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A FARMÁCIA NA ÍNDIA – O PAÍS DAS VACAS SAGRADAS

POR EGLE LEONARDI

Você já ouviu algo sobre o funcionamento de uma farmácia na Índia? Acredito que não…Por isso, dando sequência à série de reportagens que abordam, com exclusividade, a estrutura dos estabelecimentos farmacêuticos ao redor do mundo, você irá conhecer as peculiaridades das drogarias daquele país.

E, para começar, vale dizer que a Índia (Bharat Juktarashtra) é um país situado na Ásia Meridional. É o sétimo maior em área geográfica e o segundo país mais populoso do mundo, com população de 1,311 bilhão (2016). Sua capital é Nova Deli e sua língua oficial é a hindi, seguida do Inglês.

Com renda per capita em torno de R$ 5.650,00, tem força de trabalho girando em torno de 502 milhões (2015) e taxa de analfabetismo chegando a mais de 37% da população. Sua economia gira em torno da agricultura, pecuária, mineração, além de uma área industrial bem desenvolvida e baseada em produção de medicamentos, entre outros produtos.

Para conhecer melhor a estrutura da farmácia no país das vacas sagradas, o farmacêutico, Sachin Jadhav, fala sobre a legislação e conta sua experiência no estabelecimento onde trabalha, em Aurangabad – uma cidade do Estado de Maharashtra, com cerca de 945 mil habitantes.

1 – Regulamentação do comércio farmacêutico              

O comércio farmacêutico é regulado pela Organização Central de Controle Padrão de Medicamentos do Governo da Índia (é como se fosse a Anvisa no Brasil). E detalhe…na Índia, somente os farmacêuticos podem ser proprietários das farmácias, e eles são os responsáveis técnicos em seus estabelecimentos.

A exigência de um farmacêutico nos estabelecimentos é em período integral. Nenhum estabelecimento pode estar aberto sem a presença desse profissional.

2 – Perfil das lojas

Todos os medicamentos na Índia ficam atrás do balcão, inclusive os medicamentos isentos de prescrição (MIPs).

Não se vendem alimentos nesses locais, porém, fora isso, é possível encontrar de tudo: óculos, camiseta, chinelo e muito mais nas gôndolas, pelo menos nos grandes centros (mas há notícias de que farmácias de áreas remotas comercializam também todo tipo de alimento, como doces, balas, chocolates, sorvetes e refrigerantes). É muito comum encontrar também artigos cirúrgicos e médico-hospitalares nas gôndolas de todo o país.

3 – Prescrição de medicamentos

Em algumas farmácias há a prática da prescrição farmacêutica, amparada por lei. No entanto, a maioria não abraçou essa prática, pendendo apenas para a dispensação de medicamentos industrializados e manipulados e para a prestação de serviços farmacêuticos, como aplicação de injetáveis.

4 – Remuneração do farmacêutico

Jadhav afirma que o salário do farmacêutico é muito bom na Índia. Eles ganham mensalmente de 30.000 INR (R$ 1.500,00) a 60.000 INR (R$ 3.000,00) – considerado alto para os padrões do país.

5 – Curiosidade

As farmácias maiores, localizadas nas cidades, se parecem muito com as do Brasil, porém com uma diferença básica: a manipulação também acontece no mesmo ambiente. Além de dispensar medicamentos industrializados, os farmacêuticos também manipulam as substâncias dentro da própria farmácia, e muitas vezes no balcão mesmo, na frente do cliente. Isso inclui medicamentos e cosméticos, como cremes (hidratantes, emolientes, etc.) e filtros solares.

É importante salientar que, em outubro de 2016, foi firmada uma parceria na área de regulação de produtos farmacêuticos entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Organização Central de Controle Padrão de Medicamentos do Governo da Índia.

A cooperação é feita a partir de experiências regulatórias entre as duas instituições, troca de informações sobre exigências regulatórias do Brasil e da Índia e visitas mútuas de técnicos para conhecer os procedimentos de trabalho. A parceria engloba: inspeções internacionais, regulação de estudos de bioequivalência e biodisponibilidade e de estudos clínicos, regulação de dispositivos médicos, regulação de Ingredientes Farmacêuticos Ativos (IFAs), farmacovigilância, regulação de produtos biológicos e medicamentos, farmacopeia e medicamentos espúrios e fora da qualidade padrão.

Matéria publicada no Portal de Notícias do ICTQ

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