

Por meio do uso de tecnologias de realidade aumentada, 5G e assistência de voz, a otimização dos serviços no hospital permitirá uma maior qualidade no atendimento ao paciente. Entre muitas inovações, o comando de voz trabalhará a favor da acessibilidade. Com ele, os pacientes, dentro dos quartos, poderão apagar a luz, controlar a temperatura do ambiente e até chamar o médico, enfermeiro ou o farmacêutico.

Já em relação aos visitantes e funcionários daquele hospital, as ferramentas tecnológicas também vão proporcionar melhor qualidade nos acessos e serviços. Aquela cena, aparentemente distante, que já foi apresentada em filmes de ficção científica, mostra, por meio do reconhecimento facial, a livre circulação de profissionais em áreas de acesso restrito do hospital.

Mas...o que é a ficção senão a predição da realidade? Com o uso de reconhecimento facial, em vez de crachás, profissionais como farmacêuticos clínicos, enfermeiros e médicos terão acesso às diferentes áreas daquele hospital. Além disso, visitantes que circularem pelos corredores poderão ser direcionados, por meio da tecnologia de realidade aumentada, para chegar aos quartos e leitos ou, até mesmo, para resolver algum problema administrativo nas áreas de recepção e atendimento.

Hospital de Londres já surfa essa onda

Outro exemplo é o de um robusto sistema de reconhecimento facial implementado no Great Ormond Street Hospital, em Londres, Inglaterra, inaugurado no final de outubro de 2018, que já permite que, desde os primeiros passos na porta de entrada do hospital até o balcão de recepção, a imagem de uma pessoa seja captada por um sensor de reconhecimento facial, e seu rosto é salvo em um sistema. A ela é atribuído um número de identificação.

Durante todo o seu trajeto dentro daquele estabelecimento um sistema de inteligência artificial vai rastreando seus passos e aprendendo mais sobre seu comportamento e necessidades.

Imediatamente, toda a equipe de saúde – farmacêuticos, médicos, enfermagem – já conhece seu prontuário eletrônico, portanto, suas doenças, procedimentos e os medicamentos que utiliza já estão disponibilizados. É o momento de dizer adeus ao anonimato em mais este ambiente!

Claro que, no Brasil, há empresas que já fornecem esse sistema. Por aqui, a digitalização e a robotização hospitalar ainda não chegaram a extremos como os dos exemplos da Coreia do Sul e da Inglaterra, pois essa transformação exige investimento de peso. No entanto, os hospitais brasileiros estão se movimentando para implementar algumas tecnologias que visam à segurança do paciente e à redução de custos com melhoria na gestão de processos e insumos. No final, o investimento acaba se pagando mais rapidamente do que se imagina.

Quarentena sem isolamento

Os avanços tecnológicos do hospital do futuro sul-coreano também possibilitam melhor estadia para pacientes em quarentena que, por meio de um sistema de hologramas, poderão receber visitas dos seus respectivos familiares e amigos.

Sobre essa medida, vale ressaltar a importância que a ação pode impactar na qualidade de vida e no tratamento de muitos pacientes em quarentena, uma vez que, em muitos casos, o isolamento é uma questão de saúde pública para o controle de epidemias. No Brasil, por exemplo, a medida (quarentena) passou a ser aplicada a partir da década de 1950, com a finalidade de prevenir a proliferação de doenças.

Na época, foi adotada a expressão vigilância epidemiológica. Em recomendação do Ministério da Saúde, por meio da Lei 6259, de 1975, e do Decreto 78.231, de 1976, foi instituído no País, o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE).

Um estudo publicado na revista científica, The Lancet, apontou que uma das maiores causas de depressão é justamente o isolamento social. Com base nisso, é importante destacar a importância da medida adotada pelo hospital do futuro sul-coreano, em usar a tecnologia de visitas por holograma de forma que proporcione melhor qualidade de vida aos pacientes nessa condição.

A estimativa é que o hospital comece a funcionar até fevereiro de 2020. Contudo, para entrar em funcionamento o projeto depende da rede 5G, da SK Telecom, devido à necessidade de proporcionar conexão entre os dispositivos, além da finalidade de realizar o transporte de informações criptografadas via rede, por medidas de segurança. Vale destacar que, em transmissão de dados, cautela é fundamental para evitar possíveis invasores. 

Em comunicado oficial, a SK Telecom informou que o objetivo de realizar essa junção para proporcionar conectividade entre as tecnologias em um único local tem por finalidade proporcionar melhorias no sistema de atendimento aos pacientes, além de facilitar às tarefas de profissionais da saúde. “A SK Telecom trabalhará em colaboração com o Sistema de Saúde da Yonsei University, para construir o melhor hospital 5G habilitado do mundo, utilizando TIC [tecnologia] de ponta”, disse o presidente e CEO da SK Telecom, Park Jung-ho.

Outros avanços tecnológicos no sistema de saúde do Brasil

Para quem pensa que toda essa tecnologia é uma prioridade e realidade apenas no exterior, vale destacar que, no Brasil, já é possível encontrar muitos hospitais que estão buscando nas tecnologias de conectividade e transmissão de dados - como IA e IOT - soluções mais práticas para otimizar a rotina, tanto dos profissionais da área (farmacêuticos, médicos e enfermeiros) como dos pacientes.

Além disso, diversas tecnologias já estão em uso para melhorar a forma de tratar muitas doenças. “A inteligência artificial vem ajudar na tomada de decisões nas áreas mais comuns. Os profissionais de saúde só veem doenças raras uma ou duas vezes na sua carreira. Os algoritmos veem os dados com mais detalhes e percebem se o médico está diante de uma doença rara”, declarou o professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, Alexandre Chiavegatto Filho, em recente entrevista ao Portal UOL.

Um exemplo de bom uso das inovações tecnológicas acontece no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), que implementou a Plataforma de Inteligência Hospitalar (PIH). A iniciativa recebeu o Prêmio e-Gov, de 2017, coordenado pela Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação (Abep).

Por meio da plataforma, é possível um compartilhamento de informações e uma integração entre os profissionais envolvidos no tratamento do paciente. “Há painéis de decisão que podem orientar a equipe na tomada de decisões no sentido de avisar, por exemplo, que determinado paciente pode piorar (baseado em dados) e aciona alerta de prioridade. Chamamos isso de camada de monitoramento de fluxo do paciente”, explica o diretor coordenador de Núcleo de TI e CIO do HC, Jacson Barros.

Segundo o diretor, um exemplo prático da funcionalidade da plataforma está na unificação entre a comunicação do médico com o farmacêutico. Com acesso a ela, o profissional de farmácia não permite a falta de medicação para o paciente. “Penso que, quanto mais profissionais tiverem acesso à informação integrada, menor o erro”, defende ele. 

No entanto, é importante ressaltar que a plataforma ainda não é baseada em inteligência artificial. Mas, de acordo com o diretor, esse é o próximo passo. Por hora, a ferramenta está em fase de aprendizagem, onde faz uma checagem no comportamento e toma decisões baseadas nas práticas e experiências anteriores que deram certo.

Novas tecnologias em farmácias de hospitais

A automação e o uso de tecnologias nos serviços farmacêuticos dos hospitais são capazes de proporcionar equilíbrio operacional e gerenciar grandes volumes de produtos, por meio da unitarização de medicamentos de diversas formas, como comprimidos, cápsulas, ampolas, frascos, seringas e envelopes; armazenando-os e separando-os de acordo com a prescrição médica.

Conforme apontou um estudo realizado na Azienda Sanitaria Locale della provincia di Alessandria (um complexo italiano com cinco hospitais e um total de mais de 700 leitos), o uso de tecnologia nos serviços das farmácias da rede hospitalar, proporcionou uma redução de 21% em estoque e 26% em despesas farmacêuticas, além de economia de, aproximadamente, € 870 mil (quase R$ 4 milhões) ao ano com tratamentos terapêuticos. O levantamento é baseado nos dados divulgados pela empresa de automação hospitalar, Sinteco, divisão de negócios da Bucci Automations. 

“Em menos de um minuto, a medicação prescrita ao paciente é agrupada e identificada de modo personalizado, com os dados do paciente, leito, tipo de internação, medicamentos prescritos e respectivos horários de administração; facilitando e agilizando, assim, todo o processo de dispensação", finalizou o gestor da Sinteco Hospitalar no Brasil, José Renato Marcuci.

TABELINHA VOLTA EM FORMA DE APLICATIVO

POR EGLE LEONARDI  

Você já deparou uma mulher no balcão de sua farmácia – ou seu consultório farmacêutico – solicitando orientações para uma tabelinha para não engravidar? Possivelmente sua resposta será positiva. O fato é que esse método contraceptivo é considerado o mais antigo da história (antecessor ao preservativo e à pílula anticoncepcional). E ele volta à tona com uma roupagem extremamente moderna, desta vez na palma da mão, no smartphone.

Há diversos aplicativos (app) cujo objetivo é controlar os períodos menstruais e servir como um contraceptivo digital (ou um planejamento para a gravidez). Alguns exemplos são o Sai Cólica, Clue, Maia, Glow, Flo, Period Tracker, Kindara e Eve. Eles oferecem serviços como calendários de ciclos menstruais ou notificações automáticas para tomar medicamentos contraceptivos.

“Eu vejo os aplicativos como uma boa opção. É como se fosse uma tabelinha aperfeiçoada que oferece um calendário menstrual para ajudar no controle do ciclo e não deixar a mulher se esquecer de tomar a pílula. Além disso, alguns app emitem notificações para lembrar o período fértil e quando a menstruação está por vir. Mas lembro que eles não funcionam como contraceptivos”, defende o ginecologista e obstetra, Domingos Mantelli, autor do livro Gestação: Mitos e Verdades Sob o Olhar do Obstetra.

A novidade é que, pela primeira vez, o FDA (agência reguladora de medicamentos e alimentos americana) concedeu autorização para uso do Natural Cycles (Ciclos Naturais – um aplicativo de celular sueco que diz prevenir a gravidez), passando a reconhecer um aplicativo como método contraceptivo.

É uma boa notícia para os players que atuam no segmento femtech, que promovem tecnologias direcionadas para a saúde feminina, e que já movimentou cerca de US$ 1 bilhão desde 2017.

Qual a novidade nisso? Nenhuma, em termos tecnológicos. O fato inusitado, e que está causando polêmica nas terras do Tio Sam, é que o FDA tenha endossado esse método e, a partir disso, tenha começado a surgir denúncias de casos de gravidez por pessoas que estavam usando a tecnologia.

O aplicativo sueco, que custa US$ 79,99 (cerca de R$ 300,00) ao ano usa um termômetro basal de duas casas decimais – que deve ser introduzido na boca ou na vagina para medir a temperatura da mulher quando ela acorda. A ideia é que, se o app indicar que a temperatura da mulher está no seu período fértil, ela não tenha relações sexuais.

“Esse aplicativo usa o método da temperatura basal, em que partimos do princípio que no pico de aumento da temperatura seria o período da ovulação e, consequentemente, deveria ser evitada a relação sexual desprotegida. Funciona, porém não é 100% seguro”, alerta Mantelli.

Até o momento, nenhum dos outros aplicativos no segmento conseguiu o endosso por agências de saúde que o Natural Cycles obteve. Em 2017, o app sueco já havia sido aprovado como dispositivo médico pela União Europeia.

Produtor do app se defende

De acordo com a Natural Cycles, o aplicativo conta com mais de 900 mil usuários em todo o mundo e, como é baseada no ciclo menstrual e na temperatura corporal, a técnica é comum entre mulheres que evitam métodos contraceptivos hormonais, como a pílula, o DIU ou o anel vaginal. Estudos clínicos realizados pela empresa para avaliar a eficácia do app contaram com mais de 15,5 mil mulheres que usaram o aplicativo por um período de oito meses.

Os resultados indicam que apenas 1,8% das mulheres que usaram o aplicativo de forma correta ficaram grávidas. Os estudos apontaram ainda que 6,5% das mulheres que ficaram grávidas não usaram o aplicativo de forma correta – tendo relações sem proteção em dias férteis. Ainda assim, a taxa de fracasso do aplicativo é considerada baixa.

Pouco antes de ser aprovado nos Estados Unidos, a Advertising Standards Authority (ASA), organização que regula a indústria publicitária no Reino Unido, lançou uma investigação sobre o marketing do produto após receber denúncia de mulheres que ficaram grávidas enquanto estavam usando o app Natural Cycles, em 2017.

O app foi investigado pela Agência de Produtos Médicos da Suécia por relatos de outras 37 mulheres que eram usuárias dele, mas que tiveram de fazer aborto porque o método de controle havia falhado. A Natural Cycles informou ter conhecimento das acusações, mas disse que esse número estava alinhado com as expectativas da companhia.

Segundo o Portal da Bayer, entre o os métodos anticoncepcionais não hormonais, a tabelinha é considerada pouco eficiente, com índice de falha 10% a 20% (amargando resultados ruins ao lado dos espermaticidas, com falha 20%; muco cervical, com falha de 10% a 20%; e do coito interrompido, com falha de 15% a 20%.

Essas estatísticas mostram apenas incidências…porém, do ponto de vista de uma mulher que não quer ou não pode engravidar, isso é uma tragédia, independentemente dos números serem considerados baixos ou não.

Lado bom

Frente a essa polêmica do aplicativo, o ginecologista Mantelli foi questionado se esse método pelo aplicativo do cálculo das chamadas janelas de ovulação, embora fosse uma ideia inovadora, não seria baseada em um conceito já ultrapassado. Ele respondeu que não: “Não diria ultrapassado, mas um conceito já conhecido e muito usado. A diferença é que o controle se tornou digital, facilitando o acesso às informações”.

O fato é que esse tipo de contraceptivo digital é um dos produtos que mais cresce nesse segmento. “Acredito que, no futuro, teremos cada vez mais usabilidade para os métodos não hormonais e mais naturais, principalmente com controle digital, facilitando o uso e a pesquisa das informações referentes ao ciclo menstrual da mulher”, afirma o médico, que acredita que esse seria apenas mais uma alternativa contraceptiva não hormonal, na busca por métodos mais naturais de prevenir gestação. No entanto, o preservativo masculino ainda é o campeão de uso, com 90 milhões de usuários.

Regulamentação no Brasil

Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) diz que o aplicativo Natural Cycles, indicado como método contraceptivo, é considerado produto para a saúde e está passível de regularização junto à entidade, conforme disposições das resoluções RDC 185/01 e RDC 40/15.

Para a regularização desse dispositivo é necessária a apresentação dos estudos clínicos que comprovam a segurança e a eficácia conforme disposições das resoluções RDC 56/01 e RDC 10/15. Entretanto, a Anvisa afirma que não localizou o registro de um aplicativo com nome Natural Cycles no Brasil.

De acordo com o Portal da Bayer, a possibilidade de uma gravidez na mulher sexualmente ativa é de aproximadamente 85% ao ano (sem uso de contraceptivo). As novas tecnologias destinadas à saúde têm crescido de forma rápida nos últimos anos, a ponto de fomentar um mercado que movimentará US$ 50 bilhões em menos de dez anos. Os aplicativos que prometem ajudar a prevenir a gravidez engrossam esses números.

Essa indústria farmacêutica também entrou na era digital, embora tenha um portfólio físico parrudo com produtos destinados à saúde da mulher. A Bayer lançou, recentemente, o Yaz Flex, o primeiro contraceptivo oral de baixa dose com o ciclo flexível, que permite à mulher escolher quando menstruar.

Esse produto também já vislumbra a era digital e oferece um aplicativo que auxilia na tomada da pílula e informa sobre o que fazer em casos de esquecimento. “É comum surgirem dúvidas: se é preciso, por exemplo, tomar uma ou duas pílulas no próximo dia, ou se a camisinha deve ser usada ou não. Assim, o app contribui com uma maior segurança no dia a dia da mulher”, conclui o gerente de produtos da Bayer Pharma Brasil, Cleidson Marques.

 

BANCO GENÉTICO REVOLUCIONA NOVOS MEDICAMENTOS

Você conseguiria conceber o tamanho do benefício que a humanidade pode conquistar com a união de um banco de dados genéticos – com informações de cinco milhões de pessoas – a um conhecimento médico, farmacêutico e científico? Pois saiba que isso já existe e promete contribuir com a descoberta da cura de doenças raras e de novos tratamentos e medicamentos, inclusive para o câncer.

Os protagonistas iniciais desse projeto são a GSK – indústria farmacêutica mundial (com unidades fabris também no Brasil) – e a 23andMe – empresa americana de testes genéticos, líder em pesquisa e genética de consumo. As duas gigantes anunciaram, em julho de 2018, um acordo de colaboração exclusiva de quatros anos, cujo foco será a pesquisa e o desenvolvimento de medicamentos inovadores e potenciais curas, usando a genética humana.

Essa colaboração só é possível porque reúne a capacidade da 23andMe em disponibilizar  recursos genéticos de grande escala e capacidades avançadas em ciências de dados com o conhecimento médico, farmacêutico  e científico  da GSK.

O objetivo da colaboração é reunir dados inéditos de massa e, com isso, descobrir novos alvos terapêuticos para o avanço da cura de doenças e desenvolver tratamentos para condições graves não atendidas pelo conhecimento atual.

Em sua trajetória, o laboratório já ostenta expressiva capacidade de descoberta e desenvolvimento de medicamentos em uma grande variedade de doenças e modalidades. Isso inclui terapias de pequenas moléculas, biofarmacêutica, além de celular e genética.

Assim, a GSK pretende utilizar suas tecnologias difundidas mundialmente – o que inclui acesso a fontes de dados adicionais, validação local de alvos e experiência em genética – e aplicá-las a suas operações comerciais e de fabricação. Dessa forma, poderá prestar suporte a atividades de parceiros durante a pesquisa e desenvolvimento.

“Estamos entusiasmados com essa colaboração única, já que sabemos que alvos terapêuticos com validação genética apresentam uma chance significativamente maior de demonstrar benefícios para os pacientes e de se tornar medicamentos”, destacou o médico, diretor Científico e presidente da área de P&D da GSK, Hal Barron.

Ele complementou: “A parceria com a 23andMe – uma organização cuja visão e capacidades estão transformando a compreensão de como os genes influenciam a saúde – ajudará a mudar nossa organização de pesquisa e desenvolvimento para ser movida pela genética e aumentará o impacto que a GSK pode ter nos pacientes”.

Um problema enfrentado pelo setor é que apenas 10% dos medicamentos destacados para a realização dos testes iniciais chegam aos pacientes, segundo Barron. O custo médio de levar um novo medicamento ao mercado subiu para quase US$ 2 bilhões em 2017, ao mesmo tempo em que os laboratórios perceberam uma forte queda dos retornos sobre o investimento em pesquisa e desenvolvimento.

“A ideia de escolher medicamentos potenciais que foram validados geneticamente nos dá a chance de ter uma probabilidade de sucesso muito maior”, ressaltou o executivo. “Além do mais, vamos conseguir fazer programas mais rapidamente. Então, isso nos ajudará com dois dos maiores desafios enfrentados por nosso setor”.

BANCO DE DADOS GENÉTICOS

Para entender um pouco melhor o negócio da 23andMe, vale citar que a empresa tem mais de cinco milhões de clientes. Ela oferece a eles a oportunidade de aprender mais sobre seu perfil genético, podendo conhecer suas origens e raízes genéticas de forma acessível e fácil, ou seja, o mais barato custa US$ 70, ou R$ 225,00, e pode ser realizado por meio da introdução de saliva em um tubo.

Esses clientes têm o direito de decidir se suas informações serão ou não compartilhadas na pesquisa. A boa notícia é que 80% dos clientes já liberaram seus dados para o projeto. Assim, suas informações integrarão um banco único e dinâmico, configurado como o maior recurso genético e fenotípico do mundo.

A CEO e fundadora da 23andMe, Anne Wojcicki, ressaltou: “Essa colaboração nos permitirá entregar o que muitos clientes estão pedindo – curas ou tratamentos para doenças”. Ela celebrou a potencialização das informações genéticas e fenotípicas fornecidas com autorização dos clientes da 23andMe e sua combinação com a experiência e recursos em descoberta de medicamentos da GSK. “Assim, acreditamos que podemos transformar em realidade a cura e o tratamento de doenças de forma cada vez mais rápida”, comemorou.

A 23andMe, cuja missão é ajudar as pessoas a acessar, entender e se beneficiar do genoma humano,  foi nomeada pela MIT Technology Review em sua lista das 50 Empresas Mais Inteligentes de 2017. Ela apareceu como 2ª Empresa de Saúde Mais Inovadora pela Fast Company, em 2018.

BENEFÍCIOS DO ACORDO

Traduzir dados genéticos e fenotípicos em atividades de pesquisa e desenvolvimento é a meta dessa união da GSK com a 23andMe. Seus esforços se concentrarão em:

1 – Melhorar a seleção de alvos para permitir a descoberta de medicamentos mais específicos e mais seguros – Os dados genéticos podem aprimorar significativamente a compreensão de doenças, seus percursos e mecanismos, apoiando a concepção e o desenvolvimento de medicamentos mais específicos. O uso de dados genéticos na seleção de alvos terapêuticos pode melhorar a probabilidade de sucesso em uma indicação específica e evitar riscos de segurança indesejados.

2 – Apoiar a identificação de subgrupos de pacientes com maior probabilidade de resposta aos tratamentos – A escala é essencial para a detecção de efeitos genéticos em subconjuntos menores de doenças e pacientes. Com mais de 80% da base de clientes da 23andMe já tendo concordado com a participação na pesquisa, seus dados agregados e descaracterizados podem ajudar na descoberta de um número significativo de novas associações, a partir de uma gama diversificada de pessoas, que não seria possível de outro modo.

3 – Permitir a identificação e o recrutamento mais eficientes de pacientes para estudos clínicos – A capacidade de identificar e convidar pacientes com uma determinada doença para a participação em estudos que são relevantes a eles (e, em alguns casos, de subgrupos genéticos específicos) pode encurtar o recrutamento de forma significativa e reduzir os prazos de desenvolvimento clínico. Isso permite que os medicamentos sejam entregues aos pacientes com mais eficiência.

COLABORAÇÃO INÉDITA

O prazo do acordo de colaboração entre a GSK e a 23andMe é de quatro anos, com a opção de prorrogação por mais um ano, período em que a GSK será colaboradora exclusiva da 23andMe para programas de descoberta de alvos terapêuticos.

Nesse percurso, as empresas usarão o banco de dados da 23andMe e suas análises estatísticas exclusivas. A expectativa é descobrir, em conjunto, alvos inéditos que podem progredir para o desenvolvimento de novos medicamentos.

A intenção é que o projeto se inicie imediatamente. Para isso, o acordo prevê que as empresas tragam para a colaboração programas já existentes em estágio inicial.

A 23andMe possui atualmente um portfólio contendo grande variedade de indicações de doença, que serão avaliados para inclusão no programa. Já a GSK contribuirá com seu inibidor LRRK2, que está atualmente em desenvolvimento pré-clínico como um tratamento potencial para a doença de Parkinson.

São esperados avanços significativos desse programa por meio da potencialização da grande base de clientes autorizados da 23andMe, que estão cientes da sua situação da variante de LRRK2 como resultado dos relatórios de saúde genética da 23andMe, autorizados pela FDA. Juntas, a GSK e a 23andMe devem selecionar com mais eficácia e recrutar mais rapidamente pacientes com mutações definidas de LRRK2 para obter a prova de conceito do estudo clínico.

Pelo acordo, as atividades serão financiadas igualmente pelas empresas. Tanto a GSK quanto a 23andMe dividirão os lucros dos novos tratamentos e medicamentos resultantes da colaboração. Vale ressaltar que a GSK fez um investimento em ações no valor de US$300 milhões na 23andMe.

A expectativa é que o projeto gere um número considerável de programas por ano, sendo que cada empresa pode desenvolver de maneira independente alvos adicionais identificados dentro da colaboração.

A GSK também terá o direito de trabalhar com a 23andMe para analisar seu banco de dados para validação do portfólio terapêutico já existente no laboratório, bem como potencializar as capacidades da 23andMe para o recrutamento em estudos clínicos.

DADOS PROTEGIDOS

A participação na pesquisa da 23andMe é voluntária e os clientes têm o direito de controlar seus dados. Para dar mais segurança aos participantes, suas informações são descaracterizadas, de forma que nenhuma pessoa pode ser identificada.

A proteção contínua dos dados e da privacidade dos clientes é prioridade para as duas empresas, que contam com proteções de segurança rígidas em vigor quando se trata de coletar, armazenar e transferir informações sobre participantes da pesquisa. A 23andMe declara que já emprega medidas de segurança física, de hardware e software para proteger os computadores onde os dados são armazenados e as informações só são transferidas com uso de criptografia para oferecer segurança máxima.

Outro objetivo importante é garantir um envolvimento contínuo mais amplo na comunidade científica. Por isso, a GSK e a 23andMe pretendem publicar os resultados da pesquisa conduzida dentro da colaboração, para permitir que os conhecimentos sejam usados para guiar pesquisas futuras.

Além disso, a GSK também anunciou um programa de reestruturação interna que custará cerca de US$ 2,2 bilhões até 2021. Com isso, o laboratório projeta uma economia anual de 400 milhões de libras US$ 520 milhões nesse período, que será reinvestida em pesquisa e desenvolvimento e no apoio comercial de novos produtos.

Publicado no Portal do ICTQ

SUPERBACTÉRIAS VERSUS ANTIBIÓTICOS: QUEM VENCE ESSA GUERRA?

SUPERBACTÉRIAS VERSUS ANTIBIÓTICOS: QUEM VENCE ESSA GUERRA?

POR EGLE LEONARDI

Pode parecer um movimento lento...quase inexistente... mas a verdade é que neste ano, pelo menos, dois novos antibióticos entraram no mercado nacional, com a promessa de combater as superbactérias, como o Torgena (Pfizer) e o Zerbaxa (MSD).

Há também aquelas notícias inusitadas que fazem a maioria duvidar, como a publicada na BBC Brasil, sobre uma pesquisa da Rockefeller University, em Nova Iorque (Estados Unidos), que descobriu na poeira uma nova família de antibióticos com potencial para combater infecções difíceis de tratar. Os testes indicaram que os compostos naturais, chamados de malacidinas, foram capazes de debelar uma série de doenças bacterianas que se tornaram resistentes à maioria dos antibióticos, entre elas a superbactéria MRSA (Staphylococcus aureus).

Contrariando aqueles que dizem haver um apagão no lançamento de antibióticos, o principal problema mundial envolvendo essa classe de medicamentos não é propriamente a falta de novos produtos, mas seu consumo irracional e desnecessário.

Importante dizer que a resistência bacteriana pode ser considerada uma das principais ameaças à saúde mundial. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, a partir de 2050, mais de 10 milhões de pessoas morrerão por ano por conta de bactérias resistentes aos antibióticos atuais, superando o número anual de óbitos por câncer, que chega a 8,2 milhões.

Nota assinada pela OMS, em conjunto com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAH) revelou altos níveis de resistência bacteriana, tanto em países subdesenvolvidos como nos desenvolvidos.

Segundo o Global Antimicrobial Surveillance System (GLASS), o acometimento generalizado de resistência aos antibióticos ocorre em 500 mil pessoas com suspeita de infecção bacteriana em 22 países. Foram relatadas, de forma mais recorrente, as bactérias resistentes Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus aureus e Streptococcus pneumoniae, seguidas da Salmonella spp.

A indústria está focada, mas nem tanto

De acordo com o presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini, há, sim, muito interesse da indústria farmacêutica no desenvolvimento de novos antibióticos: “E a razão é a emergência das chamadas superbactérias, resistentes aos antibióticos comuns, que a OMS considera uma das maiores ameaças à saúde humana”.

Ele acredita que, por conta disso, os institutos de pesquisa e laboratórios farmacêuticos de todo o mundo correm contra o tempo para desenvolver novas classes de antibióticos. “A questão é que esta é uma tarefa complexa, demorada e cara”, dispara o executivo. O fato é que está mais difícil, e cada vez mais dispendioso, o desenvolvimento de novos medicamentos por causa do relativo esgotamento de opções de princípios ativos com potencial curativo, obtidos por meio de pesquisa.

Já quem trabalha com os antibióticos no dia a dia tem opinião diferente: “Este ano tivemos alguns lançamentos, mas os lançamentos tem sido raros, pois poucos laboratórios se interessam por esses produtos (antibióticos), já que existe um grande risco de se tornarem obsoletos em curto espaço de tempo devido à resistência”, afirma o responsável farmacêutico do Hospital da Polícia Militar, professor de pós-graduação e diretor da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (Sbrafh), Marcelo Polacow.

Antibióticos novos

O mais recente antibiótico aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o Torgena, da Pfizer, publicado em 25 de junho, no Diário Oficial da União.

O medicamento é específico para o combate de bactérias resistentes, incluindo a superbactéria Klebsiella pneumoniae, produtora de carbapenemase (KPC), que expressa resistência a aproximadamente 95% dos antimicrobianos existentes no mercado.

Além disso, Torgena combate outros dois agentes considerados críticos para a saúde pública pela OMS: a Pseudomonas aeruginosa e as bactérias que expressam outro mecanismo de resistência a antibióticos, as enterobactérias produtoras de ESBL (β-lactamases de espectro estendido). A molécula considerada inovadora é uma combinação do antibiótico ceftazidima com o avibactam.

"As bactérias têm evoluído e se tornado cada vez mais resistentes às opções terapêuticas existentes. Por isso, a importância do desenvolvimento de novos antibióticos. O lançamento do Torgena é um importante marco na luta contra a resistência bacteriana, principalmente contra a KPC", destaca o diretor médico da Pfizer Brasil, Eurico Correia.

Em desenvolvimento, o laboratório mantém também outros dois antibióticos com moléculas associadas ao avibactam, com foco no combate à resistência bacteriana.

Outro antibiótico disponibilizado no Brasil neste ano (maio) é destinado ao tratamento de infecções causadas por bactérias resistentes, como a Pseudomonas aeruginosa - uma das três bactérias mais resistentes, destacadas pela OMS.

Com o nome comercial de Zerbaxa, o ceftolozana-tazobactam foi desenvolvido pela indústria farmacêutica MSD e é de uso hospitalar para tratar pacientes com infecções intra-abdominais e infecções do trato urinário, ambas de maior complexidade.

De acordo com estudos clínicos, o novo antibiótico demonstrou 87% de eficácia no tratamento de infecções intra-abdominais quando comparado ao tratamento padrão com meropeném (83%). Já para o tratamento de infecções do trato urinário causadas pelas P. aeruginosa, os números foram ainda mais expressivos, com aproveitamento de 75%, se comparados aos do levofloxacino (47%), que é um dos tratamentos contra esse tipo de infecção.

“Hoje em dia, ainda há uso de antibióticos de forma indiscriminada na medicina e veterinária, além da pecuária e agricultura. Isso resulta em uma importante pressão seletiva de bactérias. Ceftolozana-tazobactam é uma arma importante que está chegando ao mercado para auxiliar os médicos nessa luta, pois ainda perdemos pacientes com infecções por bactérias multirresistentes”, explica a infectologista na Universidade de Caxias do Sul, Lessandra Michelin, que é mestre e doutora em Biotecnologia e Vacinologia pela Université de Genève.

Bem, quanto ao antibiótico encontrado na poeira, pode parecer exagero, mas foi empregada uma técnica inovadora para sequenciar os genes de micróbios que vivem no solo. Assim, os pesquisadores anunciaram, em março deste ano, que encontraram uma nova classe de antibióticos poderosos, as malacidinas, que são eficazes em debelar bactérias multirresistentes.

Em testes em laboratório e em animais, as malacidinas eliminaram muitas infecções, incluindo algumas que se tornaram resistentes aos antibióticos tradicionais. Além disso, as bactérias infecciosas expostas às malacidinas não desenvolveram resistência aos novos antibióticos em experimentos laboratoriais de longa duração. Os resultados foram publicados na revista Nature Microbiology.

O chefe do Laboratory of Genetically Encoded Small Molecules, da Universidade de Rockefeller (onde a pesquisa foi conduzida), Sean F. Brady, diz que serão necessários anos de pesquisas adicionais antes que as malacidinas possam estar prontas para testes clínicos em humanos. Ainda assim, a descoberta poderá ajudar a enfrentar uma crise de saúde pública, à medida que os antibióticos existentes perdem cada vez mais sua eficácia contra microrganismos que causam infecções perigosas.

É preciso agir

Mussolini, do Sindusfarma, acredita que o principal problema mundial envolvendo antibióticos não é a falta de medicamentos adequados, mas seu consumo irracional e desnecessário. “Segundo estudos internacionais recentes, é esse consumo excessivo de antibióticos que tem provocado o aumento da resistência bacteriana, foco da preocupação de médicos e autoridades sanitárias, por representar uma real ameaça à saúde pública”, evidencia ele.

A solução passa por medidas de educação e controle, como a adotada no Brasil, de dispensar antibióticos somente mediante a apresentação de receita médica. “Nos fóruns de que participa, o Sindusfarma transmite e reitera a mensagem de que o consumo correto e racional de qualquer medicamento será sempre fruto de um enforcement coletivo, do compartilhamento amplo de informações e orientações precisas e da supervisão e fiscalização permanentes envolvendo todos os elos dessa cadeia: órgãos reguladores, médicos, profissionais de saúde, hospitais, população, indústria, varejo, centros de vigilância sanitária etc.”, avalia o presidente da entidade.

Para Polacow, os dados são alarmantes e a população corre o risco de entrar novamente numa era antes dos antibióticos, ou seja, haverá um nível de resistência tão alto que a maioria das infecções pode ficar sem tratamento disponível. “De acordo com algumas projeções apresentadas pelo assessor científico da BD, Patrick Murray, em evento realizado em agosto de 2018, em São Paulo (SP), morrerão mais pessoas de doenças infectocontagiosas em 2050 do que de doenças cardiovasculares e câncer, se nada for feito até lá”, prevê o farmacêutico.

A solução é complexa e envolve desde a mudança de atitude de prescritores e dispensadores com a utilização de boas práticas de prescrição e dispensação, passando pelas ações governamentais que garantam políticas de uso racional de antibióticos.

“Outro ponto importante são os dados laboratoriais de microbiologia clínica que necessitam ser aprimorados e automatizados, sempre que possível, para apresentarem dados confiáveis de perfil de identificação, resistência e sensibilidade dos microrganismos frente aos antibióticos disponíveis”, alerta Polacow.

A Anvisa disponibilizou, no ano passado, o Plano de Ação da Vigilância Sanitária em Resistência aos Antimicrobianos, que demarca o papel da vigilância sanitária nos esforços brasileiros de enfrentamento à resistência aos antimicrobianos.

No documento há estratégias de diferentes campos da vigilância sanitária, como alimentos, serviços de saúde, laboratórios, entre outros. Seguindo recomendações da OMS, a iniciativa oferece um plano estratégico e um plano operacional.

No plano estratégico, encontram-se os objetivos principais, as intervenções estratégicas e as atividades que contribuirão para a prevenção e o controle da resistência aos antimicrobianos. O plano operacional apresenta lista com as atividades secundárias a serem implementadas dentro do que foi estabelecido no plano estratégico e fornece informações detalhadas, especificando resultados esperados, quantidade ou frequência da execução, prazos, responsáveis pela execução, atores envolvidos, custos estimados e fonte de financiamento.

Além disso, outros órgãos ligados à saúde também estão se envolvendo na questão, como o Conselho Federal de Farmácia (CFF), que estruturou recentemente um Grupo de Trabalho para discutir ações em âmbito nacional, coordenado pela farmacêutica e professora, Adryella Luz.

Mundialmente, frente à necessidade de um sistema de vigilância global, a OMS disponibilizou, em outubro de 2015, o Global Antimicrobial Resistance Surveillance System (GLASS), para apoiar o plano de ação global sobre resistência antimicrobiana. O objetivo é fortalecer a base de evidências sobre a resistência e ajudar a tomada de decisões na condução de ações nacionais, regionais e globais.

O sistema global irá, eventualmente, incorporar informações de outros sistemas de vigilância relacionados à resistência antimicrobiana nos seres humanos, como na cadeia alimentar, monitoramento do consumo de antibióticos, projetos de vigilância direcionados e outros dados relacionados.

Todos os dados produzidos pelo GLASS estão disponíveis gratuitamente online e atualizados regularmente. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ressaltou seu objetivo de tornar a resistência antimicrobiana uma das principais prioridades da OMS, reunindo especialistas e trabalhando nessa questão no âmbito de um novo conjunto de iniciativas estratégicas.

Tecnologia contra a resistência bacteriana

O Digital AMS é um aplicativo, lançado em agosto de 2018, que auxilia os profissionais de saúde a organizar e consultar dados epidemiológicos dos hospitais onde trabalham, de modo a fazer uso mais racional de antibióticos.

Qualquer hospital pode ter acesso à ferramenta, basta que faça algum tipo de controle da microbiota do hospital. Por meio do aplicativo, os profissionais podem ter uma visão organizada dos microrganismos presentes em cada ambiente da instituição, além de poderem consultar protocolos internos de modo a identificarem o antibiótico correto para cada tipo de infecção.

“O aplicativo permite ao médico consultar qual o perfil de bactérias encontrado dentro do hospital em que trabalha e identificar qual o melhor antibiótico para cada situação. Além disso, em alguns casos, o próprio aplicativo oferecerá sugestões de quais antibióticos utilizar para cada caso”, explica a diretora médica do laboratório MSD, Fabiane El-Far.

A iniciativa faz parte do programa Antimicrobial Stewardship (AMS), da MSD, e até o final de 2018 a expectativa é de que 50 hospitais, em todo o Brasil, façam uso do aplicativo. O objetivo é conscientizar profissionais de saúde e a população em geral sobre o uso racional de antibióticos.

No Brasil, esse laboratório tem promovido o programa junto aos hospitais e operadoras de saúde – tanto no sistema público quanto no privado. A ideia é munir médicos e gestores de saúde com informações a respeito da importância de mapear a resistência bacteriana presente no ambiente hospitalar para, assim, definir o melhor antibiótico para cada situação, diminuindo as chances de resistência e proliferação das chamadas superbactérias.

Essas superbactérias existem mesmo?

Dados da Anvisa apontam que cerca de 25% das infecções registradas no País são causadas por micro-organismos multirresistentes – aqueles que se tornam imunes à ação dos antibióticos. Essas são as superbactérias e, infelizmente, elas existem.

Sem antibióticos eficientes contra as superbactérias, muitos procedimentos médicos, como cirurgias e quimioterapia para pacientes com câncer, por exemplo, poderiam ser inviabilizados. “Nós utilizamos antibióticos em complicações infecciosas de diversos procedimentos hospitalares, o que possibilitou inúmeros avanços em várias áreas da saúde, incluindo os transplantes, por exemplo. Se as bactérias se tornarem resistentes aos antibióticos que temos disponíveis atualmente, poderemos voltar à era pré-antibióticos, em que um simples ferimento infectado poderia causar graves danos”, alerta o infectologista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Clóvis Arns.

"Algumas das infecções mais comuns do mundo – e potencialmente as mais perigosas – estão provando ser resistentes aos medicamentos", diz o diretor do secretariado de Resistência Antimicrobiana da OMS, Marc Sprenger. Ele acrescenta: "E o mais preocupante de tudo: os patógenos não respeitam as fronteiras nacionais. É por isso que a OMS está encorajando todos os países a criar bons sistemas de vigilância para detectar a resistência aos medicamentos e fornecer dados para este sistema global".

A resistência ocorre porque, de modo geral, algumas bactérias já são naturalmente imunes a determinados antibióticos. Outros microrganismos desenvolvem resistência porque incorporam genes de outras bactérias que se tornaram resistentes ou porque seus genes sofrem mutação.

Os genes que codificam a resistência ao medicamento podem ser passados para as gerações seguintes de bactérias ou, às vezes, até mesmo para outras espécies de bactérias. Quanto mais frequentemente são usados antibióticos, mais provável é o desenvolvimento de bactérias resistentes.

Mecanismos comuns de resistência a antibióticos

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Lista da OMS com 12 superbactérias

Conheça a lista com as principais bactérias prioritários da OMS para a pesquisa de novos antibióticos.

Prioridade 1: CRÍTICA

  • Acinetobacter baumannii, resistente à carbapenema
  • Pseudomonas aeruginosa, resistente à carbapenema
  • Enterobacteriaceae, resistente à carbapenema, produtoras de ESBL

Prioridade 2: ALTA

  • Enterococcus faecium, resistente à vancomicina
  • Staphylococcus aureus, resistente à meticilina, com sensibilidade intermediária e resistência à vancomicina
  • Helicobacter pylori, resistente à claritromicina
  • Campylobacter spp., resistente às fluoroquinolonas
  • Salmonellae, resistentes às fluoroquinolonas
  • Neisseria gonorrhoeae, resistente à cefalosporina, resistente às fluoroquinolonas

Prioridade 3: MÉDIA

  • Streptococcus pneumoniae, sem sensibilidade à penicilina
  • Haemophilus influenzae, resistente à ampicilina Shigella spp., resistente às fluoroquinolonas

Publicada no Portal do ICTQ

MENTORIA PREMIUM CONTOU COM PALESTRAS DE PROFISSIONAIS RENOMADOS

Por Egle Leonardi

O primeiro encontro presencial do programa de Mentoria Premium em Qualificação & Validação – considerado uma inovação no setor – ocorreu em 9 de junho com a presença de um grupo seleto de profissionais ligados à área. Foram mais de oito horas de palestras com profissionais renomados, além de dinâmicas, debates aprofundados sobre o tema e muito networking – fundamental para o compartilhamento de conhecimentos e experiências.

“Esses são os profissionais que fazem a diferença nessa área. Agradeço a confiança que eles têm depositado no nosso programa e tenho certeza de que estamos mapeando nossas dificuldades para, depois, agirmos no sentido de superar obstáculos e sermos referência em qualificação e validação”, comenta a idealizadora do projeto, Daniela Silva, detentora de expertise na capacitação de pessoas do segmento industrial farmacêutico, veterinário e cosmético, produtos para saúde e diretora da MD Consultoria.

O programa Premium teve início em abril e prevê 12 aulas on-line e mais um encontro presencial, que acontecerá em dezembro deste ano. Por ser mais completo e aprofundado, ele oferece uma plataforma específica, que contém um robusto acervo técnico de documentos. Faz parte das atividades do grupo o desenvolvimento de um Guia sobre Requerimentos de Qualidade de Ar Comprimido.

Vale lembrar que há, também, um programa Platinum em fase de iniciação, com aulas 100% on-line e ao vivo com Daniela Silva e outros especialistas convidados. O programa Platinum é menos robusto que o Premium. Por isso, seus participantes terão a possibilidade de se inscrever para uma nova seleção, que lhes dará direito à mentoria Premium em 2019.

O FUTURO É AGORA

Uma das palestras ministradas durante o evento foi a do CEO da T2 Software, Rodrigo Klein. Ele é especialista nos temas da Indústria 4.0 e tem vasta experiência em rastreabilidade de medicamentos.

Ele afirmou que o mundo passa pela 4ª revolução Industrial, que é exponencial e é quando se tem acesso a tecnologias que, juntas, dão a oportunidade de criar produtos que não existiam, nem mesmo na imaginação!

Apenas a título de curiosidade, a 1ª revolução é considerada a máquina a vapor (processos mecanizados). A 2ª diz respeito à produção em massa (uso de tecnologia para ganho de escala) e a 3ª se fez com a automação (eletrônica avançada e acesso a ferramentas para automatizar com o objetivo de eficiência e economia).

A grande característica da 4ª Revolução industrial (chamada Indústria 4.0) é o acesso a tecnologias de mercado e a criação de novas soluções jamais pensadas, disponível a todos. As principais ferramentas dessa era são o big data, cloud computing, inteligência artificial, internet das coisas, computação cognitiva e impressão 3D.

“Posso exemplificar desta forma: a fábrica fala com um robô cognitivo. Ele vai informando o que está acontecendo, se há algum problema, se a meta foi comprometida por conta da possibilidade de uma quebra (analisada por acontecimentos anteriores). Tudo isso feito por voz, por processamento de linguagem natural”, ressalta Klein.

ANVISA E SUAS MAZELAS

 Para participar de uma mesa redonda e um ciclo de debates sobre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Daniela Silva e os demais participantes receberam Roberto Barbirato, que trabalhou na Anvisa e atua como consultor e auditor.

Ele falou sobre vigilância sanitária e os desafios que envolvem a atividade e as dificuldades dos inspetores. Barbirato discorreu, ainda, sobre a morosidade da Agência com relação à análise de registros e os motivos pelos quais o órgão é considerado um dos mais exigentes do mundo.

“Faça corretamente na primeira vez!”. Esta foi a frase citada diversas vezes por Barbirato. “A qualificação e Validação devem se basear estritamente na legislação, pois a Anvisa pode deferir ou fazer exigências. Neste último caso, a indústria vai contar com atrasos intermináveis, que retardam todos os processos. Evitem receber exigências, façam corretamente na primeira vez”.

Barbirato afirmou que a inspeção sanitária não busca simplesmente o erro, mas a aderência à norma. Os participantes foram ativos na busca de informações e, principalmente, nas reclamações, já que são alvo constante das exigências sanitárias. Por isso, Barbirato esclareceu dúvidas e contou casos reais para exemplificar atividades incongruentes e suas consequências na indústria.

DESAFIOS DA Q&V

Os profissionais aproveitaram a oportunidade para levantar as dificuldades que encontram no dia a dia na Qualificação e Validação. Muitos obstáculos foram descritos, e serão desenhados mais profundamente durante o processo de mentoria, quando serão encontradas soluções e metodologias. Conheça algumas das dificuldades descritas:

  • Entender o real desejo do cliente;
  • Unificar sistemas para integrar processos;
  • Ter normas e diretrizes mais exatas para as novidades da área;
  • Concorrência desleal de players pouco éticos;
  • Maior interação entre as áreas, tanto dentro da indústria como entre fornecedores e as diferentes áreas da indústria;
  • Demonstrar que o trabalho de Q&V não é custo, é investimento;
  • Precificação.

A farmacêutica Comercial e Técnica no grupo Emba EPS, Renata Curatolo, declarou estar muito satisfeita com o programa e com o evento: “Um dos motivos de minha participação é adquirir e compartilhar conhecimentos, principalmente em qualificação térmica e de transportes. Quero aprender mais e me destacar no mercado”.

Já a farmacêutica analista de Assuntos Regulatórios e de Garantia da Qualidade, Karina Eliana de Souza Batista Pereira, comentou: “Tive aulas sobre qualificação de transportes e isso me encantou! Entrei no grupo para adquirir conhecimentos, o que me ajudou muito. É uma motivação muito importante que vai me ajudar a mudar de área”.

O consultor especialista Laboratorial na Siemens Healthineers, Pedro Henrique Pazim, afirmou que o programa de mentoria o ajuda a, além de absorver conhecimentos, entender melhor o negócio do cliente, embora seu foco seja automação de sistemas. “Ás vezes, quando se trabalha nos bastidores, somos desacreditados. O cliente pede suporte, mas não acredita na solução que oferecemos. Isso deve mudar”.

COMPLIANCE DESCOMPLICADO

 Com vasta experiência na condução de projetos de compliance no Brasil e no exterior, a diretora Corporativa e de Gestão Estratégica da Terceiriza Varejo,  Michelle Reis, mostrou os desafios da atividade e contou sobre a implementação de um projeto de compliance no momento da integração da Drogaria Onofre quando foi comprada pela americana CVS, respeitando os riscos regulatórios e a cultura de cada empresa.

“Vale salientar que estar em compliance é agir de acordo com a regra e estar em conformidade com as leis e regulamentos internos e externos. Serve para proteger de fraudes, como corrupção e roubo. O código de conduta de uma empresa deve estar sempre na mesa de todo profissional que atua nela”, destaca a especialista.

2ª EDIÇÃO DA REVISTA Q&V

Finalizando o evento, não poderia haver momento mais oportuno para Daniela fazer o lançamento da 2ª Edição da Revista Qualificação & Validação. A primeira foi um sucesso e levou temas fundamentais para os profissionais das indústrias life science. A edição atual está disponibilizando ao leitor artigos e entrevistas cujo foco é aprofundar o conhecimento nos temas:

  • A importância da qualificação térmica de embalagens;
  • Como realizar uma qualificação de HVAC eficaz e com qualidade;
  • Operação correta do HPLC evita prejuízos;
  • A importância da qualidade do ar comprimido e sua eficiência energética;
  • Entrevista Especial: especialistas revelam os desafios da qualificação & validação.

“Devido aos feedbacks recebidos no nossa revista digital inaugural, descobrimos que estamos no caminho certo e, por isso, iremos continuar compartilhando esta publicação, que dissemina importante conhecimento ao profissional da área”, finaliza Daniela.

GIGANTE AMERICANA – CVS – INCENTIVA PACIENTE A ECONOMIZAR COM MEDICAMENTOS EM SUAS FARMÁCIAS

 

 

 

*POR MARCELO POLACOW E EGLE LEONARDI

Parece algo impensável no Brasil! Mas o nível de amadurecimento do varejo americano está além da imaginação da maioria dos farmacêuticos brasileiros. Uma das maiores redes americana de farmácias – CVS – acaba de lançar uma ferramenta inédita que dá ao farmacêutico a possibilidade de encontrar alternativas viáveis ao tratamento de seus pacientes e que sejam as mais econômicas disponíveis para ele. Vejam que a rede não está focada apenas no aumento de seu faturamento. Isso é que faz dessa ação ser tão inusitada. Vale lembrar que no Brasil, ela é dona da rede de farmácias Onofre.

O nome da ferramenta é CVS Pharmacy Rx Savings Finder e está disponível para os 30 mil farmacêuticos da rede desde 15 de abril deste ano, portanto a informação é fresquíssima! Dessa forma, esses profissionais podem encontrar alternativas mais baratas para seus pacientes e são capazes de rever, no próprio balcão da farmácia, seu regime de prescrição, histórico de medicação e informações do plano de seguro saúde.

Essa iniciativa se deu por conta de uma pesquisa encomendada pela CVS Health à Morning Consult (2018), que descobriu que 83% dos americanos manifestaram preocupação com o impacto do aumento dos preços dos medicamentos prescritos.

“Os consumidores de hoje enfrentam preços mais altos de remédios prescritos do que nunca, e muitos deles agora pagam uma parcela maior de seus custos com remédios prescritos dos seus próprios bolsos no balcão da farmácia devido ao crescimento de planos de saúde que reembolsam menos”, afirmou o diretor de política e assuntos externos da CVS Health, Thomas Moriarty.

É importante mencionar que nos Estados Unidos grande parte dos tratamentos é bancada pelas seguradoras de saúde por meio de programas chamados PBMs (em que parte do custo do tratamento medicamentoso é pago pela empresa seguradora ou plano de saúde). Esse sistema também existe no Brasil, mas de forma diferente. Entretanto, essa realidade vem mudando, pois o nível de reembolso é cada vez menor, o que leva as redes varejistas propor alternativas como esta, da CVS.

O executivo Moriarty complementou: “Até agora, os pacientes não tinham as ferramentas apropriadas disponíveis para ajudar a gerenciar esses custos. Estamos empenhados em encontrar o medicamento certo com o menor custo possível para os pacientes para garantir que eles sejam capazes de acessar e permanecer com os medicamentos que necessitam”.

COMO FUNCIONA NO BALCÃO

A ferramenta CVS Pharmacy Rx Savings Finder permite que o farmacêutico revise rapidamente o regime de prescrição do paciente, histórico de medicação e informações do plano de seguro para determinar a melhor maneira de economizar dinheiro com uma alternativa de menor custo, de acordo com seu plano de benefícios (PBM).

“Nossa experiência direta é que os pacientes que deparam com altos custos no balcão da farmácia são menos propensos a comprar suas receitas e ficam menos predispostos a aderir à terapia prescrita”, destacou o vice-presidente executivo de Varejo da CVS, Kevin Hourican.

 

 

 

O Rx Savings Finder mostra às equipes da farmácia:

  1. Se o medicamento prescrito está no formulário de prescrição do paciente e é a opção de menor custo disponível.
  2. Se há opções de baixo custo cobertas pelo sistema de benefício farmacêutico do paciente, como uma medicação genérica ou alternativa terapêutica com eficácia equivalente de tratamento.
  3. Se o paciente pode economizar dinheiro adquirindo uma receita para 90 dias em vez de uma receita para 30 dias.
  4. Em último caso, se nenhuma alternativa genérica ou de custo mais baixo estiver disponível, outras opções potenciais de economia para pacientes elegíveis ou sem seguro são permitidas pelas leis e regulamentações aplicáveis (prescrições submetidas para reembolso ao Medicare, Medicaid ou outros programas federais ou estaduais americanos não são elegíveis).

OPÇÃO PARA OS CONSULTÓRIOS

Com o mesmo foco de tentar minimizar os custos dos medicamentos aos pacientes, a CVS já havia lançado, recentemente, outro programa de benefícios em tempo real que ajuda a trazer maior transparência do preço dos medicamentos aos prescritores e à equipe da CVS Caremark.

Nos consultórios de prescrição (sejam médicos ou farmacêuticos), os profissionais podem ver o custo específico de um medicamento selecionado, com base na cobertura do paciente. Ao mesmo tempo, eles têm acesso a mais cinco alternativas terapêuticas de menor custo, clinicamente apropriadas, com base no formulário do paciente.

O acesso também pode ocorrer no aplicativo CVS Caremark e no portal destinado ao paciente. Os resultados iniciais mostraram que os prescritores que acessaram as informações de benefícios em tempo real, por meio de seu registro eletrônico de saúde, trocaram o medicamento não coberto do paciente por outro com cobertura, em 85% das vezes. Além disso, quando o remédio do paciente é coberto, os prescritores que usam benefícios em tempo real oferecem uma alternativa de mais baixo custo em 30% das vezes. Assim, quando o prescritor mudou para um medicamento de baixo custo, a diferença foi de aproximadamente US$ 75 (cerca de R$ 255) por prescrição.

“Temos trabalhado arduamente para manter os medicamentos de prescrição acessíveis para os pacientes”, afirmou o vice-presidente executivo e diretor médico da CVS Health, Troyen A. Brennan. “Na verdade, em 2017, quase 90% dos membros de planos com PBMs gastaram menos de US$ 300 com remédios prescritos. É por isso que estamos comprometidos em fazer ainda mais em toda a nossa empresa para ajudar os pacientes a encontrar e acessar o medicamento de menor custo na farmácia, o que, em última instância, ajudará a melhorar os resultados clínicos e a remover os custos médicos mais altos do sistema”.

UMA AÇÃO BILIONÁRIA

O lançamento do CVS Pharmacy Rx Savings Finder surge no momento em que a empresa está em processo de compra da Aetna, com a ideia de refazer a experiência de saúde do consumidor, integrando médicos, farmacêuticos e outros profissionais de saúde com benefícios para os usuários.

Apenas para entender melhor o processo, a CVS Health propôs a compra da seguradora de saúde Aetna por US$ 69 bilhões (mais de R$ 235 bilhões) em uma fusão que abrange linhas de negócios no setor de saúde.

Segundo o presidente e diretor executivo da CVS Health, Larry J. Merlo, a fusão da CVS e da Aetna irá “refazer a experiência de saúde do consumidor”. Já o presidente e CEO da Aetna, Mark T. Bertolini, afirmou em nota: “Juntamente com a CVS Health, entenderemos melhor as metas de saúde dos nossos membros, iremos orientá-los por meio do sistema de saúde e ajudá-los a alcançar sua melhor condição”.

Sobre a CVS Health

CVS Health é uma empresa varejista farmacêutica com mais de 9.800 pontos de venda, mais de 1.100 clínicas médicas, um programa de gerenciamento de benefícios com mais de 94 milhões de membros, além de ser uma empresa de assistência farmacêutica que atende mais de um milhão de pacientes por ano nos Estados Unidos.

Importante salientar que a CVS Health, que é a maior rede de farmácias dos Estados Unidos e que no Brasil é dona da rede Onofre, registrou lucro líquido de US$ 3,287 bilhões no quarto trimestre de 2017, um crescimento de 92% na comparação com o mesmo período do ano passado. No acumulado de todo o ano passado, o lucro foi de US$ 6,622 bilhões, um avanço anual de 24,5%. Mais informações sobre como o CVS Health:  https://www.cvshealth.com.

Observação: este artigo é uma livre interpretação e tradução dos autores sobre informações divulgadas na mídia pela empresa CVS e analisados de maneira independente.

 

AUTORES:

*Marcelo Polacow – Farmacêutico pela USP/Ribeirão Preto, mestre e doutor em Farmacologia pela UNICAMP, coordenador e professor de Pós-Graduação, autor de livros e consultor empresarial.

*Egle Leonardi – Jornalista especializada no segmento farmacêutico, MBA em Gestão de Comunicação Corporativa, especializada em Marketing Digital. Recebeu o Prêmio Abrafarma de Melhor Jornalista na Categoria Imprensa Especializada no Segmento de Saúde. Diretora da Vitae Editora.

 

TER 100% DAS EMBALAGENS RECICLÁVEIS É UMA DAS METAS AMBICIOSAS DA P&G

A Procter & Gamble Company (P&G) acaba de anunciar metas de sustentabilidade ainda mais ambiciosas para proporcionar impactos positivos no ambiente e na sociedade ao redor do mundo. A empresa já havia estabelecido objetivos para 2020,  mas já alcançou quase todos e planeja atingir o restante ao mesmo tempo em que estabelece novas metas de amplo alcance para 2030. Essas são chamadas de Ambição 2030 e irão possibilitar impactos positivos no ambiente e na sociedade e, com isso, a empresa pretende agregar valor às suas marcas e aos seus clientes.

A P&G mantém operações em cerca de 70 países no mundo todo. No Brasil está há quase 30 anos e é um conglomerado de marcas importantes e diversas, como Gillete, Duracell, Hipoglós, Wella e Head & Shoulders, Pampers, Oral-B, Metamucil, Vick, entre outras com forte presença no varejo farmacêutico brasileiro.

“Acreditamos que a P&G possa ser uma força a favor do bem e do crescimento, e assim faremos uma abordagem mais deliberada para agradar aos clientes enquanto possibilitamos o consumo responsável”, disse o presidente e diretor-Executivo da P&G, David Taylor.

Para  ele, os clientes esperam que as marcas nas quais confiam ofereçam um desempenho superior e também ajudem a resolver alguns dos desafios mais complexos enfrentados por nosso mundo. “Nosso alcance global, nossa compreensão dos cinco bilhões de clientes que atendemos e nossas capacidades de inovação nos dão uma habilidade única de fazer uma diferença positiva”, ressalta Taylor.

 

As metas da Ambição 2030 da P&G incluem:

  • Marcas: as 20 marcas líderes da P&G, incluindo Always, Ariel, Dawn, Fairy, Febreze, Head & Shoulders, Pantene, Pampers e Tide, possibilitarão e inspirarão o consumo responsável por meio de embalagens 100% recicláveis ou reutilizáveis, lançando inovações mais sustentáveis e construindo a confiança mediante a transparência e o compartilhamento de nossa ciência sólida.
  • Cadeia de fornecimento: os locais de fabricação da P&G reduzirão a emissão de gases do efeito estufa pela metade e comprarão eletricidade renovável suficiente para manter 100% das suas plantas. A empresa também obterá pelo menos 5 bilhões de litros de água de fontes circulares.
  • Sociedade: a P&G continuará a criar parcerias transformadoras que possibilitam que as pessoas, o planeta e nossos negócios prosperem, incluindo os que estancam o fluxo de plástico nos oceanos, protegem e expandem florestas, ampliam soluções de reciclagem para produtos de higiene absorventes e protegem a água em bacias prioritárias em todo o mundo.
  • Funcionários: a P&G envolverá, equipará e recompensará funcionários que construírem pensamentos e práticas sustentáveis em seu trabalho diário. Recompensará o progresso e integrará o reconhecimento nas avaliações de desempenho.

METAS JÁ ATINGIDAS

Com base em seu legado de liderança ambiental, a P&G já alcançou muitas de suas metas de sustentabilidade para 2020 em suas áreas de foco em clima (redução das emissões absolutas de gases do efeito estufa em 16% desde 2010), água (redução do uso de água em instalações de fabricação em 27% desde 2010) e resíduos (alcançou uma meta de zero resíduos de fabricação para aterros em mais de 80% dos locais de fabricação).

O impacto do progresso da empresa pode ser visto mediante marcas e geografias, incluindo produtos como o Tide Purclean que contam com ingredientes de base biológica e Head & Shoulders que usa plásticos encontrados em praias nas embalagens; alterações de fabricação que abastecem as plantas com eletricidade eólica e vapor de biomassa; e inovações em pesquisa que transformarão a capacidade de reciclagem de toneladas de plástico a cada ano, beneficiando indústrias inteiras muito além do alcance da P&G. Este progresso é ainda mais detalhado no Relatório de Cidadania 2017 da empresa.

“Com base em nosso progresso até o momento, nossas metas de 2030 buscam lidar com dois dos desafios ambientais mais urgentes do mundo: recursos finitos e o crescimento do consumo”, disse a vice-presidente de Sustentabilidade Global da P&G, Virginie Helias. Ela afirma reconhecer que a P&G sozinha não tem todas as respostas. Será preciso criar parcerias e cooperações para que se faça um progresso significativo e que suas marcas desenvolvam inovações para avançar ainda mais no consumo responsável.

De acordo com o presidente e diretor Executivo do Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável, Peter Bakker, a P&G tem sido líder no direcionamento do desenvolvimento sustentável. “Sua estratégia está alinhada com nossa crença de que os negócios terão mais sucesso se forem mais sustentáveis. Aplaudimos a estrutura da Ambição 2030, que tem o potencial de impulsionar um impacto global positivo para acionistas, o ambiente e a sociedade”.

Sobre a Abordagem à Cidadania da P&G

A Sustentabilidade Ambiental é uma das áreas de foco em Cidadania da P&G, junto com Ética e Responsabilidade Corporativa, Impacto na Comunidade, Igualdade de Gênero e Diversidade e Inclusão. Os programas de Cidadania da Empresa apoiam as Metas de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas para acabar com a pobreza, proteger o planeta e garantir prosperidade para todos. Para obter mais informações sobre os esforços de Cidadania da P&G, leia o Relatório de Cidadania 2017 da P&G aqui.

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VÍRUS MATAM TUMORES NO TRATAMENTO DO CÂNCER
Inusitado: os ‘vírus oncolíticos’ infectam e destroem as células do tumor e também estimulam a resposta imunológica.  Dessa foma, os micróbios estão desempenhando um papel importante em um novo ramo da imunoterapia contra o câncer que está atraindo alguns dos maiores laboratórios farmacêuticos do mundo. No final de março, a Merck anunciou planos para comprar a australiana Viralytics e obter um tratamento experimental baseado no vírus da gripe que poderia fortalecer a utilidade de Keytruda, seu remédio oncológico que é um sucesso de vendas.
A transação de 502 milhões de dólares australianos (US$ 390 milhões) destaca a importância da pesquisa sobre esses vírus oncolíticos. Essa abordagem está despertando cada vez mais o interesse de companhias farmacêuticas por causa da possibilidade de combinar esses vírus com uma nova geração de remédios, chamados ‘inibidores de checkpoint’, que anulam uma estratégia usada pelas células cancerosas para não ser detectadas.
“As grandes farmacêuticas estão interessadas neste campo”, disse , diretor administrativo da Viralytics, Malcolm McColl, que aceitou ser comprada pela Merck por 1,75 dólar australiano por ação em dinheiro – quase o triplo do preço de encerramento anterior das ações, de 62,5 centavos de dólar australiano. “Cada vez mais acredita-se que os vírus oncolíticos têm potencial para fazer com que inibidores de checkpoint, como o Keytruda e outros remédios, funcionem melhor”, afirma ele.
Projeta-se que o número de novos casos de câncer no mundo aumentará cerca de 70% nos próximos 20 anos, e os cientistas estão se concentrando em formas de aprimorar os tratamentos, especialmente para os casos em que a quimioterapia e a radioterapia não oferecem muitos benefícios.
Em muitos desses casos, o tumor contém mutações que o torna invisível para o sistema imunológico do paciente, o chamado ‘câncer frio’. O desafio é aumentar o nível de infiltração imunológica e transformá-lo em ‘quente’.
VÍRUS EXPLODE A CÉLULA
O tratamento mais avançado da Viralytics, Cavatak, se baseia no Coxsackievirus A21, um vírus da gripe que procura e gruda em uma proteína proeminente na superfície de muitas células cancerosas. Após grudar, o vírus toma conta da maquinaria genética das células cancerosas para fazer mais cópias de si, e a célula acaba explodindo e se transformando em uma nuvem de novas partículas virais, processo conhecido como lise. Assim, a progênie viral pode se espalhar e replicar esse ciclo de destruição.
As companhias que estão desenvolvendo vírus oncolíticos promissores serão atraentes para as fabricantes de remédios oncológicos, disse o cientista sênior do QIMR Berghofer Medical Research Institute em Brisbane, na Austrália, Rajiv Khanna, que trabalha há mais de 20 anos na imunologia de tumores. Durante boa parte desse período, os grandes laboratórios não se interessaram pelos vírus oncolíticos, disse ele.
“Mas, de repente, eles acordaram e viram esses resultados”, disse Khanna, cujo laboratório estuda formas de matar cânceres causados por vírus. “Eu fiquei impressionado com o fato de a Merck querer pagar tanto dinheiro por uma empresa, mas os resultados são muito animadores, então faz sentido”.

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