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CONFIRA: MULHER E FARMACÊUTICA CHEGA AO SELETO GRUPO DE DIREÇÃO DA ANVISA

Driblando qualquer barreira imposta pela sociedade, as mulheres farmacêuticas vão se empoderando e conquistando cargos de liderança e de sucesso. Muito embora pesquisas como a intitulada ‘Atitudes Globais pela Igualdade de Gênero’ (em tradução livre do inglês), publicada ano passado pela Ipsos, tenha mostrado que três em cada dez pessoas no Brasil (27%) admitem que se sentem desconfortáveis em ter uma mulher como chefe, essas líderes não se abalam e seguem em frente, ao infinito e além!

Há quem diga que o Brasil, infelizmente, ainda carrega o peso de uma cultura arcaica quando afirma que uma mulher mais autoritária e assertiva não é aceitável (enquanto o homem que assume a mesma posição é considerado natural e admirável). No entanto, as farmacêuticas vão pela contramão de qualquer estatística e conquistam o seu lugar de destaque.

O ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico mostra, a seguir, o quão brilhante é a atuação da mulher que envereda pela Farmácia, fazendo história e indo além do lugar-comum, afinal lugar de mulher – principalmente a mulher farmacêutica - é onde ela quiser.

Comando feminino

Assim quis Alessandra Bastos Soares (foto). Ela já passou pela área acadêmica, drogarias, farmácias de manipulação, farmácias das redes pública e privada, hospitais...e atualmente é diretora de um dos mais importantes órgãos do País, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

É dessa autarquia a responsabilidade de promover a proteção da saúde da população, por intermédio do controle sanitário da produção e consumo de produtos e serviços submetidos à vigilância sanitária, inclusive dos ambientes, dos processos, dos insumos e das tecnologias a eles relacionados, por exemplo.

Alessandra é farmacêutica, formada pela Universidade Metodista de Piracicaba, membro da Sociedade Brasileira de Coaching com certificação em Personal & Professional Coaching e Leader as Coach. Possui 19 anos de atuação como responsável técnica em empresas do setor farmacêutico. É gestora nas áreas de Assuntos Regulatórios, Qualidade e Logística. Está em seu primeiro mandato como diretora da Segunda Diretoria da Anvisa, cargo que assumiu em 2017.

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Orgulhosa de ser a primeira diretora da Agência, oriunda de empresa privada, ela sempre vislumbrou viver e promover a interface do farmacêutico junto aos outros profissionais do seguimento - sejam médicos, enfermeiros, odontólogos, fisioterapeutas etc. Afinal, a assistência efetiva e exitosa do paciente depende da atuação conjunta de todos os profissionais envolvidos no processo dos cuidados de saúde.

Bisneta e neta dos antigos boticários, Alessandra contou ao jornalismo do ICTQ sobre seu encantamento pela profissão, sua trajetória de sucesso até chegar à Anvisa e sobre como é ser mulher de pulso-firme, respeitada, segura de si e de seu profissionalismo. Acompanhe.

ICTQ - Por que a senhora decidiu ser farmacêutica?

Alessandra Bastos Soares - O meu avô e meus bisavós eram boticários e eu cresci assistindo as histórias deles, que trabalhavam nas antigas boticas e nas farmácias, e isso já me encantava. Quando eu tomei conhecimento do que era o curso de Farmácia - a profissão sendo tão ampla no atendimento e na assistência ao paciente - me encantei e decidi cursá-la, porque eu queria trabalhar com o paciente de uma maneira bastante holística – como faz o farmacêutico. Ele olha para o paciente, entende o paciente; ele olha para o diagnóstico que o médico fez e consegue assistir esse paciente baseado em um diagnóstico, com as drogas e com os tratamentos que são possíveis.

ICTQ - Como foi sua trajetória na profissão?

Alessandra Bastos Soares – Minha trajetória é bastante interessante, acredito. Já no terceiro semestre da Universidade Federal Fluminense (RJ) fui aprovada para um estágio na primeira fábrica em que trabalhei – antigo Enila, e dali para frente trabalhei em algumas outras fábricas, me mudei para o interior de São Paulo - onde terminei a faculdade de Farmácia na Universidade Metodista de Piracicaba. Naquela cidade tive a oportunidade de trabalhar com farmácia de manipulação, com drogarias, com Academia - no Centro de Pesquisa Sena.

Retornando ao Rio de Janeiro, comecei a trabalhar com assuntos regulatórios – a Anvisa foi instituída em 1999, ano em que conclui a faculdade. A minha profissão toda foi pautada já nas primeiras normas da Agência, fazendo registro de produtos, licenciando empresas, acompanhando as fiscalizações para a emissão de Certificado de Boas Práticas. Nesse período, eu também tive a oportunidade de gerenciar algumas equipes de visitação e equipes de produtos hospitalares que eram fornecidos para hospitais públicos e privados no Rio. Eu as chefiava e cuidava igualmente do processo de registro desses produtos que distribuíamos.

Até chegar à Agência trabalhei com controle de qualidade, estabilidade dentro das fábricas, microbiologia, com atendimento ao cliente, com implementação de Boas Práticas nas farmácias, nas drogarias, nos hospitais. Atuei em logística, com alguns produtos de uso hospitalar - que eram kits para diagnóstico, biologia molecular.

ICTQ - Quais eram seus principais sonhos profissionais no início da carreira?

Alessandra Bastos Soares – Era ser uma farmacêutica reconhecida pelo trabalho que eu desenvolvia. À época eu trabalhava em dois lugares – na Prefeitura de Piracicaba e também em uma drogaria, e eu via como era rico e fundamental o trabalho da assistência farmacêutica no balcão e na gestão de uma drogaria, e de uma farmácia de dispensação de medicamentos do Governo. O meu grande sonho era ser reconhecida, e eu sabia que ainda tinha muita coisa por fazer.

Parte desse sonho era ver implementada a comunicação entre o profissional farmacêutico, o seu paciente – porque esse paciente é do farmacêutico também, e os demais profissionais de saúde que cuidam desse paciente. Esse sempre foi meu grande sonho. Viver e promover esta interface farmacêutico-médico-fisioterapeuta-enfermeiro-odontólogo para cuidar do paciente.

ICTQ - Como a senhora vem planejando cada conquista sua como farmacêutica?

Alessandra Bastos Soares – Eu gosto muito de estudar e todas as oportunidades que eu tive de encarar uma nova jornada, um novo desafio, um assunto novo para mim eu encarei. Acredito que meu grande planejamento da vida foi ter fôlego, calma e firmeza para encarar o novo e para implementar o novo. Esse é o grande planejamento da minha vida e da minha vida profissional, principalmente.

ICTQ – A senhora se considera uma mulher farmacêutica de sucesso?

Alessandra Bastos Soares – Com toda a certeza. A vida foi boa demais comigo. Eu trabalhei muito e eu me sinto presenteada pela vida por ter me recompensado, me presenteado, de fato, com a oportunidade de estar a frente desta diretoria que assumi e ser diretora da Anvisa. Eu me sinto muito realizada como farmacêutica e como uma mulher profissional farmacêutica. Por tudo. Pelos desafios que a vida nos traz no papel de mulher, de mãe, de dona de casa, de cuidar da família, agora também como farmacêutica, em usar a minha sensibilidade, a minha habilidade feminina para executar o trabalho que executo. Sinto-me absolutamente realizada.

O meu trabalho envolve tudo o que eu sonhei durante a minha vida e hoje eu posso contribuir para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária tenha uma visão que talvez ela ainda não tenha tido a oportunidade de viver, por conta do meu histórico. Eu sou a primeira diretora da Agência que veio do setor privado. Eu me sinto, sim, uma farmacêutica de sucesso, por conseguir ver esse sonho de criar esta interface dentro da nossa Agência. Isso é maravilhoso.

ICTQ - A que a senhora atribui esse sucesso?

Alessandra Bastos Soares – Atribuo a muito esforço, muito trabalho, muita determinação. Eu precisei ter muita determinação e muita coragem. Deus me supriu disso. A vida foi muito boa comigo. Todos os profissionais que passaram pela minha historia, que estiveram comigo, que me construíram. Todas as chefias e subordinados que tive e que me ensinaram tanto... Atribuo a isso tudo e à família que eu tenho – meus pais, meus filhos. Atribuo a essa curiosidade do novo, esse desejo de viver intensamente cada dia de trabalho, porque é uma profissão incrível, sensacional. Acredito que não há outra profissão tão emocionante como a de farmacêutico.

Gostaria de frisar que eu sou, sim, uma profissional de sucesso graças à minha família, meus pais, meus filhos, às pessoas que já estiveram na minha vida, uma irmã que é um ídolo para mim – que também é farmacêutica, aos meus gestores, mas às minhas equipes... Eu não obtive sucesso porque eu trabalhei sozinha nunca. Eu só tive sucesso porque eu sempre me cerquei de pessoas boas, capazes e que toparam remar junto comigo. Reconhecer a minha habilidade, a minha capacidade, no entanto, reconhecer também que a minha limitação pode ser desenvolvida por meio de outra pessoa que está trabalhando junto comigo. Isso é fundamental.

ICTQ - A senhora tem um cargo de destaque. Como encara seus desafios à frente da Anvisa?

Alessandra Bastos Soares – Sim, é um lugar de destaque, acredito que de um grande destaque pelo vulto que tem a nossa Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e o maior desafio todos os dias é ser ponderada, ser coerente, ser responsável com a minha profissional e com a missão desta Agência. Esse é o meu maior desafio. Acompanhar a velocidade do mundo, da pesquisa clinica, das descobertas das novas moléculas, das novas leis que são criadas para regulamentar todos os processos dentro e fora do nosso País. E ponderar sobre tudo o que nós fazemos.

ICTQ - E como é liderar uma maioria formada por homens?

Alessandra Bastos Soares – Pensando em Anvisa eu posso dizer que a maioria é formada por mulheres, mas liderei muitos homens antes da Agência, inclusive, que na sequência foram cargos de gestão. É uma interação muito boa, a convivência é boa e eu sempre me senti complementada. Nunca vi dificuldades em liderar homens, porque baseada no respeito, a liderança é muito exitosa, e eu sempre deixei isso muito claro. Salvo pequenos desvios de alguns colegas de trabalho, que remotamente se enganaram, eu nunca tive problema com a questão da liderança e da convivência com líderes do mesmo nível que o meu – como é hoje da Diretoria Colegiada. Eu não vejo o menor problema, muito ao contrário, eu me utilizo das minhas habilidades femininas para poder fazer uma boa gestão. Ajuda e, de fato, complementa.

ICTQ - Quais serão seus próximos passos profissionais?

Alessandra Bastos Soares – Será difícil eu encontrar um lugar tão sensacional como é a Anvisa, de tamanha riqueza de oportunidade, de assuntos, de conviver com pessoas que sabem tanto, tão qualificadas, mas certamente há muitas empresas, muitos órgãos do Governo com pessoas tão qualificadas também. Eu quero trabalhar muito ainda. Eu adoro o que faço, adoro trabalhar. Depois da Agência eu quero continuar trabalhando e se tudo caminhar bem nesse mesmo métier, que é o assunto regulatório, que é a interface academia-Governo-Setor Produtivo-Paciente. Isso é muito motivador.

ICTQ - Como a senhora aconselharia outras mulheres a terem sucesso como farmacêuticas e se empoderar?

Alessandra Bastos Soares – A mulher tem capacidades e habilidades incríveis. Um domínio de vários assuntos ao mesmo tempo. Perspicácia. A mulher tem uma natureza curiosa, audaz. Apropriem-se primeiro das suas características, das suas habilidades enquanto mulheres, esse é o primeiro passo. Definam o seu limite para que sejam respeitadas como mulheres, como pessoas e profissionais. Estudem muito, trabalhem com afinco, com responsabilidade. Encham o pulmão de ar, enfrentem o novo, enfrentem as dificuldades com leveza, com graça e com muito pulso firme.

Acredito que, quem se entrega para o trabalho de uma forma muito honesta e com muita paixão – porque eu sou muito apaixonada pelo meu trabalho, com certeza terá sucesso e já será empoderada.

Matéria publicada no portal do ICTQ 

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