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Segundo levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 2015,  existem 71 milhões de pessoas portadoras de hepatite C em todo o mundo. Em 2016, houve 27.358 notificações de casos da doença no Brasil. Essa quantidade representa 13,3 casos por 100 mil habitantes. Atualmente, a parte da população que convive com esse problema de saúde já dispõem de medicamentos que tratam a doença, mas o diagnóstico precoce ainda é um desafio.

Segundo o médico infectologista que integra o corpo clínico do laboratório Atalaia, José David Urbaez Brito, os sintomas da doença aparecem muito tardiamente e danificam o fígado de maneira lenta e progressiva. “A hepatite C é uma doença silenciosa. No Brasil, cerca de 80% das pessoas com o vírus da hepatite C estão acima dos 40 anos de idade. É importante que os profissionais da área de saúde, principalmente de outras especialidades como clínicos gerais e endocrinologistas, fiquem atentos à essa faixa etária e peçam o exame para identificar a doença”, ressalta.

A hepatite C é uma doença infecciosa transmitida por compartilhamento de sangue e hemoderivados. O infectologista explica que usuários de drogas injetáveis, pessoas que fizeram transfusão de sangue antes de 1993, pessoas tatuadas e populações privadas de liberdade têm risco maior de contrair a doença. Na opinião do médico, identificar a doença é extremamente importante. “A hepatite acomete mais pessoas e mata mais que o vírus da AIDS. Tanto a população quanto a comunidade médica devem se manter alertas à essa realidade”, enfatiza Urbaez.

Evolução no tratamento
Recentemente mais pessoas estão recebendo o tratamento para hepatite C. Segundo informações da OMS, em 2016, 1,76 milhão de pessoas foram tratadas, um aumento significativo em comparação às 1,1 milhão de pessoas que foram atendidas em 2015. A organização espera que até 2030 mais de 80% das pessoas diagnosticadas recebam tratamento no mundo.

No Brasil, o Ministério da Saúde (MS) incluiu novos medicamentos para o tratamento de doenças virais. “As novas inclusões oferecem mais possibilidades para o tratamento e possibilitam a cura superior a 90% nos casos. Com esses medicamentos temos uma possibilidade real de tratar as pessoas infectadas”, ressalta David Urbaez.

O especialista reforça, ainda, que para ampliar o tratamento é preciso aumentar a oferta dos testes e diagnósticos para a doença. “O teste rápido representa o desenvolvimento tecnológico e é eficiente para detecção do vírus. Com ele é possível alcançar o diagnóstico”, conclui Urbaez.

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