All for Joomla All for Webmasters

alem-da-dengue-e-chikungunya-mais-de-30-doencas-irao-aumentar-gastos-previstos-de us$310-milhoes-vitae-editora

 

Muito além da dengue e da chikungunya, a quantidade de arbovírus no Brasil pode aumentar nos próximos anos. São mais de 30 doenças transmitidas por vetores, e que podem trazer sérios problemas para o Brasil. Isso é o que diz o professor doutor entomologista, malacologista, mestre e especialista em controle de vetores e pragas, Fabio Castelo Branco.

Ele afirma que há muitas doenças transmitidas ao homem por vetores, sendo que mais de 70% dessas doenças são denominadas Arboviroses. Arbovírus (de “arthropod borne vírus”) são vírus que podem ser transmitidos ao homem por vetores artrópodes. (Definição da OMS: “vírus mantidos na natureza através da transmissão biológica entre hospedeiros vertebrados suscetíveis por artrópodos hematófagos, ou por transmissão transovariana e em artrópodos”).

O que são os Arbovírus?

O termo Arboviroses refere-se às doenças causadas pelos denominados arbovírus. São classificados como arbovírus todos os vírus que são transmitidos por insetos e aracnídeos. O vírus da dengue e o Zika  também estão nessa categoria, assim como, a febre Chikungunya e a febre amarela.

O pesquisador afirma que existem 545 espécies de arbovírus, e 150 delas causam doenças em seres humanos. O mosquito infectado se torna um vetor e um reservatório por toda a sua vida, podendo inclusive transmiti-lo a sua prole.

Importância médica e sintomas das doenças

Segundo Castelo Branco, o diagnóstico das arboviroses é feito com exames genéticos, que identificam parcelas do material genético do arbovírus no sangue do paciente. Esses exames levam de três a quatro dias para ficarem prontos, mas só conseguem detectar o vírus enquanto ele ainda está circulante no organismo.

Os sintomas das arboviroses variam muito, já que sua única característica em comum é o fato de serem transmitidos por artrópodes. No entanto, dentro das subclassificações das arboviroses, algumas costumam ter sintomas semelhantes. Por exemplo, dentro da família de flavivírus, temos a dengue, zika vírus e febre chikungunya com sintomas bem parecidos, o que muda é a intensidade de cada sintoma, como:
Febre
– Dor de cabeça
– Mal-estar
– Dor nas articulações
– Manchas vermelhas e erupções na pele
– Náuseas e vômito.

A dor de cabeça costuma ser mais intensa na dengue, enquanto a dor nas articulações é mais intensa na febre chikungunya e o zika vírus raramente apresenta febre ou outros sintomas mais característicos.

Além disso, o Zika vírus pode ter como sintoma um quadro de conjuntivite sem secreção, ou seja, os olhos ficam inchados e vermelhos. Já a febre chikungunya apresenta dor intensa nas juntas, que pode até causar inchaço.

No entanto, outros vírus dessa família, como o vírus do oeste do Nilo ou a encefalite japonesa apresentam outras características em seus sintomas, como problemas neurológicos. Essa diversidade dos sintomas ocorre porque os vírus são agrupados nessa família devido a semelhanças em seu DNA e proteínas.

Para Castelo Branco, algumas dessas similaridades os levam a ter sintomas parecidos, por ativarem os mesmos mecanismos do sistema imunológico, mas não são todas. Ou seja, nem todos os vírus dessas famílias têm as mesmas características relacionadas a sintomas iguais.

Impacto Social e Econômico das Doenças

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o zika vírus é uma situação de emergência com proporções internacionais. Está sendo estudada a hipótese de que as gestantes podem passar o vírus para os fetos por meio dessa transmissão, assim como por meio das transfusões de sangue intrauterinas. Testes mais eficazes vêm sido realizados com a finalidade de identificar se há essa relação.

Outra dimensão importante da epidemia do zika é o impacto econômico, principalmente nos países da América Latina e do Caribe. Em geral, as estimativas econômicas são geradas em quatro categorias de custos: os custos diretos relacionados a assistência aos pacientes, a perda de produtividade, a perda relacionada a morte prematura e o impacto da evasão de recursos, por exemplo perdas com o turismo.

“Ainda não foram realizados estudos com delineamentos acurados para estimar o impacto econômico do vírus no Brasil, porém o Banco Mundial estima que a infecção vai custou aproximadamente US$ 3,5 bilhões em 2016 no cenário mundial e US$ 310 milhões no Brasil”, fala ele.

Ao contrário do que ocorre com a zika, ainda não há evidências de que o vírus da chikungunya seja transmitido da mãe para os bebês durante a gravidez, segundo o Ministério da Saúde. No entanto, a doença tem suas próprias peculiaridades.

Ele conta que, em seus primeiros dez dias, os sintomas costumam ser febres, fortes dores e inchaço nas articulações dos pés e das mãos. Em alguns casos, ocorrem também manchas vermelhas no corpo. Mas mesmo com o fim da viremia – período em que o vírus circula no sangue – a dor e o inchaço causados pela doença podem retornar ou permanecer durante cerca de três meses. Em cerca de 40% dos casos, eles tornam-se crônicos e podem permanecer por anos.

Nessa guerra contra dengue, zika e chikungunya sobram prejuízos para todos. Para empresas: prejuízo. Para empregados: substituição ou demissão. Para profissionais autônomos: falência. Para todos: a dificuldade de se ausentar para cuidar dos familiares doentes.

O pesquisador afirma que, diante do cenário preocupante, é de se esperar que autoridades de saúde ampliem ações. É certo que o País tem condições favoráveis para a proliferação do Aedes, mas estado e população devem trabalhar juntos para combater o mosquito.

 

Deixe seu comentário