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FARMACOTERAPIA E FISIOPATOLOGIA DA DOR E INFLAMAÇÃO

FARMACOTERAPIA E FISIOPATOLOGIA DA DOR E INFLAMAÇÃO

Por Egle Leonardi

A dor é conceituada pela Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) como uma experiência sensorial, emocional e subjetiva, que está ligada a um dano real ou potencial. Seu conhecimento teórico e prático aprofundado se faz necessário, pelo fato de a dor constituir um dos principais sintomas de uma desordem orgânica, sendo assim, uma queixa muito frequente de pacientes que buscam assistência e cuidado no ambiente de saúde.

Já a inflamação pode ser definida como uma reação circulatória induzida por uma injúria aos tecidos, com o consequente extravasamento de fluidos, células e moléculas, para o espaço extravascular. Ela é caracterizada pela vasodilatação, com consequente aumento do fluxo sanguíneo, acarretando aumento da permeabilidade vascular e saída de células e moléculas dos vasos para os tecidos e migração de leucócitos, onde ocorreu a injúria.

“Destaca-se que o processo inflamatório apresenta cinco sinais cardinais importantes, sao eles: edema, calor, rubor, dor e perda de função. A agressão tecidual é o agente desencadeador da resposta inflamatória, podendo ser de origem biológica (induzida por microrganismos), física ou química”, ressalta o professor de Farmacoterapia e Fisiopatologia da Dor e Inflamação do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Matheus Tavares.

Conhecimento usado na prática clínica

A dor e a inflamação estão presentes em grande parte dos atendimentos farmacêuticos na atualidade. Muitas vezes, estas condições clínicas estão associadas a problemas de saúde autolimitados, e são motivos de automedicação com analgésicos e anti-inflamatórios.

Em outras situações, esses medicamentos são empregados por meio da prescrição farmacêutica, cuja atividade foi incluida no rol de atribuições clínicas relativas ao cuidado à saúde e regulada pela Resolução/ CFF 586/2013, que a define em seu artigo 3º como sendo o ato pelo qual o farmacêutico seleciona e documenta terapias farmacológicas e não farmacológicas, e outras intervenções relativas ao cuidado à saúde do paciente, visando à promoção, proteção e recuperação da saúde, e à prevenção de doenças e de outros problemas de saúde.

De acordo com Tavares, a avaliação e o acompanhamento da farmacoterapia da dor e da inflamação requerem conhecimentos multidisciplinares de anatomia, fisiologia, fisiopatologia, semiologia e farmacologia desses processos. Munido de tais conhecimentos, o farmacêutico pode oferecer uma concreta contribuição à saúde dos pacientes nessas condições, avaliando e monitorando a farmacoterapia de maneira efetiva.

Fatores críticos

“Estudos recentes apontam a dor crônica como um dos fatores críticos na determinação de patologias como depressão e ansiedade, e sua coexistência tende a agravar ainda mais tais transtornos. Nos últimos anos, os estudos encontraram consideráveis ​​sobreposições entre a dor e as alterações de neuroplasticidade, que resultaram em alterações neurobiológicas”, menciona Tavares.

Estudos epidemiológicos relatam que a dor crônica constitui um grande problema de saúde pública, nos Estados Unidos e na Europa, onde aproximadamente um quinto da população em geral é afetado. Além disso, como um dos transtornos mentais mais comuns e incapacitantes, a depressão tem sido relatada como o terceiro maior contribuinte para o ônus global. Alguns estudos clínicos revelaram que a dor crônica, como estado de estresse, frequentemente induz à depressão e que até 85% dos pacientes com dor crônica são afetados por depressão grave e, os que apresentam tal sobreposição, evoluem pior do ponto de vista prognóstico.

“Até o presente momento, não temos bem caraterizado os mecanismos fisiopatológicos correspondentes (dor e depressão), nem a sua correlação mútua, o que representa um enorme desafio para o tratamento da dor acompanhada por depressão e outros distúrbios psíquicos”, relata o professor.

Em particular, as vias sensoriais envolvidas na dor compartilham as mesmas regiões cerebrais envolvidas no controle do humor, incluindo o córtex insular, córtex pré-frontal, cíngulo anterior, tálamo, hipocampo e amígdala, que formam uma base estrutural histológica para a coexistência de dor e depressão. Além disso, os volumes do córtex pré-frontal (CPF) e do hipocampo têm sido relatados em muitos estudos como significativamente menores em pacientes deprimidos e estão intimamente relacionados à gravidade da depressão.

Sendo assim, Tavares conclui que o estudo contínuo das bases fisiopatológicas da dor constitui um constante desafio e pode contribuir de forma direta para o melhor entendimento das alterações neuropsíquicas observadas no contexto da dor, bem como favorecer a descoberta de novas abordagens terapêuticas.

Classificação da dor

Dor Nociceptiva - Compreende dor somática (que se origina da pele, dos ossos, das articulações, dos músculos ou do tecido conectivo) e visceral (que surge de orgãos internos, como intestino e outras vísceras). Tem como característica ocorrer diretamente por estimulação de terminações nervosas livres (nociceptores), encontradas em estruturas somáticas e viscerais, por estímulos de origem mecânica, térmica ou química.

“A liberação de substâncias, como bradicinina, prostaglandinas, histamina, interleucinas, fator de necrose tumoral alfa, serotonina e substância P pode ativar os nociceptores. Essa ativação desencadeia potenciais de ação que se propagam do local do estímulo nocivo até a medula dorsal, ascendendo até o tálamo e, através das radiações talâmicas, chega a estruturas centrais (cortex sensorial), em que o processamento da dor continua”, explica o professor.

Dor Neuropática - Resulta de alguma lesão ou de alteração funcional nervosa em nível central - Sistema Nervoso Central (SNC) ou Sistema Nervoso Periférico (SNP) -, apresentando como característica o curso crônico, de difícil tratamento, marcada pela presença de hiperalgesia (respostas dolorosas exageradas a estímulos normalmente nocivos) e alonidia (repostas dolorosas a estímulos geralmente não nocivos).

Dor Aguda - Apresenta como característica o início súbito, estando relacionada a injúrias de origem traumáticas, infecciosas ou inflamatórias. Quanto à sua duração, ela tende a desaparecer com a intervenção na causa – resposta à terapia medicamentosa, cura da lesão ou ainda a imobilização. “A dor aguda pode levar a manifestações como aumento da pressão arterial, crise de ansiedade, alteração da frequência cardíaca, taquipnéia (elevação da frequência respiratória) e agitação psicomotora. Geralmente é relatado pelo paciente ser de intensidade forte, impactando diretamente nas atividades laborais e sociais”, explica Tavares.

Dor crônica - É marcada por estímulos nociceptivos repetidos que determinam uma variedade de modificações no SNC. Enquanto dor aguda é marcada por alterações que cursam com resposta do sistema nervoso autônomo simpático, com taquicardia, hipertensão e midríase, a dor crônica permite uma adaptação a esta condição. Apresenta-se mal delimitada no tempo e no espaço, tem carater persistente e recorrente. A despeito da ausência de respostas neurovegetativas associadas, observa-se respostas emocionais e afetivas (ansiedade e depressão) frequentes.

Protocolo de atendimento

Importante salientar que a prescrição da farmacoterapia pelo farmacêutico deve estar apoiada nas Resoluções 585 e 586, do Conselho Federal de Farmácia (CFF), de 29 de agosto de 2013, se limitando ao uso dos medicamentos constantes na Lista de Medicamentos Isentos de Prescrição (LMIP), instituída na Instrução Normativa – I.N. 11, de 29 de setembro de 2016, bem como nas apresentações disponíveis em território nacional.

O algoritmo para tratamento da dor aguda pode ser usado com o objeto norteador da conduta, possibilitando o melhor entendimento da intensidade e dos diferentes níveis de dor, bem como seus respectivos tratamentos.

Por meio dele, o farmacêutico deve fazer o acompanhamento da dor do paciente e realizar a prescrição de MIPs, quando necessário. Além disso, pode realizar o encaminhamento do paciente fora de condições autolimitadas, cujo diagnóstico e prescrição médica de medicamentos (não MIPs) são necessários.

Destaca-se ainda que, além do exposto, o farmacêutico, em suas atribuições, apresenta um papel fundamental no acompanhamento farmaterapêutico de pacientes em utilização de fármacos analgésicos opioides, uma vez que tal terapia poderá acarretar múltiplos efeitos adversos importantes, como náuseas, vômito, constipação, retenção urinária, prurido, sedação profunda e até mesmo depressão respiratória.

 

Algoritmo para o tratamento da dor aguda. Fonte: Manual de farmacoterapia, 9ª ed., Barbara G. Wells

Obs.: Utilizada escala numérica de avaliação da dor

A Escala Numérica consiste numa régua dividida em onze partes iguais, numeradas sucessivamente de 0 a 10. Pretende-se que o doente faça a equivalência entre a intensidade da sua dor e uma classificação numérica, sendo que 0 corresponde à classificação “Sem Dor” e 10 à classificação “Dor Máxima” (dor de intensidade máxima imaginável).  (https://www.dor.com.pt/node/549).

Desafio de Caso 1

J.D., um adolescente de 15 anos, sofreu graves queimaduras ao tentar escapar de um incêndio em um prédio. As queimaduras extensas, de primeiro e segundo graus, estenderam-se por grande parte do corpo, incluindo uma queimadura local de terceiro grau no antebraço direito. J.D. chegou ao setor de emergência com dor intensa e foi tratado com morfina intravenosa em doses crescentes até relatar o desaparecimento da dor. Essa dose de morfina foi, então, mantida.

No dia seguinte, o paciente foi submetido a um debridamento cirúrgico das feridas causadas pela queimadura. Durante a operação, o anestesista administrou uma infusão intravenosa contínua de remifentanila e adicionou uma dose intravenosa em bolo de morfina, próximo ao término do procedimento. No final da cirurgia e nos quatro dias seguintes, J.D. recebeu morfina intravenosa por meio de um dispositivo de analgesia controlado pelo paciente.

À medida que as queimaduras foram cicatrizando, a dose de morfina foi reduzida de modo gradual e, por fim, substituída por um comprimido oral contendo a associação de codeína/paracetamol. Três meses depois, J.D. queixou-se de acentuada perda da sensação ao toque na área do enxerto cutâneo. Descreveu também uma sensação de formigamento persistente nessa área, com surtos ocasionais de dor aguda em facada. Após encaminhamento a uma clínica especializada em dor, J.D. recebeu gabapentina oral, que reduziu parcialmente os sintomas. Entretanto, retornou à clínica dois meses depois, ainda com dor intensa.

“Naquela ocasião, acrescentou-se amitriptilina à gabapentina, e o alívio da dor foi ainda maior. Três anos depois, a dor remanescente de J.D. desapareceu, e ele não necessitou mais dos medicamentos. A falta de sensibilidade no antebraço, no entanto, persistiu”, contou Tavares.

Questionamentos do caso - Que mecanismos produziram e mantiveram a dor de J.D., que durou desde sua exposição ao incêndio até o tratamento inicial?

A sensação inicial de dor foi mediada pelo calor por meio da ativação de neurônios periféricos de alto limiar termossensíveis que expressam nociceptores (receptores de dor). Tal estímulo nocivo (queimadura) levou à formação de mediadores inflamatórios como bradicinina, prostaglandina E2/I2 e outros agentes pró-inflamatórios, que contribuíram para a manutenção e amplificação da resposta inflamatória.

Importante o farmacêutico tentar avaliar os mecanismos que poderiam produzir dor espontânea na região da queimadura de terceiro grau no intervalo de meses a anos após a cicatrização do enxerto cutâneo, bem como o fundamento lógico para o uso da gabapentina no tratamento da dor crônica de J.D.

A lesão nervosa de J.D. culmina em alterações de sinais no neurônio responsável pela captação de dor e altera a fisiologia do sistema nociceptivo (responsável pela captação do estímulo doloroso). Alterações na expressão de genes, induzidas por esse processo, resultam no aumento da sensibilidade e atividades das fibras de dor e, por conseguinte, na percepção continuada da lesão, que é característica da dor neuropática.

A percepção desse processo, por parte do farmacêutico, é de suma importância, uma vez que diversos pacientes acometidos por essa complicação tardia se automedicam com MIPs, analgésicos (dipirona e paracetamol) e AINEs (Ibuprofeno e naproxeno). Assim, não conseguem obter êxito em sua terapia, se expondo a efeitos adversos e complicações associadas à terapia com AINEs (gastrite, úlceras gastroduodenais, distúrbios renais e complicações cardiovasculares).

Destaca-se que cabe ao profissional farmacêutico - no exercício de suas atribuições clínicas e munido de conhecimentos semiológicos, fisiopatológicos e farmacológicos - encaminhar o seu paciente ao serviço médico para tratamento da dor neuropática com medicamentos anticonvulsivantes (ex. citado no caso de J.D., a gabapentina) e antidepressivos (amitriptilina, duloxetina etc.).

Apesar de o caso reportar um episódio de dor neuropática pós-queimadura de terceiro grau, é necessário o estudo de diversos tipos de dor neuropática, bastante incidentes na população, como neuropatia diabética dolorosa, neuralgia pós-herpética, fibromialgia, entre outros.

“Por que a morfina teve sua dose reduzida gradualmente e foi substituída por um comprimido com associação de codeína e paracetamol?”, indagou o professor, que lança esse desafio para os profissionais farmacêuticos afetos da atuação clínica.

Ele mesmo explica que o uso de analgésicos opioides está frequentemente associado ao desenvolvimento de tolerância, em que o uso repetido de uma dose constante do fármaco resulta em diminuição do efeito terapêutico, requerendo aumento da dose ou frequência para manutenção da analgesia.

Também pode ocorrer dependência física, de modo que a interrupção abrupta do tratamento resulta no desenvolvimento de uma síndrome de abstinência característica. A adição, em que a dependência física é acompanhada de uso abusivo de substância ou de comportamento de busca da substância, constitui um efeito adverso potencial da administração de opioides.

Uma questão complexa no controle da dor, bem como um assunto de considerável controvérsia, é confrontar o risco de adição de opioides com o tratamento insuficiente da dor. Várias estratégias estão sendo investigadas para reduzir o potencial de uso abusivo, dentre eles o uso de profármacos, que são lentamente metabolizados ao agonista opioide ativo. No caso de J.D., a morfina intravenosa foi desmamada (reduzida gradualmente) e substituída por uma associação de analgésicos orais (codeína e paracetamol) para evitar o início dos sintomas de abstinência de opioides.

Curiosidade: famosos internacionais que foram vítimas de opioides

Prince - Cantor e compositor - Um dos reis do pop mundial, Prince foi encontrado morto em sua mansão em Minneapolis, estado de Minnesota, em 2016. A causa foi overdose de Fentanil, um analgésico opioide potente de efeito narcótico.

Elvis Presley – Cantor - A causa oficial da morte de Elvis foi arritmia cardíaca, mas o exame toxicológico comprovou a existência de 14 outras substâncias prescritas em seu corpo, incluindo morfina, barbitúricos, codeína e diazepam.

Anna Nicole Smith - Modelo e estrela de reality show - A polêmica ex-Playboy foi encontrada morta em um quarto de hotel na Flórida, em 2007. A causa foi uma mistura explosiva de remédios para dormir e metadona (opioide).

Philip Seymour Hoffman – Ator - Ele estava em filmagem de Jogos Vorazes e foi encontrado morto em seu apartamento em Manhattan, em 2014, devido a um coquetel letal de drogas legais e ilegais, que incluía heroína, cocaína, anfetaminas e tranquilizantes.

Desafio de Caso 2

A jovem, F.M.S., de 16 anos, foi recebida em consultório devido a cólicas menstruais. Sua menarca ocorreu aos 13 anos. Sua menstruação dura quatro a cinco dias, e ela tem ciclos de 28 dias.

Durante os primeiros dois a três dias de sua menstruação, ela afirma ter cólicas muito fortes. As cólicas têm ocorrido desde a menarca e parecem ter piorado no último ano. Elas são tão fortes, às vezes, que F.M.S. perde suas atividades de rotina.

Ela toma, por conta própria, parecetamol para cólica menstrual, sem alívio adequado. A jovem não tem nenhuma história clínica significativa de cirurgia prévia, uso de DIU, não toma medicamentos regularmente e não é sexualmente ativa. O problema foi avaliado como dismenorreia primária e foi prescrito Ibuprofeno pelo farmacêutico para o manejo dessa condição, o que resultou em controle das dores reportadas pela paciente.

Informações quanto à farmacoterapia da dismenorreia primária: para o tratamento farmacológico da dismenorreia, os principais medicamentos isentos de prescrição são os AINEs (Ibuprofeno, naproxeno e cetoprofeno), paracetamol e antiespasmódico (butilbrometo de escopolamina).

“No caso em questão, podemos observar a atuação do farmacêutico, desde a identificação até o tratamento farmacológico, de um problema de saúde autolimitado – dismenorreia primária, por meio da prescrição farmacêutica de um MIP”, explica o professor Tavares.

Em tempo, de acordo com a Resolução 585, de 29 de agosto de 2013, a prescrição farmacêutica é ato pelo qual o farmacêutico seleciona e documenta terapias farmacológicas e não farmacológicas, e outras intervenções relativas ao cuidado à saúde do paciente, visando à promoção, proteção e recuperação da saúde e à prevenção de doenças e de outros problemas de saúde.

Já o problema de saúde autolimitado é a enfermidade aguda de baixa gravidade, de breve período de latência, que desencadeia uma reação orgânica a qual tende a cursar sem dano para o paciente e que pode ser tratada de forma eficaz e segura com medicamentos e outros produtos com finalidade terapêutica, cuja dispensação não exija prescrição médica, incluindo medicamentos industrializados e preparações magistrais - alopáticos ou dinamizados -, plantas medicinais, drogas vegetais ou com medidas não farmacológicas.

Modelos de documentação

PRONTUÁRIO: a documentação do processo de cuidado deve ser feita em prontuário próprio para cada paciente, organizado de forma a manter o registro dos atendimentos e, portanto, a história farmacoterapêutica e clínica do paciente. Uma das formas mais comuns de registro, adotada por diferentes profissionais da saúde, é o modelo SOAP (do inglês subjective, objective, assessment, plan), que organiza as informações em dados subjetivos (S), objetivos (O), avaliação (A) e plano (P). O CFF (Conselho Federal de Farmácia) apresenta um modelo que permite a organização das informações dos pacientes e o registro de evolução.

Clique aqui e acesse o modelo de PRONTUÁRIO (Com indicações de preenchimento)

RECEITA: durante a prestação de serviços farmacêuticos, o profissional utiliza um raciocínio que culmina com a seleção da(s) melhor(es) conduta(s) que será(ão) documentada(s) por meio da receita e entregue ao paciente. Ela deve ser redigida em português, por extenso, de modo legível, observando-se a nomenclatura e o sistema de pesos e medidas oficiais, sem emendas ou rasuras, incluindo os componentes previstos no artigo 9º da Resolução 586, de 29 de agosto de 2013.

Clique aqui e acesse o modelo de RECEITA (Com indicações de preenchimento)

ENCAMINHAMENTO: quando o farmacêutico decide como conduta encaminhar o paciente a outro profissional da saúde, ele precisa garantir que tanto o usuário quanto o profissional compreendam o motivo da recomendação feita por ele. Entende-se que com esse procedimento o outro profissional compreende o raciocínio clínico utilizado pelo farmacêutico, bem como a conduta selecionada. O documento formaliza a comunicação com outros profissionais.

Clique aqui e acesse o modelo de ENCAMINHAMENTO (Com indicações de preenchimento)

Matéria publicada no Portal do ICTQ

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SAIBA MAIS SOBRE A CARREIRA DO FARMACÊUTICO GESTOR DE QUALIDADE

SAIBA MAIS SOBRE A CARREIRA DO FARMACÊUTICO GESTOR DE QUALIDADE

A carreira de farmacêutico gestor de qualidade (controle e garantia de qualidade em indústrias) é uma das especializações mais valorizadas dentro da carreira de farmacêutico industrial. Com o avanço das legislações do setor e a crescente preocupação com a qualidade dos produtos industrializados, o farmacêutico gestor da qualidade exerce papel decisivo na cadeia de suprimentos farmacêuticos.

Em se tratando de atuação industrial a grande maioria das oportunidades está em Estados que possuem polos industriais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Goiás e Pernambuco. Existem oportunidades mais isoladas em Brasília (DF), Manaus (AM) e Toledo (PR).

Perfil do farmacêutico gestor de qualidade

Profissionais que atuam como farmacêutico gestor de qualidade possuem, em suas habilidades, a maioria dos pré-requisitos para atuar como farmacêutico auditor, exercendo, muitas vezes, simultaneamente, as duas carreiras.

Ser gestor da qualidade exige do profissional conhecimentos aprofundados de gestão e ferramentas da qualidade, normas nacionais e internacionais de qualidade, técnicas de controle de qualidade, gestão de projetos e processos e, principalmente, da legislação sanitária do setor.

Capacidade de negociação, aptidão para tarefas administrativas, liderança e comunicação são imprescindíveis, visto que esses profissionais assumem, muitas vezes, cargos gerenciais nas empresas onde atuam. Ter domínio da língua inglesa é indispensável para acessar a literatura técnica da área, e o espanhol é um diferencial importante.

O que faz

Na indústria farmacêutica, farmoquímica e cosmética:

- Dirige os laboratórios de controle de qualidade físico-químico e microbiológico;

- Gerencia ou coordena o setor de garantia da qualidade;

- Gerencia o processo de qualificação de fornecedores;

- Elabora fluxograma de execução para os processos de controle de qualidade e gerencia as rotinas analíticas;

- Negocia com terceiros assuntos relacionados a controle de qualidade e garantia da qualidade;

- Fornece documentação robusta e validada para o setor regulatório gerenciar o registro de produtos;

- Recebe e acompanha auditoria sanitária;

- Realiza auditorias no parque fabril e nos laboratórios de controle de qualidade;

- É responsável pelo programa de treinamento em Boas Práticas de Fabricação (BPF);

- Responsabiliza-se pelo desvio de relatos que foram investigados e registrados;

- É responsável pela gestão do sistema de controle de mudanças;

- Garante que os medicamentos e cosméticos estejam dentro dos padrões de qualidade exigidos;

- Planeja e desenvolve estratégias que estejam de acordo com as exigências de BPF;

- É responsável pelas operações de produção e controle, as quais estejam claramente especificadas em documento formalmente aprovado;

- Gerencia os controles que garantem a qualidade das matérias-primas, produtos intermediários e produtos a granel;

- Coordena o controle em processo, as calibrações e as validações;

- Garante que o produto acabado seja corretamente processado e conferido, para que esteja em consonância com os procedimentos definidos; e

- Garante que os medicamentos não sejam comercializados ou distribuídos antes que os responsáveis tenham se certificado de que cada lote tenha sido produzido e controlado de acordo com os requisitos do registro ou quaisquer outras normas relevantes à produção, ao controle e à liberação de medicamentos.

Onde atua

- Indústrias farmacêuticas e farmoquímicas, por ex.: Roche, Libbs, Medley etc.

- Indústrias cosméticas, por ex.: Johnson&Johnson, La Roche Posay, Skinceuticals etc.

Faixa salarial

De acordo com o site de pesquisa de salários, Love Mondays, o salário médio do farmacêutico gestor da qualidade é de R$ 4.354,00. Os ganhos podem variar de R$ 1.200,00 a R$ 10.500,00. Esta estimativa salarial tem base em 24 salários postados por funcionários no Love Mondays para este cargo. No entanto, podem ser encontrados, no mercado, rendimentos de até R$ 30.000,00.

Caso de Sucesso

Na indústria farmacêutica é comum que os profissionais que se empenham em vencer na profissão galguem degrau por degrau. Esta também é a trajetória do gestor de qualidade, dr. Thiago Freitas, que atualmente trabalha na Brainfarma (Hypera).

Ele começou como farmacêutico hospitalar (em auditoria de contas médicas). Porém, precisava fazer um estágio em indústria para conseguir a habilitação nessa área (uma especialização após o curso de Farmácia). “Entrei no estágio e me dediquei, logo fui contratado. Na época, as empresas estavam expandindo o quadro de colaboradores”, menciona ele.

Então, surgiu uma oportunidade na área de regulatórios e garantia da qualidade. Freitas lembra que, na ocasião, as vagas de desenvolvimento e produção eram raras para estagiário. Logo conseguiu ser contratado como analista e, aproximadamente, um ano depois se tornou supervisor de produção. “Posteriormente, por necessidades da empresa, fui convidado a atuar como coordenador. Cinco anos nesse cargo, fui convidado a ser gerente de garantia e controle de qualidade em São Paulo (SP)”, comenta o executivo.

Freitas ressalta que os desafios maiores foram transformar a sua boa base teórica em resultados demonstráveis para a alta direção. A gestão de pessoas também é importante e, segundo ele, é algo que não se aprende na graduação.

Quanto aos desafios, eles são superados com determinação e um pouco de entendimento do negócio como um todo. “A avaliação de cenários e a construção deles com a alta gestão é importante em um contexto de indústria altamente regulada”, afirma Freitas.

Ele se considera um profissional de sucesso, principalmente, por suas conquistas e aprendizados com os fracassos, que consolidaram sua carreira.

O executivo afirma que as melhores oportunidades para essa carreira estão na indústria de medicamentos, produtos para saúde, alimentícia e cosmética. “Em outros segmentos, vejo dificuldade de posicionamento do farmacêutico como gerente de qualidade, que pode exercer a função de garantia da qualidade, controle de qualidade, condutor de projetos, compliance e auditoria, entre outras”, finaliza ele.

Como se preparar

O curso de graduação em Farmácia é o mais adequado para quem pretende seguir carreira como farmacêutico gestor de qualidade (controle e garantia de qualidade em indústrias). Uma pós-graduação na área de gestão da qualidade ou controle de qualidade é imprescindível para o exercício da carreira.

O ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico oferece os cursos de pós-graduação Controle de Qualidade na Indústria Farmacêutica e Gestão da Qualidade e Auditoria em Processos Industriais. Esses dois cursos contam com a participação de docentes com vasta experiência na indústria farmacêutica e têm sido a opção da maioria dos farmacêuticos gestores de qualidade que obtiveram sucesso no mercado profissional.

Matéria publicada no portal do ICTQ

10 PASSOS PARA DISPENSAÇÃO DE ANTIBIÓTICOS NAS FARMÁCIAS

10 PASSOS PARA DISPENSAÇÃO DE ANTIBIÓTICOS NAS FARMÁCIAS

A desinformação da população brasileira sobre o uso racional de antibióticos é preocupante e, em alguns casos, chega a ser considerada até motivo de piadas! Um exemplo disso foi a viralização, nas redes sociais, do depoimento de uma jovem, em um talkshow da Rede TV, afirmando que havia engravidado de um antibiótico. Claro que houve uma abordagem sensacionalista sobre o tema, mas o fato é que alguns antibióticos diminuem ou anulam o efeito dos anticoncepcionais orais. O pior é que, no programa, em momento algum isso foi mencionado ou lembrado.

Outro exemplo factual do consumo irracional de antibióticos está na pesquisa do ICTQ, realizada em 2014. O estudo apontou que 18,4% dos brasileiros pesquisados em 16 capitais consumiram antibióticos sem prescrição médica e sem a orientação farmacêutica nos 12 meses que antecederam a pesquisa. A capital com o maior índice desse consumo irregular foi Goiânia (GO), com 33%.

Frente a tanta desinformação e uso irregular desse tipo de medicamento, ficam as perguntas: o que fazer para ampliar a informação à população sobre o uso racional de antibióticos? Qual é o papel do farmacêutico na dispensação desse tipo de medicamento na farmácia? Quais passos ele deve seguir na orientação ao paciente?

O professor do ICTQ, Alexandre Massao Sugawara, que ministra Farmacologia e Atenção Farmacêutica diz que a dispensação de antibióticos em farmácias e drogarias públicas e privadas se dá mediante a retenção da segunda via da receita, devendo a primeira via ser devolvida ao paciente. “Mais que isso, o papel do farmacêutico em suas atribuições clínicas deve observar as metas da farmacoterapia ideal, assegurando um uso necessário, aderente, efetivo e seguro. A prescrição inadequada, falhas de adesão e inefetividade terapêutica podem levar ao desenvolvimento de resistências bacterianas. Cabe ao farmacêutico observar em seguimento farmacoterapêutico tais aspectos da farmacoterapia e propor intervenções farmacêuticas”, fala Sugawara.

Ele afirma que a intervenção em uma prescrição desnecessária de antibióticos deve ser baseada em diretrizes e protocolos clínicos que subsidiem o médico prescritor para uma reanálise. As falhas de adesão podem ser minimizadas com melhoria do conhecimento e colaboração do paciente ao tratamento. Além disso, ferramentas de suporte, como adesivos de lembrança e símbolos de horário, são bem-vindos.

A inefetividade terapêutica é sinal de baixa sensibilidade ao antibiótico à cepa do micro-organismo infectante, aqui novamente um encaminhamento ao médico prescritor se faz necessário. As inseguranças clínicas devem ser sempre monitoradas pelo farmacêutico. Este acompanhamento deve ser registrado em prontuário na farmácia. “Alguns transtornos menores associados ao uso de antibióticos, como diarreias e náuseas, podem ser tratados com prescrição farmacêutica. Queixas e sintomas mais graves e prolongados, sobretudo em gestantes e crianças, devem ser encaminhadas ao médico”, afirma o professor.

A farmacêutica Michelle Dweck lembra que a política para retenção de receitas prescritas de antibióticos vem por um histórico de uso indiscriminado de maneira incorreta. Assim, cabe aos farmacêuticos orientar o seu uso, isto é, fazer uma boa dispensação, fornecendo orientação no ato de entrega e da venda do medicamento. É ela quem indica os 10 passos na hora de dispensar antibióticos, com a resalva de que o tópico 4 é uma contribuição especial do Farmacêutico Jauri Siqueira. Confira:

1 - Certifique se a prescrição está legível. Caso positivo, veja se está com a dose correta (de acordo com a dose usual). Caso haja ilegibilidade lembre-se de que isto invalida a prescrição, mas é possível tentar entrar em contato com o prescritor para validar a receita. Isso ajuda a todos os lados, prescritor, paciente e farmácia.

2 - Verifique se a prescrição está datada, dentro do prazo de validade para uso e tempo de tratamento. A receita de antimicrobianos é válida em todo o território nacional, por dez dias, a contar da data de sua emissão. Em situações de tratamento prolongado a receita poderá ser utilizada para aquisições posteriores dentro de um período de 90 dias.

3 - Complete com dados do paciente e do prescritor. No ato da dispensação, devem ser registrados nas duas vias da receita os seguintes dados: I - a data da dispensação; II - a quantidade aviada do antimicrobiano; III - o número do lote do medicamento dispensado; e IV - a rubrica do farmacêutico, atestando o atendimento, no verso da receita. As receitas e notas fiscais de compra devem ficar retidas pelo prazo de dois anos para fins de fiscalização sanitária. A dispensação é na quantidade adequada, porém não é permitido o fracionamento.

4 - O intercâmbio - troca de medicamentos, assim como a dispensação de controlados, é atividade privativa do farmacêutico, devendo ser registrada no verso da receita conforme preconizado pela legislação e autorizada pelo mesmo. Alertamos que caso o prescritor no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, os responsáveis pelas prescrições devem adotar obrigatoriamente a DCB, ou na sua falta, a DCI. Nos serviços privados de saúde, a prescrição ficará a critério do prescritor, que pode utilizar o nome genérico ou comercial. Caso tenha alguma restrição à substituição do medicamento de marca pelo genérico correspondente, o prescritor deve manifestar claramente sua decisão, de próprio punho, de forma clara, incluindo no receituário uma expressão como “Não autorizo a substituição”.

5 - Informe o paciente: O medicamento genérico passa por testes de bioequivalência e biodisponibilidade e temos grande confiança em sua segurança e eficácia - Cabe a você farmacêutico, informar ao usuário dessa garantia de segurança.

6 - Explique ao paciente que é lenda urbana o fato de que, ao tomar o antibiótico com leite, o medicamento não vai prejudicar o estômago. Dependendo do antibiótico, na verdade, não haverá a absorção nem do antibiótico nem mesmo do cálcio do leite.

7 - Antibiótico, e qualquer outro medicamento, se toma com água. O ideal é utilizar um copo de, ao menos, 200 mL.

8 - Indicar ao usuário para ter cuidado também com os horários, pois se o antibiótico foi prescrito de oito em oito horas, ele não deve ser tomado no café da manhã, no almoço e no jantar. Temos que manter os picos do medicamento para garantir o seu efeito. Oriente sempre para que o medicamento seja ingerido nos horários corretos. Vale dar a dica de usar despertador, lembrete no celular ou até aplicativos que ajudam neste tipo de tratamento.

9 - Oriente às mulheres em idade fértil, que utilizam como único método contraceptivo a pílula anticoncepcional, principalmente as de baixo teor de hormônios, que seu uso concomitante ao antibiótico reduz o efeito da pílula. Isso pode gerar uma gravidez indesejada. Sugira o uso de outro método anticoncepcional, além da pílula, como o preservativo durante o tratamento com antibiótico.

10 - Diga ao usuário para evitar as bebidas alcoólicas, que podem ter grandes interações com os antibióticos, pois ambos são metabolizados no fígado, em sua grande maioria.

Matéria publicada no Portal do ICTQ

ENTENDA COMO TRABALHAM OS FARMACÊUTICOS RICOS DA SUÍÇA

ENTENDA COMO TRABALHAM OS FARMACÊUTICOS RICOS DA SUÍÇA

A Suíça é de causar inveja para a grande maioria dos brasileiros. É um dos países mais ricos do mundo e seu PIB per capita anual gira em torno de R$ 250 mil (o do Brasil é cerca de R$ 27 mil), com dados de 2105. Sua produção industrial é baseada no segmento farmacêutico, de produtos lácteos, relógios e máquinas.

Frente a tamanha pujança, já era de se esperar que a renda e os salários de sua população fossem os maiores do mundo também, e isso se aplica aos salários dos farmacêuticos, que giram em torno de R$ 25 mil.

Em suas andanças pelo mundo, o ex-presidente da Anvisa e do CRF-SP, e  presidente do Conselho Cientifico do ICTQ, Dirceu Raposo de Mello, pesquisou as diversas facetas da farmácia na Suíça. Descubra todas as peculiaridades daquele país.

1 – Regulamentação do comércio farmacêutico

A agência suíça que regula os medicamentos se chama Swissmedic. Qualquer produto médico para humanos ou animais precisa ser aprovado pela agência para ser comercializado no mercado da Suíça. E isso só ocorre se os testes de qualidade, segurança e eficácia forem suficientemente avaliados e comprovados.

A lei federal sobre medicamentos e dispositivos médicos (Lei de Produtos Terapêuticos, TPA) é a 812.21, de 15 de dezembro de 2000, da Assembleia Federal da Confederação Suíça.

2 - Perfil das lojas

Na Suíça, as farmácias são chamadas de Apotheke. Elas mantêm um expediente bem diferenciado, ou seja, funcionam em dois períodos comerciais - manhã e tarde -, e fecham no horário do almoço e á noite. Quem precisar de um medicamento aos domingos ou fora do horário comercial, terá de se dirigir até as farmácias de aeroportos ou de estações de ônibus e trem para o atendimento.

Em todos esses estabelecimentos, os medicamentos ficam escondidos, longe da visão dos consumidores. Há a possibilidade de expor alguns medicamentos isentos de prescrição (MIPs) sobre o balcão, mas sempre com bula, e nunca em blisters.

Nas gôndolas, há somente itens de higiene pessoal, correlatos e cosméticos. Não há sequer vestígios de venda de produtos alheios à saúde nesses estabelecimentos, portanto, a ideia de drugstore está muito longe da realidade daquele país.

3 - Prescrição farmacêutica

Os farmacêuticos não fazem a prescrição, mas oferecem uma orientação bem consistente aos pacientes. Para o auxílio do farmacêutico, não há balconistas. Há técnicos em farmácia, com formação para tal.

De qualquer forma, cerca de 60% dos medicamentos comercializados na Suíça são de prescrição médica, e eles podem ser dispensados nas farmácias mediante apresentação de receita médica. A regulamentação é muito rigorosa.

Importante lembrar que é função do farmacêutico checar as possíveis interações medicamentosas das receitas múltiplas. Para isso, é muito comum que a população adquira seus medicamentos sempre na mesma farmácia (chamada de hausapotheke – farmácia de casa). Isso garante controle mais eficiente dos medicamentos de prescrição e de uso contínuo.

4 - Propriedade da farmácia

Apenas o farmacêutico pode ser proprietário das farmácias, e ainda há a hereditariedade da propriedade. Por conta disso, não há a possibilidade da formação de redes farmacêuticas. Como as farmácias na Suíça são, geralmente, o estabelecimento de saúde inicial para a busca de alívio de sintomas leves de doenças, os profissionais das farmácias possuem boa formação e oferecem um aconselhamento competente.

5 - Presença do farmacêutico

Há a presença obrigatória do farmacêutico durante as cerca de oito horas de expediente na farmácia, que fecha para o almoço do farmacêutico e de seus funcionários.

6 - Remuneração do farmacêutico

Independentemente de seu local de atuação, os farmacêuticos na Suíça ganham remuneração média mensal (salário, comissão e bônus) em torno de R$ 25 mil! O país é considerado um dos dez que oferecem a melhor remuneração para farmacêuticos no mundo!

Mas que ninguém se iluda! O governo suíço indica que apenas 9% da população economicamente ativa (330 mil suíços) recebem rendimento mensal inferior R$ 10.000,00, portanto, os salários altos não são privilégios apenas dos farmacêuticos naquele país!

7 - Curiosidade

Na Suíça, cerca de 80% dos custos com medicamentos são bancados pelos planos de saúde. Esses medicamentos constam de uma lista de especialidades, que contém todos os itens autorizados para tal. No entanto, apenas os medicamentos prescritos por médico recebem reembolso, e isso exclui os MIPs consumidos por conta própria, o que dificulta muito a prática da automedicação.

Geralmente o pagamento é feito via reembolso, mas há algumas circunstâncias em que o paciente mantém um cartão com um crédito pré-aprovado para o pagamento dos medicamentos.

Vale lembrar que as farmácias na Suíça também dispensam medicamentos genéricos, que custam cerca de 20% mais baratos que os de referência. Sendo assim, há a orientação para que os médicos prescrevam, sempre que possível, essa classe de medicamentos para efeito de reembolso.

Matéria publicada no Portal do ICTQ

A CARREIRA DO FARMACÊUTICO E O EMPREENDEDORISMO

A CARREIRA DO FARMACÊUTICO E O EMPREENDEDORISMO

 

Empreender significa gerar negócios, recursos, mais postos de trabalho e, consequentemente, uma melhor distribuição de renda e quando o assunto é empreender na área farmacêutica, especialmente abrindo uma nova farmácia ou uma indústria de medicamentos, agrega-se a isso uma importante contribuição para a saúde pública da população, facilitando o acesso aos medicamentos e aos serviços farmacêuticos.

Claro que para empreender o farmacêutico deve analisar o mercado, planejar, aplicar ferramentas de gestão, perceber oportunidades e saber explorá-las ao máximo. O ponto fundamental é que para isso é necessário muito conhecimento. Portanto, quanto maior for o investimento na capacitação sobre um ramo de negócio, maior será a chance de êxito.

Para o diretor-executivo do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Eugenio Muniz, “o mercado farmacêutico está em grande expansão e cheio de oportunidades para os que têm bons objetivos e força para trabalhar, assim como conhecimento técnico e especializado. A realidade do mercado farmacêutico não vivencia a crise econômica atual”.

Uma pergunta: será que vale mesmo a pena deixar de lado a comodidade do piso salarial e da carga horária de trabalho a ser cumprinda para correr riscos em um projeto empresarial, sem férias e sem feriados? Eis a questão: ser um empregado ou um empregador? Até que ponto compensa ser um farmacêutico empreendedor

Farmacêutico empreendedor no varejo

Segundo especialistas, empreender principalmente no varejo é uma ótima ideia para a maioria dos farmacêuticos. Vale lembrar que, de abril de 2014 a março de 2015, o lucro nas farmácias cresceu 11,5% sobre igual intervalo anterior, para R$ 43,1 bilhões, conforme dados da IMS Health. Se os lucros cresceram, os pró-labores dos donos destes lucros também cresceram. E o piso salarial do farmacêutico, cresceu na mesma proporção? Repetindo a pergunta: vale mais ser um farmacêutico bem empregado ou um farmacêutico empregador e empreendedor?

Há no País um potencial de crescimento do varejo farmacêutico em diversas localidades. Segundo o Censo Farmacêutico do ICTQ existem, por exemplo, 8.527 farmácias em Minas Gerais nos 853 municípios do Estado. Isso significa uma média de menos de 10 farmácias por município. Claro que há Estados cuja média é bem maior, por isso vale uma pesquisa mais aprofundada. “Há de se ponderar também o tamanho dos municípios para o estudo de abertura de novas farmácias. O fato é que há espaço para mais farmácias no País, e muito... A pregação de que há farmácias demais e que a OMS recomenda apenas um estabelecimento para cada oito mil habitantes não passa de um mito enganoso”, preconiza o diretor de Pesquisa do ICTQ, Marcus Vinicius de Andrade.

Sobre ser um farmacêutico empreendedor, “a atividade em si exige do profissional, antes de qualquer coisa, um perfil voltado para o que é inovador e desafiador. O empreendedor é proativo e é motivado pela autorrealização, pelo desejo de assumir responsabilidades, pelo desafio de gerenciar riscos e de ser independente”, defende o professor do ICTQ e consultor no mercado farmacêutico, Leonardo Doro Pires.

O famoso jornalista irlandês, George Bernard Shaw, afirmou: “O homem lúcido adapta-se ao mundo; o homem errante persiste em tentar adaptar o mundo a si próprio. Portanto, todo o progresso depende do homem errante". Pires diz que o empreendedor é o homem errante de Shaw, ele sabe que tudo pode ser melhorado, pensa fora da caixa e é pragmático na busca de resultados.

A carreira do empreendedor possui caminhos inquietantes, que alimentam uma constante necessidade de mudança e impulsionam ideias que, após passarem pelo crivo do planejamento, se transformam em realidade. Você pensa constantemente em inovar e criar um negócio? Caso afirmativo, segundo Pires, o mosquito do empreendedorismo o picou: “Corra para a prancheta e comece a planejar seus castelos. Não adianta tentar fugir do espírito empreendedor. Não há cura”. Pires, que também é um farmacêutico empreendedor, declara: “Seja bem-vindo ao time!”.

Farmacêutico empreendedor na Indústria

O presidente fundador da indústria Prati-Donaduzzi, o farmacêutico Luiz Donaduzzi, tem uma brilhante história de empreendedorismo, que ele conta em detalhes no Anuário do Mercado Farmacêutico 360º do ICTQ de 2015. Ele fala que algumas pessoas vão à luta de forma mais profunda. Surpreendentemente ele diz que ganhar dinheiro é fácil, desde que o farmacêutico se prepare para isto e tenha vontade, sobretudo estudando. “Não consigo ver outra forma de crescimento. O empreendedorismo começa com uma ideia. Mas há momentos em que existem gargalos e, se você não estiver preparado, estes gargalos vão limitar o seu crescimento”, declara.

A classe empreendedora é uma pequena parcela dos profissionais que está disposta a correr riscos e empregar energia em um projeto. Muitas pessoas preferem ficar limitadas a um salário muito ruim, que é cômodo. Pouca gente investe em si, ou seja, paga um curso de MBA ou um curso no exterior.

“O farmacêutico, sem querer generalizar, gosta da área técnica e não gosta tanto do contato humano, acha que apenas dominar o que aprendeu na universidade vai ser suficiente para ter sucesso. Para conquistar algo, além do conhecimento técnico (que é a parte mais barata) é necessário ter conhecimento de gestão. Desenvolver a liderança é o mais difícil”, comenta o empresário. O farmacêutico que se dedica a fazer um mestrado, um doutorado, e que aprende na indústria terá um ótimo salário, principalmente se ele for para uma área que paga muito bem, como a inovação.

O farmacêutico que desejar o sucesso terá de se preparar para isso. Assim, de acordo com Pires, ele terá de, primeiramente, observar as demandas do ramo em que pretende atuar. “O curso de graduação em Farmácia é importante para quem pretende empreender nessa área, no entanto, é comum que empresários sem este curso atuem no setor”, diz. Os conselhos do mestre incluem: independentemente da graduação cursada, é imprescindível uma pós-graduação voltada para o setor de administração e gestão estratégica desses tipos de empresas. “Para empreendedores iniciantes, indicamos o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), uma entidade privada, sem fins lucrativos, que atua como agente de capacitação e de promoção do desenvolvimento de pequenos negócios”, finaliza ele.

Matéria publicada no Portal do ICTQ

 

ENTENDA OS 7 DESAFIOS DO FARMACÊUTICO RT

ENTENDA OS 7 DESAFIOS DO FARMACÊUTICO RT

Em qualquer área que o farmacêutico atue no Brasil, sempre haverá percalços e desafios a serem suplantados. Aliás, isso é comum em qualquer profissão. No entanto, aqueles que atuam no varejo sabem que ser um responsável técnico (RT) na farmácia é uma função de muita responsabilidade e com forte carga burocrática. Por conta disso, há os que atribuem seus desafios profissionais a essa função.

“De modo geral, o farmacêutico RT é o responsável por toda a parte técnica do estabelecimento onde trabalha, por isso deve e tem que cobrar de seus subordinados, pois ele responde civil e penalmente por qualquer dano que cause ao consumidor”, comenta a farmacêutica RT da Farmácia de Minas, em Passa Quatro (MG), Paula Ribeiro Pereira.

Ela explica que atua em uma farmácia pública, e coordena todos os assuntos ligados aos medicamentos, desde que chegam à loja até sua dispensação, sendo responsável também por todos os POPs e manuais, e a dispensação de medicamentos pertencentes à Portaria 344/98.

O RT da Clinifar (SP) - a farmácia escola do ICTQ -, Demóstenes Martins, diz que é fundamental estar sempre atualizado com relação às normas e leis vigentes pertinentes ao comércio de drogas, medicamentos e correlatos. “Criamos um vínculo com os colegas de trabalho por meio de treinamentos que passamos para sempre manter a equipe atualizada com a legislação vigente, evitando, assim, erros de dispensação de medicamentos e correlatos”, destaca.

Desafios

Quem ler a descrição da função afirma que ela parece maravilhosa, mas quem atua como RT garante que as coisas nem sempre são como parecem...”O maior desafio do dia a dia é conseguir conciliar o bom atendimento ao paciente/cliente e manter tudo que é pertinente a sua função corretamente e em conformidade com a legislação e normas vigentes”, comenta Martins.

Já Paula assegura que lidar com superiores que não entendem a legislação farmacêutica e pedem para que sejam feitos procedimentos que não são possíveis é um fator estressante para os RTs. “Além disso, é muito difícil atender a pacientes querendo medicamento sem a apresentação da receita. Sem falar nos colegas de serviço querendo que eu libere a medicação para o paciente sem a receita, se responsabilizando por trazer mais tarde”, reclama ela.

7 desafios da função

Entre as responsabilidades e os desafios, há aqueles entraves, muitas vezes considerados inevitáveis, que tiram o sono do RT. Os entrevistados elencaram os sete piores pesadelos da função. Acompanhe:

  1. Roubo de medicamentos controlados. “Nunca passei por essa situação, mas se um dia isso ocorrer, é fundamental tomar providências imediatas a nível criminal”, ressalta Martins;
  2. Estoque não bater no final do mês com o controle do SNGPC e, por isso, ter de ficar procurando receita por receita para ver o que foi feito de errado;
  3. Ter de ir ao fórum da cidade dar explicações de porque a medicação de fulano de tal não foi dispensada. “Toda vez que tenho que fazer isso, meu coração gela”, diz Paula;
  4. Brigar constantemente com superiores que tentam convencer o RT a burlar a legislação;
  5. Conviver com colaboradores que não querem aprender. “Trabalho em farmácia pública. Já tive uma funcionária que, devido a ter cargo político, me dizia que estava na farmácia para receber seu salário e não para trabalhar”, lamenta Paula.
  6. Saber que o farmacêutico substituto ou o balconista erraram na dispensação de medicamentos de controle especial. “O SNGPC é uma ferramenta que veio trazer segurança para medicamentos sujeitos a controle especial e, assim, podemos evitar erros tanto de aquisição como de dispensação”, lembra Martins;
  7. Ver o paciente sair desesperado de uma farmácia porque não tem dinheiro para comprar o medicamento para o filho ou para a mãe doentes.

Apesar de tudo isso, há quem goste...e muito. “Se não fosse o amor pela profissão, não haveria mais farmacêuticos para trabalhar neste setor, que graças a Deus é o meu caso”, orgulha-se, Paula, que escolheu ser farmacêutica RT e diz ter sido a atitude mais acertada que tomou em sua vida.

Principais funções do RT

Vale entender melhor quais são as principais funções de um farmacêutico RT em uma farmácia.

  • Manter o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos e insumos farmacêuticos e correlatos e interpretar e estabelecer condições para o cumprimento da legislação pertinente;
  • Estabelecer critérios e supervisionar o processo de aquisição de medicamentos e demais produtos;
  • Fazer a avaliação da prescrição médica,
  • Assegurar as condições adequadas de conservação e dispensação dos produtos,
  • Manter arquivos, que podem ser informatizados, com a documentação correspondente aos produtos sujeitos a controle especial.
  • Elaborar, organizar e operacionalizar as áreas e atividades da drogaria,
  • Manter atualizada a escrituração;
  • Manter a guarda dos produtos sujeitos a controle especial de acordo com a legislação específica;
  • Prestar assistência farmacêutica necessária ao consumidor, esclarecendo todas suas dúvidas;
  • Promover treinamento inicial e contínuo dos funcionários para a adequação da execução de suas atividades.

Matéria publicada no Portal do ICTQ

SAIBA MAIS SOBRE A CARREIRA DO FARMACÊUTICO BIOQUÍMICO

SAIBA MAIS SOBRE A CARREIRA DO FARMACÊUTICO BIOQUÍMICO

A carreira de farmacêutico analista clínico é valorizada pelo mercado de trabalho. Ser especialista em análises clínicas exige do profissional conhecimentos aprofundados e abrangentes, devido à complexidade da atividade.

Devido ao aumento na oferta de mão de obra qualificada em análises clínicas, ocorrida pela ingressão de outros profissionais no mercado - como os biomédicos - esta carreira apresentou uma queda de remuneração nos últimos anos. Apesar disso, ela ainda configura importante campo de atuação para o profissional farmacêutico, inclusive em pequenas cidades, onde existe possibilidade de empreender na área, investindo na abertura de um laboratório de análises clínicas.

Perfil do farmacêutico bioquímico

É preciso ser proficiente em biologia molecular, bioquímica, citologia e citopatologia, controle interno e externo da qualidade laboratorial, endocrinologia básica e clínica, além de ter conhecimentos nas áreas de química analítica e instrumental. Exige do profissional aptidão para tarefas analíticas e capacidade de concentração. O inglês é indispensável e o espanhol pode ser um diferencial para essa carreira.

O que faz

Em laboratórios de análises clínicas:

- É responsável pelo processo de gestão do laboratorial;

- Atua como responsável técnico geral do laboratório ou de apenas um setor do laboratório;

- É corresponsável de laboratórios de análises clínicas;

- Gerencia a qualidade;

- É responsável pela supervisão técnica, operacional e administrativa;

- Realiza análises de líquidos biológicos e efusões cavitárias;

- Realiza análises utilizando métodos em biologia molecular;

- Faz exames bioquímicos;

- Realiza análises hematológicas;

- Faz exames imunológicos;

- Realiza exames citopatológicos, desde que atendam à legislação específica vigente;

- Promove análises nas áreas de micologia, microbiologia e parasitologia; e

- Desenvolve programas de controle de qualidade interno e externo.

Onde atua

- Laboratórios de análises clínicas particulares, por exemplo: Fleury, Cura, Delboni Auriemo, SalomãoZoppi, Focus etc.

- Laboratórios de análises clínicas públicos, no Sistema Público de Saúde.

Faixa salarial

O salário médio para o farmacêutico bioquímico é de R$ 4.721,00/mensal. O salário pode variar de R$ 2.300,00 a R$ 8.500,00. Esta estimativa tem base em 13 salários postados para este cargo por funcionários no Portal on-line da Love Mondays. Apesar disso, há casos apontados cujos salários excedem os R$ 10.000,00.

Caso de sucesso

O professor do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Rodolfo Fernandes, é um exemplo de sucesso na área bioquímica, tanto que ele é expert em análise clínicas e interpretação de exames, conforme matéria publicada no Portal de Conteúdo da Instituição, intitulada Farmacêutico nas Análises Clínicas - Diabetes, Dislipidemia e Hipotireoidismo,

Ele começou cedo e começou de baixo. A opção pela carreira de farmacêutico bioquímico foi uma escolha prevista, já que atuou, também, como técnico em análises clínicas por 17 anos. “Antes mesmo de concluir a graduação eu já ministrava aulas em cursos preparatórios para concursos e ministrava palestras e cursos sobre análises clínicas. Após a conclusão da graduação eu continuei a carreira como docente com cursos de atualização em universidades particulares no Rio de Janeiro (RJ)”, fala o professor.

Ele conta que o início foi marcado pela atuação na docência e como responsável técnico em um laboratório privado no cargo de farmacêutico bioquímico. A adaptação ao cargo de responsável técnico foi mais fácil devido à experiência adquirida. “Já na docência, a dificuldade foi em receber oportunidades para ministrar os cursos. Tive que exercitar muito o networking pedindo e cavando novas e boas oportunidades”, lembra Fernandes.

Sua capacidade de estabelecer contatos, talvez, seja o grande segredo para Fernandes galgar novos degraus e conquistar oportunidades no mercado de trabalho, desde o início de carreira.

Se ele se considera um profissional de sucesso? A resposta é sim! “Graças a Deus, fui aprovado e classificado em 11 concursos públicos em análises clínicas (três deles em segundo lugar). Sou servidor público em análises clínicas e professor universitário. Acredito que o significado de sucesso, para mim, seja ter o privilégio de atuar nessa área, pela qual sou apaixonado, há mais de 17 anos. Poder ajudar as pessoas como professor é algo também que me gera muita felicidade”, comemora o professor.

Ele, atualmente, está escrevendo um livro sobre exames laboratoriais aplicados à farmácia clínica, que pretende publicar já em 2020. Em relação à formação acadêmica, um doutorado em análises clínicas é um desejo de Fernandes: “Deixo um conselho aos que estão iniciando a carreira: escolham uma área de atuação por amor à profissão. Este é o segredo do sucesso!”.

Como se preparar

O curso de graduação em Farmácia é imprescindível para profissionais que desejam seguir carreira em análises clínicas. A especialização em Análises Clínicas é obrigatória. O ICTQ possui o curso acima citado e é líder no mercado brasileiro em pós-graduação para farmacêuticos.

Matéria publicada no Portal do ICTQ

SAIBA MAIS SOBRE A CARREIRA DO FARMACÊUTICO TOXICOLOGISTA

SAIBA MAIS SOBRE A CARREIRA DO FARMACÊUTICO TOXICOLOGISTA

A carreira de farmacêutico toxicologista está inserida numa área das análises clínicas, realizando análises toxicológicas, e é muito demandada pelo mercado de trabalho.

Apesar dessa carreira não ter exclusividade farmacêutica na totalidade do seu no seu rol de atribuições - o que eleva a concorrência com outros profissionais - o farmacêutico toxicologista se destaca no mercado de trabalho. Não existem restrições geográficas para o exercício dessa carreira, no entanto uma das melhores oportunidades é atuar como perito criminal.

Perfil do farmacêutico toxicologista

Esta carreira é muito concorrida e requer aprovação em concurso público específico. Como exemplo pode-se citar os peritos criminais. Ser especialista em toxicologia analítica exige do profissional conhecimentos aprofundados e específicos dessa ciência. É preciso ser proficiente em toxicologia, principalmente nas áreas ocupacional, forense e ambiental, além de ter conhecimentos nas áreas de química analítica e instrumental. Exige do profissional aptidão para tarefas analíticas, gestão de laboratórios e capacidade de concentração. O inglês é indispensável, e o espanhol pode ser um diferencial para a carreira.

O que faz

Em laboratórios de análises clínicas:

- Atua como responsável pelo processo de gestão laboratorial;

- Realiza análises toxicológicas;

- É responsável técnico geral do laboratório ou apenas do setor de análises toxicológicas;

- Pode ser corresponsável de laboratórios de análises clínicas;

- Gerencia a qualidade;

- Responsabiliza-se pela supervisão técnica, operacional e administrativa;

- Desenvolve programas de controle de qualidade interno e externo;

- Identifica diferentes substâncias químicas, em diferentes matrizes, podendo atuar nas áreas de alimentos, medicamentos, ocupacional, social e ambiental; e

- Reconhece riscos químicos devido à exposição a agentes tóxicos.

Em perícias criminais:

- Faz perícia em locais de infração penal;

- Obtém informações, numa investigação policial, por meio da toxicologia forense;

- Rastreia a presença de drogas lícitas ou ilícitas no sangue de indivíduos vivos, por meio de exames;

- Realiza exames em cadáveres, por meio da necropsia;

- Investiga possíveis falsificações ou adulterações de medicamentos comercializados;

- Investiga acidentes químicos de massa; e

- Examina instrumentos utilizados em casos de infração penal.

Em laboratórios de análises ambientais:

- Estuda o efeito tóxico de contaminantes no meio ambiente;

- Realiza estudos relacionados à poluição atmosférica;

- Coordena ou acompanha o processo de tratamento de dejetos industriais; e

- Pesquisa e desenvolve metodologias para o tratamento e controle de águas, para serem utilizadas em indústrias ou para o consumo da população.

Onde atua

As 13 especialidades em toxicologia reconhecidas pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) são: 1. Toxicologia ambiental; 2. Toxicologia analítica; 3. Toxicologia clínica; 4. Toxicologia de alimentos; 5. Toxicologia de cosméticos; 6. Toxicologia de emergência; 7. Toxicologia de medicamentos; 8. Toxicologia desportiva; 9. Toxicologia experimental; 10. Toxicologia forense; 11. Toxicologia ocupacional; 12. Toxicologia veterinária; e 13. Toxicogenética.

Assim, o local onde ele atuará vai depender da especialidade e enfoque que escolher. Assim, pode-se atuar na área analítica ou experimental dentro de um laboratório de análises clínicas, de um centro de pesquisa, de um centro universitário ou veterinário. Também pode atuar na área clínica em hospitais, farmácias ou nos Centros de Informações Toxicológicas (CIT e CEATOX). Pode dar suporte jurídico e regulatório nos tribunais de justiça e nas vigilâncias sanitárias e órgãos legislativos, bem como pode atuar em assessoria e consultoria na área toxicológica.

Percebe-se, então, o vasto campo de atuação do profissional toxicologista, que trabalha para prevenir, diagnosticar ou tratar uma intoxicação que pode ser ocasionada por infinitas substâncias ou produtos químicos.

- Laboratórios de análises clínicas particulares, por exemplo: Fleury, Cura, Delboni Auriemo, SalomãoZoppi, Focus etc.

- Laboratórios de análises clínicas públicos, no Sistema Público de Saúde.

- Polícia civil e federal;

- Laboratórios de análises ambientais, por exemplo: Bachema, Hidrolabor, Ceimic etc.

Faixa salarial

O salário médio, por exemplo, para um perito criminal farmacêutico é de R$ 11.973,00 mensais. O salário pode variar de R$ 1.000,00 a R$ 23.905,00. Esta estimativa salarial tem base em 57 salários postados por funcionários no Portal Love Mondays para este cargo.

Caso de sucesso

O farmacêutico toxicologista, dr. Flaubertt Santana de Azeredo, é um profissional de sucesso na área. Atua na Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) de Goiás. É docente (graduação e pós-graduação) e trabalha, também, com perícia judicial (assessor) e toxicologia clínica (consultor nas condutas de intoxicação).

“Foi na toxicologia que me encontrei. Fui bolsista voluntário e depois remunerado pela CNPq em toxicologia, quando desenvolvi alguns artigos científicos e participei de congressos na área”, revela ele. Azeredo fez a graduação em Farmácia e, no último ano do curso, puxou a disciplina de toxicologia para sua grade, já que pensava em não fazer habilitação alguma. Na Universidade Federal de Goiás (UFG), a disciplina de toxicologia só existia nas habilitações da Farmácia (indústria, análises clínicas ou alimentos). Assim, se o profissional se graduasse só como farmacêutico, sem habilitação, não estudava toxicologia.

“Por causa do adiantamento da toxicologia, logo quando eu formei, fiz o concurso para professor substituto de toxicologia. Passei como docente e comecei a lecionar para os colegas que tinham se formado comigo na graduação, e que foram fazer a habilitação. Imagine o desafio!”, relembra Azeredo.

Como estava no meio acadêmico, era preciso produzir pesquisa, extensão e ensino. Para tal, era preciso foco, determinação e resiliência. “Procurei, então, encarar os desafios e buscar soluções para as dificuldades. A primeira era a capacitação. Fiz especialização em toxicologia para consolidar mais os conhecimentos. Depois, fiz mestrado em Ciências Farmacêuticas, tendo a toxicologia pré-clínica na linha de pesquisa”, ressalta ele.

Para obter mais experiência, começou a lecionar em outras faculdades e cursos para adequar melhor seu conhecimento à experiência de cada profissão. Propôs projetos de extensão que tratavam a toxicologia presentes em filmes e músicas para aproximá-la da população.

Para Azeredo, a toxicologia é uma área multiprofissional com atuação diversificada e enfoque profissional variado, seja clínico, analítico, experimental ou forense. “É uma área apaixonante e complementar à nossa atuação como profissional farmacêutico na garantia da segurança do paciente”, menciona ele.

Na Farmácia, é uma das 10 áreas de atuação definidas pelo CFF e possui 13 linhas de especialização, dentre as 135 especialidades farmacêuticas reconhecidas pelo CFF.

Como se preparar

O curso de graduação em Farmácia é imprescindível para profissionais que desejam seguir carreira de farmacêutico toxicológico. A especialização em Análises Toxicológicas é obrigatória.

O ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico possui o curso acima citado e é líder no mercado brasileiro em pós-graduação para farmacêuticos.

Matéria publicada no Portal do ICTQ

CONSULTÓRIO FARMACÊUTICO: PLANEJAMENTO E OS INDICADORES ESSENCIAIS

CONSULTÓRIO FARMACÊUTICO: PLANEJAMENTO E OS INDICADORES ESSENCIAIS

 

A frase remete à utilização de indicadores como ferramenta de medição de desempenho, de maneira quantificável, buscando entender se os objetivos estão sendo atingidos e identificando a necessidade de adoção de medidas corretivas, muito útil na gestão de um consultório farmacêutico.

Na verdade, pensar e agir estrategicamente é uma realidade para qualquer profissão no mercado de elevada competitividade. Segundo o farmacêutico e professor no Centro Universitário do Rio Grande do Norte (UNI-RN), dr. Marcelo Santos Arcanjo, o planejamento estratégico auxilia o farmacêutico a estabelecer o rumo a ser seguido pelo seu estabelecimento de saúde, com vistas à otimização da relação do consultório farmacêutico com o ambiente em que se insere.

“A tradução do planejamento em ações estratégicas conduz o posicionamento do consultório frente à concorrência e ao alcance da sua visão de futuro, ou seja, o seu estado desejável no mercado. Assim, é imprescindível que o profissional farmacêutico busque clareza e definição da identidade organizacional do consultório, estabelecendo a sua missão, visão e valores, bem como realizando uma minuciosa análise de ambientes interno (forças e fragilidades - ou pontos de melhoria - do estabelecimento) e externo (oportunidades e ameaças do mercado)”, ressalta Arcanjo.

Já o professor do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, dr. Leonardo Doro Pires, para o planejamento estratégico de um consultório farmacêutico deve-se utilizar o Balanced Scorecard (BSC). “A ferramenta mostra os quatros quadrantes que devemos considerar num planejamento estratégico. quadrante 1 – Financeiro; quadrante 2 - Clientes; quadrante 3 – Processos; e quadrante 4 - Aprendizagem e Conhecimento. Temos que criar metas para o acompanhamento de desempenho dessas quatro grandes áreas”, afirma ele.

Pires destaca que, para uma gestão eficaz, os principais indicadores no gerenciamento de um consultório farmacêutico são definidos de acordo com esses quadrantes abordados no planejamento estratégico. Ele sugere:

Quadrante 1 (Financeiro) - Receita, custos fixos e custos variáveis;

Quadrante 2 (Clientes) - Taxa de retorno de clientes e índice de satisfação;

Quadrante 3 (Processos) - Refere-se ao tempo de consulta; e

Quadrante 4 (Aprendizagem e Conhecimento) - Aqui o farmacêutico deve incluir suas metas de aperfeiçoamento e formação técnica. “Sugiro o indicador de horas aperfeiçoamento/ano, com uma meta mínima de 100h/ano”, aconselha Pires.

Outra visão

Arcanjo acredita que, para a maximização de resultados de um consultório farmacêutico, podem ser adotados os seguintes indicadores de produtividade:

- número de consultas farmacêuticas agendas;

- número de consultas farmacêuticas realizadas;

- tempo médio de duração da consulta;

- taxa de retorno de pacientes (número de retornos de pacientes após a realização da consulta);

- intervalo médio de agendamento de retorno;

- nível de fidelização de pacientes;

- novos pacientes (número de novos atendimentos e identificação do meio pelo qual eles tiveram o conhecimento do serviço prestado pelo consultório farmacêutico. Esta ação poderá ajudar a definir e reforçar estratégias de propagação e consolidação do consultório no mercado);

- faltas e cancelamentos de consultas (número de consultas agendadas e não realizadas pela ausência do paciente ou pelo seu cancelamento); e

- satisfação do paciente (grau de satisfação com os serviços prestados no consultório farmacêutico, que podem ser compreendidos por aspectos diversos que vão desde a limpeza do local até a confiabilidade de entrega dos benefícios prometidos na execução da consulta).

“É importante ressaltar que estes não são os únicos indicadores existentes e as métricas de avaliação e melhoria podem (e devem) ser ajustadas de acordo com a realidade de cada estabelecimento”, alerta Arcanjo.

Custos fixos

“Importante que os custos fixos de um consultório farmacêutico (pró-labore, salário de recepcionista, aluguel do ponto comercial, taxa de condomínio etc.) não superem a previsão mínima de receita. Minha experiência recomenda que a precificação das consultas e tíquete médio estipulado de venda agregada, no planejamento, tenham ligação direta com os custos fixos – quanto maior os custos fixos, maior deve ser o valor da consulta”, aconselha Pires.

Já Arcanjo afirma que o planejamento financeiro é indispensável para qualquer negócio e, para o bom desempenho de um consultório farmacêutico, a realidade não é diferente. A base para a realização de um efetivo planejamento financeiro passa pela ciência e atenção de tudo aquilo que entra e de tudo aquilo que sai de dinheiro do estabelecimento.

Desse modo, é intuitivo que, para a garantia da saúde financeira do consultório, esta balança apresente maior peso para a entrada de receita financeira em detrimento dos gastos. “O bom controle e registro financeiro fazem com que as finanças do consultório sejam medidas e, consequentemente, possam ser melhoradas e otimizadas”, pondera ele.

Os custos – que podem ser fixos e variáveis – devem ser bem monitorados e, sempre que possível, reduzidos. Assim, de acordo com Arcanjo, despesas fixas como aluguel, tarifas de energia, água, telefone, internet, materiais de expediente (papel, canetas, grampos etc.), publicidade e propagandas, serviços de informática, contábeis, dentre outros, devem se manter em níveis reduzidos e bem controlados. Isso porque, independentemente de o farmacêutico estar trabalhando muito ou pouco, atendendo muitos pacientes ou não, isso estará contabilizando gastos mensais à atividade.

Já os custos variáveis são despesas que ocorrem proporcionalmente ao faturamento, ou seja, serão maiores ou menores, de acordo com o desenvolvimento da atividade no consultório.

Ponto de equilíbrio

“Grosso modo, o ponto de equilíbrio seria: quantas consultas devo fazer por mês para arcar com os meus custos fixos. Nesse cálculo você deve levar em conta o pró-labore (retirada mensal do farmacêutico), pois se você não estiver trabalhando no consultório estaria empregado em outra empresa. Sugiro que inicialmente o pró-labore seja igual a 1,7 pisos salariais”, recomenda Pires.

De fato, o ponto de equilíbrio demonstra o quanto é necessário se ter de entrada de dinheiro em caixa para que se igualem aos custos em um negócio. Arcanjo explica que esse é um indicador de segurança da empresa e, quando bem monitorado, minimiza a possibilidade de prejuízo na operação.

Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), a lógica do ponto de equilíbrio mostra que, quanto mais baixo for o indicador, menos arriscado é o negócio. Assim, é natural que, no início das atividades do consultório farmacêutico, haja despesas elevadas em decorrência dos investimentos iniciais, principalmente com reformas e adequações de layout e espaço físico do estabelecimento, aquisição de equipamentos e utensílios, capacitação e maximização de habilidades e competências profissionais, divulgação do serviço, entre outros.

O fluxo de adesão ao consultório pelos novos pacientes cresce de maneira gradativa, e a entrada de dinheiro em caixa tende a acontecer nesse mesmo ritmo. É relevante para a empresa o acompanhamento e controle contínuos dos parâmetros: receitas (valores recebidos) e despesas (custos fixo e variável). “Portanto, um negócio revela-se mais competitivo e com melhor rentabilidade frente aos concorrentes quando apresenta um menor ponto de equilíbrio, ou seja, quando possui os seus custos mais relacionados à operação (custos variáveis) do que à sua manutenção (custos fixos)”, revela Arcanjo.

Divulgar para crescer

Para o crescimento e a obtenção do ponto de equilíbrio mais rápidos, sem dúvida, as redes sociais e a visita médica são as maiores ferramentas de divulgação, segundo Pires. Para isso, é fundamental se posicionar com conteúdos específicos, especialmente desenvolvidos para cada consultório.

Claro que a transformação digital e a internet têm revolucionado e impactado diretamente os negócios. As redes sociais oportunizaram o encurtamento das distâncias físicas e relacionamentos, não apenas entre pessoas, mas também entre empresas e seus consumidores, alavancando e estendendo a jornada e experiência dos clientes e pacientes com os profissionais de diversos setores.

“O uso das redes sociais possibilita uma inserção e alcance anteriormente inimagináveis, e permite uma demonstração consistente da qualidade e diversidade dos serviços oferecidos em um consultório farmacêutico”, diz Arcanjo. A boa notícia é que o investimento para a adesão a esta prática é significativamente mais acessível do que as mídias tradicionais e se adequam ao perfil atual dos consumidores, que estão cada vez mais conectados.

Divulgar as práticas realizadas no consultório, levar informação relevante à comunidade e ao paciente, consolidar uma marca atrativa do estabelecimento onde é ofertado o serviço e, principalmente, engajar o público a acompanhar as novidades e atrações por meio dos canais disponíveis são estratégias interessantes para alcançar o segmento de clientes potenciais do negócio.

Tais estratégias ajudam no posicionamento da marca, seja por baixo preço, diferenciação na construção de valor e entrega de benefícios aos clientes ou mesmo por enfoque, buscando atender a um nicho de mercado específico. “Entretanto, é importante ressaltar que algumas regras de etiqueta virtuais são sempre bem vistas e acabam por causar uma melhor impressão ao público, como o uso adequado da escrita e da fala da língua portuguesa; e uma interação respeitosa e não invasiva, buscando vigiar sempre e cuidar para expressar os valores e a boa educação do negócio, evitando, também, conteúdos controversos e polêmicos”, lembra Arcanjo.

Pires concorda e aconselha, por exemplo, no Instagram, a utilizar um conteúdo informal com fotos e relatos em vídeos de 40 segundos de pacientes satisfeitos (importante que o paciente assine um termo autorizando a divulgação). Para o Facebook, deve-se usar a ferramenta de impulsionamento patrocinado de marketing de conteúdo, presente no perfil do consultório. Ele afirma, ainda, que é imprescindível patrocinar palavras chaves no buscador Google.

Pires defende, também, que a visitação médica é a ferramenta mais importante, e que deve ser feita pelo próprio farmacêutico. Com suporte de mídia impressa e digital, ele deve explicar para os médicos a importância de encaminhar seus pacientes crônicos para acompanhamento farmacoterapêutico, apresentando resultados já alcançados. “O médico deve enxergar valor nesse serviço, por exemplo: pacientes que frequentam o consultório médico a cada seis meses, apresentariam, no ato da consulta médica, os valores de medidas semanais de glicemia e pressão arterial, acompanhados pelo consultório farmacêutico”, exemplifica Pires.

Tecnologia trabalhando pelo consultório

A tecnologia, atualmente, pode dar suporte mais robusto e assertivo no controle dos indicadores. No consultório farmacêutico, esse apoio pode ser dado por meio de um bom conjunto de softwares e hardwares, como é o caso de um programa de gestão de relacionamento com o cliente, conhecido como CRM. Ele otimiza o relacionamento com o paciente e gerencia a agenda de consultas.

Para Arcanjo, outro programa de acompanhamento clínico do paciente, com amparo legal nas resoluções do Conselho Federal de Farmácia (CFF), é o de registro e monitoramento da anamnese clínica, farmacêutica, nutricional e de atividade física. Ele faz a avaliação de parâmetros, sinais e sintomas das mais diversas patologias, com o acompanhamento de exames clínicos e perfil do paciente. Fornece orientações sobre o uso racional de medicamentos, indicações, contraindicações, reações adversas, intervalo posológico, formas farmacêuticas disponíveis, nome dos medicamentos de referência e similar, bem como os seus fabricantes.

“É imprescindível ressaltar que o aparato tecnológico se apresenta como um meio de suporte e não uma atividade fim, oferecendo um direcionamento aos serviços clínicos farmacêuticos aplicados em consultórios, sendo, de suma importância, o desempenho das habilidades e competências técnicas do profissional no exercício da prática clínica”, defende Arcanjo.

Cobrança da consulta

Após um período inicial de testes do consultório, alguns optam por estratégias que levem à cobrança de consultas farmacêuticas, e que devem ser consideradas como indicadores importantes.

“Este é o ponto mais delicado do negócio, a precificação. Vai depender dos produtos que se consegue agregar às consultas (venda de medidor de glicemia, medidor de pressão arterial, MIPs etc). Grosso modo, sugiro que o valor da consulta esteja entre 40% e 50% daquelas cobradas pelos médicos que atendem, sem convênio com planos de saúde, próximos à região de localização do consultório. Com esse valor é possível captar clientes que possuem convênio médico”, afirma Pires.

Caso o consultório trabalhe com procedimentos estéticos e terapia de perda de peso, Pires sugere que os valores aplicados variem entre 80% e 120% daqueles cobrados por médicos e nutricionistas da região onde o consultório está localizado.

Para Arcanjo, o serviço de consulta farmacêutica precisa ser bem planejado e bem projetado, com as especificações de qualidade de cada uma das fases do serviço a ser ofertado: “Ele passa pela sua etapa de validação, de maneira que há uma verificação do funcionamento dos processos do serviço e dos benefícios percebidos ao final da prestação do mesmo, sob a ótica do paciente (o verdadeiro consumidor do serviço)”.

Assim, essa fase de testes pode ser caracterizada como uma etapa de pré-operação, e é justamente nesse momento que o farmacêutico poderá testar, ajustar, melhorar e definir o serviço de consulta farmacêutica a ser inserido no seu negócio.

Passado o período de validação, e havendo clareza do produto do serviço entregue ao seu paciente, é hora de cobrar pelo serviço prestado. Neste sentido, é importante haver, não apenas a cobrança financeira do serviço ofertado, mas a certeza do valor (benefício) proporcionado ao paciente, comunicando, inclusive, tais benefícios para que haja a valorização do serviço.

Arcanjo também pondera: mas... quanto deve ser cobrado pela consulta? Neste momento é que deve ser resgatado o levantamento dos custos fixos e variáveis, assim como a estimativa da remuneração por hora de um farmacêutico clínico, capacitado e apto para o desenvolvimento de tal atividade para, então, definir o preço da consulta.

Ainda que a implantação de um consultório farmacêutico apresente os seus desafios, é inegável que a conquista dessa atividade pela profissão farmacêutica represente, não apenas uma grande oportunidade de negócio, mas a ampliação da inserção desse profissional na prática clínica, segundo Arcanjo.

“Não obstante, a definição e o monitoramento de indicadores propiciam o aprimoramento e a melhoria contínua da qualidade dos serviços prestados aos seus pacientes e que, consequentemente, culminam na consolidação da prática como diferencial estratégico em um mercado de grande competitividade”, conclui ele.

Matéria publicada no portal do ICTQ.


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