All for Joomla All for Webmasters

Por Cristiano Ricardo*

A fibromialgia é uma síndrome clínica dolorosa não-inflamatória que se manifesta com dor no corpo todo, principalmente na musculatura, cursa com sintomas de fadiga, parestesias, edema subjetivo, distúrbios cognitivos, dor em pontos específicos sob pressão,  intolerância ao exercício e sono não repousante.

A palavra Fibromialgia deriva do latim fibro (tecido fibroso: tendões, fáscias), do grego mio (tecido muscular), algos (dor – algós) e ia (condição)

Entre 0,7% e 5% da população mundial sofrem com o problema. No Brasil, atinge cerca de 2,5% da população, sendo 3,9% das mulheres brasileiras que são afetadas pela síndrome – uma relação de oito mulheres para cada homem com fibromialgia, ocupando assim, a segunda doença reumatoide com maior incidência no país.

Na Espanha, 2% apresentam diagnóstico para fibromialgia e apenas 0,4% na Grécia; 3,1% nas Américas; 2,5% na Europa; e 1,7% na Asia. Já na Turquia, 8,8% da população apresentam fibromialgia; 12,5% das turcas. Nos Estados Unidos, 15% dos pacientes com a síndrome solicitam aposentadoria e 30% buscam trabalhar com carga horária reduzida ou atividades que não demandem esforço físico.

Atenção ao estresse prolongado

Várias pesquisas indicam que anormalidades na recepção dos neurotransmissores são frequentes, em pacientes com fibromialgia. Essas alterações podem ser o resultado de estresse prolongado grave. Depressão maior e transtornos de ansiedade, especialmente transtorno de estresse pós-traumático, são comorbidades comuns. Dentre os vários prováveis responsáveis pela dor constante estão problemas no sistema dopaminérgico, no sistema serotoninérgico, no hormônio de crescimento, no funcionamento das mitocôndrias e/ou no sistema endócrino.

A síndrome de Joanina Dognini (outra denominação para fibromialgia), é uma síndrome de caráter reumático e crônico, o principal sintoma – a dor musculo-esquelética difusa – já era descrito por Hipócrates, no fim dos anos 400 e começo dos anos 300 a.C., mas foi em 1824 d.C que a associação entre reumatismo e pontos dolorosos foi contemplada nos estudos do médico e botânico escocês John Hutton Balfour. Várias descrições sobre a síndrome podem ser encontradas desde os meados do século XIX.

O conceito atual de fibromialgia foi introduzido por Smythe e Moldofsky entre 1975 e 1977, ao descreverem a presença de pontos dolorosos específicos (os chamados “tender points”) e as alterações do sono durante a fase 4 de sono profundo (n-REM) desses pacientes, a fibromialgia só foi reconhecida como tal pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no fim da década de 1970. Crianças a partir de dois anos podem ser diagnosticadas com fibromialgia, mesmo com preconceitos que podem interferir na avaliação clínica.

Diagnóstico é clínico

Como o diagnóstico é efetuado por meio da observação clínica, ao apresentar respostas doloridas em 11 dos 18 pontos de sensibilidade à dor, além destes, temos, dor difusa em cinco a sete partes do corpo por mais de três meses, cansaço crônico, problemas de memória e concentração, insônia e sono não reparador, diarreia ou prisão de ventre,  vontade constante de urinar, suor em excesso, sensibilidade ao frio, especialmente ao estar associado a depressão, ansiedade, hipotireoidismo e doenças reumáticas, medicamentos que necessitam ser evitados são: corticosteroides, clonazepam, tizanidina, alprazolam e anti-inflamatórios não esteroidais.

Uma dieta equilibrada pode reduzir a incidência de dor, alimentos ricos em magnésio que auxiliam no relaxamento muscular, como potássio (que impacta no fortalecimento dos músculos) e o omega 3 (por sua ação anti-inflamatória), associados, podem potencializar o tratamento.

Uma maior concentração do neurotransmissor substancia P é observado no cérebro em pacientes com fibromialgia, comparados com pacientes sem a síndrome. Medicamentos normalmente prescritos são: antidepressivos, especialmente ISRS e ISRSN; analgésicos, inclusive opiáceos leves; tramadol; relaxantes musculares; pramipexol; tropisetrona; zopiclona e zolpidem, ambos para distúrbios do sono; gabapentina; e pregabalina.

*Cristiano Ricardo é farmacêutico e professor

Deixe seu comentário