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10 INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS MAIS FREQUENTES

 

POR EGLE LEONARDI

As interações medicamentosas podem ser consideradas erros evitáveis? Sim e não! Sim, porque o farmacêutico (e o médico) deveria ter conhecimento das reações causadas pela combinação de medicamentos, alimentos, fitoterápicos etc. Não, porque na era da polifarmácia é comum que pacientes com doenças crônicas e que estejam usando até uma dezena de medicamentos diferentes não relatem o fato ao profissional de saúde, já que recebem receitas de prescritores de diferentes especialidades.

Vale lembrar que esse problema pode ser causado por alterações nos efeitos de um medicamento por conta do consumo concomitante de outro medicamento ou sua utilização juntamente com determinado alimento ou bebida. Embora em alguns casos os efeitos de medicamentos combinados sejam benéficos, é comum que as interações medicamentosas tendam a ser prejudiciais.

Quase todas as interações do tipo medicamento-medicamento envolvem itens de prescrição obrigatória, mas algumas incluem medicamentos isentos de prescrição (MIPs), como o ácido acetilsalicílico, antiácidos e descongestionantes.

Reações secundárias

Segundo o farmacêutico e professor, Fabricio Favero, a atuação de um fármaco pode ocorrer em diferentes tecidos, visto que esses ativos podem atingir diversos alvos moleculares. Por esse motivo, há reações secundárias ao efeito principal de interesse no tratamento com um princípio ativo.

“As interações podem ocorrer na fase farmacocinética (na movimentação do ativo, da absorção até excreção) e na farmacodinâmica (relacionado ao local de ação de um fármaco). As interações farmacocinéticas são as mais frequentes e influenciam de forma significativa a terapêutica medicamentosa”, explica ele.

Favero lembra que o farmacêutico deve verificar inicialmente o número de fármacos que o paciente faz uso e ele deve pesquisar os outros medicamentos, incluindo os fitoterápicos, além de suplementos alimentares: “Há medicamentos com fármacos associados (mais de um princípio ativo) e assim as possíveis interações devem ser verificadas”.

Desafios dos farmacêuticos

Favero é incisivo em afirmar que há desafios que devem ser encarados pelos farmacêuticos para minimizar os problemas com medicamentos. Ele destaca os três principais:

1 – Dedicação na pesquisa – Há a necessidade de o farmacêutico se dedicar durante o atendimento para a avaliação da interação. Há softwares e aplicativos para aparelho celular que realizam isso de forma a otimizar o trabalho. A atualização desses recursos deve ocorrer com frequência, pois se trata de um banco de dados que é enriquecido conforme as reações são registradas e documentadas.

2 – Interpretação cuidadosa – Nem todas as interações estão documentadas e são conhecidas. Isso quer dizer que há a possibilidade de ocorrer uma interação e ela ser interpretada erroneamente, como se fosse uma reação adversa dos fármacos envolvidos, e na realidade o que ocorreu foi uma manifestação da interação medicamentosa.

3 – Orientação assertiva – Além de verificar as possíveis interações, deve-se afastar as administrações de diferentes fármacos durante do dia. Orientar o paciente que ele deve utilizar os medicamentos com certo intervalo de tempo, a fim de evitar possíveis interações desconhecidas, lembrando que muitos pacientes, principalmente idosos, utilizam vários medicamentos ao mesmo tempo, o que ocasiona grandes chances de interações.

Segundo o farmacêutico, Diego Medeiros Guedes, como as interações entre medicamentos podem ser de caráter físico, químico, farmacocinético ou farmacológico, cabe ao farmacêutico conhecer as possíveis causas de interação e intervir quando necessário: no local de absorção (alterações na flora intestinal, motilidade intestinal e interação química direta), fora do organismo (mistura de medicamentos), durante a distribuição (ligação às proteínas plasmáticas e ligação a tecidos – o adiposo principalmente), nos receptores (ação nos receptores e em órgãos e sistemas), durante o metabolismo (indução enzimática e inibição enzimática), na excreção (difusão passiva – reabsorção e transporte ativo).

Exemplos de 10 interações medicamentosas

Para Favero, não há uma escala para classificar quais são as interações mais perigosas, pois elas estão dentro de um contexto de uso.  “A interação pode ser perigosa, mas pode não ser frequente. Mais importante é ressaltar as de maior frequência”, lembra ele, que cita alguns exemplos de interações.

1. Ácido acetilsalicílico (AAS) e captopril  O ácido acetilsalicílico pode diminuir a ação anti-hipertensiva do captopril.

2. Omeprazol, varfarina e clopidogrel – O omeprazol (inibidor da bomba de prótons) pode aumentar a ação da varfarina  e diminuir a ação do clopidogrel (antitrombóticos).

3. Ácido acetilsalicílico e insulina – O AAS pode aumentar a ação hipoglicemiante da insulina.

4. Amoxicilina e ácido clavulânico – A amoxicilina associada ao ácido clavulânico aumenta o tempo de sangramento e de protrombina (elemento proteico da coagulação sanguínea) quando usada com AAS.

5. Inibidores da monoamina oxidase (MAO) e tiramina (monoamina derivada da tirosina) – O inibidores da monoamina oxidase (tratamento da depressão) associada à tiramina (tyros = queijo) pode promover crises hipertensivas e hemorragia intracraniana.

6. Omeprazol e fenobarbital – O omeprazol usado com fenobarbital (anticonvulsivante) pode potencializar a ação do barbitúrico.

7. Levodopa e dieta proteica – Levodopa (L-dopa) – usada no tratamento da doença de Parkinson – tem ação terapêutica inibida por dieta hiperproteica.

8. Leite e tetraciclina – Os íons divalentes e trivalentes (Ca2+, Mg2+, Fe2+ e Fe3+) – presentes no leite e em outros alimentos – são capazes de formar quelatos não absorvíveis com as tetraciclinas, ocasionando a excreção fecal dos minerais, bem como a do fármaco.

9. Óleo mineral e vitaminas – Grandes doses de óleo mineral interferem na absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), β-caroteno, cálcio e fosfatos, devido à barreira física e à diminuição do tempo de trânsito intestinal.

10. Diurético e minerais – Altas doses de diuréticos (ou seu uso prolongado) promove aumento na excreção de minerais. Exemplo: furosemida, diurético de alça, acarreta perda de potássio, magnésio, zinco e cálcio.

Interações do bem

Há também as interações de efeito que ocorrem quando dois ou mais fármacos em uso concomitante têm ações farmacológicas similares ou opostas, atuando em sítios e por mecanismos diferentes. Podem produzir sinergismos ou antagonismos, sem modificar a farmacocinética ou o mecanismo de ação, como a potencialização do efeito sedativo dos hipnóticos e anti-histamínicos pelo uso do etanol.

“Deve-se considerar que há interações benéficas que são utilizadas como ferramentas da terapêutica, como o sulfametoxazol associado com trimetroprima, que produzem uma reação sinérgica para aumento do espectro antibacteriano”, comenta Favero.

Outro exemplo é a naloxona (antagonista opioide) usada no tratamento de intoxicações de fármacos opioides. Eles são utilizados intencionalmente para bloqueio da toxicidade dos opioides, em caso de superdosagem de opipoides, e depressão respiratória por essa substância.

 

Fonte: ICTQ

ESTUDO REVELA PORQUE O BRASILEIRO TEM DIFICULDADE PARA EMAGRECER

Levantamento realizado com 187 homens e mulheres de idades que variam entre 14 e 65 anos comprova que a obesidade pode ser resultado de diversas dietas que prometem resultado rápido. A pesquisa publicada pela médica nutróloga brasileira, Cláudia Benevides, no International Journal of Nutrology pela Associação Brasileira de Nutrologia mostra que o efeito “sanfona” acarretado por estas dietas permanece no corpo por muito tempo, e este fato pode ser determinante para dificultar o controle do peso e gerar obesidade.

A descoberta é resultado de um estudo que tem o objetivo de avaliar a relação entre o número de tentativas de dietas e as chances de apresentar obesidade. Os dados mostraram que o maior número de obesos (57,8%) permaneceu entre aqueles que tinham tentado mais dietas ao longo da vida (5 ou mais vezes), enquanto que no grupo que havia tentado 3 ou 4 dietas, apenas 34,1% dos indivíduos apresentaram obesidade posteriormente e o número diminui para 16,4% entre aqueles que fizeram dietas restritivas 2 ou menos vezes.

A realizadora da pesquisa, Cláudia, acredita que os dados obtidos durante o estudo só comprovam que quem quer perder peso só vai conseguir conquistar esse propósito, e sustentá-lo por um longo período, se encontrar um estilo de vida que não envolva abrir mão do que lhe dá prazer: “Você pode e deve comer as coisas que gosta, desde que não haja restrições médicas, claro!”

Percepção de quanto peso perder

Além disso, em outro estudo apresentado pela especialista no 10th International Conference and Exhibition on Obesity & Weight Management 2016 USA e publicado na Revista Internacional Advances in Nutrition & Food Science, a respeito da percepção da necessidade de perda de peso para pessoas que buscam emagrecer, complementa que quanto maior for o excesso de peso que a pessoa apresenta, menos ela consegue realmente entender o quanto deveria perder para chegar a um limite que imprima menos riscos à saúde.

Claudia acrescenta que suas pesquisas também revelaram que 38,5% do público analisado gostaria de perder peso para prevenir doenças, enquanto 33,6% quer emagrecer por questões estéticas e apenas 18,2% querem alcançar este objetivo para ter mais disposição no dia a dia. Porém, a grande preocupação encontrada entre os participantes se dá porque eles confessaram que não têm disciplina suficiente para atingir seus objetivos, não têm tempo para assumir uma rotina com hábitos saudáveis ou que falta disposição para mudar a rotina.

A médica acredita que essas dificuldades demonstram a falta de um método de controle de peso que esteja de acordo com as necessidades individuais: “É importante conhecermos o que se passa na mente de nossos pacientes para escolher uma estratégia que garanta o sucesso do tratamento”.

Ciência dos alimentos

Por esse motivo, a pesquisadora desenvolveu um método em que qualquer um pode se encontrar em um estilo de vida saudável, comendo à vontade, sem contar calorias e mesmo assim emagrecer protegendo o que é mais valioso no processo, a saúde. A metodologia chamada Saudável sem Neura foi desenvolvida com base em muitos estudos e no que há de mais atual sobre a ciência dos alimentos para pessoas que têm um dia a dia corrido, estressante e não querem abrir mão de pequenos prazeres, mas buscam ter mais energia, saúde e emagrecimento.

Cláudia explica que para não fazer parte do índice de obesidade permanente entre os brasileiros não basta simplesmente abandonar as dietas mágicas e passar a comer em qualquer momento tudo que lhe vier à cabeça: “Entender como funciona o nosso organismo e como ele pode ajudar nas nossas conquistas diárias é o verdadeiro segredo do estilo de vida que se encaixa na rotina de todos os brasileiros. Os alimentos precisam trabalhar a favor da nossa energia, saúde e mudanças que quisermos em nossos corpos. Dá para ser saudável sem ficar neurótico ou antissocial”.

DIAGNÓSTICO PRECOCE DA HEPATITE C AINDA É UM DESAFIO

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Segundo levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 2015,  existem 71 milhões de pessoas portadoras de hepatite C em todo o mundo. Em 2016, houve 27.358 notificações de casos da doença no Brasil. Essa quantidade representa 13,3 casos por 100 mil habitantes. Atualmente, a parte da população que convive com esse problema de saúde já dispõem de medicamentos que tratam a doença, mas o diagnóstico precoce ainda é um desafio.

Segundo o médico infectologista que integra o corpo clínico do laboratório Atalaia, José David Urbaez Brito, os sintomas da doença aparecem muito tardiamente e danificam o fígado de maneira lenta e progressiva. “A hepatite C é uma doença silenciosa. No Brasil, cerca de 80% das pessoas com o vírus da hepatite C estão acima dos 40 anos de idade. É importante que os profissionais da área de saúde, principalmente de outras especialidades como clínicos gerais e endocrinologistas, fiquem atentos à essa faixa etária e peçam o exame para identificar a doença”, ressalta.

A hepatite C é uma doença infecciosa transmitida por compartilhamento de sangue e hemoderivados. O infectologista explica que usuários de drogas injetáveis, pessoas que fizeram transfusão de sangue antes de 1993, pessoas tatuadas e populações privadas de liberdade têm risco maior de contrair a doença. Na opinião do médico, identificar a doença é extremamente importante. “A hepatite acomete mais pessoas e mata mais que o vírus da AIDS. Tanto a população quanto a comunidade médica devem se manter alertas à essa realidade”, enfatiza Urbaez.

Evolução no tratamento
Recentemente mais pessoas estão recebendo o tratamento para hepatite C. Segundo informações da OMS, em 2016, 1,76 milhão de pessoas foram tratadas, um aumento significativo em comparação às 1,1 milhão de pessoas que foram atendidas em 2015. A organização espera que até 2030 mais de 80% das pessoas diagnosticadas recebam tratamento no mundo.

No Brasil, o Ministério da Saúde (MS) incluiu novos medicamentos para o tratamento de doenças virais. “As novas inclusões oferecem mais possibilidades para o tratamento e possibilitam a cura superior a 90% nos casos. Com esses medicamentos temos uma possibilidade real de tratar as pessoas infectadas”, ressalta David Urbaez.

O especialista reforça, ainda, que para ampliar o tratamento é preciso aumentar a oferta dos testes e diagnósticos para a doença. “O teste rápido representa o desenvolvimento tecnológico e é eficiente para detecção do vírus. Com ele é possível alcançar o diagnóstico”, conclui Urbaez.

DIA MUNDIAL DO DIABETES: RISCOS DE UMA DOENÇA SILENCIOSA

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No Dia Mundial do Diabetes, comemorado em 14 de novembro, é fundamental saber como a doença pode afetar a saúde durante anos sem causar nenhum sintoma. O diagnóstico tardio aumenta as chances de complicações.

As escolhas e o estilo de vida da população têm refletido no aumento de algumas doenças, como o diabetes. Passar muitas horas sentado, comer mais açúcar e carboidratos do que o indicado e se manter sedentário são alguns hábitos que colaboram para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Quando diagnosticado no início, os prejuízos à saúde podem ser evitados com o tratamento adequado.

“O problema é que o diabetes, em especial o tipo 2, evolui muitas vezes de forma silenciosa e a pessoa só descobre a doença ao acaso, quando faz um exame laboratorial de rotina ou, pior, em decorrência de alguma complicação relacionada, como uma patologia oftalmológica, por exemplo”, como explica a , endocrinologista que integra o corpo clínico do Sérgio Franco Medicina Diagnóstica, Yolanda Schrank.

Segundo levantamento recente feito pela International Diabetes Federation (IDF),  o número de adultos que sofrem com diabetes no mundo já chega a 415 milhões, ou seja, 1 em cada 11 adultos tem diabetes. O mais alarmante é que mais de 46% dos adultos com diabetes desconhecem ser portadores da doença. Se nenhuma medida de prevenção for efetiva, a estimativa é que o número de pessoas diabéticas chegue a 1 em cada 10 adultos em 2040.

Nesse contexto, a médica ressalta que uma consulta regular com o médico assistente deve fazer parte da rotina, sendo o rastreio para a doença indicado nas seguintes situações:

· portadores de pré-diabetes (glicemia de jejum alterada);

· pessoas com pressão alta;

· portadores de colesterol alto ou aqueles com alterações na taxa de triglicérides no sangue;

· pacientes com sobrepeso ou obesidade, principalmente se a gordura estiver concentrada em volta da cintura;

· pacientes com familiar de primeiro grau com diabetes;

· pacientes com alguma condição de saúde que pode estar associada ao diabetes, como a doença renal crônica;

· história de diabetes gestacional; 

· história de síndrome de ovários policísticos;

· história de apneia do sono.

Com o diagnóstico precoce da doença há como intervir de forma efetiva no controle da glicose e, assim, evitar ou diminuir a progressão das tão temidas complicações da patologia, com destaque para complicações como retinopatia, nefropatia, obstrução arterial, infarto ou AVC.

Yolanda lembra que a prevenção do diabetes tipo 2 pode ser realizada de forma efetiva por meio de intervenções no estilo de vida, com ênfase na alimentação saudável e prática regular de atividade física. O Finnish Diabetes Prevention Study (DPS), por exemplo, mostrou que mudanças de estilo de vida, em sete anos, diminuíram a incidência da doença em 43%.

Os principais exames para a detecção da diabetes são: glicemia de jejum, hemoglobina glicada e curva glicêmica. “A glicemia em jejum costuma fazer parte dos exames de análises clínicas de rotina. Se houver alguma alteração, o médico pode solicitar exames complementares para confirmar o quadro”, finaliza a especialista.

MULHERES COM MAMAS DENSAS TÊM ATÉ 5VEZES MAIS CHANCES DE CÂNCER

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Apesar das campanhas internacionais, o câncer de mama ainda está aumentando, isso por conta da maior expectativa de vida das pacientes, sedentarismo,  obesidade, consumo excessivo de álcool e  maternidade depois dos 40 anos

 

 

OUTUBRO ROSA – Histórico de câncer de mama na família é um fator de risco muito importante quando o assunto é prevenção. Mas quem tem mamas densas também se encaixa no grupo de risco e deve ser acompanhada de perto por seu médico ginecologista.

Apesar das campanhas , o câncer de mama  está aumentando, em parte por causa da maior expectativa de vida das pacientes, em parte por causa do sedentarismo, da obesidade, do consumo elevado de álcool e até mesmo porque a maternidade está sendo adiada para depois dos 40 anos. De acordo com a médica radiologista do CDB Premium, em São Paulo, Vivian Schivartche, acrescentar informações sobre a densidade mamária nos laudos das mamografias acaba resultando num melhor modelo de prevenção, já que mulheres com mamas densas têm até cinco vezes mais chances de desenvolver câncer de mama em relação àquelas com baixa densidade mamária.

Dificuldade na interpretação

A especialista em diagnóstico da mama afirma que um dos grandes desafios da mamografia é que mamas densas (principalmente nos níveis três e quatro) podem dificultar a interpretação: “Na imagem mamográfica é difícil diferenciar o que é tecido altamente denso de um tumor. Os avanços da mamografia nos últimos anos, quando passou de um simples exame em filme para um exame digital e, mais recentemente, para um exame em três dimensões (tomossíntese), caminham na direção de aumentar a detecção de tumores cada vez menores. Ao lado disso, a ultrassonografia e a ressonância magnética também ajudam a encontrar alterações no meio do tecido denso”.

Outro ponto que gera dúvidas de interpretação são as calcificações. Elas fazem parte de muitos processos da mama. Algumas são malignas, outras não. Por isso, muitas vezes é necessário realizar imagens adicionais na mamografia ou ainda uma biópsia para chegar a um diagnóstico definitivo.

Fase precoce

“A mamografia tomográfica costuma aumentar em até 30% a detecção do câncer de mama, já que permite enxergar o tumor numa fase muito precoce e em mamas densas e heterogêneas. Porém, em situações especiais, em pacientes de alto risco, ou quando persistirem dúvidas, esses outros exames devem ser realizados”, afirma a médica.

A especialista diz que, ao serem chamadas para repetir o exame, as mulheres não devem temer nem sofrer antecipadamente. “Entre 5% e 15% das pacientes costumam receber uma chamada para imagens adicionais. Não significa que têm câncer de mama, mas que por algum motivo as imagens não estão bem claras. Estudos apontam que pacientes entre 40 e 49 anos têm 30% de chance de ter um resultado falso-positivo num período de dez anos – ou seja, serem chamadas para fazer imagens adicionais sem ter câncer”.

Vivian Schivartche revela quatro boas dicas para quem vai fazer mamografia:

1. Observe a reação do seu corpo durante o ciclo menstrual e evite agendar a mamografia naqueles dias em que as mamas estão mais sensíveis e doloridas.
2. Se puder escolher, dê preferência às clínicas que investem em novas tecnologias, já que os novos mamógrafos tornam o exame mais rápido e menos incômodo às pacientes. Outro ponto importante é a clínica contar com um radiologista especializado em imagem da mama para orientar a realização do exame.
3. Durante o exame, procure seguir a orientação do profissional que está no comando, evitando movimentos que possam comprometer o resultado final. Tenha em mente de que se trata de um exame rápido, realizado somente uma vez ao ano, e que pode salvar a sua vida.
4. Se for chamada para uma repetição, não tenha medo e procure agendar o quanto antes. Na hora do exame, tente relaxar, permitindo a compressão necessária para a melhor imagem possível. Oito em cada dez nódulos encontrados não têm nada a ver com câncer.

 

FUMANTES TÊM 4 VEZES MAIS COMPLICAÇÕES EM CIRURGIAS

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29 de agosto é o Dia Nacional de Combate ao Fumo, uma data que visa lembrar a importância de largar o vício do tabagismo, uma vez que a fumaça de cigarro contém mais de quatro mil compostos químicos (a maioria tóxicos), e que estão ligados ao estresse oxidativo celular com consequentes efeitos patológicos no organismo.

“O cigarro é irritante à mucosa respiratória, o que causa acúmulo de secreção, podendo complicar a anestesia. Além disso, a tosse pode atrapalhar a recuperação de algumas cirurgias como abdômen e face. Do ponto de vista vascular, o risco de trombose também é maior em pacientes fumantes”, explica a cirurgiã plástica, Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Isaps (International Society of Aesthetic Plastic Surgery).

Um estudo publicado na revista da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, em fevereiro deste ano e com análise de 40 mil pacientes, comprovou a maior incidência de complicações em pacientes tabagistas, incluindo trombose pulmonar, infecção, hematoma, necrose de tecidos e problemas com qualidade de cicatriz.

FUMAR SÓ CAUSA PREJUÍZO

De acordo com a médica, além da produção de radicais livres, hoje responsáveis por aceleração do envelhecimento, cada cigarro leva a um período de diminuição no calibre dos vasos sanguíneos, aporte de oxigênio e nutrientes na região da pele. “Alguns estudos apontam um aumento de até quatro vezes o número de complicações e intercorrências em decorrência do tabagismo, tanto no aparelho respiratório como risco de necroses e dificuldade de cicatrização da área operada”, observa.

Já sobre o risco de trombose, a angiologista e cirurgiã vascular, Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, detalha que a nicotina presente no cigarro está ligada à diminuição da espessura dos vasos sanguíneos. “Além disso, o monóxido de carbono oferece um fator adicional de risco ao diminuir a concentração de oxigênio no sangue. Todo esse processo pode causar complicações para o normal funcionamento dos vasos, que ficam mais susceptíveis ao entupimento, podendo levar a processos de trombose principalmente quando há fatores de risco envolvidos”, afirma a angiologista. A trombose é um termo que se refere à condição na qual há o desenvolvimento de um ‘trombo’, um coágulo sanguíneo, nas veias das pernas e coxas. Esse trombo entope a passagem do sangue.

Nos casos em que se realizam cirurgias com amplos descolamentos, a tendência é de haver um risco maior de comprometimento do processo de cicatrização. Isso pode levar ao surgimento de necroses teciduais, deiscências de suturas (afastamentos das partes costuradas), dentre outras complicações. Desta maneira, é imprescindível adequar técnicas menos agressivas, com descolamentos teciduais menores para proteger o paciente de possíveis complicações, além de aconselhá-lo a cessar o fumo no pré-operatório.

RISCO DE NECROSE

“Seguindo orientação de artigos científicos, recomendo parar de fumar de quatro semanas antes da cirurgia até quatro semanas depois. A piora na cicatrização e aumento de complicações são conhecidos por todos os médicos e o paciente que deseja realizar a cirurgia precisa estar ciente dos riscos”, explica Beatriz. Na ritidoplastia (plástica ou lifting facial), o tabagismo aumenta muito a chance de necrose (morte da pele), portanto, independentemente do tipo de cirurgia, vale a pena o esforço de parar de fumar.

A cirurgiã plástica ainda reforça que o interessado em realizar cirurgia plástica deve consultar sempre um especialista membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

11 PASSOS PARA FAZER ACOMPANHAMENTO FARMACOTERAPÊUTICO NO PÓS-OPERATÓRIO EM CIRURGIA PLÁSTICA

 

POR EGLE LEONARDI

O Brasil está entre os países que mais realiza cirurgia plástica no mundo, sendo considerado referência nesse tipo de procedimento. O paciente que procura a cirurgia plástica, seja ela reparadora ou estética, busca realização, autoestima, melhora da aparência, aceitação ou mesmo retomar a função de alguma parte do corpo.

Nesse contexto, o acompanhamento farmacoterapêutico realizado pelo profissional farmacêutico visa contribuir para um resultado seguro e garantir a satisfação e o bem-estar do paciente. Para isso, é importante que a equipe de saúde envolvida nesse processo tenha uma visão multidisciplinar, pois o paciente seguramente precisará de profissionais de áreas transversais e que somam o atendimento com foco nesses objetivos.

De acordo com a farmacêutica e mestra em Ciências Farmacêuticas, Rita Sampaio, o farmacêutico contribui dentro da equipe de saúde, desde a assistência farmacêutica, no acompanhamento dos medicamentos prescritos pelo médico, sugerindo o melhor horário posológico, orientando sobre possíveis interações medicamentosas que colocam em risco a saúde do paciente, reações adversas que poderão surgir durante o tratamento, entre outras funções que complementam o trabalho da equipe. “O farmacêutico colabora por transmitir ao paciente a segurança e a tranquilidade necessárias, ajuda a reduzir o risco de complicações e aumenta as chances de êxito da cirurgia plástica”.

Parceria é fundamental

Entretanto, o professor do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Alexandre Massao Sugawara, comenta que a relação entre a equipe clínica, principalmente o cirurgião, deve ser profissional e harmoniosa, procurando estabelecer parceria nas ações de saúde em prol dos pacientes. “É evidente, atualmente, que o trabalho em equipes multidisciplinares é condição necessária e irrevogável no âmbito da saúde”, diz ele.

Vale lembrar que a relação do farmacêutico com o prescritor deve compreender a prescrição, o relacionamento colaborativo e humanitário, identificar o modelo de abordagem, coordenar consensos, facilitar a relação com o paciente e estabelecer corresponsabilidades.

Sendo assim, Rita Sampaio é quem desenha a melhor forma de fazer o acompanhamento farmacorterapêutico em pacientes no pós-operatório de cirurgias plásticas. Acompanhe:

1- No início da consulta – Os cuidados farmacêuticos com os pacientes pós-cirúrgicos vão além do acompanhamento farmacoterapêutico. Durante a consulta deve-se deixar claro que a colaboração dele é fundamental para o sucesso da cirurgia e, principalmente, para evitar complicações. O paciente tem uma importante participação nesse resultado, e contar com esse apoio é fundamental.

Aspectos como repouso, exercício físico, alimentação, higiene, entre outros fatores, são extremamente relevantes e devem fazer parte das orientações.  Nesse momento, é importante que os cuidadores estejam presentes e sintam-se parte desse processo.

2 – Fazer a anamnese – Outro ponto importante é levantar todas as informações acerca desse paciente, como hábitos, doenças coexistentes, uso de medicamentos e até mesmo identificar e orientar sobre possíveis riscos da automedicação. Em face disso, o farmacêutico pode solicitar os exames mais recentes, para assim poder ter uma ideia geral e segura do estado de saúde atual do paciente.

3 – Ressaltar as principais orientações sobre medicamentos – Inicialmente, é importante ressaltar que o farmacêutico tem um papel fundamental na adesão do paciente ao tratamento medicamentoso prescrito, pois é o profissional habilitado a orientar a população sobre o uso racional de medicamentos. No período pós-cirúrgico de cirurgia plástica é preciso assegurar que o tratamento será realizado com precisão, respeitando-se os horários e o tempo necessário até que se concluam as doses, e os sintomas e sinais desapareçam.

4 – Explicar as complicações – Algumas complicações, como a formação de seromas e fibrose são evitadas com o tratamento medicamentoso e procedimentos adequados. Exemplo disso é o uso de antimicrobiano após a cirurgia plástica, o qual deve ser tomado pelo tempo e horário determinados, evitando infecções ou resistência a esses princípios.

É preciso evitar o uso de fármacos como a warfarina, heparina, ácido acetilsalicílico (AAS), vitamina k e o fitoterápico Gingko Biloba. Todos, de alguma forma, podem comprometer a coagulação e circulação levando a sangramentos ou hematomas no local da cirurgia. O AAS, por exemplo, está presente em algumas marcas de analgésicos e deve ser tomado com cautela por pacientes com histórico de problemas como úlcera e gastrite.

O uso de anticoncepcional hormonal deve ser suspenso em cirurgias com anestesia peridural, raqui ou geral, já que esses medicamentos aumentam o risco de trombose e embolia pulmonar. Pacientes diabéticos apresentam dificuldade de cicatrização, portanto, devem manter a glicemia sob controle e não deixar de tomar seus medicamentos nos horários corretos, aferindo a glicemia com regularidade.

5 – Evitar a automedicação – É preciso orientar o paciente sobre os riscos da automedicação nos casos de dor, febre ou outros eventos que possam levar ao consumo indiscriminado de medicamentos. Isso evita intercorrências pós-operatórias. Casos de complicações pós-cirúrgicas, infecções, sangramentos anormais, dificuldade de cicatrização, formação de queloides, hipertrofia, hematomas e edemas são episódios que podem ser minorados com as orientações e cuidados farmacêuticos sobre o uso correto de medicamentos e procedimentos a serem seguidos.

6 – Orientar sobre dieta e exercícios físicos – Alguns fatores considerados de risco como obesidade, tabagismo e hipertensão podem levar a deficiências nutricionais e que podem ser corrigidos por meio da dieta monitorada por um nutricionista. Seguir a dieta prescrita por um profissional evita complicações e facilita a cicatrização no pós-operatório de cirurgia plástica. Por isso, há a importância da equipe multidisciplinar atuando. A falta de algumas vitaminas e oligoelementos, como as vitaminas A, B, C, ferro, cobre e zinco podem aumentar as chances de sangramentos e dificultar a cicatrização. Portanto, uma boa dieta é fundamental, tanto no pré como no pós-operatórios. Os exercícios físicos podem alargar as cicatrizes, pois forçam e tencionam a pele e só são liberados gradualmente de acordo com a recuperação do paciente. O farmacêutico auxilia o paciente a cumprir com as orientações do cirurgião bem como da equipe de saúde, corroborando para o êxito do procedimento.

7 – Alertar sobre as interações medicamentosas – As interações medicamentosas ocorrem quando os efeitos de um fármaco são comprometidos pela presença de outro fármaco, alimento, bebida ou algum agente químico ambiental, podendo ser tanto positivas (aumento da eficácia) quanto negativas (toxicidade, redução da eficácia ou idiossincrasia). Durante o acompanhamento farmacoterapêutico é importante considerar alguns aspectos que predispõem os pacientes a interações medicamentosas severas, como quantidade de medicamentos prescritos, esquema posológico, idade, tempo de tratamento e presença de doença renal ou hepática.

As interações podem ocorrer em qualquer fase da cirurgia plástica e o farmacêutico deve orientar o paciente a evitar o tabagismo, álcool e a automedicação para não comprometer a eficácia do procedimento e evitar complicações. Alguns grupos terapêuticos, como os antimicrobianos, anti-inflamatórios e analgésicos, estão entre os fármacos mais utilizados na recuperação pós-cirúrgica e podem interagir com outros medicamentos, como antidepressivos, ansiolíticos, anti-hipertensivos, antiácidos, medicamentos para tratamento de diabetes, entre outros. Nesse sentido, o farmacêutico pode ajustar o esquema posológico ou sugerir alterações de fármacos para otimizar o tratamento.

8 – Mostrar a importância no processo – No acompanhamento farmacêutico o foco é o bem-estar do paciente e a garantia do tratamento mais indicado, efetivo, seguro e conveniente. O atendimento ao paciente torna-se mais humanizado quando a equipe interdisciplinar está atuando em conjunto. O farmacêutico deve explicar ao paciente que a ausência do acompanhamento farmacêutico pode ignorar aspectos como a ocorrência de eventos adversos ou problemas de saúde relacionados aos medicamentos, buscando medidas preventivas e corretivas.

9 – Sucesso do trabalho – Esse modelo de trabalho, em que o farmacêutico atua de modo integrado à equipe multidisciplinar já é sucesso em vários países. Nos Estados Unidos, por exemplo, desde a década de 1960, a farmácia clínica já é realidade dentro do âmbito hospitalar. A resolução Nº 585, de 29 de agosto de 2013, que regulamenta as atribuições clínicas do farmacêutico, vem contribuindo, desde a sua publicação, com a expansão desse modelo em todos os níveis de atenção à saúde. Sendo assim, o acompanhamento farmacoterapêutico realizado de forma responsável e integrado, sem dúvida alguma, traz grandes chances de sucesso ao paciente, que recebe esses cuidados, bem como a família e a comunidade.

10 – Interação com a equipe médica – A atividade do farmacêutico complementa o trabalho do médico e de toda a equipe de saúde. Reconhecer a importância de cada profissional nesse processo de acompanhamento pós-cirúrgico traz benefícios ao paciente. O foco dos cuidados farmacêuticos é o indivíduo, seu bem-estar e a recuperação da sua saúde. Portanto, o trabalho conjunto e complementar deve ser considerado.

11 – Documentar sempre – O plano de cuidados farmacêuticos é muito amplo e deve ser documentado visando a otimizar o acompanhamento farmacoterapêutico e controlar a evolução do paciente. São muitas as possibilidades de intervenção e orientação clínica. Registrar o atendimento facilita a atuação de toda a equipe de saúde.

A matéria foi publicada no Portal de Notícias do ICTQ.

Atenção farmacêutica junto aos pacientes oncológicos

Na oncologia, a integração de uma equipe com funcionamento harmônico, com amplos e efetivos canais de comunicação, torna os tratamentos mais efetivos, mais seguros e mais bem tolerados pelos pacientes. Por isso, há os que defendem que a oncologia é, atualmente, uma atividade estritamente multiprofissional. Será mesmo que já passou a época em que o médico só prescrevia, o farmacêutico só manipulava e o enfermeiro só administrava os medicamentos? Será que essa atuação multidisciplinar existe na prática ou está apenas limitada ao discurso politicamente correto?

“A atenção humanizada é importante em todas as áreas do cuidado à saúde e é de fundamental importância em doenças graves, como o câncer, em que os pacientes estão mais fragilizados. A prática nessa atividade tem sido o desenvolvimento de programas de aperfeiçoamento e a atenção multidisciplinar, já que dificilmente um único profissional consegue dar conta de todas as demandas dos pacientes e seus familiares”, defende o oncologista Ricardo Caponero autor dos livros A Comunicação Médico-Paciente no Tratamento Oncológico (MG Editores), e Cuidados paliativos – Conversas sobre a vida e a morte na saúde (Ed. Manole).

RISCOS DO MANUSEIO E MANIPULAÇÃO

Importante salientar que oncologia é uma das especialidades médicas atendidas pelas farmácias hospitalares e que segue, do ponto de vista logístico, os mesmos cuidados dos demais medicamentos, porém com algumas peculiaridades, como a questão dos riscos associados ao seu manuseio e manipulação. “Via de regra, são medicamentos que exigem conservação em refrigeração ou controle de temperatura ambiente devido a sua termolabilidade, além da questão do alto custo, que requer cuidados com a segurança do seu armazenamento”, fala o presidente da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde (Sbrafh) e conselheiro Federal no CFF, Marcelo Polacow Bisson.

Ele lembra que a manipulação desses medicamentos é privativa do farmacêutico e exige área física apropriada de acordo com as normas sanitárias da Anvisa e profissionais do CFF. Como se tratam de medicamentos com elevado índice de reações adversas e efeitos colaterais, é fundamental um acompanhamento farmacêutico clínico – questão reforçada pela Lei Federal 13.021/2014. “Esses medicamentos não podem ser dispensados no varejo, pois são de uso exclusivo clínico e hospitalar, quase sempre exigindo diluições que requerem fluxo laminar e paramentação dos manipuladores. Mesmo os medicamentos orais exigem cuidados especiais no armazenamento e na dispensação, além de uma rigorosa orientação aos pacientes”.

No quesito importância do farmacêutico nesse contexto, o médico é enfático: “O farmacêutico tem um papel fundamental no levantamento das medicações que o paciente utiliza de forma rotineira, na análise das interações medicamentosas e, o mais importante, avaliando eventos adversos e garantindo a adesão do paciente ao tratamento”.

ATENÇÃO FARMACÊUTICA

Claudinei Alves Santana é professor do ICTQ de Atenção Farmacêutica em Oncologia, Atenção Farmacêutica em Antibioticoterapia, Farmácia Clínica, Farmacoterapias, Interações Medicamentosas, Fisiologia e Fisiopatologia dos Sistemas nos cursos de Farmácia Hospitalar e Oncologia, Prescrição Farmacêutica e Farmácia Clínica (Regular e In Company). Ele diz que a farmácia hospitalar é diferenciada em área física, sistemas de dispensação e controle logístico. O paciente não tem acesso à farmácia hospitalar, porém, é o farmacêutico que se desloca até o paciente para coleta de informações, dispensação de medicamento eventualmente e orientação ao paciente e seus familiares.

“É de suma importância a atenção farmacêutica nesses pacientes, pois alguns tipos de câncer são tratados por um longo período. Esse tratamento, isoladamente, já demanda muitos medicamentos, e em alguns casos, os pacientes têm doenças concomitantes (diabetes, depressão, hipertensão) que fazem com que se utilize ainda mais medicamentos, denominada polifarmácia”, comenta Santana. Nesse momento, o farmacêutico, com sua formação humanística, pode exercer a prática da atenção farmacêutica para diminuir as dificuldades do paciente em relação aos medicamentos. As principais práticas da atenção farmacêutica estão relacionadas a colaborar para a solução dos Problemas Relacionados com os Medicamentos (PRMs) que surgem devido ao mecanismo de ação dos oncológicos (anemias, náuseas e vômitos, fraqueza, dores musculares, entre outras). Ele defende que um ponto importante a ser ressaltado é a avaliação da prescrição e a sua adequação aos mais variados protocolos de tratamento. O farmacêutico é o profissional responsável por essa avaliação e intervenção junto à equipe médica.

ALTO GRAU DE HUMANIZAÇÃO

Polacow afirma que, considerando a gravidade dos pacientes oncológicos e, muitas vezes, seu status psicológico, o cuidado com eles exige um alto grau de humanização. Até pouco tempo, o farmacêutico quase nunca tinha contato com o paciente, e suas atividades eram meramente logísticas e na manipulação. Atualmente, com o incremento da farmácia clínica na oncologia, o farmacêutico adquiriu outras atribuições que envolvem o seguimento farmacoterapêutico dos pacientes e a farmacovigilância destes medicamentos.

Caponero alerta que há  muitas substâncias ditas naturais (por exemplo, erva de São João; suco de toranja etc.) que possuem interações com os fármacos tradicionais e precisam ser usadas com cuidado.

Ele destaca, no entanto, que a comunicação é essencial em todos os aspectos do cuidado. É importante que as intervenções sejam sincrônicas e harmônicas, e isso só se consegue com a comunicação franca e frequente. “Todos os aspectos referentes ao cuidado do paciente devem ser privilegiados, mas a adesão ao tratamento e a ocorrência de efeitos colaterais são aspectos importantes. Em nosso meio, outro aspecto também de grande relevância é a qualidade da medicação. O farmacêutico é corresponsável pela qualidade dos medicamentos administrados”, diz o médico. Ele completa falando que, apesar de não serem prescritores, a lei faculta aos farmacêuticos a autonomia para trocar o nome comercial dos medicamentos, respeitadas as substâncias químicas e posologia.

PRESCRIÇÃO POLÊMICA

Apesar de a classe médica não aceitar com facilidade, Polacow afirma que, de acordo com as resoluções 585 e 586/13 do CFF, o farmacêutico pode prescrever medicamentos e, no caso da oncologia – quando houver protocolos clínicos e eles tiverem valor legal e forem pactuados entre a equipe multiprofissional -, o farmacêutico, assim como o enfermeiro, podem prescrever, nos moldes do que ocorre atualmente nos Estados Unidos e na Europa, em países mais avançados em termos de farmácia oncológica. “Os medicamentos complementares normalmente são aqueles prescritos para tratar os efeitos colaterais dos medicamentos, como a náusea, vômito, enjoos, irritação nas mucosas, inapetência, fadiga ou a própria manifestação clínica da doença como, por exemplo, a dor”, comenta ele. Uma vez prescrito o medicamento, cabe ao farmacêutico acompanhar o paciente e encaminhá-lo ao médico quando entender necessário, sempre respeitando seus limites técnicos, éticos e legais.

Para Santana, esse profissional, acima de tudo, precisa entender o quanto é importante na restauração da saúde do paciente e o seu papel fundamental na equipe multiprofissional: “O farmacêutico precisa ter conhecimento em farmacologia dos medicamentos antineoplásicos e farmácia clínica em pacientes oncológicos, conhecimento aprofundado em interações medicamentosas e interpretação de resultados de exames laboratoriais, além de excelente técnica para manipulação de injetáveis”.

SEGURANÇA NOS HOSPITAIS

No que se refere às práticas e aos cuidados essenciais quando os medicamentos oncológicos são administrados nos próprios hospitais nas vias orais ou intravenosa, Santana explica que essa administração é feita sempre com o objetivo de alcançar a segurança do paciente e, com isso, melhorar a efetividade do tratamento: “Em relação aos medicamentos orais e intravenosos a proposta é o medicamento certo, para o paciente certo, na dose certa e via certa. E isso somente é conseguido com sistemas de dispensação de medicamentos adequados que garantam rastreabilidade dentro da instituição hospitalar”. Em relação aos medicamentos intravenosos a etapa de manipulação é crucial, pois, além da avaliação da prescrição para a manipulação, o profissional farmacêutico necessita manipular os medicamentos com segurança e atenção. Nessa etapa, a rotulagem do manipulado é de extrema importância, pois deve conter informações completas sobre o nome do paciente, leito, tempo de infusão e estabilidade, nome do manipulador, para evitar erros no momento da dispensação e administração do medicamento.

Polacow comenta que a atividade deve seguir as boas práticas em farmácia hospitalar (da Sbrafh) e em farmácia oncológica (da Sociedade Brasileira de Farmacêuticos em Oncologia – Sobrafo). O importante é o farmacêutico trabalhar conjuntamente com os demais membros da equipe multiprofissional. Sejam medicamentos orais ou intravenosos, ele diz que o farmacêutico deve acompanhar toda a administração por parte da enfermagem, sendo acionado quando necessário para orientar o paciente ou até mesmo discutir os protocolos com os médicos. “Já passou a época do serviço estanque, em que o médico só prescrevia, o farmacêutico só manipulava e o enfermeiro só administrava os medicamentos, sendo que hoje todas estas etapas são compartilhadas e discutidas conjuntamente”.

Para os cuidados em casa, as orientações aos pacientes englobam desde o efeito farmacológico, mecanismo de ação, posologia, reações adversas e como lidar com elas, além do armazenamento seguro e em condições apropriadas. É fundamental utilizar linguagem clara e inteligível com os pacientes, respeitando suas limitações. O ideal é que as orientações sejam escritas e, em casos de pacientes analfabetos ou com limitações, que a comunicação respeite suas necessidades, utilizando, por exemplo, pictogramas e até mesmo braile no caso de deficientes visuais.

Importante ressaltar para quem deseja atuar neste segmento que, além da graduação em Farmácia, é altamente recomendável a prática profissional (neste caso a residência multiprofissional) e a participação em cursos de pós-graduação lato sensu, por exemplo, em farmácia clínica em oncologia, farmácia oncológica ou em farmácia hospitalar.

Matéria publicada no Portal de Notícias do ICTQ.


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