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Inusitado: os ‘vírus oncolíticos’ infectam e destroem as células do tumor e também estimulam a resposta imunológica.  Dessa foma, os micróbios estão desempenhando um papel importante em um novo ramo da imunoterapia contra o câncer que está atraindo alguns dos maiores laboratórios farmacêuticos do mundo. No final de março, a Merck anunciou planos para comprar a australiana Viralytics e obter um tratamento experimental baseado no vírus da gripe que poderia fortalecer a utilidade de Keytruda, seu remédio oncológico que é um sucesso de vendas.
A transação de 502 milhões de dólares australianos (US$ 390 milhões) destaca a importância da pesquisa sobre esses vírus oncolíticos. Essa abordagem está despertando cada vez mais o interesse de companhias farmacêuticas por causa da possibilidade de combinar esses vírus com uma nova geração de remédios, chamados ‘inibidores de checkpoint’, que anulam uma estratégia usada pelas células cancerosas para não ser detectadas.
“As grandes farmacêuticas estão interessadas neste campo”, disse , diretor administrativo da Viralytics, Malcolm McColl, que aceitou ser comprada pela Merck por 1,75 dólar australiano por ação em dinheiro – quase o triplo do preço de encerramento anterior das ações, de 62,5 centavos de dólar australiano. “Cada vez mais acredita-se que os vírus oncolíticos têm potencial para fazer com que inibidores de checkpoint, como o Keytruda e outros remédios, funcionem melhor”, afirma ele.
Projeta-se que o número de novos casos de câncer no mundo aumentará cerca de 70% nos próximos 20 anos, e os cientistas estão se concentrando em formas de aprimorar os tratamentos, especialmente para os casos em que a quimioterapia e a radioterapia não oferecem muitos benefícios.
Em muitos desses casos, o tumor contém mutações que o torna invisível para o sistema imunológico do paciente, o chamado ‘câncer frio’. O desafio é aumentar o nível de infiltração imunológica e transformá-lo em ‘quente’.
VÍRUS EXPLODE A CÉLULA
O tratamento mais avançado da Viralytics, Cavatak, se baseia no Coxsackievirus A21, um vírus da gripe que procura e gruda em uma proteína proeminente na superfície de muitas células cancerosas. Após grudar, o vírus toma conta da maquinaria genética das células cancerosas para fazer mais cópias de si, e a célula acaba explodindo e se transformando em uma nuvem de novas partículas virais, processo conhecido como lise. Assim, a progênie viral pode se espalhar e replicar esse ciclo de destruição.
As companhias que estão desenvolvendo vírus oncolíticos promissores serão atraentes para as fabricantes de remédios oncológicos, disse o cientista sênior do QIMR Berghofer Medical Research Institute em Brisbane, na Austrália, Rajiv Khanna, que trabalha há mais de 20 anos na imunologia de tumores. Durante boa parte desse período, os grandes laboratórios não se interessaram pelos vírus oncolíticos, disse ele.
“Mas, de repente, eles acordaram e viram esses resultados”, disse Khanna, cujo laboratório estuda formas de matar cânceres causados por vírus. “Eu fiquei impressionado com o fato de a Merck querer pagar tanto dinheiro por uma empresa, mas os resultados são muito animadores, então faz sentido”.

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