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TABELINHA VOLTA EM FORMA DE APLICATIVO

POR EGLE LEONARDI  

Você já deparou uma mulher no balcão de sua farmácia – ou seu consultório farmacêutico – solicitando orientações para uma tabelinha para não engravidar? Possivelmente sua resposta será positiva. O fato é que esse método contraceptivo é considerado o mais antigo da história (antecessor ao preservativo e à pílula anticoncepcional). E ele volta à tona com uma roupagem extremamente moderna, desta vez na palma da mão, no smartphone.

Há diversos aplicativos (app) cujo objetivo é controlar os períodos menstruais e servir como um contraceptivo digital (ou um planejamento para a gravidez). Alguns exemplos são o Sai Cólica, Clue, Maia, Glow, Flo, Period Tracker, Kindara e Eve. Eles oferecem serviços como calendários de ciclos menstruais ou notificações automáticas para tomar medicamentos contraceptivos.

“Eu vejo os aplicativos como uma boa opção. É como se fosse uma tabelinha aperfeiçoada que oferece um calendário menstrual para ajudar no controle do ciclo e não deixar a mulher se esquecer de tomar a pílula. Além disso, alguns app emitem notificações para lembrar o período fértil e quando a menstruação está por vir. Mas lembro que eles não funcionam como contraceptivos”, defende o ginecologista e obstetra, Domingos Mantelli, autor do livro Gestação: Mitos e Verdades Sob o Olhar do Obstetra.

A novidade é que, pela primeira vez, o FDA (agência reguladora de medicamentos e alimentos americana) concedeu autorização para uso do Natural Cycles (Ciclos Naturais – um aplicativo de celular sueco que diz prevenir a gravidez), passando a reconhecer um aplicativo como método contraceptivo.

É uma boa notícia para os players que atuam no segmento femtech, que promovem tecnologias direcionadas para a saúde feminina, e que já movimentou cerca de US$ 1 bilhão desde 2017.

Qual a novidade nisso? Nenhuma, em termos tecnológicos. O fato inusitado, e que está causando polêmica nas terras do Tio Sam, é que o FDA tenha endossado esse método e, a partir disso, tenha começado a surgir denúncias de casos de gravidez por pessoas que estavam usando a tecnologia.

O aplicativo sueco, que custa US$ 79,99 (cerca de R$ 300,00) ao ano usa um termômetro basal de duas casas decimais – que deve ser introduzido na boca ou na vagina para medir a temperatura da mulher quando ela acorda. A ideia é que, se o app indicar que a temperatura da mulher está no seu período fértil, ela não tenha relações sexuais.

“Esse aplicativo usa o método da temperatura basal, em que partimos do princípio que no pico de aumento da temperatura seria o período da ovulação e, consequentemente, deveria ser evitada a relação sexual desprotegida. Funciona, porém não é 100% seguro”, alerta Mantelli.

Até o momento, nenhum dos outros aplicativos no segmento conseguiu o endosso por agências de saúde que o Natural Cycles obteve. Em 2017, o app sueco já havia sido aprovado como dispositivo médico pela União Europeia.

Produtor do app se defende

De acordo com a Natural Cycles, o aplicativo conta com mais de 900 mil usuários em todo o mundo e, como é baseada no ciclo menstrual e na temperatura corporal, a técnica é comum entre mulheres que evitam métodos contraceptivos hormonais, como a pílula, o DIU ou o anel vaginal. Estudos clínicos realizados pela empresa para avaliar a eficácia do app contaram com mais de 15,5 mil mulheres que usaram o aplicativo por um período de oito meses.

Os resultados indicam que apenas 1,8% das mulheres que usaram o aplicativo de forma correta ficaram grávidas. Os estudos apontaram ainda que 6,5% das mulheres que ficaram grávidas não usaram o aplicativo de forma correta – tendo relações sem proteção em dias férteis. Ainda assim, a taxa de fracasso do aplicativo é considerada baixa.

Pouco antes de ser aprovado nos Estados Unidos, a Advertising Standards Authority (ASA), organização que regula a indústria publicitária no Reino Unido, lançou uma investigação sobre o marketing do produto após receber denúncia de mulheres que ficaram grávidas enquanto estavam usando o app Natural Cycles, em 2017.

O app foi investigado pela Agência de Produtos Médicos da Suécia por relatos de outras 37 mulheres que eram usuárias dele, mas que tiveram de fazer aborto porque o método de controle havia falhado. A Natural Cycles informou ter conhecimento das acusações, mas disse que esse número estava alinhado com as expectativas da companhia.

Segundo o Portal da Bayer, entre o os métodos anticoncepcionais não hormonais, a tabelinha é considerada pouco eficiente, com índice de falha 10% a 20% (amargando resultados ruins ao lado dos espermaticidas, com falha 20%; muco cervical, com falha de 10% a 20%; e do coito interrompido, com falha de 15% a 20%.

Essas estatísticas mostram apenas incidências…porém, do ponto de vista de uma mulher que não quer ou não pode engravidar, isso é uma tragédia, independentemente dos números serem considerados baixos ou não.

Lado bom

Frente a essa polêmica do aplicativo, o ginecologista Mantelli foi questionado se esse método pelo aplicativo do cálculo das chamadas janelas de ovulação, embora fosse uma ideia inovadora, não seria baseada em um conceito já ultrapassado. Ele respondeu que não: “Não diria ultrapassado, mas um conceito já conhecido e muito usado. A diferença é que o controle se tornou digital, facilitando o acesso às informações”.

O fato é que esse tipo de contraceptivo digital é um dos produtos que mais cresce nesse segmento. “Acredito que, no futuro, teremos cada vez mais usabilidade para os métodos não hormonais e mais naturais, principalmente com controle digital, facilitando o uso e a pesquisa das informações referentes ao ciclo menstrual da mulher”, afirma o médico, que acredita que esse seria apenas mais uma alternativa contraceptiva não hormonal, na busca por métodos mais naturais de prevenir gestação. No entanto, o preservativo masculino ainda é o campeão de uso, com 90 milhões de usuários.

Regulamentação no Brasil

Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) diz que o aplicativo Natural Cycles, indicado como método contraceptivo, é considerado produto para a saúde e está passível de regularização junto à entidade, conforme disposições das resoluções RDC 185/01 e RDC 40/15.

Para a regularização desse dispositivo é necessária a apresentação dos estudos clínicos que comprovam a segurança e a eficácia conforme disposições das resoluções RDC 56/01 e RDC 10/15. Entretanto, a Anvisa afirma que não localizou o registro de um aplicativo com nome Natural Cycles no Brasil.

De acordo com o Portal da Bayer, a possibilidade de uma gravidez na mulher sexualmente ativa é de aproximadamente 85% ao ano (sem uso de contraceptivo). As novas tecnologias destinadas à saúde têm crescido de forma rápida nos últimos anos, a ponto de fomentar um mercado que movimentará US$ 50 bilhões em menos de dez anos. Os aplicativos que prometem ajudar a prevenir a gravidez engrossam esses números.

Essa indústria farmacêutica também entrou na era digital, embora tenha um portfólio físico parrudo com produtos destinados à saúde da mulher. A Bayer lançou, recentemente, o Yaz Flex, o primeiro contraceptivo oral de baixa dose com o ciclo flexível, que permite à mulher escolher quando menstruar.

Esse produto também já vislumbra a era digital e oferece um aplicativo que auxilia na tomada da pílula e informa sobre o que fazer em casos de esquecimento. “É comum surgirem dúvidas: se é preciso, por exemplo, tomar uma ou duas pílulas no próximo dia, ou se a camisinha deve ser usada ou não. Assim, o app contribui com uma maior segurança no dia a dia da mulher”, conclui o gerente de produtos da Bayer Pharma Brasil, Cleidson Marques.

 

BANCO GENÉTICO REVOLUCIONA NOVOS MEDICAMENTOS

Você conseguiria conceber o tamanho do benefício que a humanidade pode conquistar com a união de um banco de dados genéticos – com informações de cinco milhões de pessoas – a um conhecimento médico, farmacêutico e científico? Pois saiba que isso já existe e promete contribuir com a descoberta da cura de doenças raras e de novos tratamentos e medicamentos, inclusive para o câncer.

Os protagonistas iniciais desse projeto são a GSK – indústria farmacêutica mundial (com unidades fabris também no Brasil) – e a 23andMe – empresa americana de testes genéticos, líder em pesquisa e genética de consumo. As duas gigantes anunciaram, em julho de 2018, um acordo de colaboração exclusiva de quatros anos, cujo foco será a pesquisa e o desenvolvimento de medicamentos inovadores e potenciais curas, usando a genética humana.

Essa colaboração só é possível porque reúne a capacidade da 23andMe em disponibilizar  recursos genéticos de grande escala e capacidades avançadas em ciências de dados com o conhecimento médico, farmacêutico  e científico  da GSK.

O objetivo da colaboração é reunir dados inéditos de massa e, com isso, descobrir novos alvos terapêuticos para o avanço da cura de doenças e desenvolver tratamentos para condições graves não atendidas pelo conhecimento atual.

Em sua trajetória, o laboratório já ostenta expressiva capacidade de descoberta e desenvolvimento de medicamentos em uma grande variedade de doenças e modalidades. Isso inclui terapias de pequenas moléculas, biofarmacêutica, além de celular e genética.

Assim, a GSK pretende utilizar suas tecnologias difundidas mundialmente – o que inclui acesso a fontes de dados adicionais, validação local de alvos e experiência em genética – e aplicá-las a suas operações comerciais e de fabricação. Dessa forma, poderá prestar suporte a atividades de parceiros durante a pesquisa e desenvolvimento.

“Estamos entusiasmados com essa colaboração única, já que sabemos que alvos terapêuticos com validação genética apresentam uma chance significativamente maior de demonstrar benefícios para os pacientes e de se tornar medicamentos”, destacou o médico, diretor Científico e presidente da área de P&D da GSK, Hal Barron.

Ele complementou: “A parceria com a 23andMe – uma organização cuja visão e capacidades estão transformando a compreensão de como os genes influenciam a saúde – ajudará a mudar nossa organização de pesquisa e desenvolvimento para ser movida pela genética e aumentará o impacto que a GSK pode ter nos pacientes”.

Um problema enfrentado pelo setor é que apenas 10% dos medicamentos destacados para a realização dos testes iniciais chegam aos pacientes, segundo Barron. O custo médio de levar um novo medicamento ao mercado subiu para quase US$ 2 bilhões em 2017, ao mesmo tempo em que os laboratórios perceberam uma forte queda dos retornos sobre o investimento em pesquisa e desenvolvimento.

“A ideia de escolher medicamentos potenciais que foram validados geneticamente nos dá a chance de ter uma probabilidade de sucesso muito maior”, ressaltou o executivo. “Além do mais, vamos conseguir fazer programas mais rapidamente. Então, isso nos ajudará com dois dos maiores desafios enfrentados por nosso setor”.

BANCO DE DADOS GENÉTICOS

Para entender um pouco melhor o negócio da 23andMe, vale citar que a empresa tem mais de cinco milhões de clientes. Ela oferece a eles a oportunidade de aprender mais sobre seu perfil genético, podendo conhecer suas origens e raízes genéticas de forma acessível e fácil, ou seja, o mais barato custa US$ 70, ou R$ 225,00, e pode ser realizado por meio da introdução de saliva em um tubo.

Esses clientes têm o direito de decidir se suas informações serão ou não compartilhadas na pesquisa. A boa notícia é que 80% dos clientes já liberaram seus dados para o projeto. Assim, suas informações integrarão um banco único e dinâmico, configurado como o maior recurso genético e fenotípico do mundo.

A CEO e fundadora da 23andMe, Anne Wojcicki, ressaltou: “Essa colaboração nos permitirá entregar o que muitos clientes estão pedindo – curas ou tratamentos para doenças”. Ela celebrou a potencialização das informações genéticas e fenotípicas fornecidas com autorização dos clientes da 23andMe e sua combinação com a experiência e recursos em descoberta de medicamentos da GSK. “Assim, acreditamos que podemos transformar em realidade a cura e o tratamento de doenças de forma cada vez mais rápida”, comemorou.

A 23andMe, cuja missão é ajudar as pessoas a acessar, entender e se beneficiar do genoma humano,  foi nomeada pela MIT Technology Review em sua lista das 50 Empresas Mais Inteligentes de 2017. Ela apareceu como 2ª Empresa de Saúde Mais Inovadora pela Fast Company, em 2018.

BENEFÍCIOS DO ACORDO

Traduzir dados genéticos e fenotípicos em atividades de pesquisa e desenvolvimento é a meta dessa união da GSK com a 23andMe. Seus esforços se concentrarão em:

1 – Melhorar a seleção de alvos para permitir a descoberta de medicamentos mais específicos e mais seguros – Os dados genéticos podem aprimorar significativamente a compreensão de doenças, seus percursos e mecanismos, apoiando a concepção e o desenvolvimento de medicamentos mais específicos. O uso de dados genéticos na seleção de alvos terapêuticos pode melhorar a probabilidade de sucesso em uma indicação específica e evitar riscos de segurança indesejados.

2 – Apoiar a identificação de subgrupos de pacientes com maior probabilidade de resposta aos tratamentos – A escala é essencial para a detecção de efeitos genéticos em subconjuntos menores de doenças e pacientes. Com mais de 80% da base de clientes da 23andMe já tendo concordado com a participação na pesquisa, seus dados agregados e descaracterizados podem ajudar na descoberta de um número significativo de novas associações, a partir de uma gama diversificada de pessoas, que não seria possível de outro modo.

3 – Permitir a identificação e o recrutamento mais eficientes de pacientes para estudos clínicos – A capacidade de identificar e convidar pacientes com uma determinada doença para a participação em estudos que são relevantes a eles (e, em alguns casos, de subgrupos genéticos específicos) pode encurtar o recrutamento de forma significativa e reduzir os prazos de desenvolvimento clínico. Isso permite que os medicamentos sejam entregues aos pacientes com mais eficiência.

COLABORAÇÃO INÉDITA

O prazo do acordo de colaboração entre a GSK e a 23andMe é de quatro anos, com a opção de prorrogação por mais um ano, período em que a GSK será colaboradora exclusiva da 23andMe para programas de descoberta de alvos terapêuticos.

Nesse percurso, as empresas usarão o banco de dados da 23andMe e suas análises estatísticas exclusivas. A expectativa é descobrir, em conjunto, alvos inéditos que podem progredir para o desenvolvimento de novos medicamentos.

A intenção é que o projeto se inicie imediatamente. Para isso, o acordo prevê que as empresas tragam para a colaboração programas já existentes em estágio inicial.

A 23andMe possui atualmente um portfólio contendo grande variedade de indicações de doença, que serão avaliados para inclusão no programa. Já a GSK contribuirá com seu inibidor LRRK2, que está atualmente em desenvolvimento pré-clínico como um tratamento potencial para a doença de Parkinson.

São esperados avanços significativos desse programa por meio da potencialização da grande base de clientes autorizados da 23andMe, que estão cientes da sua situação da variante de LRRK2 como resultado dos relatórios de saúde genética da 23andMe, autorizados pela FDA. Juntas, a GSK e a 23andMe devem selecionar com mais eficácia e recrutar mais rapidamente pacientes com mutações definidas de LRRK2 para obter a prova de conceito do estudo clínico.

Pelo acordo, as atividades serão financiadas igualmente pelas empresas. Tanto a GSK quanto a 23andMe dividirão os lucros dos novos tratamentos e medicamentos resultantes da colaboração. Vale ressaltar que a GSK fez um investimento em ações no valor de US$300 milhões na 23andMe.

A expectativa é que o projeto gere um número considerável de programas por ano, sendo que cada empresa pode desenvolver de maneira independente alvos adicionais identificados dentro da colaboração.

A GSK também terá o direito de trabalhar com a 23andMe para analisar seu banco de dados para validação do portfólio terapêutico já existente no laboratório, bem como potencializar as capacidades da 23andMe para o recrutamento em estudos clínicos.

DADOS PROTEGIDOS

A participação na pesquisa da 23andMe é voluntária e os clientes têm o direito de controlar seus dados. Para dar mais segurança aos participantes, suas informações são descaracterizadas, de forma que nenhuma pessoa pode ser identificada.

A proteção contínua dos dados e da privacidade dos clientes é prioridade para as duas empresas, que contam com proteções de segurança rígidas em vigor quando se trata de coletar, armazenar e transferir informações sobre participantes da pesquisa. A 23andMe declara que já emprega medidas de segurança física, de hardware e software para proteger os computadores onde os dados são armazenados e as informações só são transferidas com uso de criptografia para oferecer segurança máxima.

Outro objetivo importante é garantir um envolvimento contínuo mais amplo na comunidade científica. Por isso, a GSK e a 23andMe pretendem publicar os resultados da pesquisa conduzida dentro da colaboração, para permitir que os conhecimentos sejam usados para guiar pesquisas futuras.

Além disso, a GSK também anunciou um programa de reestruturação interna que custará cerca de US$ 2,2 bilhões até 2021. Com isso, o laboratório projeta uma economia anual de 400 milhões de libras US$ 520 milhões nesse período, que será reinvestida em pesquisa e desenvolvimento e no apoio comercial de novos produtos.

Publicado no Portal do ICTQ

SUPERBACTÉRIAS VERSUS ANTIBIÓTICOS: QUEM VENCE ESSA GUERRA?

SUPERBACTÉRIAS VERSUS ANTIBIÓTICOS: QUEM VENCE ESSA GUERRA?

POR EGLE LEONARDI

Pode parecer um movimento lento...quase inexistente... mas a verdade é que neste ano, pelo menos, dois novos antibióticos entraram no mercado nacional, com a promessa de combater as superbactérias, como o Torgena (Pfizer) e o Zerbaxa (MSD).

Há também aquelas notícias inusitadas que fazem a maioria duvidar, como a publicada na BBC Brasil, sobre uma pesquisa da Rockefeller University, em Nova Iorque (Estados Unidos), que descobriu na poeira uma nova família de antibióticos com potencial para combater infecções difíceis de tratar. Os testes indicaram que os compostos naturais, chamados de malacidinas, foram capazes de debelar uma série de doenças bacterianas que se tornaram resistentes à maioria dos antibióticos, entre elas a superbactéria MRSA (Staphylococcus aureus).

Contrariando aqueles que dizem haver um apagão no lançamento de antibióticos, o principal problema mundial envolvendo essa classe de medicamentos não é propriamente a falta de novos produtos, mas seu consumo irracional e desnecessário.

Importante dizer que a resistência bacteriana pode ser considerada uma das principais ameaças à saúde mundial. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, a partir de 2050, mais de 10 milhões de pessoas morrerão por ano por conta de bactérias resistentes aos antibióticos atuais, superando o número anual de óbitos por câncer, que chega a 8,2 milhões.

Nota assinada pela OMS, em conjunto com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAH) revelou altos níveis de resistência bacteriana, tanto em países subdesenvolvidos como nos desenvolvidos.

Segundo o Global Antimicrobial Surveillance System (GLASS), o acometimento generalizado de resistência aos antibióticos ocorre em 500 mil pessoas com suspeita de infecção bacteriana em 22 países. Foram relatadas, de forma mais recorrente, as bactérias resistentes Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus aureus e Streptococcus pneumoniae, seguidas da Salmonella spp.

A indústria está focada, mas nem tanto

De acordo com o presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini, há, sim, muito interesse da indústria farmacêutica no desenvolvimento de novos antibióticos: “E a razão é a emergência das chamadas superbactérias, resistentes aos antibióticos comuns, que a OMS considera uma das maiores ameaças à saúde humana”.

Ele acredita que, por conta disso, os institutos de pesquisa e laboratórios farmacêuticos de todo o mundo correm contra o tempo para desenvolver novas classes de antibióticos. “A questão é que esta é uma tarefa complexa, demorada e cara”, dispara o executivo. O fato é que está mais difícil, e cada vez mais dispendioso, o desenvolvimento de novos medicamentos por causa do relativo esgotamento de opções de princípios ativos com potencial curativo, obtidos por meio de pesquisa.

Já quem trabalha com os antibióticos no dia a dia tem opinião diferente: “Este ano tivemos alguns lançamentos, mas os lançamentos tem sido raros, pois poucos laboratórios se interessam por esses produtos (antibióticos), já que existe um grande risco de se tornarem obsoletos em curto espaço de tempo devido à resistência”, afirma o responsável farmacêutico do Hospital da Polícia Militar, professor de pós-graduação e diretor da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (Sbrafh), Marcelo Polacow.

Antibióticos novos

O mais recente antibiótico aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o Torgena, da Pfizer, publicado em 25 de junho, no Diário Oficial da União.

O medicamento é específico para o combate de bactérias resistentes, incluindo a superbactéria Klebsiella pneumoniae, produtora de carbapenemase (KPC), que expressa resistência a aproximadamente 95% dos antimicrobianos existentes no mercado.

Além disso, Torgena combate outros dois agentes considerados críticos para a saúde pública pela OMS: a Pseudomonas aeruginosa e as bactérias que expressam outro mecanismo de resistência a antibióticos, as enterobactérias produtoras de ESBL (β-lactamases de espectro estendido). A molécula considerada inovadora é uma combinação do antibiótico ceftazidima com o avibactam.

"As bactérias têm evoluído e se tornado cada vez mais resistentes às opções terapêuticas existentes. Por isso, a importância do desenvolvimento de novos antibióticos. O lançamento do Torgena é um importante marco na luta contra a resistência bacteriana, principalmente contra a KPC", destaca o diretor médico da Pfizer Brasil, Eurico Correia.

Em desenvolvimento, o laboratório mantém também outros dois antibióticos com moléculas associadas ao avibactam, com foco no combate à resistência bacteriana.

Outro antibiótico disponibilizado no Brasil neste ano (maio) é destinado ao tratamento de infecções causadas por bactérias resistentes, como a Pseudomonas aeruginosa - uma das três bactérias mais resistentes, destacadas pela OMS.

Com o nome comercial de Zerbaxa, o ceftolozana-tazobactam foi desenvolvido pela indústria farmacêutica MSD e é de uso hospitalar para tratar pacientes com infecções intra-abdominais e infecções do trato urinário, ambas de maior complexidade.

De acordo com estudos clínicos, o novo antibiótico demonstrou 87% de eficácia no tratamento de infecções intra-abdominais quando comparado ao tratamento padrão com meropeném (83%). Já para o tratamento de infecções do trato urinário causadas pelas P. aeruginosa, os números foram ainda mais expressivos, com aproveitamento de 75%, se comparados aos do levofloxacino (47%), que é um dos tratamentos contra esse tipo de infecção.

“Hoje em dia, ainda há uso de antibióticos de forma indiscriminada na medicina e veterinária, além da pecuária e agricultura. Isso resulta em uma importante pressão seletiva de bactérias. Ceftolozana-tazobactam é uma arma importante que está chegando ao mercado para auxiliar os médicos nessa luta, pois ainda perdemos pacientes com infecções por bactérias multirresistentes”, explica a infectologista na Universidade de Caxias do Sul, Lessandra Michelin, que é mestre e doutora em Biotecnologia e Vacinologia pela Université de Genève.

Bem, quanto ao antibiótico encontrado na poeira, pode parecer exagero, mas foi empregada uma técnica inovadora para sequenciar os genes de micróbios que vivem no solo. Assim, os pesquisadores anunciaram, em março deste ano, que encontraram uma nova classe de antibióticos poderosos, as malacidinas, que são eficazes em debelar bactérias multirresistentes.

Em testes em laboratório e em animais, as malacidinas eliminaram muitas infecções, incluindo algumas que se tornaram resistentes aos antibióticos tradicionais. Além disso, as bactérias infecciosas expostas às malacidinas não desenvolveram resistência aos novos antibióticos em experimentos laboratoriais de longa duração. Os resultados foram publicados na revista Nature Microbiology.

O chefe do Laboratory of Genetically Encoded Small Molecules, da Universidade de Rockefeller (onde a pesquisa foi conduzida), Sean F. Brady, diz que serão necessários anos de pesquisas adicionais antes que as malacidinas possam estar prontas para testes clínicos em humanos. Ainda assim, a descoberta poderá ajudar a enfrentar uma crise de saúde pública, à medida que os antibióticos existentes perdem cada vez mais sua eficácia contra microrganismos que causam infecções perigosas.

É preciso agir

Mussolini, do Sindusfarma, acredita que o principal problema mundial envolvendo antibióticos não é a falta de medicamentos adequados, mas seu consumo irracional e desnecessário. “Segundo estudos internacionais recentes, é esse consumo excessivo de antibióticos que tem provocado o aumento da resistência bacteriana, foco da preocupação de médicos e autoridades sanitárias, por representar uma real ameaça à saúde pública”, evidencia ele.

A solução passa por medidas de educação e controle, como a adotada no Brasil, de dispensar antibióticos somente mediante a apresentação de receita médica. “Nos fóruns de que participa, o Sindusfarma transmite e reitera a mensagem de que o consumo correto e racional de qualquer medicamento será sempre fruto de um enforcement coletivo, do compartilhamento amplo de informações e orientações precisas e da supervisão e fiscalização permanentes envolvendo todos os elos dessa cadeia: órgãos reguladores, médicos, profissionais de saúde, hospitais, população, indústria, varejo, centros de vigilância sanitária etc.”, avalia o presidente da entidade.

Para Polacow, os dados são alarmantes e a população corre o risco de entrar novamente numa era antes dos antibióticos, ou seja, haverá um nível de resistência tão alto que a maioria das infecções pode ficar sem tratamento disponível. “De acordo com algumas projeções apresentadas pelo assessor científico da BD, Patrick Murray, em evento realizado em agosto de 2018, em São Paulo (SP), morrerão mais pessoas de doenças infectocontagiosas em 2050 do que de doenças cardiovasculares e câncer, se nada for feito até lá”, prevê o farmacêutico.

A solução é complexa e envolve desde a mudança de atitude de prescritores e dispensadores com a utilização de boas práticas de prescrição e dispensação, passando pelas ações governamentais que garantam políticas de uso racional de antibióticos.

“Outro ponto importante são os dados laboratoriais de microbiologia clínica que necessitam ser aprimorados e automatizados, sempre que possível, para apresentarem dados confiáveis de perfil de identificação, resistência e sensibilidade dos microrganismos frente aos antibióticos disponíveis”, alerta Polacow.

A Anvisa disponibilizou, no ano passado, o Plano de Ação da Vigilância Sanitária em Resistência aos Antimicrobianos, que demarca o papel da vigilância sanitária nos esforços brasileiros de enfrentamento à resistência aos antimicrobianos.

No documento há estratégias de diferentes campos da vigilância sanitária, como alimentos, serviços de saúde, laboratórios, entre outros. Seguindo recomendações da OMS, a iniciativa oferece um plano estratégico e um plano operacional.

No plano estratégico, encontram-se os objetivos principais, as intervenções estratégicas e as atividades que contribuirão para a prevenção e o controle da resistência aos antimicrobianos. O plano operacional apresenta lista com as atividades secundárias a serem implementadas dentro do que foi estabelecido no plano estratégico e fornece informações detalhadas, especificando resultados esperados, quantidade ou frequência da execução, prazos, responsáveis pela execução, atores envolvidos, custos estimados e fonte de financiamento.

Além disso, outros órgãos ligados à saúde também estão se envolvendo na questão, como o Conselho Federal de Farmácia (CFF), que estruturou recentemente um Grupo de Trabalho para discutir ações em âmbito nacional, coordenado pela farmacêutica e professora, Adryella Luz.

Mundialmente, frente à necessidade de um sistema de vigilância global, a OMS disponibilizou, em outubro de 2015, o Global Antimicrobial Resistance Surveillance System (GLASS), para apoiar o plano de ação global sobre resistência antimicrobiana. O objetivo é fortalecer a base de evidências sobre a resistência e ajudar a tomada de decisões na condução de ações nacionais, regionais e globais.

O sistema global irá, eventualmente, incorporar informações de outros sistemas de vigilância relacionados à resistência antimicrobiana nos seres humanos, como na cadeia alimentar, monitoramento do consumo de antibióticos, projetos de vigilância direcionados e outros dados relacionados.

Todos os dados produzidos pelo GLASS estão disponíveis gratuitamente online e atualizados regularmente. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ressaltou seu objetivo de tornar a resistência antimicrobiana uma das principais prioridades da OMS, reunindo especialistas e trabalhando nessa questão no âmbito de um novo conjunto de iniciativas estratégicas.

Tecnologia contra a resistência bacteriana

O Digital AMS é um aplicativo, lançado em agosto de 2018, que auxilia os profissionais de saúde a organizar e consultar dados epidemiológicos dos hospitais onde trabalham, de modo a fazer uso mais racional de antibióticos.

Qualquer hospital pode ter acesso à ferramenta, basta que faça algum tipo de controle da microbiota do hospital. Por meio do aplicativo, os profissionais podem ter uma visão organizada dos microrganismos presentes em cada ambiente da instituição, além de poderem consultar protocolos internos de modo a identificarem o antibiótico correto para cada tipo de infecção.

“O aplicativo permite ao médico consultar qual o perfil de bactérias encontrado dentro do hospital em que trabalha e identificar qual o melhor antibiótico para cada situação. Além disso, em alguns casos, o próprio aplicativo oferecerá sugestões de quais antibióticos utilizar para cada caso”, explica a diretora médica do laboratório MSD, Fabiane El-Far.

A iniciativa faz parte do programa Antimicrobial Stewardship (AMS), da MSD, e até o final de 2018 a expectativa é de que 50 hospitais, em todo o Brasil, façam uso do aplicativo. O objetivo é conscientizar profissionais de saúde e a população em geral sobre o uso racional de antibióticos.

No Brasil, esse laboratório tem promovido o programa junto aos hospitais e operadoras de saúde – tanto no sistema público quanto no privado. A ideia é munir médicos e gestores de saúde com informações a respeito da importância de mapear a resistência bacteriana presente no ambiente hospitalar para, assim, definir o melhor antibiótico para cada situação, diminuindo as chances de resistência e proliferação das chamadas superbactérias.

Essas superbactérias existem mesmo?

Dados da Anvisa apontam que cerca de 25% das infecções registradas no País são causadas por micro-organismos multirresistentes – aqueles que se tornam imunes à ação dos antibióticos. Essas são as superbactérias e, infelizmente, elas existem.

Sem antibióticos eficientes contra as superbactérias, muitos procedimentos médicos, como cirurgias e quimioterapia para pacientes com câncer, por exemplo, poderiam ser inviabilizados. “Nós utilizamos antibióticos em complicações infecciosas de diversos procedimentos hospitalares, o que possibilitou inúmeros avanços em várias áreas da saúde, incluindo os transplantes, por exemplo. Se as bactérias se tornarem resistentes aos antibióticos que temos disponíveis atualmente, poderemos voltar à era pré-antibióticos, em que um simples ferimento infectado poderia causar graves danos”, alerta o infectologista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Clóvis Arns.

"Algumas das infecções mais comuns do mundo – e potencialmente as mais perigosas – estão provando ser resistentes aos medicamentos", diz o diretor do secretariado de Resistência Antimicrobiana da OMS, Marc Sprenger. Ele acrescenta: "E o mais preocupante de tudo: os patógenos não respeitam as fronteiras nacionais. É por isso que a OMS está encorajando todos os países a criar bons sistemas de vigilância para detectar a resistência aos medicamentos e fornecer dados para este sistema global".

A resistência ocorre porque, de modo geral, algumas bactérias já são naturalmente imunes a determinados antibióticos. Outros microrganismos desenvolvem resistência porque incorporam genes de outras bactérias que se tornaram resistentes ou porque seus genes sofrem mutação.

Os genes que codificam a resistência ao medicamento podem ser passados para as gerações seguintes de bactérias ou, às vezes, até mesmo para outras espécies de bactérias. Quanto mais frequentemente são usados antibióticos, mais provável é o desenvolvimento de bactérias resistentes.

Mecanismos comuns de resistência a antibióticos

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Lista da OMS com 12 superbactérias

Conheça a lista com as principais bactérias prioritários da OMS para a pesquisa de novos antibióticos.

Prioridade 1: CRÍTICA

  • Acinetobacter baumannii, resistente à carbapenema
  • Pseudomonas aeruginosa, resistente à carbapenema
  • Enterobacteriaceae, resistente à carbapenema, produtoras de ESBL

Prioridade 2: ALTA

  • Enterococcus faecium, resistente à vancomicina
  • Staphylococcus aureus, resistente à meticilina, com sensibilidade intermediária e resistência à vancomicina
  • Helicobacter pylori, resistente à claritromicina
  • Campylobacter spp., resistente às fluoroquinolonas
  • Salmonellae, resistentes às fluoroquinolonas
  • Neisseria gonorrhoeae, resistente à cefalosporina, resistente às fluoroquinolonas

Prioridade 3: MÉDIA

  • Streptococcus pneumoniae, sem sensibilidade à penicilina
  • Haemophilus influenzae, resistente à ampicilina Shigella spp., resistente às fluoroquinolonas

Publicada no Portal do ICTQ

MENTORIA PREMIUM CONTOU COM PALESTRAS DE PROFISSIONAIS RENOMADOS

Por Egle Leonardi

O primeiro encontro presencial do programa de Mentoria Premium em Qualificação & Validação – considerado uma inovação no setor – ocorreu em 9 de junho com a presença de um grupo seleto de profissionais ligados à área. Foram mais de oito horas de palestras com profissionais renomados, além de dinâmicas, debates aprofundados sobre o tema e muito networking – fundamental para o compartilhamento de conhecimentos e experiências.

“Esses são os profissionais que fazem a diferença nessa área. Agradeço a confiança que eles têm depositado no nosso programa e tenho certeza de que estamos mapeando nossas dificuldades para, depois, agirmos no sentido de superar obstáculos e sermos referência em qualificação e validação”, comenta a idealizadora do projeto, Daniela Silva, detentora de expertise na capacitação de pessoas do segmento industrial farmacêutico, veterinário e cosmético, produtos para saúde e diretora da MD Consultoria.

O programa Premium teve início em abril e prevê 12 aulas on-line e mais um encontro presencial, que acontecerá em dezembro deste ano. Por ser mais completo e aprofundado, ele oferece uma plataforma específica, que contém um robusto acervo técnico de documentos. Faz parte das atividades do grupo o desenvolvimento de um Guia sobre Requerimentos de Qualidade de Ar Comprimido.

Vale lembrar que há, também, um programa Platinum em fase de iniciação, com aulas 100% on-line e ao vivo com Daniela Silva e outros especialistas convidados. O programa Platinum é menos robusto que o Premium. Por isso, seus participantes terão a possibilidade de se inscrever para uma nova seleção, que lhes dará direito à mentoria Premium em 2019.

O FUTURO É AGORA

Uma das palestras ministradas durante o evento foi a do CEO da T2 Software, Rodrigo Klein. Ele é especialista nos temas da Indústria 4.0 e tem vasta experiência em rastreabilidade de medicamentos.

Ele afirmou que o mundo passa pela 4ª revolução Industrial, que é exponencial e é quando se tem acesso a tecnologias que, juntas, dão a oportunidade de criar produtos que não existiam, nem mesmo na imaginação!

Apenas a título de curiosidade, a 1ª revolução é considerada a máquina a vapor (processos mecanizados). A 2ª diz respeito à produção em massa (uso de tecnologia para ganho de escala) e a 3ª se fez com a automação (eletrônica avançada e acesso a ferramentas para automatizar com o objetivo de eficiência e economia).

A grande característica da 4ª Revolução industrial (chamada Indústria 4.0) é o acesso a tecnologias de mercado e a criação de novas soluções jamais pensadas, disponível a todos. As principais ferramentas dessa era são o big data, cloud computing, inteligência artificial, internet das coisas, computação cognitiva e impressão 3D.

“Posso exemplificar desta forma: a fábrica fala com um robô cognitivo. Ele vai informando o que está acontecendo, se há algum problema, se a meta foi comprometida por conta da possibilidade de uma quebra (analisada por acontecimentos anteriores). Tudo isso feito por voz, por processamento de linguagem natural”, ressalta Klein.

ANVISA E SUAS MAZELAS

 Para participar de uma mesa redonda e um ciclo de debates sobre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Daniela Silva e os demais participantes receberam Roberto Barbirato, que trabalhou na Anvisa e atua como consultor e auditor.

Ele falou sobre vigilância sanitária e os desafios que envolvem a atividade e as dificuldades dos inspetores. Barbirato discorreu, ainda, sobre a morosidade da Agência com relação à análise de registros e os motivos pelos quais o órgão é considerado um dos mais exigentes do mundo.

“Faça corretamente na primeira vez!”. Esta foi a frase citada diversas vezes por Barbirato. “A qualificação e Validação devem se basear estritamente na legislação, pois a Anvisa pode deferir ou fazer exigências. Neste último caso, a indústria vai contar com atrasos intermináveis, que retardam todos os processos. Evitem receber exigências, façam corretamente na primeira vez”.

Barbirato afirmou que a inspeção sanitária não busca simplesmente o erro, mas a aderência à norma. Os participantes foram ativos na busca de informações e, principalmente, nas reclamações, já que são alvo constante das exigências sanitárias. Por isso, Barbirato esclareceu dúvidas e contou casos reais para exemplificar atividades incongruentes e suas consequências na indústria.

DESAFIOS DA Q&V

Os profissionais aproveitaram a oportunidade para levantar as dificuldades que encontram no dia a dia na Qualificação e Validação. Muitos obstáculos foram descritos, e serão desenhados mais profundamente durante o processo de mentoria, quando serão encontradas soluções e metodologias. Conheça algumas das dificuldades descritas:

  • Entender o real desejo do cliente;
  • Unificar sistemas para integrar processos;
  • Ter normas e diretrizes mais exatas para as novidades da área;
  • Concorrência desleal de players pouco éticos;
  • Maior interação entre as áreas, tanto dentro da indústria como entre fornecedores e as diferentes áreas da indústria;
  • Demonstrar que o trabalho de Q&V não é custo, é investimento;
  • Precificação.

A farmacêutica Comercial e Técnica no grupo Emba EPS, Renata Curatolo, declarou estar muito satisfeita com o programa e com o evento: “Um dos motivos de minha participação é adquirir e compartilhar conhecimentos, principalmente em qualificação térmica e de transportes. Quero aprender mais e me destacar no mercado”.

Já a farmacêutica analista de Assuntos Regulatórios e de Garantia da Qualidade, Karina Eliana de Souza Batista Pereira, comentou: “Tive aulas sobre qualificação de transportes e isso me encantou! Entrei no grupo para adquirir conhecimentos, o que me ajudou muito. É uma motivação muito importante que vai me ajudar a mudar de área”.

O consultor especialista Laboratorial na Siemens Healthineers, Pedro Henrique Pazim, afirmou que o programa de mentoria o ajuda a, além de absorver conhecimentos, entender melhor o negócio do cliente, embora seu foco seja automação de sistemas. “Ás vezes, quando se trabalha nos bastidores, somos desacreditados. O cliente pede suporte, mas não acredita na solução que oferecemos. Isso deve mudar”.

COMPLIANCE DESCOMPLICADO

 Com vasta experiência na condução de projetos de compliance no Brasil e no exterior, a diretora Corporativa e de Gestão Estratégica da Terceiriza Varejo,  Michelle Reis, mostrou os desafios da atividade e contou sobre a implementação de um projeto de compliance no momento da integração da Drogaria Onofre quando foi comprada pela americana CVS, respeitando os riscos regulatórios e a cultura de cada empresa.

“Vale salientar que estar em compliance é agir de acordo com a regra e estar em conformidade com as leis e regulamentos internos e externos. Serve para proteger de fraudes, como corrupção e roubo. O código de conduta de uma empresa deve estar sempre na mesa de todo profissional que atua nela”, destaca a especialista.

2ª EDIÇÃO DA REVISTA Q&V

Finalizando o evento, não poderia haver momento mais oportuno para Daniela fazer o lançamento da 2ª Edição da Revista Qualificação & Validação. A primeira foi um sucesso e levou temas fundamentais para os profissionais das indústrias life science. A edição atual está disponibilizando ao leitor artigos e entrevistas cujo foco é aprofundar o conhecimento nos temas:

  • A importância da qualificação térmica de embalagens;
  • Como realizar uma qualificação de HVAC eficaz e com qualidade;
  • Operação correta do HPLC evita prejuízos;
  • A importância da qualidade do ar comprimido e sua eficiência energética;
  • Entrevista Especial: especialistas revelam os desafios da qualificação & validação.

“Devido aos feedbacks recebidos no nossa revista digital inaugural, descobrimos que estamos no caminho certo e, por isso, iremos continuar compartilhando esta publicação, que dissemina importante conhecimento ao profissional da área”, finaliza Daniela.

GIGANTE AMERICANA – CVS – INCENTIVA PACIENTE A ECONOMIZAR COM MEDICAMENTOS EM SUAS FARMÁCIAS

 

 

 

*POR MARCELO POLACOW E EGLE LEONARDI

Parece algo impensável no Brasil! Mas o nível de amadurecimento do varejo americano está além da imaginação da maioria dos farmacêuticos brasileiros. Uma das maiores redes americana de farmácias – CVS – acaba de lançar uma ferramenta inédita que dá ao farmacêutico a possibilidade de encontrar alternativas viáveis ao tratamento de seus pacientes e que sejam as mais econômicas disponíveis para ele. Vejam que a rede não está focada apenas no aumento de seu faturamento. Isso é que faz dessa ação ser tão inusitada. Vale lembrar que no Brasil, ela é dona da rede de farmácias Onofre.

O nome da ferramenta é CVS Pharmacy Rx Savings Finder e está disponível para os 30 mil farmacêuticos da rede desde 15 de abril deste ano, portanto a informação é fresquíssima! Dessa forma, esses profissionais podem encontrar alternativas mais baratas para seus pacientes e são capazes de rever, no próprio balcão da farmácia, seu regime de prescrição, histórico de medicação e informações do plano de seguro saúde.

Essa iniciativa se deu por conta de uma pesquisa encomendada pela CVS Health à Morning Consult (2018), que descobriu que 83% dos americanos manifestaram preocupação com o impacto do aumento dos preços dos medicamentos prescritos.

“Os consumidores de hoje enfrentam preços mais altos de remédios prescritos do que nunca, e muitos deles agora pagam uma parcela maior de seus custos com remédios prescritos dos seus próprios bolsos no balcão da farmácia devido ao crescimento de planos de saúde que reembolsam menos”, afirmou o diretor de política e assuntos externos da CVS Health, Thomas Moriarty.

É importante mencionar que nos Estados Unidos grande parte dos tratamentos é bancada pelas seguradoras de saúde por meio de programas chamados PBMs (em que parte do custo do tratamento medicamentoso é pago pela empresa seguradora ou plano de saúde). Esse sistema também existe no Brasil, mas de forma diferente. Entretanto, essa realidade vem mudando, pois o nível de reembolso é cada vez menor, o que leva as redes varejistas propor alternativas como esta, da CVS.

O executivo Moriarty complementou: “Até agora, os pacientes não tinham as ferramentas apropriadas disponíveis para ajudar a gerenciar esses custos. Estamos empenhados em encontrar o medicamento certo com o menor custo possível para os pacientes para garantir que eles sejam capazes de acessar e permanecer com os medicamentos que necessitam”.

COMO FUNCIONA NO BALCÃO

A ferramenta CVS Pharmacy Rx Savings Finder permite que o farmacêutico revise rapidamente o regime de prescrição do paciente, histórico de medicação e informações do plano de seguro para determinar a melhor maneira de economizar dinheiro com uma alternativa de menor custo, de acordo com seu plano de benefícios (PBM).

“Nossa experiência direta é que os pacientes que deparam com altos custos no balcão da farmácia são menos propensos a comprar suas receitas e ficam menos predispostos a aderir à terapia prescrita”, destacou o vice-presidente executivo de Varejo da CVS, Kevin Hourican.

 

 

 

O Rx Savings Finder mostra às equipes da farmácia:

  1. Se o medicamento prescrito está no formulário de prescrição do paciente e é a opção de menor custo disponível.
  2. Se há opções de baixo custo cobertas pelo sistema de benefício farmacêutico do paciente, como uma medicação genérica ou alternativa terapêutica com eficácia equivalente de tratamento.
  3. Se o paciente pode economizar dinheiro adquirindo uma receita para 90 dias em vez de uma receita para 30 dias.
  4. Em último caso, se nenhuma alternativa genérica ou de custo mais baixo estiver disponível, outras opções potenciais de economia para pacientes elegíveis ou sem seguro são permitidas pelas leis e regulamentações aplicáveis (prescrições submetidas para reembolso ao Medicare, Medicaid ou outros programas federais ou estaduais americanos não são elegíveis).

OPÇÃO PARA OS CONSULTÓRIOS

Com o mesmo foco de tentar minimizar os custos dos medicamentos aos pacientes, a CVS já havia lançado, recentemente, outro programa de benefícios em tempo real que ajuda a trazer maior transparência do preço dos medicamentos aos prescritores e à equipe da CVS Caremark.

Nos consultórios de prescrição (sejam médicos ou farmacêuticos), os profissionais podem ver o custo específico de um medicamento selecionado, com base na cobertura do paciente. Ao mesmo tempo, eles têm acesso a mais cinco alternativas terapêuticas de menor custo, clinicamente apropriadas, com base no formulário do paciente.

O acesso também pode ocorrer no aplicativo CVS Caremark e no portal destinado ao paciente. Os resultados iniciais mostraram que os prescritores que acessaram as informações de benefícios em tempo real, por meio de seu registro eletrônico de saúde, trocaram o medicamento não coberto do paciente por outro com cobertura, em 85% das vezes. Além disso, quando o remédio do paciente é coberto, os prescritores que usam benefícios em tempo real oferecem uma alternativa de mais baixo custo em 30% das vezes. Assim, quando o prescritor mudou para um medicamento de baixo custo, a diferença foi de aproximadamente US$ 75 (cerca de R$ 255) por prescrição.

“Temos trabalhado arduamente para manter os medicamentos de prescrição acessíveis para os pacientes”, afirmou o vice-presidente executivo e diretor médico da CVS Health, Troyen A. Brennan. “Na verdade, em 2017, quase 90% dos membros de planos com PBMs gastaram menos de US$ 300 com remédios prescritos. É por isso que estamos comprometidos em fazer ainda mais em toda a nossa empresa para ajudar os pacientes a encontrar e acessar o medicamento de menor custo na farmácia, o que, em última instância, ajudará a melhorar os resultados clínicos e a remover os custos médicos mais altos do sistema”.

UMA AÇÃO BILIONÁRIA

O lançamento do CVS Pharmacy Rx Savings Finder surge no momento em que a empresa está em processo de compra da Aetna, com a ideia de refazer a experiência de saúde do consumidor, integrando médicos, farmacêuticos e outros profissionais de saúde com benefícios para os usuários.

Apenas para entender melhor o processo, a CVS Health propôs a compra da seguradora de saúde Aetna por US$ 69 bilhões (mais de R$ 235 bilhões) em uma fusão que abrange linhas de negócios no setor de saúde.

Segundo o presidente e diretor executivo da CVS Health, Larry J. Merlo, a fusão da CVS e da Aetna irá “refazer a experiência de saúde do consumidor”. Já o presidente e CEO da Aetna, Mark T. Bertolini, afirmou em nota: “Juntamente com a CVS Health, entenderemos melhor as metas de saúde dos nossos membros, iremos orientá-los por meio do sistema de saúde e ajudá-los a alcançar sua melhor condição”.

Sobre a CVS Health

CVS Health é uma empresa varejista farmacêutica com mais de 9.800 pontos de venda, mais de 1.100 clínicas médicas, um programa de gerenciamento de benefícios com mais de 94 milhões de membros, além de ser uma empresa de assistência farmacêutica que atende mais de um milhão de pacientes por ano nos Estados Unidos.

Importante salientar que a CVS Health, que é a maior rede de farmácias dos Estados Unidos e que no Brasil é dona da rede Onofre, registrou lucro líquido de US$ 3,287 bilhões no quarto trimestre de 2017, um crescimento de 92% na comparação com o mesmo período do ano passado. No acumulado de todo o ano passado, o lucro foi de US$ 6,622 bilhões, um avanço anual de 24,5%. Mais informações sobre como o CVS Health:  https://www.cvshealth.com.

Observação: este artigo é uma livre interpretação e tradução dos autores sobre informações divulgadas na mídia pela empresa CVS e analisados de maneira independente.

 

AUTORES:

*Marcelo Polacow – Farmacêutico pela USP/Ribeirão Preto, mestre e doutor em Farmacologia pela UNICAMP, coordenador e professor de Pós-Graduação, autor de livros e consultor empresarial.

*Egle Leonardi – Jornalista especializada no segmento farmacêutico, MBA em Gestão de Comunicação Corporativa, especializada em Marketing Digital. Recebeu o Prêmio Abrafarma de Melhor Jornalista na Categoria Imprensa Especializada no Segmento de Saúde. Diretora da Vitae Editora.

 

TER 100% DAS EMBALAGENS RECICLÁVEIS É UMA DAS METAS AMBICIOSAS DA P&G

A Procter & Gamble Company (P&G) acaba de anunciar metas de sustentabilidade ainda mais ambiciosas para proporcionar impactos positivos no ambiente e na sociedade ao redor do mundo. A empresa já havia estabelecido objetivos para 2020,  mas já alcançou quase todos e planeja atingir o restante ao mesmo tempo em que estabelece novas metas de amplo alcance para 2030. Essas são chamadas de Ambição 2030 e irão possibilitar impactos positivos no ambiente e na sociedade e, com isso, a empresa pretende agregar valor às suas marcas e aos seus clientes.

A P&G mantém operações em cerca de 70 países no mundo todo. No Brasil está há quase 30 anos e é um conglomerado de marcas importantes e diversas, como Gillete, Duracell, Hipoglós, Wella e Head & Shoulders, Pampers, Oral-B, Metamucil, Vick, entre outras com forte presença no varejo farmacêutico brasileiro.

“Acreditamos que a P&G possa ser uma força a favor do bem e do crescimento, e assim faremos uma abordagem mais deliberada para agradar aos clientes enquanto possibilitamos o consumo responsável”, disse o presidente e diretor-Executivo da P&G, David Taylor.

Para  ele, os clientes esperam que as marcas nas quais confiam ofereçam um desempenho superior e também ajudem a resolver alguns dos desafios mais complexos enfrentados por nosso mundo. “Nosso alcance global, nossa compreensão dos cinco bilhões de clientes que atendemos e nossas capacidades de inovação nos dão uma habilidade única de fazer uma diferença positiva”, ressalta Taylor.

 

As metas da Ambição 2030 da P&G incluem:

  • Marcas: as 20 marcas líderes da P&G, incluindo Always, Ariel, Dawn, Fairy, Febreze, Head & Shoulders, Pantene, Pampers e Tide, possibilitarão e inspirarão o consumo responsável por meio de embalagens 100% recicláveis ou reutilizáveis, lançando inovações mais sustentáveis e construindo a confiança mediante a transparência e o compartilhamento de nossa ciência sólida.
  • Cadeia de fornecimento: os locais de fabricação da P&G reduzirão a emissão de gases do efeito estufa pela metade e comprarão eletricidade renovável suficiente para manter 100% das suas plantas. A empresa também obterá pelo menos 5 bilhões de litros de água de fontes circulares.
  • Sociedade: a P&G continuará a criar parcerias transformadoras que possibilitam que as pessoas, o planeta e nossos negócios prosperem, incluindo os que estancam o fluxo de plástico nos oceanos, protegem e expandem florestas, ampliam soluções de reciclagem para produtos de higiene absorventes e protegem a água em bacias prioritárias em todo o mundo.
  • Funcionários: a P&G envolverá, equipará e recompensará funcionários que construírem pensamentos e práticas sustentáveis em seu trabalho diário. Recompensará o progresso e integrará o reconhecimento nas avaliações de desempenho.

METAS JÁ ATINGIDAS

Com base em seu legado de liderança ambiental, a P&G já alcançou muitas de suas metas de sustentabilidade para 2020 em suas áreas de foco em clima (redução das emissões absolutas de gases do efeito estufa em 16% desde 2010), água (redução do uso de água em instalações de fabricação em 27% desde 2010) e resíduos (alcançou uma meta de zero resíduos de fabricação para aterros em mais de 80% dos locais de fabricação).

O impacto do progresso da empresa pode ser visto mediante marcas e geografias, incluindo produtos como o Tide Purclean que contam com ingredientes de base biológica e Head & Shoulders que usa plásticos encontrados em praias nas embalagens; alterações de fabricação que abastecem as plantas com eletricidade eólica e vapor de biomassa; e inovações em pesquisa que transformarão a capacidade de reciclagem de toneladas de plástico a cada ano, beneficiando indústrias inteiras muito além do alcance da P&G. Este progresso é ainda mais detalhado no Relatório de Cidadania 2017 da empresa.

“Com base em nosso progresso até o momento, nossas metas de 2030 buscam lidar com dois dos desafios ambientais mais urgentes do mundo: recursos finitos e o crescimento do consumo”, disse a vice-presidente de Sustentabilidade Global da P&G, Virginie Helias. Ela afirma reconhecer que a P&G sozinha não tem todas as respostas. Será preciso criar parcerias e cooperações para que se faça um progresso significativo e que suas marcas desenvolvam inovações para avançar ainda mais no consumo responsável.

De acordo com o presidente e diretor Executivo do Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável, Peter Bakker, a P&G tem sido líder no direcionamento do desenvolvimento sustentável. “Sua estratégia está alinhada com nossa crença de que os negócios terão mais sucesso se forem mais sustentáveis. Aplaudimos a estrutura da Ambição 2030, que tem o potencial de impulsionar um impacto global positivo para acionistas, o ambiente e a sociedade”.

Sobre a Abordagem à Cidadania da P&G

A Sustentabilidade Ambiental é uma das áreas de foco em Cidadania da P&G, junto com Ética e Responsabilidade Corporativa, Impacto na Comunidade, Igualdade de Gênero e Diversidade e Inclusão. Os programas de Cidadania da Empresa apoiam as Metas de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas para acabar com a pobreza, proteger o planeta e garantir prosperidade para todos. Para obter mais informações sobre os esforços de Cidadania da P&G, leia o Relatório de Cidadania 2017 da P&G aqui.

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VÍRUS MATAM TUMORES NO TRATAMENTO DO CÂNCER
Inusitado: os ‘vírus oncolíticos’ infectam e destroem as células do tumor e também estimulam a resposta imunológica.  Dessa foma, os micróbios estão desempenhando um papel importante em um novo ramo da imunoterapia contra o câncer que está atraindo alguns dos maiores laboratórios farmacêuticos do mundo. No final de março, a Merck anunciou planos para comprar a australiana Viralytics e obter um tratamento experimental baseado no vírus da gripe que poderia fortalecer a utilidade de Keytruda, seu remédio oncológico que é um sucesso de vendas.
A transação de 502 milhões de dólares australianos (US$ 390 milhões) destaca a importância da pesquisa sobre esses vírus oncolíticos. Essa abordagem está despertando cada vez mais o interesse de companhias farmacêuticas por causa da possibilidade de combinar esses vírus com uma nova geração de remédios, chamados ‘inibidores de checkpoint’, que anulam uma estratégia usada pelas células cancerosas para não ser detectadas.
“As grandes farmacêuticas estão interessadas neste campo”, disse , diretor administrativo da Viralytics, Malcolm McColl, que aceitou ser comprada pela Merck por 1,75 dólar australiano por ação em dinheiro – quase o triplo do preço de encerramento anterior das ações, de 62,5 centavos de dólar australiano. “Cada vez mais acredita-se que os vírus oncolíticos têm potencial para fazer com que inibidores de checkpoint, como o Keytruda e outros remédios, funcionem melhor”, afirma ele.
Projeta-se que o número de novos casos de câncer no mundo aumentará cerca de 70% nos próximos 20 anos, e os cientistas estão se concentrando em formas de aprimorar os tratamentos, especialmente para os casos em que a quimioterapia e a radioterapia não oferecem muitos benefícios.
Em muitos desses casos, o tumor contém mutações que o torna invisível para o sistema imunológico do paciente, o chamado ‘câncer frio’. O desafio é aumentar o nível de infiltração imunológica e transformá-lo em ‘quente’.
VÍRUS EXPLODE A CÉLULA
O tratamento mais avançado da Viralytics, Cavatak, se baseia no Coxsackievirus A21, um vírus da gripe que procura e gruda em uma proteína proeminente na superfície de muitas células cancerosas. Após grudar, o vírus toma conta da maquinaria genética das células cancerosas para fazer mais cópias de si, e a célula acaba explodindo e se transformando em uma nuvem de novas partículas virais, processo conhecido como lise. Assim, a progênie viral pode se espalhar e replicar esse ciclo de destruição.
As companhias que estão desenvolvendo vírus oncolíticos promissores serão atraentes para as fabricantes de remédios oncológicos, disse o cientista sênior do QIMR Berghofer Medical Research Institute em Brisbane, na Austrália, Rajiv Khanna, que trabalha há mais de 20 anos na imunologia de tumores. Durante boa parte desse período, os grandes laboratórios não se interessaram pelos vírus oncolíticos, disse ele.
“Mas, de repente, eles acordaram e viram esses resultados”, disse Khanna, cujo laboratório estuda formas de matar cânceres causados por vírus. “Eu fiquei impressionado com o fato de a Merck querer pagar tanto dinheiro por uma empresa, mas os resultados são muito animadores, então faz sentido”.
FARMACÊUTICA MINEIRA PRETENDE SER A MAIOR FABRICANTE DE GENÉRICOS INJETÁVEIS

Com o objetivo de continuar sua trajetória de crescimento e se consolidar como uma referência no mercado nacional, a indústria farmacêutica Hipolabor definiu, em seu novo planejamento estratégico, “ser o maior fabricante de genéricos injetáveis do Brasil até 2022”. Em 2012, a Hipolabor havia estabelecido que se tornaria a empresa brasileira líder na fabricação de injetáveis até 2017. Com planejamento, esse objetivo foi atingido dentro do prazo estipulado.

De acordo com o Anuário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de 2016, a Hipolabor se destacou, superando as demais empresas que não têm foco em produção de injetáveis e atuam apenas no mercado de varejo. A diretora de Qualidade da Hipolabor, Dardânia Leite, afirma que confia na capacidade da equipe e a nova meta deverá ser alcançada conforme o planejado. “Temos colaboradores de altíssimo nível trabalhando em sintonia, além de diferenciais estratégicos. A Hipolabor está focada em ampliar sua produção de injetáveis, tendo já feito grandes investimentos recentemente, o que garantiu um ganho em competitividade”, afirma.

TRAJETÓRIA

A trajetória da Hipolabor, atualmente a maior indústria farmacêutica de Minas Gerais, começou em 1984, com a implantação da primeira unidade no município de Contagem (MG). Com um expressivo volume de vendas alcançado em todo o território nacional, em 1988 a empresa foi transferida para uma área maior, em Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte. Em 2001, foi inaugurada mais uma unidade, dessa vez na capital mineira.

A empresa, que possui atualizado o Certificado de Boas Práticas de Fabricação emitido pela Anvisa, está se expandindo cada vez mais. A construção de uma nova planta industrial, em Montes Claros (MG), é mais um investimento da Hipolabor. Com a nova unidade, a empresa pretende aumentar a sua capacidade produtiva em 500% na linha de sólidos e em 200% na linha de medicamentos injetáveis.

NOVA CEPA PROBIÓTICA PODE PREVENIR MAL DE ALZHEIMER

A empresa de laticínios japonesa, Morinaga Milk Industry Co., anunciou hoje (23 de março de 2018) os resultados de um novo estudo que investiga os efeitos preventivos da sua nova cepa probiótica Bifidobacterium breveA1 em um modelo do mal de

Alzheimer. Os pesquisadores descobriram que a B. breve A1 melhorou a capacidade de reconhecimento espacial, além de capacidades de aprendizagem e memória, em ratos com deficiência cognitiva, indicando que a referida cepa tem uma função importante na prevenção da instalação do mal de Alzheimer em seres humanos (Y. Kobayashi et al. Therapeutic potential of Bifidobacterium breve strain A1 for preventing cognitive impairment in Alzheimer’s disease. Scientific Reports 7(1). Dez. 2017).

O número de pacientes afetados por demência aumenta em todo o mundo. Um relatório avalia que havia 46,8 milhões de pessoas em todo o mundo vivendo com demência em 2015 e projeta que até 2050 esse número chegará a 131,5 milhões, segundo o  World Alzheimer Report 2016.

O mal de Alzheimer é responsável por grande proporção dos casos de demência. Como muitas doenças crônicas, o Alzheimer se desenvolve lentamente por várias décadas antes da instalação dos sintomas, apesar da deterioração do cérebro começar nos estágios iniciais. Depois que a doença se desenvolve, é difícil revertê-la ou mesmo impedir o seu avanço. Por isso, encontrar medidas eficazes de prevenir a instalação da doença é a principal prioridade dos pesquisadores.

O ‘eixo intestino-cérebro’, que é a conexão funcional entre cérebro e microbiota intestinal, atraiu a atenção mundial. Como os probióticos são conhecidos por ter efeitos benéficos sobre a microbiota intestinal, eles são um tratamento promissor para a saúde do cérebro. Na verdade, tanto as bifidobactérias e os lactobacilos já demonstraram efeitos benéficos na ansiedade e na depressão.

Aproveitando a pesquisa, a Morinaga Milk investigou a capacidade dos probióticos de prevenir o avanço do mal de Alzheimer, em colaboração com o Professor Keiko Abe da Universidade de Tóquio e o Kanagawa Institute of Industrial Science and Technology. O estudo, publicado no periódico Scientific Reports, revelou o potencial de a B. breve A1 prevenir a instalação do mal de Alzheimer.

Metodologia do estudo

Os ratos receberam amiloide ß injetado, substância que supostamente provoca o mal de Alzheimer, para induzir a disfunção cognitiva em um modelo de mal de Alzheimer. Os ratos do grupo de tratamento ativo receberam B. breveA1 (1 × 109 por dia) oralmente durante 10 dias (grupo B. breveA1). Os ratos do grupo de controle receberam soro (grupo de soro) ou um inibidor de colinesterase, um medicamento prescrito para demência (grupo de controle positivo). A função cognitiva foi avaliada por um teste de labirinto Y e um teste de prevenção passiva.

Teste comportamental de labirinto Y confirma melhoria da capacidade de reconhecimento espacial

‘Alternação espontânea’ indica a tendência dos ratos normais de escolherem um caminho diferente do caminho anterior percorrido, indicando que eles se lembram dos caminhos já percorridos. No estudo, os ratos submetidos ao amiloide ß que receberam soro apresentaram redução marcante na taxa de alternação espontânea no teste de labirinto Y em comparação aos ratos normais. Entretanto, o grupo B. breve A1 apresentou melhoria significativa na taxa de alternação espontânea, em comparação com o grupo do soro. Esses resultados indicam que o grupo B. breveA1 melhora a capacidade de reconhecimento espacial.

Teste comportamental de prevenção passiva revela melhoria da capacidade de aprendizagem e memória

Durante o teste de prevenção passiva, os ratos precisam aprender a evitar um estímulo negativo ficando distantes de uma determinada área. Se conseguirem, isso indicará que eles se lembram da experiência negativa. Da mesma forma que no teste comportamental de labirinto Y, os ratos no grupoB. breve A1 ficaram por mais tempo na área sem o estímulo negativo, em comparação ao grupo do soro. Esse resultado indica que o B. breve A1 melhora as capacidades de aprendizagem e memória.

B. breve A1 quase tão eficiente quanto ao medicamento comum do Alzheimer

As melhorias do teste de labirinto Y e do teste de prevenção passiva foram semelhantes em magnitude às observadas no grupo de controle positivo tratado com inibidor de colinesterase, medicação comumente prescrita para o mal de Alzheimer, indicando que o B. breve A1 tem potencial semelhante para melhorar a deficiência cognitiva induzida por amiloide.

Expressão do gene do hipocampo é fundamental para mecanismo de ação

A Morinaga Milk se concentrou no hipocampo, a área do cérebro associada às capacidades de aprendizagem e memória, desempenhando uma análise de expressão de gene abrangente no hipocampo dos ratos. Os pesquisadores descobriram que a expressão de muitos genes foi alterada, especificamente, grupos de genes associados a reações imunológicas e inflamação foram alterados, provocando anormalidades imunológicas e inflamação excessiva nos ratos afetados que ingeriam soro. Ao contrário, a expressão da maioria desses genes continuou normal em ratos afetados que ingeriam B. breve A1.

Os resultados levaram o gerente geral do Instituto de ciências de próxima geração (Next Generation Science Institute) da Morinaga Milk,  Jin-zhong Xiao, a declarar: “A ingestão da B. breve A1 eliminou a inflamação e as reações imunológicas excessivas nos cérebros dos ratos e melhorou a função cognitiva”.

Ele continuou e acrescentou: “A inflamação crônica do cérebro é característica do mal de Alzheimer. A capacidade do B. breve A1 de eliminar a inflamação do hipocampo é a chave por trás da sua capacidade de prevenir o avanço da doença”. A empresa planeja continuar a pesquisar os efeitos do B. breve A1 em humanos para explorar mais seu potencial terapêutico e prevenir a instalação do mal de Alzheimer.

Sobre a Morinaga Milk

Morinaga Milk Industry Co., Ltd. é uma das empresas líderes em produtos lácteos do Japão. A Morinaga começou a pesquisa de bifidobactérias nos anos 1960, inspirada pelo fato de que as bifidobactérias são as bactérias predominantes que residem nos intestinos de bebês amamentados por leite materno. Em 1969, a Morinaga isolou sua cepa principal Bifidobacterium longum BB536 de um bebê. A Morinaga se destaca em tecnologia inovadora e oferece vários produtos lácteos e outros ingredientes funcionais benéficos para clientes em todo o mundo.

 

 

ANÁLISE DE TENDÊNCIAS DAS FARMÁCIAS AMERICANAS E SEU IMPACTO NAS BRASILEIRAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ANÁLISE DE TENDÊNCIAS DAS FARMÁCIAS COMUNITÁRIAS INDEPENDENTES AMERICANAS E SEU POSSÍVEL IMPACTO NAS BRASILEIRAS

 

 

 *POR MARCELO POLACOW E EGLE LEONARDI

 

 

“Se você não pode medir, você não pode gerenciar”. Esta é uma das citações mais famosas de Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna, que chama à reflexão sobre a importância das métricas na gestão do negócio.

Com esse foco, em novembro de 2017 a National Community Pharmacists Association (NCPA) (uma associação americana de farmacêuticos comunitários) e a Cardinal Health (empresa com sede em Dublin, Ohio, EUA) publicaram o Digest NCPA de 2017. É uma espécie de sumário contendo um retrato da farmácia comunitária nos Estados Unidos. No entanto, o documento é tão atual e preciso, que também pode ser interpretado sob a ótica das farmácias comunitárias brasileira, guardadas as devidas proposições.

Digest NCPA ajuda os proprietários de farmácias comunitárias a gerenciar melhor seus negócios, fornecendo dados, números e perfis. Essas informações essenciais descrevem o impacto que as farmácias comunitárias têm nos pacientes e nas comunidades onde estão inseridas. E é justamente nesse público que a farmácias independentes têm seu maior impacto, não só econômico, mas também por meio de sua contribuição social, que ajudam a tornar esses lugares opções melhores para se viver.

De acordo com o artigo desenvolvido pelo CEO da National Community Pharmacists Association, B. Douglas Hoey, por mais de oito décadas, o Digest tem fornecido o mais abrangente relatório sobre a farmácia comunitária independente. Isso permite que seus proprietários tomem decisões empresariais prudentes e municiem seus funcionários com a informação que eles precisam para elaborar políticas sólidas.

O cenário dos cuidados de saúde ao redor do mundo mudou drasticamente desde o primeiro Digest. Por conta disso, a devoção e os cuidados dos farmacêuticos independentes mostram aos seus pacientes e a sua comunidade que eles permaneceram firmes em seus propósitos.

Segundo Hoey, a publicação do Digest exigiu intenso trabalho ao longo de vários meses. Além disso, consumiu despesas significativas. A concretização do projeto não seria possível sem o patrocínio da Cardinal Health, em benefício da NCPA e de todos os farmacêuticos ao redor do mundo.

Digest é essencialmente uma compilação de dados fornecidos por proprietários independentes de farmácias comunitárias dos Estados Unidos, que respondem à pesquisa anual da NCPA. Os membros dessa entidade obtiveram acesso antecipado ao Digest na Convenção Anual da NCPA, ocorrida em outubro de 2017.

Saiba mais sobre o tema no link: http://www.ncpanet.org/home/ncpa-digest

 

ALGUNS DADOS DO SUMÁRIO

Digest NCPA de 2017 é uma visão abrangente da farmácia comunitária independente de 2016, com foco em três áreas principais: escopo do mercado, serviços de saúde oferecidos e envolvimento de proprietários e funcionários da farmácia local.

 

  1. O MERCADO INDEPENDENTE DA FARMÁCIA COMUNITÁRIA

As farmácias comunitárias independentes nos Estados Unidos continuam sendo um dos principais segmentos, com um mercado de US$ 80 bilhões. Esses players representam 36% do varejo americano. No total, há 22.041 farmácias, incluindo aquelas de lojas únicas e múltiplas, redes regionais de administração familiar e franqueados de propriedade individual.

Vinte e nove por cento dos proprietários de farmácias comunitárias independentes são donos de duas ou mais unidades. Porém, a média de propriedades por cada empreendedor do segmento é de 1,96.

Mais de 250 mil pessoas são empregadas por essas farmácias em tempo integral ou por período parcial, reforçando as economias estaduais e locais e as receitas fiscais. Os medicamentos prescritos são seu ponto focal, representando 92% da receita total de vendas.

Vale ressaltar o importante volume de farmácias comunitárias independentes que cuidam de populações com carência de atendimento em saúde: 81% desses estabelecimentos estão situados em áreas populacionais de até 50 mil habitantes.

Outros destaques:

  • O volume de receita diminuiu de 60.493 prescrições em 2016 para 59.746 em 2017, provavelmente devido, em parte, aos requisitos de renovação das receitas por mais 90 dias (comum nos Estados Unidos) em casos de pacientes crônicos e/ou atendidos por PBMs.
  • Os medicamentos genéricos compreendem 84% de todas as prescrições dispensadas.
  • 52% das receitas totais são cobertas pelos programas Medicare Part D e Medicaid.
  • 90% das farmácias comunitárias estão oferecendo algum tipo de programa de adesão ao tratamento com medicamentos.
  • Os reembolsos abaixo do custo, exacerbados pelas taxas da DIR na Part D do Medicare contribuíram para a queda de 5% nas margens brutas nos últimos cinco anos.

 

  1. SERVIÇOS PRESTADOS PARA ATENDER ÀS NECESSIDADES LOCAIS DE SAÚDE

Farmácias comunitárias independentes são provedores acessíveis de medicamentos prescritos, aconselhamento de medicação e outros serviços importantes de cuidados de saúde. O NCPA Digest de 2017 relacionou os tipos de serviços que esses estabelecimentos normalmente oferecem.

Serviços de cuidados prolongados

Os farmacêuticos comunitários independentes desempenham um papel importante no cuidado com os 46,2 milhões de idosos dos Estados Unidos. Nesse segmento, eles fornecem cuidados farmacêuticos em lares de idosos, instalações de assistência de saúde, hospitais psiquiátricos e em cuidados domiciliares.

Entre os serviços especializados para idosos estão a avaliação e suporte nutricional, terapia intravenosa, equipamentos médicos duráveis, suprimentos de ostomia e gerenciamento de dor. De acordo com Hoey, pensando de forma inovadora, vale lembrar que os farmacêuticos comunitários independentes fornecem os serviços necessários à população e, com isso, melhoram seus rendimentos.

Em 2016, 44% dos farmacêuticos comunitários independentes forneceram serviços de cuidados de longa duração (que nos Estados Unidos são chamados de LTC – Long Term Condition) para pacientes que são identificados pelas seguradoras (planos de saúde) com dificuldade para realizarem seus tratamentos por diversos motivos, inclusive adesão ao tratamento.

 Serviços de adesão

Os gastos associados às doenças crônicas são um dos principais impulsionadores do aumento dos custos dos cuidados de saúde nos Estados Unidos. Para a maioria dessas doenças crônicas, os medicamentos são o tratamento mais econômico, mas muitos pacientes não tomam sua medicação de forma correta.

Para ajudar a combater o problema da não adesão aos medicamentos da ordem de US$ 290 bilhões nos EUA, e ainda melhorar a saúde do paciente, 90% das farmácias comunitárias independentes daquele país implantaram programas abrangentes de adesão, com quase 77% delas oferecendo serviços de sincronização de medicamentos aos seus pacientes.

O modelo de sincronização de medicamentos (nos Estados Unidos chamado de med sync) é o processo de alinhamento de todos os medicamentos que o paciente deve utilizar no dia. Isso é estabelecido em uma consulta com o farmacêutico.

Medicação Especializada

A farmácia independente está desempenhando um papel importante no varejo farmacêutico especializado e está em franco crescimento. Para se ter uma ideia, vale citar que 39% das farmácias comunitárias independentes dispensam medicamentos especiais. Os principais medicamentos dispensados ​​por incluem os destinados a tratar artrite reumatoide (85%), HIV (55%) e hepatite C (45%). Essas farmácias fornecem cuidados de alto valor aos pacientes que precisam desses medicamentos em suas comunidades.

Outros serviços oferecidos pelas farmácias comunitária independentes incluem:

  • 44% fornecem serviços de acolhimento de pacientes em parceria com hospitais e clínicas;
  • 87% oferecem gerenciamento de terapia de medicamentos;
  • 76% fazem imunização;
  • 72% realizam entregas;
  • 62% proporcionam serviços de mensuração de pressão arterial.

* Os dados acima são específicos de lojas que oferecem linha completa, mas não estão, necessariamente, presentes em todas as farmácias pesquisadas.

 

  1. ENVOLVIMENTO DA COMUNIDADE

As farmácias independentes são, muitas vezes, consideradas pilares de suas comunidades locais, e o NCPA Digest de 2017 fez o registro dessa percepção. Quase 70% de todos os donos de farmácias comunitárias fizeram doações para, pelo menos, cinco organizações locais, com 43% doando para dez ou mais organizações locais.

Essas pequenas empresas afetam a economia regional por meio da criação de empregos e da geração de receitas fiscais. Assim, desempenham um papel importante em sua comunidade por meio de suas contribuições sociais, visando à prosperidade das suas comunidades.

Outros destaques do envolvimento social e beneficente das farmácias independentes:

  • 51% dos proprietários ou funcionários têm relações pessoais diretas com um representante do estado ou um membro chave dessa equipe;
  • 64% dos proprietários ou funcionários têm relações pessoais diretas com um prefeito ou membro chave de sua equipe;
  • 4% de todos os proprietários ou funcionários ocupam um cargo eleito;
  • 23% dos proprietários e 9% dos funcionários são membros de uma associação comercial local;
  • 59% dos proprietários e 12% dos funcionários são membros da Câmara de Comércio.

 

VISÃO DOS AUTORES SOBRE O PARALELO COM O BRASIL

            No Brasil, assim como nos Estados Unidos, as farmácias independentes sofrem com a concorrência das grandes redes. Para se diferenciarem no mercado optaram por focar nos serviços clínicos (em especial o gerenciamento da farmacoterapia) e na dispensação de medicamentos genéricos com benefícios para os pacientes. A interlocução com entidades, sejam elas governamentais ou não, é fundamental para a definição de políticas que atendam ao segmento em consonância com as necessidades da população.

Os serviços de imunização em farmácias no Brasil, agora regulamentados pelo CFF, MS e ANVISA possibilitam aumentar o rol de serviços, como acontece nos EUA.

No Brasil, diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, os planos de saúde não têm a prática e o hábito de manter farmácias conveniadas para prestar serviços clínicos, em especial de adesão ao tratamento, focando-se somente nos descontos (PBMs).

É importante frisar que não é só o custo que afasta os pacientes da adesão aos seus tratamentos. Com essas medidas, as farmácias independentes têm enfrentado a concorrência de melhor forma.

Observa-se também a necessidade no Brasil de estatísticas confiáveis e ferramentas de organização/gestão para melhorar os resultados.

 

CONCLUSÃO

Na maioria das cidades americanas, as farmácias comunitárias independentes tratam pacientes como família, promovem o uso seguro e eficaz de medicamentos e participam ativamente da vida comunitária.

Ao mesmo tempo, tanto o volume de receita decrescente como a redução do reembolso de medicamentos prescritos refletem um mercado em mudança, no qual os proprietários de farmácias comunitárias devem ajustar seu modelo de negócios. Assim, os proprietários devem considerar, mais do que nunca, todas e quaisquer opções para diversificar sua receita, enquanto continuam a se concentrar na avaliação da economia de reembolsos de terceiros.

É extremamente necessário que as farmácias independentes brasileiras se realinhem às tendências internacionais e, em especial, ao varejo americano, pois suas realidades são, de certa forma, muito próximas.

 

AUTORES:

*Marcelo Polacow – Farmacêutico pela USP/Ribeirão Preto, mestre e doutor em Farmacologia pela UNICAMP, coordenador e professor de Pós-Graduação, autor de livros e consultor empresarial.

*Egle Leonardi – Jornalista especializada no segmento farmacêutico, MBA em Gestão de Comunicação Corporativa, especializada em Marketing Digital. Recebeu o Prêmio Abrafarma de Melhor Jornalista na Categoria Imprensa Especializada no Segmento de Saúde. Diretora da Vitae Editora.


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