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Novamed compra Multilab com aposta de elevar  produção para 120 milhões de unidades

NOVAMED COMPRA MULTILAB COM APOSTA DE ELEVAR PRODUÇÃO

A Novamed, pertencente ao Grupo NC (que também é detentor da EMS) assumiu oficialmente, em 12 de julho, a totalidade dos negócios do laboratório Multilab, em São Jerônimo (RS). O novo controle acionário foi aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), em 22 de junho. Com a decisão do órgão, o Grupo NC passa a ser o responsável pela unidade fabril e incorpora todo o portfólio de produtos da Multilab.

A fábrica do sul está apta a produzir medicamentos sólidos, semissólidos e líquidos. Como parte da estratégia de crescimento e consolidação da liderança no setor farmacêutico, o Grupo NC irá mais do que dobrar a produção da planta adquirida, que hoje é de 4 milhões de unidades (caixas de medicamentos) por mês, devendo chegar, em um ano, a 10 milhões de unidades mensais - 120 milhões de unidades anuais.

A Multilab, cujo faturamento foi de R$ 745 milhões no último ano (auditoria IQVIA - MAT Maio 2018), é a décima maior empresa farmacêutica do Brasil no mercado de produtos similares de marca e 37ª no mercado total, detentora de marcas consagradas. A força do portfólio está nos produtos de marca (OTC e tarjados), como Multigrip, Buprovil e Lozeprel, respectivamente, antigripal, anti-inflamatório e analgésico para o tratamento de dores e antiulceroso.

“A Multilab é um laboratório de tradição no mercado farmacêutico, com atuação nacional e detentora de marcas reconhecidas. Nosso objetivo é realizar um grande investimento na empresa e manter seu crescimento acelerado para conquistar uma posição ainda mais relevante no mercado”, diz o presidente do Conselho de Administração do Grupo NC, Carlos Sanchez.

Segundo ele, o Grupo NC está sempre atento às boas oportunidades no mercado. “Os números positivos que temos obtido com nosso desempenho em diferentes áreas nos permitem ampliar nossa atuação e realizar constantes investimentos no País”, afirma. O Grupo NC, no setor farmacêutico, já tem fábricas instaladas no Estado de São Paulo, Amazonas e Distrito Federal. Em 2017, o Grupo, por meio da sua principal empresa, a EMS, também adquiriu a estatal Galenika, terceira farmacêutica da Sérvia e com duas unidades fabris, uma na capital do país e outra na vizinha Montenegro.

A holding brasileira tem feito aquisições no Brasil e no mundo para se consolidar como um dos maiores grupos econômicos do País. Em 2016, para diversificar seus negócios, majoritariamente farmacêuticos, o Grupo NC comprou ainda o Complexo Eólico Corredor do Senandes, em Rio Grande (RS), e 100% das operações de mídia da RBS em Santa Catarina, fundando a marca NSC Comunicação.

O contrato para a aquisição da totalidade dos negócios da Multilab havia sido assinado em março de 2018 pelo Grupo NC e pela farmacêutica japonesa Takeda, que desde 2012 detinha o controle acionário do laboratório. Com a Multilab, o Grupo NC passa a contar com mais de 8 mil colaboradores.

Sobre a Novamed

A Novamed, inaugurada em 2014, é uma das maiores e mais modernas fábricas de medicamentos sólidos do mundo, pertencente ao Grupo NC. Primeira indústria a produzir medicamentos na Zona Franca de Manaus. Com processo de fabricação de medicamentos totalmente automatizado, exclusivo sistema robotizado de pesagem de matéria-prima e os mais modernos equipamentos disponíveis no mercado mundial, tem capacidade produtiva de 1,5 bilhão de comprimidos por mês.

 Sobre o Grupo NC
Lançado oficialmente em 2014, o Grupo NC atua com solidez em setores econômicos variados, em uma trajetória de mais de 50 anos, com presença inclusive nos Estados Unidos. O Grupo, de origem brasileira e com sede em Hortolândia (SP), conta com mais de 8 mil colaboradores diretos e mais de 10 empresas de destaque, como a EMS e a NSC Comunicação (que inclui a NSC TV, afiliada da Rede Globo), em Santa Catarina. Desde 2016, o Grupo NC também marca presença no setor de energia eólica. Está entre os 140 maiores grupos do Brasil, segundo levantamento do Valor Grandes Grupos 2017.

Sobre a EMS

Pertencente ao Grupo NC, tem cinco mil colaboradores e mais de 50 anos de história. Atua nos segmentos de prescrição médica, genéricos, medicamentos de marca, OTC e hospitalar, fabricando produtos para praticamente todas as áreas da Medicina. Tem presença no mercado norte-americano por meio da Brace Pharma, empresa com foco em inovação radical. Conta com a Novamed, localizada em Manaus (AM), uma das maiores e mais modernas fábricas de medicamentos sólidos do mundo; e se instalou em 2017 em Brasília (DF). A EMS exporta para mais de 40 países.

Sobre a Multilab

Fundada em 1988, a Multilab é uma empresa farmacêutica brasileira dedicada à pesquisa, desenvolvimento, fabricação e distribuição de medicamentos de prescrição, OTC e genéricos.

ANÁLISE DE MEDICAMENTOS ONCOLÓGICOS É PARA POUCOS!

 

 

POR EGLE LEONARDI

 

Por causa da grande especialização exigida na análises físico-químicas e microbiológicas dos medicamentos oncológicos, poucos os centros estabelecidos no Brasil estão aptos a realizar a atividade. De fato, essas análises são realizadas de maneira similar às praticadas com os outros tipos de medicamentos, porém é necessário maior cuidado pelo risco de citotoxicidade desse tipo de fármaco.

O trabalho do centro de equivalência farmacêutica é complementar ao das indústrias farmacêuticas, segundo o diretor do Ephar – Instituto Analítico, Poatã Casonato, . Essas empresas anexam, aos estudos realizados pelo centro, dossiês de fabricação e desenvolvimento de formulação, além de diversos outros documentos necessários para o deferimento do registro do medicamento na Anvisa. “Existem poucos centros habilitados para a análise de oncológicos no Brasil, especialmente na Região Centro-Oeste, onde há o DAIA – um polo farmacêutico bem no centro do País, em Anápolis (GO). O Ephar se destaca nesse mercado e é exclusivo no Centro-Oeste”, ressalta Casonato.

Por conta da especificidade da implantação da análise necessária em medicamentos oncológicos, o executivo destaca que sua empresa fez alto investimento na reforma do prédio com instalação de câmaras de segurança química e biológica com o intuito de proteger os colaboradores, no momento do preparo das soluções amostra, da toxicidade vinculada ao medicamento. “Os custos do laboratório são altíssimos. Para se ter uma ideia, foram investidos mais de R$ 500 mil apenas nesse quesito”, explica Casonato.

Segundo o pesquisador da Libbs Farmacêutica, Lucas Sponton, o grande desafio analítico consiste na manipulação da amostra e na complexidade dos princípios ativos: “Como, usualmente, são compostos que apresentam citotoxicidade, o uso de equipamentos de proteção individual e coletiva mais completos são necessários. Como consequência, os custos do laboratório em estruturas acabam aumentando consideravelmente. Adicionalmente, a complexidade das moléculas exige que métodos de altíssima qualidade sejam desenvolvidos, o que faz com que uma equipe altamente especializada precise ser formada”, comenta, destacando que os mesmos impactos analíticos com custo e complexidade técnica são observados no processo produtivo.

DESENVOLVIMENTO DO SETOR DE ONCOLÓGICOS

A farmacêutica do Ephar, Thays Paes, explica que, mais conhecidos com medicamentos para tratamento de câncer, os citostáticos ou citotóxicos são substâncias empregadas no tratamento de neoplasias malignas quando os tratamentos cirúrgicos ou radioterápicos não são possíveis ou se mostraram ineficazes, ou ainda como adjuvantes da cirurgia ou da radioterapia como tratamento inicial.

Ela diz que a criação desses fármacos gerou um grande desenvolvimento para o campo oncológico, pois além de serem medicamentos eficazes no tratamento de neoplasias, também possibilitam ao paciente uma melhor condição de vida. “Esses medicamentos possuem uma alta eficiência em tratamentos de alguns tipos de neoplasias, já em outros casos, podem ser um excelente adjuvante no tratamento paliativos dos sintomas ou um promotor do prolongamento da vida do doente”.

Adicionalmente, Thays explica que os fármacos citostáticos têm a função farmacológica de inibir ou prevenir a multiplicação celular, ou seja, esse grupo de medicamentos é capaz de retardar a evolução do tumor, portanto desempenha sua ação sobre uma parte das células que se encontram em processo de divisão celular, impedindo que o processo se finalize, o que levará o grupo de células que foi atacado pelos citotóxicos a lise.

Para Sponton, a análise de oncológicos é tão importante quanto à análise de qualquer medicamento usualmente comercializado em farmácias. A eficácia do tratamento está diretamente relacionada à dose terapêutica e outros parâmetros físico-químicos importantes. Caso algum desses parâmetros esteja fora da especificação existe o risco de que a performance do tratamento seja prejudicada, por isso a importância da análise de qualidade.

Vale lembrar que a legislação que rege os centros de equivalência farmacêutica é basicamente a RDC 67, de 23 de março de 2016, que dispõe sobre a habilitação dos centros de equivalência farmacêutica; e a RDC 31, de 11 de agosto de 2010, que dispõe sobre a realização de estudos de equivalência farmacêutica e de perfil de dissolução comparativo. Baseados nisso, é fundamental que os centros analíticos trabalhem sob rigorosos processos de qualidade, adequados às Boas Práticas de Laboratórios e empenhados em fornecer estudos com qualidade e rastreabilidade de dados.

Casonato comenta que o Ephar é um centro de equivalência farmacêutica habilitado pela Anvisa que realiza, sob contrato de indústrias patrocinadoras, ensaios físico-químicos e microbiológicos dos estudos de equivalência farmacêutica e perfil de dissolução comparativo para formas farmacêuticas sólidas, líquidas e semissólidas, além de outros ensaios, tais como a bioisenção baseada no sistema de classificação biofarmacêutica. “Assim, somos responsáveis técnica e juridicamente pela veracidade dos dados e informações constantes dos estudos, sem prejuízo das atribuições de seu patrocinador. Um diferencial do Ephar no mercado farmacêutico é a liberação concedida pela Anvisa para análise de produtos oncológicos”, finaliza o executivo.

Matéria publicada no portal do Ephar.

MENTORIA PREMIUM CONTOU COM PALESTRAS DE PROFISSIONAIS RENOMADOS

Por Egle Leonardi

O primeiro encontro presencial do programa de Mentoria Premium em Qualificação & Validação – considerado uma inovação no setor – ocorreu em 9 de junho com a presença de um grupo seleto de profissionais ligados à área. Foram mais de oito horas de palestras com profissionais renomados, além de dinâmicas, debates aprofundados sobre o tema e muito networking – fundamental para o compartilhamento de conhecimentos e experiências.

“Esses são os profissionais que fazem a diferença nessa área. Agradeço a confiança que eles têm depositado no nosso programa e tenho certeza de que estamos mapeando nossas dificuldades para, depois, agirmos no sentido de superar obstáculos e sermos referência em qualificação e validação”, comenta a idealizadora do projeto, Daniela Silva, detentora de expertise na capacitação de pessoas do segmento industrial farmacêutico, veterinário e cosmético, produtos para saúde e diretora da MD Consultoria.

O programa Premium teve início em abril e prevê 12 aulas on-line e mais um encontro presencial, que acontecerá em dezembro deste ano. Por ser mais completo e aprofundado, ele oferece uma plataforma específica, que contém um robusto acervo técnico de documentos. Faz parte das atividades do grupo o desenvolvimento de um Guia sobre Requerimentos de Qualidade de Ar Comprimido.

Vale lembrar que há, também, um programa Platinum em fase de iniciação, com aulas 100% on-line e ao vivo com Daniela Silva e outros especialistas convidados. O programa Platinum é menos robusto que o Premium. Por isso, seus participantes terão a possibilidade de se inscrever para uma nova seleção, que lhes dará direito à mentoria Premium em 2019.

O FUTURO É AGORA

Uma das palestras ministradas durante o evento foi a do CEO da T2 Software, Rodrigo Klein. Ele é especialista nos temas da Indústria 4.0 e tem vasta experiência em rastreabilidade de medicamentos.

Ele afirmou que o mundo passa pela 4ª revolução Industrial, que é exponencial e é quando se tem acesso a tecnologias que, juntas, dão a oportunidade de criar produtos que não existiam, nem mesmo na imaginação!

Apenas a título de curiosidade, a 1ª revolução é considerada a máquina a vapor (processos mecanizados). A 2ª diz respeito à produção em massa (uso de tecnologia para ganho de escala) e a 3ª se fez com a automação (eletrônica avançada e acesso a ferramentas para automatizar com o objetivo de eficiência e economia).

A grande característica da 4ª Revolução industrial (chamada Indústria 4.0) é o acesso a tecnologias de mercado e a criação de novas soluções jamais pensadas, disponível a todos. As principais ferramentas dessa era são o big data, cloud computing, inteligência artificial, internet das coisas, computação cognitiva e impressão 3D.

“Posso exemplificar desta forma: a fábrica fala com um robô cognitivo. Ele vai informando o que está acontecendo, se há algum problema, se a meta foi comprometida por conta da possibilidade de uma quebra (analisada por acontecimentos anteriores). Tudo isso feito por voz, por processamento de linguagem natural”, ressalta Klein.

ANVISA E SUAS MAZELAS

 Para participar de uma mesa redonda e um ciclo de debates sobre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Daniela Silva e os demais participantes receberam Roberto Barbirato, que trabalhou na Anvisa e atua como consultor e auditor.

Ele falou sobre vigilância sanitária e os desafios que envolvem a atividade e as dificuldades dos inspetores. Barbirato discorreu, ainda, sobre a morosidade da Agência com relação à análise de registros e os motivos pelos quais o órgão é considerado um dos mais exigentes do mundo.

“Faça corretamente na primeira vez!”. Esta foi a frase citada diversas vezes por Barbirato. “A qualificação e Validação devem se basear estritamente na legislação, pois a Anvisa pode deferir ou fazer exigências. Neste último caso, a indústria vai contar com atrasos intermináveis, que retardam todos os processos. Evitem receber exigências, façam corretamente na primeira vez”.

Barbirato afirmou que a inspeção sanitária não busca simplesmente o erro, mas a aderência à norma. Os participantes foram ativos na busca de informações e, principalmente, nas reclamações, já que são alvo constante das exigências sanitárias. Por isso, Barbirato esclareceu dúvidas e contou casos reais para exemplificar atividades incongruentes e suas consequências na indústria.

DESAFIOS DA Q&V

Os profissionais aproveitaram a oportunidade para levantar as dificuldades que encontram no dia a dia na Qualificação e Validação. Muitos obstáculos foram descritos, e serão desenhados mais profundamente durante o processo de mentoria, quando serão encontradas soluções e metodologias. Conheça algumas das dificuldades descritas:

  • Entender o real desejo do cliente;
  • Unificar sistemas para integrar processos;
  • Ter normas e diretrizes mais exatas para as novidades da área;
  • Concorrência desleal de players pouco éticos;
  • Maior interação entre as áreas, tanto dentro da indústria como entre fornecedores e as diferentes áreas da indústria;
  • Demonstrar que o trabalho de Q&V não é custo, é investimento;
  • Precificação.

A farmacêutica Comercial e Técnica no grupo Emba EPS, Renata Curatolo, declarou estar muito satisfeita com o programa e com o evento: “Um dos motivos de minha participação é adquirir e compartilhar conhecimentos, principalmente em qualificação térmica e de transportes. Quero aprender mais e me destacar no mercado”.

Já a farmacêutica analista de Assuntos Regulatórios e de Garantia da Qualidade, Karina Eliana de Souza Batista Pereira, comentou: “Tive aulas sobre qualificação de transportes e isso me encantou! Entrei no grupo para adquirir conhecimentos, o que me ajudou muito. É uma motivação muito importante que vai me ajudar a mudar de área”.

O consultor especialista Laboratorial na Siemens Healthineers, Pedro Henrique Pazim, afirmou que o programa de mentoria o ajuda a, além de absorver conhecimentos, entender melhor o negócio do cliente, embora seu foco seja automação de sistemas. “Ás vezes, quando se trabalha nos bastidores, somos desacreditados. O cliente pede suporte, mas não acredita na solução que oferecemos. Isso deve mudar”.

COMPLIANCE DESCOMPLICADO

 Com vasta experiência na condução de projetos de compliance no Brasil e no exterior, a diretora Corporativa e de Gestão Estratégica da Terceiriza Varejo,  Michelle Reis, mostrou os desafios da atividade e contou sobre a implementação de um projeto de compliance no momento da integração da Drogaria Onofre quando foi comprada pela americana CVS, respeitando os riscos regulatórios e a cultura de cada empresa.

“Vale salientar que estar em compliance é agir de acordo com a regra e estar em conformidade com as leis e regulamentos internos e externos. Serve para proteger de fraudes, como corrupção e roubo. O código de conduta de uma empresa deve estar sempre na mesa de todo profissional que atua nela”, destaca a especialista.

2ª EDIÇÃO DA REVISTA Q&V

Finalizando o evento, não poderia haver momento mais oportuno para Daniela fazer o lançamento da 2ª Edição da Revista Qualificação & Validação. A primeira foi um sucesso e levou temas fundamentais para os profissionais das indústrias life science. A edição atual está disponibilizando ao leitor artigos e entrevistas cujo foco é aprofundar o conhecimento nos temas:

  • A importância da qualificação térmica de embalagens;
  • Como realizar uma qualificação de HVAC eficaz e com qualidade;
  • Operação correta do HPLC evita prejuízos;
  • A importância da qualidade do ar comprimido e sua eficiência energética;
  • Entrevista Especial: especialistas revelam os desafios da qualificação & validação.

“Devido aos feedbacks recebidos no nossa revista digital inaugural, descobrimos que estamos no caminho certo e, por isso, iremos continuar compartilhando esta publicação, que dissemina importante conhecimento ao profissional da área”, finaliza Daniela.

ANVISA ABRE CONSULTA PÚBLICA SOBRE PREÇOS DOS MIPs

A consulta pública (CP) 1/2018,  publicada no DOU nesta segunda-feira (14/5), abre a discussão sobre a proposta de regulamentação que disciplina o monitoramento e a liberação dos critérios de estabelecimento ou ajuste de preços dos medicamentos isentos de prescrição médica (MIPs), fitoterápicos e anestésicos locais injetáveis de uso odontológico. A CP foi proposta pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), cuja Secretaria-Executiva é exercida pela Anvisa.

A resolução, objeto da consulta pública, se propõe a consolidar vários normativos já utilizados na regulamentação de preços de medicamentos isentos de prescrição e avança nesse modelo de regulação.

A proposta de resolução dos preços, conforme previsto no inciso IV do art. 6º da Lei nº 10.742, de 06 de outubro de 2003, se justifica para dar mais transparência, previsibilidade e equilíbrio regulatório em produtos com baixo potencial de risco ao paciente que não apresenta potencial de dependência e que são utilizados para o tratamento de doenças não graves, por exemplo, e que, sob o aspecto econômico, são medicamentos caracterizados por apresentar reduzida assimetria de informação e minoração dos efeitos de credencialidade por parte do prescritor.

A adoção das medidas colocadas em consulta pública vai ao encontro da busca de síntese de um aparato regulatório que seja adequado às especificidades farmacêuticas e econômicas dos medicamentos e que contempla avanços na regulação atual, pois é mais dinâmica e flexível, que melhor se adapta à atual situação do mercado de MIP no Brasil, além de proporcionar celeridade e economia dos fluxos e rotinas no âmbito da CMED.

Como participar

A CMED convida os interessados a conhecerem o conteúdo da norma e a participarem encaminhando suas contribuições. Os formulários para envio das sugestões estarão disponíveis de 22 de maio  até 21 de junho de 2018 e podem ser acessados clicando aqui.

O texto integral da proposta, sua justificativa e outros documentos relevantes podem ser acessados na página da CMED no portal eletrônico da Anvisa.

Consulta Pública

A consulta pública oferece à sociedade civil, aos órgãos públicos e ao setor regulado a oportunidade de contribuírem para a construção das normas regulatórias, com vistas à promoção da transparência e da segurança jurídica do processo regulatório. Dúvidas com relação ao processo de consulta pública poderão ser enviadas para o e-mail cmed@anvisa.gov.br.

A REVOLUÇÃO FARMACÊUTICA BRASILEIRA

POR EGLE LEONARDI

A palavra revolução tem origem no latim, revolutio, que significa revolver, movimentar, dar voltas. É uma transformação. Pode ter conotação política, econômica, cultural e social, estabelecendo sempre uma nova ordem, um novo sistema. No sentido figurado, uma revolução pode ser o sinal de uma transformação profunda…e aqui entra o conceito aplicado ao segmento farmacêutico, que tem experimentado mutações em sua essência ao longo das últimas décadas.

Algumas dessas modificações são memoráveis no processo revolucionário da farmácia brasileira e, dentre elas, seis merecem ser destacadas por delinearem o futuro da profissão no Brasil.

Essas revoluções foram descritas com exclusividade no Anuário Farmacêutico 360º do ICTQ. Acompanhe, a seguir, o aprofundamento de cada uma delas!

1 – A JUDICIALIZAÇÃO DA PROFISSÃO FARMACÊUTICA

A judicialização tem sido o caminho utilizado por algumas entidades médicas nos embates por âmbito de atuação com diversas profissões da saúde com as quais a medicina compartilha o cuidado com o paciente, como a farmácia desde o advento da prescrição farmacêutica. Assim, ganha grande relevância um novo departamento jurídico nas entidades, empresas do varejo e clínicas farmacêuticas de atenção básica em saúde.

Segundo o presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter da Silva Jorge João, os embates jurídicos, até o final da década de 1990, se limitavam a uma ação ou outra sobre âmbito, seja entre médicos, farmacêuticos, enfermeiros, químicos, biólogos ou biomédicos. A partir de então, mais em função dos médicos, esses embates se intensificaram. As entidades médicas são as autoras da maioria das ações. Isso exigiu uma nova habilidade da classe farmacêutica – a de defender judicialmente o campo de atuação da profissão.

Jorge João afirma que as entidades médicas ignoram, por exemplo, que consultas, diagnósticos nosológicos e prescrições na enfermagem são a base de sustentação de inúmeros programas fundamentais à saúde pública, como os de prevenção e controle da malária, tuberculose, hanseníase e doenças sexualmente transmissíveis, entre outros. Em relação às resoluções do CFF que dispõem sobre as atribuições clínicas e a prescrição farmacêutica (números 585 e 586, ambas de 2013), ele diz: “Desde que essas entidades médicas perderam os primeiros processos em instância federal, a estratégia tem sido a judicialização nos Estados. Às vezes é movido mais de um processo por Estado. O importante a destacar é que em absolutamente todos os processos a tendência tem sido a Justiça se manifestar favorável à farmácia. As duas normativas estão em pleno vigor”.

O presidente do CFF destaca, ainda, que ambas as resoluções se restringiram a regulamentar práticas que já existiam na profissão, no País. Isso está amplamente documentado na literatura internacional, na literatura nacional, bem como está demonstrado nos autos dos processos que as entidades médicas impetraram contra o CFF. “E é esse fato que tem consubstanciado as decisões favoráveis ao Conselho nas ações movidas pelas entidades médicas”, cita ele.

Já para o superintendente Jurídico do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Osvaldo Simonelli, tanto a medicina quanto a farmácia possuem a devida importância social. Contudo, antes mesmo de uma discussão jurídica, há a questão da formação e da definição acerca das competências de cada profissional, que não deveria passar pelo processo legislativo, mas pela graduação de cada área de atuação. “Entendo que não é por meio do processo legislativo que a situação deve se resolver, mas da correta atuação em face da própria formação profissional”.

Para Simonelli, a atuação jurídica de qualquer classe profissional de saúde deve ser altamente especializada. A legislação que envolve a área da saúde é muito vasta e os problemas que surgem no cotidiano são absolutamente imprevisíveis. “Tanto médicos como farmacêuticos têm importância nessa atuação, na medida em que são os grandes propulsores no que se refere à incorporação de novas tecnologias no âmbito da saúde pública. O advogado que atua na área do Direito Médico ou do Direito à Saúde deve estar preparado para estas demandas, tendo um papel conciliatório de grande relevância”, pondera ele.

De acordo com o presidente da Comissão de Direito Médico da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), o médico Silvio Eduardo Valente, “o juiz fica na berlinda, já que não é médico e nem farmacêutico. Ele precisaria de uma assessoria consultiva nestas especialidades para poder julgar. Sem isso, ele fica consternado com a situação e dá provimento a 88% de liminares desse tipo. No Brasil, a judicialização acontece porque a saúde funciona mal”, critica Valente.

Direito na graduação

Há quem diga que, por conta dessas e outras questões judiciais, a disciplina de direito em saúde ou direito sanitário já deveria ser obrigatória na grade curricular de formação farmacêutica. No entanto, Jorge João discorda. Para ele, o Direito não é disciplina que participe da formação específica da Farmácia. Por outro lado, ele lembra que, como ocorre com os estudantes de qualquer outro curso da área da saúde, os graduandos de Farmácia têm, em sua matriz curricular, matérias que dizem respeito à ética e à deontologia (que abrange o conjunto de legislações que se aplica à profissão). “Assim, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Farmácia, os profissionais formados devem chegar ao mercado com conhecimento suficiente da legislação relacionada ao exercício da profissão em suas mais diferentes áreas, devendo ser capazes de interpretar e aplicar essa legislação”, preconiza ele.

Simonelli defende que as demandas da área da saúde, atualmente, ultrapassam o que se denominava de direito sanitário, fazendo com que a especialização seja o caminho, tanto na relação de direito público, com o SUS; como de direito privado, com as operadoras de planos de saúde: “O caminho, a meu ver, reside na criação de Varas Judiciais Especializadas em Saúde”. E lá a participação ativa de médicos e farmacêuticos seria fundamental.

Para ele, o advogado que atua nessa área deve ter um perfil extremamente conciliador, deixando as demandas judiciais para as questões maiores – coletivas, principalmente – e sob a responsabilidade do Ministério Público. As relações individuais nesta área devem ser tratadas com bastante cuidado, considerando que de um lado há sempre um paciente em situação de vulnerabilidade e de outro um profissional de saúde dedicado, mas que, eventualmente e por uma fatalidade, pode ter cometido algum equívoco em sua função. “A atuação dos profissionais de saúde não é simples, e os advogados devem ter essa consciência. Os serviços estão sempre atendendo acima da sua capacidade, falta medicação necessária, falta estrutura física e humana, há falhas absolutamente estruturais, que não guardam nenhuma relação com a prática da atividade em saúde, mas que, infelizmente, recaem sobre os profissionais que, na grande maioria das oportunidades, são vítimas também desta situação”, lamenta o superintendente do Cremesp.

Vale lembrar que a principal lei relativa à farmácia que foi aprovada nos últimos três anos foi a 13.021/14, que mudou o conceito de farmácia no Brasil e resgatou a autoridade técnica do farmacêutico. Outro projeto de lei de interesse da profissão, que está em tramitação no Congresso Nacional, é o que obriga a presença permanente do farmacêutico nas farmácias da rede pública.

Cabe frisar também que qualquer profissional que presta algum serviço, esteja ele na área da saúde ou não, tem responsabilidade sobre o mesmo perante a sociedade. No caso dos farmacêuticos, as responsabilidades são as mesmas de antes, com a diferença que agora passou a ser obrigatório que os atos sejam documentados. Essa é uma exigência das resoluções.

Mediante esse cenário de mudança no campo jurídico desde o advento da prescrição farmacêutica, algumas perguntas pairam no ar: Os farmacêuticos precisam conhecer mais sobre direito em saúde em sua formação desde a graduação ou não? Assim como a Medicina já possui, seria necessária a criação de uma Comissão de Direito Farmacêutico na Ordem dos Advogados para estudo, reconhecimento e defesa do campo de atuação farmacêutica?

2 – A MUDANÇA NO STATUS DO FARMACÊUTICO

No Brasil, já existe um cenário de oportunidades reais de mudança do olhar da população e do meio empresarial sobre a importância do farmacêutico, principalmente depois das resoluções e especializações, que estão habilitando esses profissionais em serviços que culminam na prescrição de alguns medicamentos. Entretanto, competências para o novo perfil precisam ser desenvolvidas, já que esses profissionais querem ser valorizados e ter maiores salários, com mais reconhecimento na comunidade.

“Não existe resultado sem empenho, comprometimento e disciplina na reprogramação de hábitos. Sucesso é um evento que só acontece devido à multiplicação das probabilidades de acontecer”, fala a farmacêutica, especialista em reprogramação de hábitos e gestão, Luciene Scherer.

O fato é que os profissionais querem ser valorizados, mas não caminham para essa direção. Luciene diz que a questão recorrente da baixa autoestima profissional faz com que eles emitam frases como: “Tenho que obedecer”… “Eu não decido”… “Eu não faço isso”… “Farmacêutico não pode ganhar isso”. Essas crenças limitadoras impedem o avanço em direção ao desenvolvimento e valorização profissional.

O presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter da Silva Jorge João, destaca que a almejada ascensão social, profissional e salarial do farmacêutico depende de uma série de fatores – legislação, conjuntura de mercado e da economia, entre outras. Também está vinculada ao desempenho de diversos atores, entre os quais o próprio profissional.

“Desde 2012, o CFF tem buscado a regulamentação da profissão como ferramenta para a valorização profissional do farmacêutico. Por meio das normativas aprovadas, o Conselho tem procurado respaldar a atuação desses profissionais, reafirmando a sua autoridade técnica, o que contribui para que eles sejam cada vez mais necessários, respeitados e valorizados”, diz Jorge João. Ele continua, dizendo que o CFF está permanentemente presente no Congresso Nacional, defendendo os projetos de lei de interesse da farmácia, pois a valorização dos profissionais e da profissão, muitas vezes, depende da aprovação de leis. “Se considerarmos a maioria dos profissionais – que é formada por aqueles que atuam em farmácias comunitárias – o farmacêutico hoje está muito mais valorizado do que foi em um passado recente. Claro que almejamos muito mais”, enfatiza.

Há outro aspecto a ser considerado: aquela visão de um farmacêutico despreparado, que muitos proprietários leigos difundiam, também está desaparecendo. De acordo com o ex-presidente da Anvisa, ex-presidente do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP)  e professor do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Dirceu Raposo de Mello, essa visão era propagada muito em virtude de uma síndrome de vira-lata que muitos donos de farmácia práticos tinham. “Como não atingiam a graduação em farmácia menosprezavam o profissional, alegando falta de preparo e formação. Ora, em que é que esses cidadãos estavam mais preparados? Somente em vender. Hoje, a população exige, além de preço, qualidade no atendimento e preparo técnico, e isso os farmacêuticos é que podem dar”, lembra ele.

Jorge João elenca algumas outras conquistas do farmacêutico, como a aprovação da Lei 13.021/14, após 20 anos de tramitação do Projeto de Lei Marluce Pinto (que propunha banir os farmacêuticos das farmácias) é uma das maiores conquistas para a valorização profissional do farmacêutico. A lei reafirmou a obrigatoriedade do profissional nas farmácias durante todo o período de funcionamento dos estabelecimentos, e dirimiu qualquer dúvida sobre a responsabilidade técnica. Somente o farmacêutico pode assumi-la. Além disso, resgatou a autoridade técnica do farmacêutico comunitário e imprimiu o conceito de unidade de prestação de assistência à saúde para as farmácias, que antes eram meros estabelecimentos comerciais. Todas as condições foram criadas para que a importância do farmacêutico seja obrigatoriamente reconhecida.

Ele cita exemplos, como as lutas no Congresso Nacional pela aprovação de projetos de lei de interesse da Farmácia, a atuação do Conselho pela revisão de normas sanitárias, como a RDC nº 44/2009, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as intervenções pela revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia (DCNs).

Ele já conquistou e não percebeu

O farmacêutico, Ismael Rosa, frisa que o farmacêutico não percebe suas conquistas e mantém uma espécie de síndrome de coitadinho. “Da mesma forma que não enxergam a revolução que está ocorrendo no âmbito legislativo e político, também não vislumbram que a única forma de ser reconhecido e valorizado é por meio do conhecimento”. Entidades de ensino, como o ICTQ, que é exclusivo para o mercado farmacêutico, são a porta de entrada para transformar os profissionais que querem evoluir e sair da mediocridade”, dispara. Não há justificativa plausível para manter-se no grupo dos coitadinhos. É preciso acompanhar de perto e participar efetivamente das entidades e da política, e agir em união, pois só assim eles conseguirão que as reivindicações saiam do papel e das redes sociais, e transformem-se em realidade.

Para o farmacêutico, uma das principais reivindicações da categoria quanto à questão monetária se dá pelos baixos salários em detrimento da complexa responsabilidade da profissão. No Brasil, cada Estado possui diferentes pisos salariais, que podem distinguir-se por área de atuação, tais como: drogarias, distribuidoras, transportadoras, indústrias, análises clínicas e hospitais. Variam entre R$ 2.198,46 (PB) a R$ 5.409,31 (DF), para uma carga horária de 40h e 44h semanais, respectivamente.

“Sobre o status, os farmacêuticos vêm lutando contra um estigma antigo – relatado desde o Império no século 19 – que queimou a classe, e que ainda contribui negativamente para que este status continue em desconfiança: os farmacêuticos de fachada, ou denominados assinacêuticos. Todavia, apesar de toda a luta, regulamentação e fiscalização dos Conselhos, essa prática ainda perdura entre os poucos mal profissionais que insistem em atrasar a evolução e valorização da categoria”, critica Rosa.

Já Luciene levanta outra questão: o processo de crenças de que o farmacêutico é um profissional de bastidores dificulta seu reconhecimento e valorização. Muitas entidades têm reforçado o conhecimento técnico, mas não trabalham as crenças da profissão: “Tenho dito repetidamente que não basta para o reconhecimento e valorização profissional, desenvolver conhecimento técnico. É necessário desenvolver a liderança, a proatividade, o empreendedorismo, o foco em resultados e a autoestima do farmacêutico”.

Já Raposo ressalta que o próprio SNGPC pode ser considerado uma valorização, uma vez que deu ao farmacêutico o verdadeiro controle sobre a dispensação de medicamentos controlados pelo simples motivo de que ele possui uma senha que é sua e, portanto, se ele não abrir o sistema as operações não podem ser feitas. Isso depende de sua postura a valorização.

Apenas a título de curiosidade, quando Raposo presidiu a Agência, ele mesmo instituiu a SNGPC e foi acusado de ter transformado os farmacêuticos em digitadores do sistema, ao que ele se defende: “Toda vez que se introduz algo novo e revolucionário, podemos ter reações contrárias. O SNGPC foi um dos maiores avanços no controle de medicamentos no País, já que conseguiu controlar também a prescrição de medicamentos antibióticos com a RDC 44/2010, que originou a RDC 20/2011”. Ele lembra que antes do SNGPC, os farmacêuticos tinham que assinar e conferir os mapas que eram encaminhados às Vigilâncias, e delas para a Anvisa para então serem analisados. “No Brasil geravam-se aproximadamente 380 mil mapas por ano, o que significa que o controle era uma ficção”.

A grande questão dessa revolução é que o farmacêutico é valorizado, mas ainda não percebeu esse fato. Rosa cita alguns aspectos que comprovam isso, como a estruturação político-sanitária do Brasil, que implantou o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e a Anvisa, além da inclusão e consolidação da Assistência Farmacêutica no SUS (Qualifar-SUS). Ele diz: “Ressalto também a ascensão dos genéricos, com a Lei nº 9.787/99, e a constante regulamentação da indústria farmacêutica, ampliando a produção, controle e oferta de medicamentos no País, o que aumentou exponencialmente a demanda de mão de obra farmacêutica qualificada”.

Outro ponto chave, demonstrado em uma das pesquisas do ICTQ, são os índices de confiança e aprovação que os brasileiros têm no farmacêutico principalmente sobre o aspecto da prescrição. A confiança subiu de 42% em 2013 para 61% em 2016, em média.

Com a habilitação para o consultório clínico farmacêutico, permissão para prescrever de acordo com sua formação e com todos esses índices e regulamentações…será que os farmacêuticos ainda têm motivos para reclamar ou justificativa para não perceber que a valorização tão almejada já está consolidada? Claro que não! “O problema é que muitos colegas desejam ganhar financeiramente muito mais, trabalhando muito menos, empreendendo quase nada e sem ampliar conhecimentos. Quando deparam com o simples piso salarial no final do mês, referem uma pseudo desvalorização farmacêutica à uma questão financeira da qual eles mesmos são responsáveis diretos”, finaliza Rosa.

3 – A INDÚSTRIA REVOLUCIONA SEU RELACIONAMENTO COM O VAREJO

Cada indústria tem seu posicionamento no momento de estabelecer suas estratégias de marketing. Claro que não se pode generalizar, mas, como exemplo, vale citar as que destinam suas ações exclusivamente aos médicos, fornecendo informações sobre seu portfólio com o objetivo de conseguir prescrição para seus produtos. Mas com o advento da prescrição farmacêutica há também aquelas indústrias cujo foco está nas grandes redes, farmácias associadas e até mesmo nas farmácias independentes, oferecendo uma atenção diferente aos farmacêuticos que podem prescrever seus medicamentos ou mesmo recomendar uma marca em detrimento de outra e um genérico em detrimento de um similar ou referência.

Em termos de estratégias comerciais, o diretor de Marketing e presidente do Conselho de Administração do Laboratório Teuto, Ítalo Melo, diz que seu principal objetivo agora é levar informação e conhecimento aos profissionais de farmácia: “Desenvolvemos o Visite Bem – um projeto educativo que recebe clientes (donos de farmácia, farmacêuticos e distribuidores) e estudantes de farmácia, apresentando o alto padrão de qualidade da indústria, instalada no maior complexo farmacêutico da América Latina, e os nossos processos de produção”. Ele afirma que trabalha na cadeia produtiva desde o início, ainda na formação do profissional, integrando indústria, distribuição e varejo.

De acordo com o farmacêutico e consultor para a indústria farmacêutica, Pedro Dias, é possível haver a fidelização do farmacêutico junto à marca dos laboratórios e a indústria está se atentando a isso. “A população brasileira é carente de informações e, muitas vezes, terceiriza a responsabilidade para o farmacêutico sobre o conhecimento da qualidade de um laboratório ou outro. Por isso, as grandes marcas estão buscando entender as necessidades desse profissional e criar formas e estratégias para estabelecer um relacionamento saudável entre ambos, com o objetivo de fidelização, uma vez que o farmacêutico é um profissional formador de opinião”.

A reinvenção das estratégias

Ele acredita que o marketing está se reinventando e que sempre existiram estratégias para o varejo farma, com os farmacêuticos no centro das atenções em todas as categorias de lojas, grandes redes, associativismo e independentes. “No entanto, ao longo dos últimos anos, com o empoderamento do profissional farmacêutico por meio da criação da Resolução do CFF 585/13 (atribuição clínica do farmacêutico) e Resolução 586/13 (atribuição de prescrição farmacêutica), esse profissional do medicamento tem reconquistado o seu espaço e seu valor perante a sociedade, os outros profissionais da saúde e, consequentemente, frente às indústrias de medicamentos”, defende Dias.

Outra estratégia corrente no mercado é a de indústrias que acabam patrocinando eventos com a justificativa de proporcionar conteúdo sobre algum tema de importância para o farmacêutico, no entanto, nesses eventos oferecem, principalmente, meios de vender seus produtos. “Essa é uma prática muito comum que, nos últimos anos, têm recebido uma nova roupagem de cuidado e manutenção da saúde – apelo forte que atrai muitos profissionais. É o acaso do evento da Abrafarma, Road Show Care Center, cujo marketing veio de forma quase velada, afirmando tratar-se de uma ferramenta de treinamento inovadora direcionada aos farmacêuticos”, aponta o diretor Comercial da Associação de Farmácias e Drogarias do Estado de Minas Gerais, Wesley Castro Silva, que continua: “Contudo, mostrou mais do mesmo…nada muito diferente do que já temos disponível no mercado, e em alguns casos até mais independentes. Uma vez que não estão diretamente ligadas a grupos de interesse, podem focar mais na formação profissional e menos na questão empresarial”.

Ele defende que não há nada de errado em oferecer palestras e seminários para farmacêuticos para orientar sobre indicações e benefícios do produto A ou B, ou mesmo promover um evento específico para informar o mercado sobre as novas soluções que já estão disponíveis. Muitas pesquisas e tecnologia de ponta são aplicadas para alcançar a cura de diversos males, e isso precisa chegar aos profissionais de saúde. A ressalva de Silva nesse contexto é sobre o objetivo do evento, que precisa estar claramente informado, permitindo ao profissional visualizar o real motivo de sua presença naquele ambiente.

“No caso do evento da Abrafarma, quase 90% do público presente eram farmacêuticos contratados de uma rede mineira de drugstores. A ideia principal era mesmo aumentar o volume de negócios, uma vez que as informações dadas ali tiveram pouca ou nenhuma relevância no aspecto de cuidado ao cliente/paciente”, afirma Silva. Para ele, foi uma ação conjunta entre indústria farmacêutica e o varejo de medicamentos, viabilizada por uma associação para vender mais uma marca em detrimento de outra.

É fato que na classe médica, há muito tempo, alguns laboratórios destinam ações para médicos, que incluem patrocínios em congressos, cursos de especialização e viagens. Em contrapartida, esses médicos acabam prescrevendo suas marcas. Segundo Melo, do Teuto, essas ações têm muito a ver com a filosofia do laboratório. “Em parceria com a Pfizer, por exemplo, temos apostado também nessa estratégia. Junto com ela, participamos dos principais eventos médicos do País. Essas ações são validadas pelas políticas de compliance”, afirma o executivo.

No entanto, o Teuto também considera o farmacêutico em suas ações de marketing. Melo diz que eles são essenciais como formadores de opinião na cadeia produtiva: “Ainda mais se falarmos em propostas que ofereceram, nos últimos anos, mais autonomia e independência para esses profissionais, como os medicamentos genéricos e similares equivalentes, que proporcionam certa independência aos farmacêuticos no ponto de venda e, consequentemente, mais poder de compra para o consumidor”. Baseado nisso, o laboratório oferece inúmeras ações de capacitação e valorização do profissional.

Na opinião de Dias, antes de criar ou oferecer palestras e cursos, os players deveriam entender as necessidades desse profissional e oferecer serviços que, de fato, irão contribuir para a sua formação, colaborando para que o farmacêutico leve serviços mais assertivos para seus clientes e pacientes. “Na minha percepção, oferecer esse serviço, abordando apenas produtos, não é a melhor forma de criar empatia com a marca”, ressalta ele.

O fato é que o novo movimento das indústrias deve focar a atuação especializada do farmacêutico, que tem o poder de influenciar, no atendimento clínico, o melhor tratamento para seu paciente. Esse é o empoderamento do profissional que as indústrias já vislumbraram. Cabe ao profissional, nesse processo de mudança advinda da prescrição farmacêutica, avaliar os limites éticos no âmbito de sua atuação, influenciada ou não pelos grandes laboratórios.

4 – A CONSTRUÇÃO DE UM NOVO PONTO DE VENDA

Sabe aquela drogaria tradicional, baseada na venda de medicamentos e com a oferta de alguns produtos de higiene pessoal? Esqueça…ela está em processo de extinção! Exageros à parte, o que se vê é o surgimento, depois das resoluções sobre a prescrição farmacêutica, de um novo tipo de PDV, muito mais parecido com as drugstores americanas – lojas gigantes que vendem todo tipo de produtos nas gôndolas e mantém, em seu interior, uma muito bem equipada clínica, com um farmacêutico prescritor, oferecendo consultas e medicamentos à população, com toda a segurança e qualidade.

Embora isso pareça estar distante, o fato é que esse modelo está muito mais próximo do que se imagina. Diversas redes nacionais já se posicionam como drugstores e oferecem todo tipo de produtos em suas prateleiras, como alimentos roupas e calçados. Vale exemplificar com as redes Araujo e Pague Menos. Além disso, com as resoluções do CFF 585/13 e 586/13, os farmacêuticos têm atribuições clínicas e passam a prescrever medicamentos em consultórios dentro dessas mesmas farmácias que vendem de tudo. Qual a diferença do modelo americano? Nenhuma…apenas o tamanho das lojas!

No Brasil, redes como Onofre possuem centros de beleza completos, com consultores especializados em dermocosméticos. A rede de drogarias Araujo ostenta um dos maiores centros de conveniência do País em suas mais de 170 lojas estabelecidas no modelo de drugstore em Minas Gerais. Baseia-se no conceito one stop (uma parada), ou seja, o máximo que se pode oferecer em termos de conveniência para uma pessoa dentro de uma farmácia. E claro, eles começam a ter os serviços farmacêuticos em consultórios muito bem estruturados.

Já a Pague Menos (que tem 1.080 lojas em todas as unidades da Federação, distribuídas por 346 municípios) já mantém cerca de 630 clínicas em suas lojas, onde oferecem consultas farmacêuticas e outros serviços. O fundador e presidente do conselho da Rede, Deusmar Queirós, afirma que manter as clínicas ativas valoriza enormemente o farmacêutico e isso gera um importante retorno à comunidade: “Claro que o profissional precisa se dedicar à sua qualificação para exercer a clínica com qualidade e conhecimento”.

Já a diretora de Marketing da Pague Menos, Patriciana Rodrigues, diz que para persistir é preciso ouvir o cliente, acreditar na sua equipe e na sua capacidade de inovar sempre. “A Pague Menos mantém o foco em ações com excelente relação de custo-benefício. Nossa marca remete a preço, e nos planejamos para entregar mais por menos sempre. Isso não significa obrigatoriamente os menores preços, mas sempre as melhores oportunidades”.

Com um porte um pouco menor, a Agafarma é uma rede associativista, com mais de 400 farmácias distribuídas em 200 municípios do Rio Grande do Sul. Suas clínicas farmacêuticas estão em pleno funcionamento e geram importante lucro para os estabelecimentos.

De modo geral, todos os varejistas que se dispõem a entrar nessa onda e oferecer o novo PDV ao seu consumidor têm de investir no conceito, seja R$ 5 mil para efetuar pequenos ajustes ou R$ 150 mil para a construção de um consultório, dependendo do tipo de acabamento.

Divisão de espaço com os consultórios

Importante salientar que, nesse novo modelo, atualmente, produtos de beleza, cosméticos, itens para nutrição e suplementação e artigos de higiene pessoal estão dividindo seus preciosos espaços com os consultórios farmacêuticos, que há três anos não existiam nem como proposta no planejamento estratégico das empresas.

O presidente da Drogaria Araujo, Modesto Araujo Neto, sempre pensou à frente de seu tempo. “Nós já aplicamos vacina há 15 anos, porém, agora estamos trabalhando com um visual novo e oferecendo também exames laboratoriais rápidos e partindo para uma clínica, com atendimento médico”.

Ele defende o conceito de loja dentro da loja. “Eu acredito que este seja o negócio do futuro. Vale lembrar que um exame de Dengue, no hospital, vai demorar três horas. Nós fazemos em 15 minutos e cobramos muito mais barato. Este é um modelo que estamos trazendo dos Estados Unidos e Europa, para diminuir a deficiência do SUS e melhorar a saúde brasileira”.

Modesto aposta que, frente ao trânsito infernal e à vida agitada, é fundamental abraçar a filosofia de one stop, que possibilita à pessoa, com uma parada, comprar a ração do cachorro, o chinelo, o refrigerante, o sorvete para uma sobremesa, o pão de amanhã, o leite, o café, tudo, inclusive medicamentos. “E aí se está prestando um serviço à comunidade. Em vez de você ir aqui e acolá, num local você resolve tudo”. Sinal dos tempos…

5 – UM NOVO OLHAR DA SOCIEDADE SOBRE O FARMACÊUTICO

Lembra-se daquele farmacêutico que era considerado o doutor da cidade e que tinha a tradição de cuidar da família de forma muito próxima? Esse profissional está de volta na visão da sociedade, principalmente nas cidades de médio e pequeno portes.

A boa notícia é que, desde a autorização do farmacêutico para prescrever alguns tipos de medicamentos, a população vem confiando cada vez mais nesse profissional! Segundo a terceira edição da pesquisa do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico sobre este tema, essa confiança foi manifestada por 61% dos entrevistados. Nas edições anteriores, este índice ficou em 72%, em 2014; e em 42%, em 2013.

“Apesar da variação desses 9 pontos percentuais percebida desde a edição de 2014, o índice de aprovação da prescrição farmacêutica no Brasil ainda é considerado alto. O farmacêutico continua sendo uma opção acessível e confiável para tratar os males menores dos brasileiros”, diz o fundador do ICTQ, Marcus Vinicius de Andrade.

O grau de confiança é maior do que a média nacional entre os moradores das regiões Norte e Centro-Oeste, e entre aqueles que residem no interior e os que estão fora do mercado de trabalho.

O estudo ficou ainda mais abrangente em 2016, se comparado às edições anteriores. Além da prescrição de medicamentos por farmacêuticos, ele teve o objetivo de conhecer a opinião da população brasileira sobre a presença de consultórios nas farmácias. Isso é uma inovação no mercado.

Quando perguntado que tipo de farmácia o entrevistado prefere – sem consultório ou com consultório – a maioria dos brasileiros optou por farmácia com consultório (71%) para obter atendimento via farmacêutico.

Essa preferência é mais comum entre os brasileiros menos privilegiados quanto à escolaridade, renda familiar, classificação econômica, entre os moradores de cidades localizadas no interior e entre os que costumam utilizar atendimento médico particular e o SUS.

Com a consulta e receitas na farmácia, 43% declararam que os gastos com a saúde vão se manter, enquanto 19% acreditam que vão aumentar e 38% que vão diminuir. A percepção de que os gastos vão se manter é mais disseminada no Sul do País. Em resumo, embora não seja consensual, a postura favorável à consulta e prescrição nas farmácias é majoritária na população.

“Importante salientar que os consultórios farmacêuticos estão tendo maior receptividade em cidades pequenas, com menos de 50 mil habitantes, localizadas no interior dos Estados. A população que respondeu de maneira positiva às clínicas é dependente do SUS e pertence às classes C, D e E, em sua maioria”, ressalta Andrade.

Para a realização dessa pesquisa foram feitas 2.115 entrevistas por todo Brasil, distribuídas em 130 municípios, de forma a representar todas as regiões geográficas. As entrevistas aconteceram entre os dias 30 de novembro e 6 dezembro de 2016. Dos entrevistados, 42% são das regiões metropolitanas e 58% do interior. Eram 52% de mulheres e 48% de homens, com idade média de 42 anos. Em sua maioria, pertencem à classe C (48%) e são economicamente ativos (63%), com destaque para os assalariados registrados (23%). 45% têm ensino médio e 39% o fundamental, com renda média familiar de R$ 3.142,00.

Os resultados dos estudos reafirmam a mudança de status do farmacêutico em termos de sua valorização junto à sociedade. Ele é visto, cada vez mais, como o agente de saúde indispensável nos cuidados relacionados ao consumo de medicamentos.

6 – A REVOLUÇÃO NA ESPECIALIZAÇÃO PROFISSIONAL

As resoluções 585 e 586, de 2013, do CFF, podem ser consideradas um marco nos programas de especialização destinados aos farmacêuticos brasileiros. Após a publicação desses instrumentos, a maioria dos cursos acabou adaptando sua grade para as necessidades da prática da farmácia clínica no Brasil, com ênfase em semiologia farmacêutica, patofisiologia das doenças crônicas mais incidentes na sociedade e enfoque na farmacoterapia de grupos específicos de pacientes, como por exemplo, pediatria, geriatria e gestantes.

De acordo com o farmacêutico, mestre e doutor em Farmacologia e diretor Técnico Científico da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde (Sbrafh), Marcelo Polacow Bisson, os cursos também têm procurado metodologias ativas de ensino, como o uso de simulações e estudos de casos clínicos, o que aproxima os alunos da realidade profissional da prática farmacêutica clínica.

Os programas, que antes eram essencialmente voltados para o âmbito hospitalar, passaram a focar também o varejo. “O paciente é único e ele apenas muda de local de atendimento na sua vida. Se ele está internado, terá alta. Nesse contexto, a abordagem farmacêutica clínica é de entender que, possivelmente, ele vai se tratar e será acompanhado ambulatorialmente nas farmácias comunitárias (varejo e unidades básicas de saúde do SUS). Isso ressalta a importância de o farmacêutico comunitário estar preparado para essas práticas”, fala Polacow.

Claro que essas mudanças surtirão efeito somente em médio e longo prazos, pois a principal mudança é de mentalidade do farmacêutico para atuar clinicamente no seu dia a dia. Nesse sentido, os ensinamentos das práticas profissionais em programas de pós-graduação têm um efeito mais longínquo, envolvendo a aplicação dos conhecimentos e habilidades adquiridas nesses programas. “A pós-graduação e os programas de residências são ferramentas essenciais para o desenvolvimento dos profissionais, mas sozinhos não surtem efeitos, pois a sociedade, a cadeia farmacêutica e a equipe multiprofissional também devem ser envolvidas, bem como as entidades científicas, profissionais e sindicais”, lembra Polacow.

Voltado para a inovação e com foco nas tendências do mercado, o ICTQ foi o primeiro instituto de ensino superior a lançar uma pós-graduação voltada para profissionais do varejo em farmácia clínica com foco em prescrição farmacêutica. “Isso demonstra pioneirismo, mas também aponta que o ICTQ é um Instituto com visão de vanguarda. Em 2013, quando lançou o curso de Prescrição Farmacêutica & Farmácia Clínica, a Instituição iniciou um processo de transformação de farmacêuticos convencionais, meros atuantes no varejo do setor, em profissionais com habilidades e competências para a prática clínica e para a otimização da farmacoterapia dos usuários de medicamentos”, lembra o farmacêutico, Lincoln Cardoso.

É importante destacar que esse curso é uma especialização lato sensu, portanto, não influencia diretamente no meio acadêmico, pelo qual se entende, em primeiro nível, a graduação. Para Cardoso, esse curso promoveu uma grande onda de transformação entre os profissionais e um grande despertar para a necessidade da especialização profissional para a prática da atenção farmacêutica nas farmácias comunitárias brasileiras.

Ainda agindo segundo seu posicionamento inovador, o ICTQ lançou seu Programa de Residência em Serviços Clínicos Farmacêuticos para o Varejo, que é uma verdadeira novidade no processo de especialização e de geração de expertisepara a prática clínica em farmácias comunitárias privadas no Brasil. Os programas de natureza pública ou privada existentes, como os multiprofissionais ou profissionais em saúde, não se assemelham a essa proposta, que é específica para o setor que mais emprega farmacêuticos no País – o varejo (farmácias e drogarias privadas). “O ICTQ demonstrou inovação e compromisso com a categoria farmacêutica, ao investir em uma estrutura física e didático-pedagógica que oferece experiências práticas e verdadeiramente reais de aprendizado clínico ao farmacêutico atuante em farmácias e drogarias”, destaca Cardoso.

Já Polacow vê esse programa como uma excelente iniciativa, principalmente, depois do advento da Lei 13.021/14, que tornou a farmácia definitivamente um estabelecimento de saúde, cuja prática em serviço já tem seu valor reconhecido há décadas. “O mercado e a profissão farmacêutica são extremamente dinâmicos e, nesse sentido, as tendências devem ser o uso da tecnologia da informação e o aperfeiçoamento das ferramentas de ensino para melhorar a formação clínica do farmacêutico. Os programas de residência, assim como nos Estados Unidos e Europa, devem ganhar força na formação dos futuros profissionais”, finaliza ele.

Fonte: ICTQ

 

DANÇA DAS CADEIRAS NA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA: TAKEDA COMPRA A SHIRE

A Takeda Pharmaceutical adquiriu a totalidade do capital social ordinário da Shire. Os termos da aquisição foram anunciados ontem (08/05/18) e, de acordo com eles, cada acionista da Shire terá direito a receber US$ 30,33 (R$ 108,98) em dinheiro por cada ação daquela empresa, e 0,839 em novas ações da Takeda, ou 1,678 em ações depositárias americanas (ADS) da Takeda. Embora a negociação tenha sido aprovada pelos conselhos de administração de ambas as companhias, a transação deve ser concluída no primeiro semestre de 2019. Após a efetivação desta transação, os acionistas da Takeda vão possuir aproximadamente 50% do grupo combinado.

Com posições de liderança no mercado em áreas terapêuticas prioritárias, um posicionamento geográfico importante, maior escala e eficiência e um segmento de pesquisa e desenvolvimento (P&D) produtivo, o grupo combinado estará mais bem posicionado para fornecer medicamentos altamente inovadores.

“Desde sua criação, a Takeda se moldou em uma empresa farmacêutica global ágil e orientada para a pesquisa e o desenvolvimento que está bem posicionada para oferecer atendimento inovador e transformador a pacientes do mundo inteiro”, disse o presidente e diretor executivo da Takeda, Christophe Weber. Ele continua: “O portfólio de projetos e de produtos altamente complementares da Shire, bem como seus funcionários experientes, vão acelerar nossa transformação para uma Takeda mais forte. Juntos, seremos líderes no fornecimento de tratamentos específicos nas áreas de gastroenterologia, neurociência, oncologia, doenças raras e terapias derivadas do plasma. Estamos ansiosos para obter os benefícios que esta fusão irá trazer para os pacientes em nível global, assim como as oportunidades que serão apresentadas aos nossos funcionários e os retornos proporcionados aos nossos acionistas”

Já a presidente da Shire, Susan Kilsby, afirma: “Nos últimos 30 anos, a Shire se tornou líder mundial no tratamento de doenças raras, fornecendo produtos inovadores que transformam a vida dos pacientes. Com essa fusão, a Shire ajuda a criar uma empresa biofarmacêutica ainda mais sólida, com um portfólio de projetos de P&D robusto e amplia presença global. Estamos orgulhosos do que a Shire se tornou e somos gratos a todos os funcionários por suas contribuições. Acreditamos firmemente que essa fusão reconhece o forte potencial de crescimento de nossos principais produtos e linhas inovadoras e é do interesse de nossos acionistas, pacientes e das comunidades que servimos”.

O diretor executivo da Shire, Flemming Ornskov, afirmou: “Gostaria de agradecer a toda a equipe da Shire por tudo o que realizamos nos últimos cinco anos para transformá-la em uma empresa líder em biotecnologia de doenças raras e uma defensora tenaz dos pacientes necessitados. Estou confiante de que este enfoque vai nos permitir continuar cumprindo nossas prioridades ao longo deste processo. Com um portfólio de projetos e de produtos realmente inovador, acredito que a combinação das duas empresas beneficia os acionistas e dá oportunidade de melhorar a vida de ainda mais pacientes no mundo todo com condições raras e altamente especializadas”.

Fundamentação estratégica e financeira 

A aquisição da Shire vai acelerar a transformação da Takeda, reunindo as posições complementares de Takeda e Shire em gastroenterologia e neurociência. Também vai proporcionar ao grupo combinado posições de liderança em doenças raras e terapias derivadas do plasma para complementar a força em oncologia e concentrar esforços nas vacinas. A Takeda vai continuar se concentrando na aceleração de seu negócio de oncologia após sua recente aquisição da ARIAD Pharmaceuticals. Além disso, o negócio de vacinas da Takeda vai continuar atendendo às necessidades de saúde pública mais urgentes do mundo.

A aquisição vai se basear na vasta cultura japonesa baseada em valores e no legado da Takeda para criar um líder biofarmacêutico global, impulsionado por P&D inovador e de classe mundial. O grupo combinado terá uma pegada geográfica atrativa, com exposição significativamente aumentada nos Estados Unidos – um mercado importante e crescente. Além disso, o portfólio da Shire vai se beneficiar da forte presença internacional da Takeda nos mercados emergentes e no Japão.

A sede da empresa integrada vai continuar no Japão, mas irá expandir sua presença em P&D na área de Boston, nos Estados Unidos, e, além deste país, também terá importantes locais regionais no Japão, Singapura e Suíça. Assim, o grupo combinado terá posições de liderança em dois dos maiores mercados mundiais de medicamentos: Estados Unidos e Japão. A previsão é de que, com a aquisição, a Takeda seja a única empresa farmacêutica listada tanto na Bolsa de Valores de Tóquio, onde vai continuar tendo sua listagem principal, quanto na Bolsa de Valores de Nova York, o que faz com que ela tenha acesso a dois dos maiores mercados de capitais do mundo.

Portfólio de projetos complementares

A Takeda e a Shire possuem portfólios de projetos altamente complementares. A Shire tem uma grande experiência em doenças raras, um portfólio de projetos de estágio intermediário e final enriquecido com programas de moléculas grandes, bem como tecnologias de ponta em terapia genética e proteínas recombinantes. Combinar isso com o programa de pesquisa e desenvolvimento precoce da Takeda vai resultar em um portfólio de projetos  robusto, diversificado em termos de modalidade e com um mecanismo de P&D focado na inovação. O grupo  vai se basear em parcerias existentes, incluindo mais de 180 parcerias ativas da Takeda com instituições acadêmicas, empresas de biotecnologia e startups, para enriquecer ainda mais seu portfólio de projetos.

Retornos atrativos para os acionistas

A aquisição da Shire vai proporcionar benefícios financeiros convincentes para o grupo. Isso vai aumentar significativamente o lucro por ação subjacente a partir do primeiro ano fiscal completo após a conclusão da aquisição e vai gerar fortes fluxos combinados de caixa. A transação também deve proporcionar retornos atraentes para os acionistas; a expectativa é de que o retorno sobre o capital investido (ROIC) supere o custo de capital da Takeda dentro do primeiro ano fiscal completo após a conclusão da aquisição. A geração substancial de fluxo de caixa esperada a partir da aquisição vai permitir que o grupo desacelere rapidamente após a conclusão da aquisição. A Takeda pretende manter seu rating de crédito com grau de investimento, com uma meta de endividamento líquido sobre EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 2x ou menos a médio prazo.

A Takeda confia que a aquisição crie uma oportunidade para reconhecer importantes sinergias recorrentes de custos, com potencial para sinergias de receitas adicionais a partir da fusão da infraestrutura combinada, presença no mercado e capacidades de desenvolvimento. A Takeda espera que as sinergias recorrentes de custos antes dos impostos para o grupo combinado alcancem uma taxa de execução de pelo menos US$ 1,4 bilhão por ano até o final do terceiro ano fiscal após a conclusão da aquisição.

A aquisição vai acelerar a transformação estratégica da Takeda em direção à Vision 2025 e os fortes fluxos de caixa combinados vão permitir investimentos contínuos em P&D. A política de dividendos bem estabelecida da Takeda vai continuar sendo um componente fundamental para os rendimentos futuros de acionistas.

 

 

Financiamento

A Takeda assinou um contrato de financiamento de US$ 30,85 bilhões (R$ 110,85 bilhões)com o J.P. Morgan Chase Bank N.A., Sumitomo Mitsui Banking Corporation e MUFG Bank, Ltd., entre outros. Parte dos recursos será usada para financiar a contrapartida em dinheiro a ser paga aos acionistas da Shire vinculados à aquisição. Atualmente, está contemplado que, antes da conclusão, os compromissos sob o acordo de financiamento serão reduzidos ou refinanciados com uma combinação de dívida de longo prazo, capital híbrido e recursos de caixa disponíveis.

 

 

Sobre a Takeda no Brasil

Sediada em Osaka, Japão, a Takeda é uma companhia farmacêutica global que investe em pesquisa e inovação com presença em mais de 70 países. No Brasil, a companhia conta com a participação de cerca de dois mil colaboradores distribuídos no escritório na cidade de São Paulo (SP), nas fábricas localizadas em Jaguariúna (SP) e São Jerônimo (RS) e nas equipes de força de vendas pelo País.

A Takeda Brasil conta com medicamentos focados nas áreas terapêuticas de oncologia, gastroenterologia e vacinas. Além disso, possuí um portfólio de produtos OTC líderes no mercado, como Neosaldina, Eparema e Nebacetin.
Leia mais sobre a empresa em http://www.vitaeeditora.com.br/takeda-e-reconhecida-como-a-farmaceutica-mais-amada-do-brasil.

 

 

 

MENTORIA EM QUALIFICAÇÃO E VALIDAÇÃO REVOLUCIONA MERCADO FARMACÊUTICO

 

 

Por Egle Leonardi

 

A ferramenta do momento é a mentoria! Os profissionais de qualificação e validação que precisam conquistar crescimento profissional, baseando-se em um alto nível de especialização, estão optando por essa nova ferramenta. Por isso, por conta de sua expertise na capacitação de pessoas do segmento industrial farmacêutico, veterinário e cosmético, a diretora da MD Consultoria, Daniela Silva, lançou um programa de mentoria pioneiro e personalizado.

“Nosso projeto é inovador na área, cujo foco é a melhoria continuada de profissionais que desejam evoluir em um programa exclusivo de qualificação e validação, que vai potencializar os resultados da carreira e da empresa dos nossos alunos mentorados”, destaca Daniela.

O conceito é novo no segmento industrial, (principalmente no farmacêutico, veterinário, cosmético e de produtos para saúde, onde a idealizadora do método atua). Por conta disso, vale padronizar algumas informações: a mentoria é um sistema de treinamento de profissionais que são acompanhados por um indivíduo sênior ou mais experiente (o mentor), que é empenhado em atuar como conselheiro e orientador, neste caso, em programas de qualificação e validação. O mentor é responsável por fornecer suporte e feedback ao mentorado.

“Importante salientar que a proposta de mentoria que eu criei proporciona um sistema de debates mais aprofundados e, ainda, conecta as pessoas. Com esse projeto, nossos alunos serão autoridades e referências na área de validação”, explica Daniela.

COMO FUNCIONA

A mentoria de Daniela Silva é um programa exclusivo, on-line e presencial, destinado a analistas, coordenadores, supervisores e profissionais que desejam ingressar ou se aprimorar na área de qualificação e validação. Neste momento, há dois programas de mentoria diferentes: o Premium e o Platinum, e cada um deles detém sua plataforma exclusiva e personalizada.

O Premium, cujo grupo seleto já está completo e em andamento, é formado por profissionais que se inscreveram e foram selecionados de acordo com seu conhecimento e capacitação. É um programa mais completo e aprofundado.

Seus participantes têm acesso a uma plataforma específica, por meio de login e senha, que contém um robusto acervo técnico de documentos. Além disso, eles irão escrever um guia sobre padrão e requerimentos de qualidade para as indústrias. O programa Premium prevê 12 aulas on-line e dois encontros presenciais (em junho e dezembro deste ano). A sua primeira aula foi ministrada ontem (03/05/18), por Daniela Silva, com o tema Qualificação de Transportes. Esses eventos contemplarão a parte técnica, com treinamentos, dinâmicas, além de palestras com profissionais renomados do setor.

O analista de Garantia de Qualidade (validação), Fernando Mota, está participando do programa Premium. Ele ressalta que, além do aprendizado, é fundamental a conexão com outras pessoas que tenham atividades semelhantes. “Acredito que o meu desenvolvimento como profissional vai crescer muito com a atuação no grupo de mentoria”, ele afirma.

Mota se diz muito animado com o projeto: “Já foram disponibilizados alguns modelos muito úteis de documentação, que podem ser adaptados para a melhoria dos processos pelos quais eu sou responsável”.

“Participar da mentoria, além de ser uma oportunidade única de troca e aquisição de conhecimentos, é superimportante para a minha formação profissional. Decidi participar para ter um envolvimento maior nas discussões de assuntos relacionados à qualificação e validação, e que não estão elucidados nem pela própria Anvisa. Meus maiores desafios dizem respeito à validação de sistemas computadorizados e validação de processos biológicos”, ressalta a consultora de validação, Fernanda Kadomoto, que participa do programa Premium.

O consultor especialista Laboratorial na Siemens Healthineers, Pedro Henrique Pazim, enfrenta um momento particular de mudanças de rumos e paradigmas: “O projeto de mentoria veio no momento certo para expandir horizontes, conhecer novas formas de pensar e pensadores e aprimorar habilidades existentes. Tenho conhecimento amplo em qualificação de sistemas, mas me falta expertise em outras áreas. Com esta mentoria, espero desenvolver e expandir meu conhecimento nas mais diversas áreas onde são aplicadas qualificações”.

Ele pretende atingir um patamar de conhecimento técnico, teórico e prático concreto. “Quando um cliente me questionar, quero ter 95% das respostas prontas e, caso não tenha a resposta para o momento, que eu possa contar com este grupo de mentoria como apoio, bem como pretendo apoiar a todos que necessitarem de minha ajuda. Este é um projeto inovador, pois através da colaboração de seus participantes, todos têm a ganhar em conhecimento e, assim, fazer entregas concretas a seus clientes”, defende Pazim.

PLATINUM

Já o programa Platinum é 100% on-line e oferece acesso, de forma exclusiva, a 12 aulas ao vivo com Daniela Silva e outros especialistas convidados. Além disso, a plataforma oferece um acervo técnico completo, com modelos de documentos da área, normas atualizadas e comentadas, e um suporte técnico.

Há ainda a possibilidade de envio de dúvidas, com um fórum de perguntas e respostas, que podem ser acessadas na medida da necessidade. Os alunos mentorados terão acesso à gravação de todas as aulas, direto na plataforma específica.

O programa Plantinum, por ser menos robusto que o Premium, abre a possibilidade para que seus mentorados possam se inscrever para uma nova seleção, que lhes dará direito ao Premium em 2019, complementando e aprofundando ainda mais as informações e os conceitos mais relevantes sobre qualificação e validação. Esse grupo Platinum ainda está em formação e aceita inscrições.

APRIMORAR CONHECIMENTOS

“O principal desafio é adquirir maiores conhecimentos de forma prática, diferente do que vemos em livros e cursos. Este conhecimento será útil para a utilização em minhas atividades, principalmente em áreas onde não atuo constantemente. Sempre que adquirimos novos conhecimentos, evoluímos como profissionais”, defende Mota.

Para a farmacêutica Comercial e Técnica do Grupo Emba EPS, Renata Curatolo, participar do projeto da mentoria significa aprimorar seu conhecimento e também ajudar os colegas de profissão com informações que possam ser úteis sobre suas áreas de domínio.

“O projeto está sendo enriquecedor e, com certeza, irá agregar muitas informações no mercado farmacêutico, que é sempre tão carente e precisa de profissionais competentes para fazer a diferença”, comenta Renata, cuja expectativa com a mentoria é de poder ajudar a empresa com seu conhecimento e, ainda, poder desenvolver ótimas parcerias.

Já Mota também tem excelentes expectativas: “Espero que, com os conhecimentos adquiridos no programa, eu possa, no futuro, obter novas oportunidades profissionais, cargos de liderança e chefia, capacidade de adequação às adversidades e, principalmente, continuar a evoluir como pessoa, sempre buscando ser melhor hoje em comparação a ontem”.

Para Pazim, o programa Premium, do qual ele faz parte, ainda está no seu início, na fase de amadurecimento. “Creio ainda ser cedo para fazer avaliações, mas com relação à organização e energia de seus participantes, posso dizer que este projeto tem tudo para ser um grande sucesso e ser espelho para tantos outros”.

UM GRANDE DESAFIO

Segundo a autora do projeto, Daniela, esses programas de mentoria são conceitualmente novos e esse é o grande desafio! “Eu convido os profissionais a conhecer o conceito. Tenho certeza de que, juntos, iremos alcançar resultados muito relevantes e consistentes. Além disso, iremos aprimorar os negócios, pois nosso propósito é ajudá-los a encontrar um caminho promissor e de sucesso em suas áreas”.

O programa Premium tem seu primeiro encontro presencial agendado para 9 de junho de 2018, ocasião em que a MD lançará sua segunda edição da Revista Digital QV. A primeira edição foi um sucesso e pode ser consultada no site da MD Consultoria.

O programa Premium já está lotado, mas ainda há algumas vagas para o plano Platinum. “Para quem deseja um upgrade na carreira, a mentoria é um caminho viável e produtivo”, finaliza Daniela.

 

P&G COMPRA MERCK POR 3,4 BILHÕES DE EUROS

P&G COMPRA MERCK

Com o  objetivo de ampliar o seu setor de saúde de consumidores, adquirindo um portfólio de rápido crescimento de marcas diferenciadas, a empresa Procter & Gamble (P&G) anunciou hoje (23/04) que assinou um acordo para adquirir o setor de Saúde dos Consumidores da Merck KGaA de Darmstadt, Alemanha, por um preço de compra de cerca de 3,4 bilhões de euros.

Desse modo, a P&G irá fortalecer suas capacidades comerciais e de prestação de serviços de saúde, seus conhecimentos tecnológicos e a liderança comprovada de cuidados da saúde, complementando as capacidades da empresa, bem como suas marcas, como Vicks, Metamucil, Pepto-Bismol, Crest e Oral-B.

“Ficamos muito satisfeitos com o crescimento constante e amplo do mercado de cuidados da saúde de OTC e, portanto, temos o prazer de adicionar o portfólio de Saúde dos Consumidores e o pessoal da Merck KGaA à família P&G”, disse o dirigente do Conselho, presidente e diretor Executivo, David Taylor.

A aquisição do setor de Saúde dos Consumidores da Merck KGaA pela P&G irá melhorar a abrangência geográfica de OTC da empresa, seu portfólio de marcas e seu nível de categoria na maioria dos 15 principais mercados OTC do mundo. Estas marcas oferecem excelentes soluções para aliviar dores musculares, em articulações e nas costas, resfriados e dores de cabeça, além de apoiar a atividade física e a mobilidade, muitas das quais são áreas de tratamento não abordadas atualmente no portfólio da P&G.

“Nos últimos anos, nosso negócio de cuidados da saúde gerou um crescimento consistente, agregando valor aos acionistas”, disse o presidente do Grupo Global Health Care, Steve Bishop. “O setor de Saúde dos Consumidores da Merck KGaA abrange um grande conjunto de marcas, produtos e capacidades, fornecendo uma cobertura atrativa e complementar que impulsiona ainda mais o crescimento à medida que continuamos a promover nossas marcas de liderança existentes”.

ENTRA MERCK SAI TEVA

A aquisição desse setor substitui e agrega à joint venture PGT Healthcare que a P&G possui com as indústrias farmacêuticas Teva, com encerramento previsto para 1º de julho de 2018, dependendo de aprovações regulatórias.

A joint venture PGT Healthcare proporcionou um crescimento desproporcional de resultados de primeira linha e estabeleceu uma maior presença em mais de 50 países desde sua formação. No entanto, após uma revisão recente, a Teva e a P&G concluíram que as prioridades e as estratégias não estavam mais alinhadas e concordaram com o fato de que seria de benefício para ambas as partes encerrar a parceria. Os ativos de produtos da PGT retornarão às suas respetivas empresas matriz a fim restabelecer negócios independentes de OTC.

O setor de Saúde dos Consumidores da Merck, avaliado em 1 bilhão de dólares, registrou um crescimento de 6% nos últimos dois anos e fornece uma ampla linha de medicamentos de produtos de OTC, cujas principais marcas incluem, entre outras, Neurobion, Dolo-Neurobion, Femibion, Nasivin, Bion3, Seven Seas e Kytta. As marcas citadas são vendidas principalmente na Europa, América Latina e Ásia.

“Essas marcas de liderança e o excelente pessoal do setor de Saúde dos Consumidores da Merck irão complementar muito bem nosso setor de Cuidados da Saúde Pessoal”, disse o presidente da P&G Global Personal Health Care, Tom Finn. “Essa aquisição nos ajuda a continuar impulsionando as vendas e o crescimento de lucros para a P&G, fornecendo capacidades e o nível de portfólio que precisamos para operar com sucesso um negócio global de OTC por conta própria, sem a ajuda de uma parceria de saúde”.

“O desinvestimento do nosso setor de Saúde dos Consumidores é um passo importante no nosso foco estratégico em negócios dedicados à inovação nos setores de Saúde, Ciências da Vida e Materiais de Desempenho. É uma demonstração clara do nosso compromisso contínuo de moldar ativamente nosso portfólio como uma empresa líder no campo da ciência e da tecnologia” disse , Presidente do Conselho Executivo e Diretor Executivo da Merck, Stefan Oschmann. “A Saúde dos Consumidores é um grande negócio que merece as melhores oportunidades possíveis para seu futuro desenvolvimento. Com a P&G encontramos um agente forte e altamente reconhecido que possui o nível necessário para conduzir com sucesso o negócio daqui para frente”.

“A cobertura global da P&G e seu interesse estratégico na saúde e bem-estar dos consumidores fornecem uma excelente base para acelerar o crescimento, alavancando as capacidades de nossas equipes e expandindo os setores de Saúde dos Consumidores com lucratividade. Os portfólios comercializados, as ofertas de produtos e a presença geográfica de ambas as empresas se complementam com perfeição”, disse a membro do Conselho Executivo da Merck KGaA de Darmstadt, Alemanha, e diretora Executiva de Cuidados da Saúde, Belén Garijo. “Com esta transação, continuamos a cumprir rigorosamente nossa estratégia para nos tornar uma empresa inovadora global e proporcionar medicamentos inovadores aos pacientes”.

O setor de Saúde dos Consumidores da Merck  atua em 44 países e inclui mais de 900 produtos. A P&G pretende fechar este acordo durante o exercício 2018/19, sujeito às condições habituais de fechamento e autorizações regulatórias.

 

MAIS DE 44 MIL EMPREGOS FORAM CRIADOS NA SAÚDE EM 2017

No acumulado de janeiro a dezembro de 2017, houve criação de 44.505 postos de trabalho nas atividades do setor de hospitais, clínicas, laboratórios e demais estabelecimentos de serviços privados de saúde no país, totalizando o contingente de 2.144.481 trabalhadores.

Entre as atividades, destaca-se a criação de 18.612 vagas no Atendimento Hospitalar e também a geração de 7.494 vagas na atividade Médica ambulatorial. Por outro lado, a atividade de Serviço móvel de urgência gerou um saldo de 1.007 demissões.

O Estado de São Paulo representa 33% do emprego no setor de todo o Brasil e emprega 712.052 trabalhadores, tendo gerado 15.152 vagas no ano passado, com destaque para a criação de 7.357 postos na atividade de Atendimento Hospitalar.

Dados integram o Boletim Econômico da FEHOESP, lançado no final de março de 2018, e que oferece importantes dados do setor saúde a partir de estatísticas do SUS, Ministério do Trabalho, IBGE, ANS e outras fontes de dados econômicos oficiais.

O Boletim Econômico contém tabelas infográficas e textos explicativos em linguagem simples, de fácil entendimento mesmo para os que não são especializados em economia. E será atualizado periodicamente.

Segundo o presidente da FEHOESP- Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo, Yussif Ali Mere Jr. o Boletim Econômico da FEHOESP será uma importante fonte de consulta e informação para os gestores dos serviços de saúde e para a imprensa.

Cresce serviço de home care no País

O número de estabelecimentos de saúde no país teve um crescimento de 4,8% em dezembro de 2017 em comparação a dezembro de 2016. Destaca-se no período em questão o crescimento de 34% no número de unidades de atenção em Home Care.

No estado de São Paulo, o número de estabelecimentos de saúde cresceu 5,1% no ano de 2017 em relação a 2016 com destaque para as unidades de atenção em Home Care com aumento de 19,2% das clínicas e laboratórios especializados que tiveram incremento de 10,2%.

Apesar do crescimento do nível de emprego e de serviços de saúde no Brasil, o presidente da FEHOESP, Yussif Ali Mere Jr, destaca que esses números ainda são muito tímidos. “Não podemos falar em crescimento do setor. Há 3 anos, o segmento saúde criava 45 mil empregos em apenas 30 dias, portanto, esses números apontam para uma lenta e pequena recuperação da crise econômica, que também afetou o segmento saúde. Este ano esperamos uma recuperação mais expressiva”, avalia o médico.

Segundo Mere, o único segmento que teve crescimento expressivo foi o de serviços de Home Care. E o desenvolvimento das empresas de home care está diretamente ligado ao processo de envelhecimento da população brasileira. “Reflete a necessidade de uma assistência menos onerosa e com maior resolutividade. A desospitalização, nesses casos, é uma realidade”, avalia ele.

Documento da OMS-Organização Mundial da Saúde indica que o Brasil está envelhecendo acima da média mundial. Enquanto a quantidade de idosos vai duplicar no mundo até o ano de 2050, ela quase triplicará no país. Serão 64 milhões de pessoas acima dos 60 anos equivalendo a 30% da população brasileira. Atualmente os idosos representam 12,5% da população.


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