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PACIENTES COM CÂNCER RECEBEM SUA PRÓPRIA MEDULA ÓSSEA

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Aliado a quimioterapia, o transplante de célula tronco é um tratamento consolidador em casos de mielomas e linfomas

 

De acordo com o Mistério da Saúde, a taxa de doadores de órgãos efetivos aumentou 5% no Brasil em 2016, em relação ao ano anterior. Apesar do crescimento, esse número ainda é abaixo do esperado. Um dos maiores desafios para a expansão do serviço ainda é a conscientizar as famílias sobre a doação. Os dados indicam que, aproximadamente, 40% das famílias não autorizam a doação dos órgãos de parentes falecidos. Mas em alguns casos, o próprio paciente pode ser o seu doador, como é feito no transplante de medula óssea do tipo autólogo.

Para o onco-hematologista especializado em transplante de medula óssea do Hospital Brasília, Fernando Blumm, esse tipo de procedimento é uma importante arma para o tratamento do paciente. “O transplante autólogo é uma consolidação, ou seja, um reforço para se atingir os melhores resultados de um tratamento inicial empregado para linfomas de Hodgkin, não Hodgkin recidivados e mieloma múltiplo. Desta forma, quando o paciente chega para o transplante, ele já foi submetido a um processo de controle da doença e vai aumentar suas chances de cura. As células transplantadas permitem que a pessoa receba doses altas de quimioterapia nos dias que antecedem a infusão, o chamado condicionamento, permitindo uma recuperação rápida e segura” explica.

O transplante de célula tronco hematopoiética, como é formalmente chamado, não é invasivo, ou seja, não necessita de cirurgia para ser realizado. A técnica se dá por meio da coleta das células tronco diretamente do sangue, isto consiste na primeira etapa do transplante, que também abrange o congelamento do material coletado. Estas células serão, posteriormente, descongeladas e infundidas diretamente no paciente. Esta é a segunda e última etapa do procedimento e é chamada de infusão. “O paciente fica internado aproximadamente 3 a 4 semanas. É necessário receber a quimioterapia antes da infusão das células tronco. Desta forma, o paciente é observado e acompanhado durante o seu processo de recuperação da quimioterapia e de enxertia, termo utilizado quando as novas células começam a produzir o sangue novamente”, destaca o especialista.

Eficácia do tratamento
O onco-hematologista ressalta ainda que esse tratamento não deve ser realizado isoladamente, mas sempre como consolidação do processo quimioterápico para o combate dos tumores do sangue. “A quimioterapia do condicionamento, prévia a infusão das células tronco, é bastante agressiva para esses casos. O transplante das células entra para abreviar o efeito dessas medicações. Sem o transplante o corpo levaria de 2 a 3 meses para se recuperar, além do alto risco de não suportar todo esse processo. O paciente transplantado tem de 10 a 14 dias para as células voltarem a atuar, sem contar os ganhos referentes a segurança em relação à quimioterapia”, conclui.

Outros transplantes 

Além do transplante de célula tronco hematopoiética, a infraestrutura e a equipe médica do Hospital Brasília também estão preparadas para os procedimentos de transplantes de rim e fígado. O Hospital já realizou 13 transplantes dessa natureza desde novembro de 2014.

NA MIRA DOS INIBIDORES DE APETITE

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Por trás das promessas de emagrecimento dos inibidores de apetite, recentemente liberados pelo Congresso Nacional, está um risco para a saúde que precisa ser avaliado. Conheça os cuidados que deve-se ter com esses medicamentos

 

O Senado e a Câmara aprovaram a lei que liberou a produção, comercialização e consumo de inibidores de apetite, compostos a partir da anfepramona, femproporex e mazindol, além da sibutramina. O texto inclui a obrigatoriedade de que os medicamentos para emagrecimento devem fazer parte da classificação tarja preta e devem ser somente vendidos com a retenção de receita de cor azul.

Na avaliação dos parlamentares que aprovaram a lei, a proibição da produção e da comercialização dos inibidores do apetite prejudica milhares de pacientes que necessitam de tratamento para a obesidade, além de estimular a provável ampliação do mercado negro dessas substâncias.
Essas substâncias, anfetaminas inibidoras de apetite, já foram usadas no Brasil por décadas, provocando inúmeros problemas com efeitos colaterais até serem proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2011.

Antes da proibição, o Brasil chegou a ser campeão mundial em vendas do femproporex. O problema é que esses inibidores do apetite eram receitados por profissionais que não estão preparados para lidar com seus efeitos colaterais, como ginecologistas, ortopedistas, clínicos gerais ou dermatologistas. O médico que poderia receitar esse tipo de medicamento, a rigor, é apenas o endocrinologista.

Quando a Anvisa tomou a decisão de proibir essas substâncias inibidoras do apetite, já existia a conclusão de eram drogas que não haviam demonstrado serem realmente eficazes e que a perda de peso que elas proporcionavam não acontecia para todos os pacientes. Esses efeitos não se mostravam compensadores para o risco dos problemas indesejáveis que causavam. Além disso, depois do emagrecimento, os pacientes engordavam novamente.

A proibição é mundial

Já há algum tempo as três substâncias foram proibidas no mercado farmacêutico de outros países, em que o controle é rigoroso. O mazindol foi proibido nos Estados Unidos e Europa em 1999. A anfepramona é proibida na Europa e o femproporex é proibido na Comunidade Europeia desde 1999, e nunca foi aprovado nos Estados Unidos.
É o caso, por exemplo, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia. Algumas razões são de que a obesidade precisa ser tratada e há poucos recursos, sendo que essas drogas são baratas e acessíveis para a população de baixa renda. O uso seria seguro quando prescrito por médicos preparados e sem que sejam associadas a outros medicamentos ou usadas em doses elevadas.

Proibir ou liberar?

Os médicos não chegaram a um consenso, profissionais da área de saúde debateram a questão e ela sempre se mostrou muito complexa. Entretanto, essa decisão precisa ser tomada por médicos da área, mediante a análise de comprovações científicas dos resultados e efeitos colaterais, que possam justificar a proibição ou liberação dos medicamentos.
O caso da sibutramina, que leva ao derrame e enfarte

A sibutramina, agora liberada para comercialização, mediante receita especial, é um inibidor do apetite e pode, em alguns casos, ajudar a emagrecer. Ela age pela recaptação da serotonina e noradrenalina. O uso excessivo ou por pacientes mais sensíveis, aumenta o risco de doenças cardíacas. Seus efeitos colaterais são graves e podem não compensar o seu resultado no emagrecimento.

Efeitos colaterais da sibutramina:

– Pressão alta e palpitações;
– Boca seca e alterações do paladar;
– Delírios;
– Dor de cabeça;
– Derrame e infarto;
– Reações alérgicas em quem toma antidepressivos, xaropes para tosse, medicamentos para enxaqueca ou compostos de lítio e descongestionantes nasais;
– Reações graves em caso de doenças cardíacas, epilepsia, glaucoma ou depressão.

Esses efeitos podem levar à morte e essa foi a razão pela qual a substância foi proibida na Europa. Nos Estados Unidos, a FDA (Agência Federal para Alimentos e Medicamentos, em inglês) também alerta para o risco que a sibutramina representa para quem tem problemas cardíacos.

Fonte: PlanodeSaude.net
EM PORTUGAL, ATENDIMENTO CLÍNICO É OBRIGATÓRIO NA DISPENSAÇÃO

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POR EGLE LEONARDI

 

Portugal é um país relativamente pequeno, situado no extremo sudoeste da Europa. Sua população gira em torno de quase 11 milhões de pessoas e seu PIB per capita é de pouco mais de R$ 80 mil.

Depois de seguidos anos de retração, o PIB português passa por um crescimento moderado. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística português, o PIB de Portugal teve um crescimento real de 2,8% no primeiro trimestre de 2017 em relação ao mesmo período no ano anterior, registrando assim a maior alta em 10 anos.

Já o valor do mercado farmacêutico em Portugal está avaliado em cerca R$ 1.263 bilhão (2015), segundo o Centro de Estudos Superiores da Indústria Farmacêutica (CESIF). O país dispõe de ótimas indústrias com excelentes condições e motivadas para aumentar o volume e a qualidade de trabalho.

Existem cerca de 150 empresas farmacêuticas correspondendo a mais de oito mil postos diretos de trabalho naquele país.

Foram os farmacêuticos do Instituto IdeHia, de Portugal, que forneceram as informações sobre a legislação farmacêutica do país: a diretora Científica  da entidade, Ana Paula de Almeida; e o consultor do  instituto, João Campos. Acompanhe:

1 – Regulamentação do comércio farmacêutico    

A atividade farmacêutica e o seu comércio são regulados pelo Ministério da Saúde por meio de três órgãos de domínio público: INFARMED – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P.; ASAE – Autoridade de Segurança Alimentar e Económica; e DGAV (Direção-Geral de Veterinária).

A área de atuação de cada um destes órgãos encontra-se bem definida de acordo com o tipo de produto farmacêutico, operando desde o desenvolvimento, produção, distribuição, prescrição e dispensa até à utilização. Esses órgãos colocam-se como interlocutores com as agências do medicamento e produtos farmacêuticos dos outros Estados-membros da União Europeia, bem como com a Agência Europeia do Medicamento e com a Comissão Europeia.

– INFARMED – organismo responsável pela avaliação, autorização, disciplina, inspeção e controle de medicamentos de uso humano, incluindo os medicamentos à base de plantas e os homeopáticos, e de produtos de saúde, compreendendo os cosméticos e de higiene corporal, e ainda os dispositivos médicos e dispositivos médicos para diagnóstico in vitro.

– ASAE – autoridade administrativa nacional especializada no âmbito da segurança alimentar e da fiscalização econômica, sendo responsável pela avaliação e comunicação dos riscos na cadeia alimentar e pela disciplina do exercício das atividades econômicas nos setores alimentar e não alimentar. No setor farmacêutico são responsáveis pelos suplementos alimentares e outros gêneros alimentícios.

– DGAV – tem por missão a definição, execução e avaliação das políticas de segurança alimentar, de proteção animal e de sanidade animal, de proteção vegetal e fitossanidade. Dentro das suas competências, se destacam as suas funções como a autoridade nacional do medicamento veterinário, outros produtos farmacêuticos destinados ao uso animal e de fitofarmacêuticos.

2 – Perfil das lojas

As farmácias em Portugal têm o dever de exercer a sua atividade na área da saúde e de interesse público, assegurando a continuidade dos serviços prestados aos usuários. Portanto, apesar de elas serem consideradas espaços de saúde de carácter privado, têm responsabilidades públicas bem definidas. Assim, independentemente do seu carácter comercial necessário para seu funcionamento, existe um elevado padrão de exigência no que diz respeito à ética profissional, centrando o atendimento na saúde e bem-estar do paciente.

Nenhum medicamento, tanto os sujeitos à prescrição médica como os não sujeitos à receita médica, pode estar ao alcance dos usuários. Apenas os suplementos alimentares, cosméticos e outros produtos de higiene e alguns dispositivos médicos é que podem estar ao seu alcance. Sempre que o produto farmacêutico é classificado como medicamento, ele deverá estar inacessível ao paciente, uma vez que o farmacêutico apenas poderá fazer a dispensa do medicamento caso este entenda que o seu uso será racional e necessário.

3 – Prescrição de medicamentos

A farmácia clínica deve ser realizada em qualquer dispensa de medicamento, sendo que durante o levantamento de uma receita médica deve-se promover a chamada dispensa ativa. Assim, o farmacêutico tem o dever de averiguar a necessidade, a segurança e o uso racional do medicamento para cada paciente. Quando este estudo é feito de um modo contínuo e documentado, então, esse atendimento é feito no âmbito de uma consulta farmacêutica. Essa consulta é realizada num espaço apropriado e em ambiente de consultório, promovendo um diálogo privado entre o farmacêutico e o doente.

Em Portugal, o farmacêutico não tem a capacidade legal de prescrição, sendo legalmente considerada como um ato médico. No entanto, o farmacêutico deve prestar um aconselhamento ativo na dispensa dos medicamentos que não necessitam de receita médica (MNSRM – medicamentos não sujeitos a receita médica). Este aconselhamento deve apenas ser realizado para sintomas menores (duração inferior a sete dias), sendo que em situações de sintomas maiores, ou na não resolução do sintoma menor após os sete dias, o paciente deve ser encaminhado para o médico.

4 – Propriedade da farmácia

Ao contrário do que acontecia há alguns anos, o proprietário da farmácia não tem de ser farmacêutico. No entanto, o papel da direção técnica da farmácia apenas pode ser assumido por um farmacêutico. O responsável máximo pela farmácia é o diretor técnico, sendo que este assume ou partilha qualquer atividade realizada pelos funcionários da farmácia. Na ausência deste, o farmacêutico substituto assume o seu papel de responsabilidade.

O aconselhamento farmacêutico é esperado em qualquer dispensa de produtos farmacêuticos, sendo que este está vinculado ao enquadramento legal da atividade farmacêutica e ao estatuto estabelecido pela Ordem dos Farmacêuticos. Do mesmo modo, o próprio espaço da farmácia é regulado, existindo áreas de características bem definas (área de atendimento, laboratório, cuidados farmacêuticos, sanitários, armazéns, entre outros), horários, licença de abertura, entre outros aspetos legais. O não cumprimento dessas disposições legais pode levar à aplicação de sanções pelo INFARMED.

5 – Presença do farmacêutico

A presença do farmacêutico é obrigatória em todas as horas de funcionamento da farmácia. Qualquer dispensa de um medicamento, mesmo aquela realizada pelo técnico de farmácia, é da responsabilidade do farmacêutico. Assim, a presença do diretor técnico ou do seu representante, farmacêutico substituto, é indispensável, tendo este a responsabilidade de assegurar o bom funcionamento da farmácia e de promover o uso racional do medicamento.

6 – Remuneração do farmacêutico

Existe em vigor um Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) acordado entre o Sindicato Nacional dos Farmacêuticos (SNF) e a Associação Nacional das Farmácias (ANF), em que há a categorização dos farmacêuticos, bem como a tabela salarial aplicável com indicação das remunerações mínimas mensais.

Tabela Salarial mínima

Diretor técnico – R$ 7.300 (1.975,35€)

Farmacêutico Grau I – R$ 5.600 (1.521,26€)

Farmacêutico Grau II – R$ 5.200 (1.399,19€)

Farmacêutico Grau III – R$ 4.600 (1.258,33€)

Farmacêutico Grau IV – R$ 4.400 (1.183,20€)

Farmacêutico Grau V – R$ 3.700 (1.000€)

O acesso a cada categoria se dá após a verificação do exercício efetivo de funções no grau anterior por um período de três anos.

Matéria publicada no Portal do ICTQ

LUCRO DO PDV FARMA JOGADO NO RALO

 

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A economia brasileira vai, aos poucos, se recuperando do grande baque dos últimos dois anos. Um dos setores que tem apresentado um bom desempenho é o farmacêutico. Segundo pesquisa da QuintilesIMS, apurados a pedido da Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan), no acumulado dos últimos 12 meses, as vendas no setor, considerando o preço ao consumidor, totalizaram R$ 99 bilhões, aumento de 11,4% em relação ao mesmo período de 2016, quando somaram R$ 88,9 bilhões. Foram, no total, comercializadas 5,1 bilhões de unidades desde julho de 2016 a junho último, um acréscimo de 3,2% sobre o ano anterior.

O consumidor de farmácias e drogarias há muito tempo deixou de ser apenas aquele que busca um medicamento. Nesses locais é possível adquirir de um simples comprimido para dor de cabeça, passando por esmaltes, tinturas e até doces e chocolates. Segundo o diretor de Comunicação da Gunnebo Brasil, Luiz Fernando Sambugaro, esse maior mix de produtos atrai mais compradores, mas também proporciona um aumento nas perdas, especialmente aquelas decorrentes de furtos. Juntos, os furtos internos (24%) e externo (14%) representam 38% das perdas – mesmo índice de erros e quebras operacionais -, como apontam os dados da 16ª Avaliação de Perdas do Varejo Brasileiro, organizada pelo Ibevar/Provar.

PERDAS PODEM CHEGAR A 14%

“Tão assustador quanto o índice de furtos é saber quanto o varejo farma registra de perdas no caixa e sofre com fraudes com cheques e cartões de crédito”, comenta Sambugaro. Juntas, elas representam 14% das perdas operacionais, sendo que as diferenças de caixa atingem a marca de 11%. “É lucro que vai para o ralo da empresa sem qualquer controle, que poderia ser revertido com o uso de ferramenta de monitoramento e gestão, com análise e auditoria dos processos de vendas que possa identificar as perdas no checkout”, alerta ele.

A pesquisa do Ibevar aponta que apenas 50% dos varejistas do setor farmacêutico investem em softwares de monitoramento e acompanhamento das perdas, bem como soluções de monitoramento de frente de caixa. Para deixar explícita a problemática, veja uma conta simples. O custo de reposição dos inúmeros itens furtados, dependendo da margem de lucro do produto, é muito elevado. Para cada item com margem de 2% furtado, serão necessários 50 novos itens vendidos do mesmo produto para recompor o estoque, fora o que se deixou de vender por não estar na prateleira.

Na prática, o canal farma deve investir na adoção de soluções em tecnologia à políticas mais rígidas na contratação dos trabalhadores é fundamental. A redução do índice de perdas, com as recomendações elencadas, pode chegar a 80%. Para Sambugaro, um detalhe de suma importância é que a atuação estratégica ocorre com apoio do dono do negócio ou da diretoria da rede e age em todas as etapas do negócio, da compra do produto, passando pela distribuição, armazenamento, proteção contra furtos até a efetiva venda.

“Assim, varejista do setor farmacêutico, fique atento. As soluções para combater as perdas e ampliar seu lucro, especialmente em tempos de grande concorrência e margens apertadas, existem e estão à disposição no mercado. É preciso ter maturidade e a consciência de que elas devem ser tratadas com eficiência e profissionalismo”, finaliza o executivo da Gunnebo.

 

 

FARMÁCIAS: DRUGSTORES OU ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE?

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POR EGLE LEONARDI

 

Em um dia típico de afazeres domésticos, uma dona de casa anota em sua lista de compras os locais que deverá visitar e os itens (ou serviços) necessários para abastecer sua casa:

– Supermercado – biscoitos, macarrão instantâneo, sorvetes, lasanha congelada, bebida láctea, chá, refrigerante, frutas, gelo e energético;

– Petshop – ração, petiscos, coleira e medicamento para o puppy;

– Loja de suplementos – whey protein. Lembrete: perguntar ao nutricionista da loja se pode usar antes e depois da musculação;

– Papelaria – tirar xerox, enviar fax, plastificar o caderno e imprimir as fotos do passeio de final de semana;

– Farmácia – medicamentos previstos em prescrição médica e medicamentos que serão prescritos pelo farmacêutico para desconforto estomacal.

Eu pergunto: pareceria absurdo se esta dona de casa decidisse simplesmente ir a uma drogaria para resolver todas estas pendências de sua família? Pode parecer, mas não é. Empreendimentos no mercado farmacêutico com conceito de drugstores já são uma realidade no País e eles avançam na medida em que o consumidor busca por mais conveniência, além da devida atenção farmacêutica – obrigatória nesses estabelecimentos.

Eu diria àqueles que acreditam que na farmácia deve-se apenas vender produtos e serviços estritamente ligados à saúde de um paciente: não se assustem! O portfólio de itens vendidos em algumas drogarias no Brasil, essas drugstores, inclui a lista da dona de casa citada no início desta matéria, e muito mais. Já é possível comprar brinquedos, produtos de limpeza doméstica, itens veterinários, produtos eróticos, livros, equipamentos de academia, além dos tradicionais produtos de perfumaria em geral e os dermocosméticos em áreas especificas. Ah…esses estabelecimentos vendem medicamentos também!

Curiosidades à parte, as drugstores têm a comercialização de produtos não farmacêuticos protegida por leis específicas de cada Estado. Redes como a Pague Menos (com atuação nacional, mas presença mais expressiva no Nordeste) e a Araújo (com grande projeção em Minas Gerais) são exemplos de estabelecimentos fortemente baseados na venda dos produtos citados na lista da dona de casa do início da matéria.

No exterior é fácil encontrar o modelo

Vale lembrar que esse modelo foi importado e é muito difundido em vários países desenvolvidos, especialmente nos Estados Unidos, onde o Food and Drug Administration (FDA – órgão governamental americano parecido com a Anvisa) exerce controle rígido nas farmácias locais, mas libera a venda de artigos de conveniência de maneira muito ampla. No entanto, o controle da venda de medicamentos é extremamente acirrado e a dispensação efetuada em área reservada, com a presença obrigatória de farmacêuticos prescritores. As gigantes farmacêuticas americanas Wallgreens e CVS não têm o menor problema em vender itens de hortifrúti em seus estabelecimentos. No entanto, seria quase impossível comprar um anti-inflamatório sem uma conversa com um farmacêutico em seu balcão especial identificado ou em sua clínica reservada dentro do estabelecimento.

A CVS (que entrou no Brasil por meio da compra da Rede Onofre) já tenta também implementar em nosso País, o conceito de drugstore premium, privilegiando artigos de luxo, destinados às classes mais altas. Claro que os modelos brasileiros praticados atualmente estão longe dos utilizados nos Estados Unidos, mas os negócios nacionais estão a caminho com bons empreendimentos neste sentido.

Drugstore versus estabelecimento de saúde

No Brasil, mesmo em Estados onde a venda de macarrão instantâneo não é permitida nas farmácias, os empresários gostariam de rentabilizar seus negócios com esse tipo de produto. O rígido controle que o Governo Federal mantém sobre a política de preços dos medicamentos praticada pelo setor, reduz drasticamente sua margem de lucro, levando os estabelecimentos farmacêuticos a buscar alternativas que minimizem o impacto da política governamental.

Assim, ao longo dos anos, para viabilizar suas atividades, as farmácias e drogarias passaram a prestar serviços de interesse do consumidor, tais como recebimentos de contas de água, luz e telefone, revelação de fotos, disponibilização de terminais de bancos 24 horas, entre outros. É uma estratégia de mercado adotada também como forma de sobrevivência, principalmente nos Estados onde o conceito de loja drugstore ainda é um tabu.

É importante a ressalva de que o modelo de negócios de uma farmácia conhecida drugstore não é antagônico à proposta de uma drogaria como estabelecimento de saúde. Aliás, como acontece nos países desenvolvidos, a drugstore e o conceito de estabelecimento de saúde se convergem e vivem em plena harmonia no mesmo ambiente.

A Pague Menos é outro exemplo. Mesmo se posicionando como drugstore, a Rede não negligencia os serviços de atenção farmacêutica aos seus clientes. Prova disso é que vem implementando em suas unidades, clínicas de consulta farmacêutica, cujo objetivo é assessorar o cliente para conseguir a máxima efetividade da farmacoterapia. “Atenção farmacêutica é uma arma poderosa que transforma e melhora a qualidade da saúde de uma comunidade, resultando em benefícios para os clientes, como um atendimento personalizado, melhor controle da doença e maior facilidade em seguir o plano de cuidado elaborado”, fala o presidente da rede, Deusmar Queirós.

Ele enfatiza que as clínicas, do ponto de vista do farmacêutico, proporcionam fidelização do cliente e satisfação ao aplicar conhecimentos e habilidades. Para a farmácia, acarretam em maior fluxo de clientes e diferenciação perante os concorrentes. Para os médicos, há a certeza de que terão pacientes mais cumpridores do tratamento e acompanhados com maior frequência por profissional de saúde e a promoção do uso racional de medicamentos.

Essas clínicas da Pague Menos incluem sala com layout específico para consulta farmacêutica, programa na intranet para os farmacêuticos que vão prestar este serviço aos clientes, capacitação e muitas ações em saúde. Elas já foram implantadas em todo o País em mais de 30 filiais da rede e a previsão é que cheguem a mais de 200 até o final do ano. “A população vem respondendo de maneira positiva e sempre procurando os serviços farmacêuticos. Não sentimos resistência nem desconfiança. São mais de cinco mil clientes satisfeitos com os resultados do acompanhamento farmacêutico”, ressalta o presidente da rede.

Opinião pública sobre as drugstores

“Eu uso medicamentos para controlar a pressão arterial e venho frequentemente à farmácia. Para mim é muito prático poder comprar também a ração para meu gato e ainda levar o molho de tomate para completar o almoço”, comenta a aposentada Berenice de Souza, de Belo Horizonte (MG), cliente da Drogaria Araújo. Esta é uma percepção comum em Estados como Minas Gerais.

No entanto, é fundamental citar que pesquisas do ICTQ/Datafolha, em 2012 e 2014, revelam uma profunda transformação na percepção do consumidor sobre o que é o estabelecimento farmacêutico.

Em 2012, apenas 16% da população brasileira viam a farmácia como estabelecimento de saúde. Em 2014 este índice saltou para 87%. Em contrapartida, em 2012, 84% da população viam as farmácias como drugstores – minimercados, lojas de conveniência e de cosmético e perfumaria. Em 2014 este índice caiu para 65%.

De acordo com o diretor de Pesquisa do ICTQ, Marcus Vinicius de Andrade, esse substancial crescimento de 33 pontos percentuais na visão do consumidor, tendo a farmácia como estabelecimento de saúde, se deve também aos debates sobre o tema nos principais veículos de imprensa do País; à resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF), que autoriza o farmacêutico a prescrever determinados tipos de medicamentos; e à aprovação da Lei Federal 13.021, de agosto de 2014, que garante a presença do farmacêutico nas farmácias e ainda conceitua o local como estabelecimento de saúde.

Mediante a flutuação da opinião pública sobre o melhor modelo de farmácia a ser adotada no Brasil, Andrade dá uma dica aos farmacêuticos e empresários do setor: convergir o conceito drugstore com o conceito de estabelecimento de saúde em farmácias e drogarias é a forma mais inteligente de rentabilizar os negócios e ainda valorizar a posição do profissional farmacêutico frente à população que, cada vez mais, anseia por prestação de serviços em saúde.

Matéria publicada no Portal do ICTQ

NO IRAQUE, O FARMACÊUTICO MANIPULA POMADAS NO BALCÃO

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POR EGLE LEONARDI

 

Localizado no continente asiático, o Iraque é um país do Oriente Médio, cuja capital é Bagdá. Tem fronteira com a Turquia, Irã, Golfo Pérsico, Kuwait, Arábia Saudita, Jordânia e Síria. Sua moeda é o dinar iraquiano e possui duas línguas oficiais: árabe e curda.

Como consequência da invasão norte-americana e o bloqueio econômico imposto pela comunidade internacional e pela ONU, e culminado pela Guerra Civil (2006 – 2008), as três frentes que habitam o país impõem o medo e a desconfiança mútua.

Dessa forma, o Iraque está imerso em uma profunda crise econômica e social, além de uma instabilidade política. Com isso, amarga uma condição de miséria, piorada pelos altos índices de violência, corrupção e ausência de infraestrutura.

A economia iraquiana é dominada pelo setor petrolífero, o que tem proporcionado tradicionalmente cerca de 95% das receitas em divisas. A falta de desenvolvimento em outros setores resulta em 18% a 30% de desempregados (em uma população de 38 milhões) e um deprimido PIB per capita de 4 mil dólares.

Sobre o mercado farmacêutico, quem oferece mais detalhes é o farmacêutico, Mustafa Rashed Abouleinin, que, embora viva no Brasil, tem muito contato com os profissionais e os países da região. Acompanhe:

 

1 – Regulamentação do comércio farmacêutico      

É o Ministério da Saúde e o Sindicato de Farmácia que fazem a regulamentação do mercado farmacêutico no Iraque. Todos os preços dos medicamentos e de outros itens ligados à saúde são tabelados no país e os preços fixos são determinados por esses dois órgãos oficiais, exceto em alguns produtos importados.

As farmácias no Iraque são consideradas estabelecimentos de saúde. Não se vendem produtos alheios, como alimentos, roupas e sapatos. Há, porém, itens de higiene pessoal e cosméticos nas gôndolas. Os medicamentos nunca ficam ao alcance do consumidor nas farmácias iraquianas. Há uma sala específica para estoque. Como no Brasil, há uma área especial para medicamentos controlados, onde somente os farmacêuticos têm acesso.

As farmácias possuem mesas para instrumentos de laboratório que são usadas para formulação de algumas pomadas e cremes, no próprio ambiente da farmácia. Não é comum a presença de balcões, apenas mesas para atendimento à população. A manipulação dessas substâncias só pode ser feita por farmacêuticos.

2 – Prescrição de medicamentos

No Iraque, o farmacêutico não tem permissão para fazer a prescrição nas farmácias comunitárias, mas ele pode prescrever medicamentos para males menores apenas dentro dos hospitais. Nas drogarias, o profissional pode aplicar injeções, efetuar a mensuração de nível de glicose e medir a pressão arterial, entre outros serviços.

Para a dispensação de antibióticos, não há a exigência de prescrição médica, apenas para os medicamentos controlados.

3 – Presença do farmacêutico

Embora seja obrigatória a presença, por lei, do farmacêutico em período integral, segundo o entrevistado, não é raro encontrar um estabelecimento sem esse profissional, especialmente no período da noite.

O farmacêutico tem de ser o proprietário da farmácia e não há, no país, a presença de grandes redes de farmácia. Prevalece, mesmo, a estrutura de farmácias comunitárias independentes.

4 – Remuneração do farmacêutico

Por conta da instável situação econômica e política do país, é difícil precisar uma média salarial para o farmacêutico. Supõe-se que os ganhos de um profissional sejam entre R$ 800,00 e R$ 1.000,00.

 

Publicado no Portal de Noticias do ICTQ

DROGARIA ARAÚJO – PRECISOU? A MAIOR DE MINAS TEM

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POR EGLE LEONARDI

 

O empreendedorismo já está no sangue da família Araújo. O primeiro foi o avô, que fundou uma pequena farmácia, há 111 anos..depois veio o pai, que fez o negócio crescer…daí o neto entrou no jogo há 35 anos e deu a maior guinada que o mercado varejista farmacêutico já viu.

Estou falando, obviamente, de Modesto Araújo Filho, que pegou uma rede com 8 lojas e a transformou em uma potência com 170 unidades, com previsão de fechar 2017 com 200 lojas e um faturamento de mais de R$ 1,9 bilhão!

São números de tirar o fôlego, mas que Modesto comemora com a perspectiva de conquistar todo o Estado de Minas Gerais e, depois disso, prosseguir abraçando outros Estados com força total!

Nada mal para um garoto que começou a carreira num balcão de farmácia, como atendente, e foi percorrendo cada função dentro do negócio, seja ela administrativa ou comercial. Acredite, ele já fez de tudo!

Modesto já é presidente da Rede Araújo há 25 anos e ele não se vê fazendo outra coisa, mas há os que digam que ele está sendo cogitado para as eleições de Minas Gerais em 2018, porém ele nega. Veremos…

Seu bom-humor é contagiante e suas ideias polêmicas e inovadoras também o são. Isso faz com que ele seja um dos players mais interessantes e arrojados do mercado. Acompanhe suas ideias:

 

ICTQ – Como o senhor desenhou esse crescimento ao longo de todos esses anos?

Modesto Araújo Neto – Primeiro eu aprendi muito trabalhando em todas as áreas da farmácia. Já varri muito o salão! Depois fui aplicando meu conhecimento do mercado financeiro em prol da melhoria da gestão. Daí, passei a informatizar a rede de forma maciça e fomos crescendo de maneira estruturada.

Investi muito em treinamento e capacitação de pessoal. Atualmente temos 7.100 funcionários competentes, totalmente comprometidos e de altíssima qualidade.

 

ICTQ – Sua rede tem também um centro de distribuição?

Modesto Araújo Neto – Sim. Há um centro de distribuição totalmente automatizado na cidade de Contagem (MG), com capacidade para abastecer mais de 650 lojas. Nós estamos nos organizando para o crescimento do negócio, pois cada loja da rede comporta entre 18 mil a 20 mil itens. Assim, estamos preparados para abastecer as futuras lojas.

 

ICTQ – Apesar de seu forte apelo comercial, o senhor tem investido também na área clínica em suas unidades, não é?

Modesto Araujo Neto – Estamos trabalhando em parceria com clínicas com profissionais de saúdes. Já temos 15 unidades fazendo exames e vacinação. As clínicas oferecem atendimento médico e farmacêutico. No entanto, já oferecemos atendimento farmacêutico no balcão. Lá, ele pode dar assistência e orientação ao paciente com relação às dúvidas sobre medicamentos e possíveis interações. O trabalho de assistência farmacêutica é maravilhoso, já que esse profissional é peça importantíssima nas farmácias. Por isso, seria ideal tirá-lo da burocracia que uma farmácia exige.

 

ICTQ – O senhor mencionou a aplicação de vacinas. Essa é uma atividade ainda não muito explorada nas farmácias.

Modesto Araujo Neto – Sim, mas acredite que nós já aplicamos vacina há mais de 15 anos! Fazemos também exames laboratoriais rápidos. Temos o pioneirismo no sangue!

Para você ter uma ideia, nossa rede teve o primeiro plantão 24 horas da capital, o primeiro telemarketing, a primeira drogaria do País com serviço drive-thru e a primeira drugstore.

Tudo o que nós implementamos em nossa lojas está baseado no conceito one stop (uma parada), ou seja, o máximo que se pode oferecer em termos de conveniência para uma pessoa dentro de uma farmácia. Nós só não vendemos bebidas alcoólicas e cigarro. De resto, nós oferecemos de tudo para proporcionar maior conveniência aos nossos clientes!

 

ICTQ – O senhor acredita que essas clínicas que estão sendo montadas em drogarias poderão se configurar um bom negócio?

Modesto Araujo Neto – Claro! Nós só trabalhamos por lucro quando se trata de varejo. Toda a prestação de serviços, não importa qual seja, tem de ser cobrada, porque o trabalho tem valor. Uma empresa tem sócios, acionistas, funcionários, paga impostos…ela tem de ser rentável. Você pode fazer um trabalho que gere resultado financeiro e, ao mesmo tempo, traga resultados para a sua comunidade.

 

ICTQ – Voltando à questão da drusgtore, o senhor é conhecido por polemizar com relação a esse tema. Como o senhor vê o modelo de negócio?

Modesto Araujo Neto – Imagine um cliente que tem de conviver com esse o trânsito do dia a dia, com uma vida agitada e com a falta de tempo. Tudo o que ele quer é resolver sua vida em um único lugar. Nós temos a filosofia de one stop, ou seja, com uma parada você compra a ração do cachorro, o seu remédio, o refrigerante, o sorvete para uma sobremesa, o pão de amanhã, o leite, o café, tudo. Isso é conveniência e é prestação de serviço ao consumidor.

A drugstore é uma realidade nacional. Atualmente já existe uma lei que protege este modelo de negócio. Eu defendo que é a escolha do empresário implantar ou não o serviço de drugstore. É um direito dele, enquanto gerador de empregos e de impostos. O empresário é quem deve decidir se vai vender sorvete, coca-cola, refrigerante. Há os que não querem adotar esse modelo de negócio. Eu respeito. É uma opção do empresário. Eu continuo nessa direção, firme e forte!

 

Matéria publicada no Portal do ICTQ

17 DICAS PARA O ACOMPANHAMENTO FARMACOTERAPÊUTICO DE DIABÉTICOS

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POR EGLE LEONARDI

 

 

Atualmente existem 415 milhões de pessoas – cerca de 9% da população adulta do mundo – vivendo com diabetes, a maioria com diabetes tipo II. Este número dobrou desde 2000 e deve chegar a 642 milhões em 2040 (Atlas IDF 2015).

No Brasil, existem mais de 14 milhões de pessoas com a doença. A estimativa para 2040, do mesmo órgão, é de um aumento de 65% no número de casos. O Brasil ocupa a quarta colocação em número de diabéticos no mundo, perdendo somente para a China, Índia e Estados Unidos.

“O diabetes é um sério problema de saúde pública em todo o planeta e mesmo com o surgimento de novas tecnologias – como o pâncreas artificial; medidores de glicose que não precisam de picadas; insulina inalada, que dispensa o uso de agulha – o tratamento fica comprometido, podendo levar ao surgimento das comorbidades inerentes do descontrole glicêmico, como a retinopatia, neuropatia, nefropatia, doenças cardiovasculares, amputação e disfunção erétil”, afirma a farmacêutica clínica e professora especializada em diabetes, Monica Lenzi.

Ela ressalta que a frequência com que o paciente diabético vai até a farmácia e a facilidade em ser atendido por um profissional da área de saúde coloca todos os farmacêuticos clínicos na linha de frente e com um papel fundamental no tratamento do diabetes. “O paciente diabético, ou seu cuidador, frequenta a farmácia no mínimo uma vez ao mês em busca de seus medicamentos de uso contínuo e insumos para controle da doença. Ou seja, o diabético tem mais contato com o farmacêutico do que com o médico, que ele vê com menos frequência (em média de duas vezes ao ano)”, comenta ela.

Para o presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabético (ANAD), Fadlo Fraige Filho, com qualquer tipo de diabetes o acompanhamento é importante para planejar a dieta, determinar mudanças nas doses de insulina ou drogas, e monitorar os níveis de açúcar no sangue, o que pode retardar ou prevenir muitas das complicações da doença.

Ele alerta ainda que não é possível tratar o diabetes sem o uso de medidores de glicemia. “A automonitorização é uma maneira de iluminar o caminho. A primeira coisa a fazer quando começa o dia é medir o nível para evitar complicações. A variação da quantidade de insulina, a alimentação, os exercícios físicos têm de ser sempre de acordo com o resultado da glicemia. O paciente que se automonitoriza passa a lutar contra a descompensação”, diz o médico.

Vale lembrar que o acompanhamento do farmacêutico permite uma tomada de decisão, muitas vezes antes da próxima consulta médica, minimizando ou retardando o surgimento de complicações. Promove também a adesão ao tratamento farmacológico e não farmacológico. Acompanhe a seguir as orientações de Monica Lenzi.

 

Ações fundamentais no acompanhamento farmacoterapêutico do diabetes em consulta na farmácia

 

1 – Verifique se o paciente já possui ou não o diagnóstico de diabetes e se necessário, faça um rastreamento, para aqueles que ainda não tem diagnóstico, por meio do teste de glicemia capilar.

2 – Avalie os fatores de risco:

  • Idade;
  • Peso;
  • Histórico familiar;
  • Avaliação da pressão arterial;
  • Sedentarismo.

3 – Execute, no primeiro momento, o levantamento dos fatores de risco e o teste de glicemia capilar para pacientes já diagnosticados e em tratamento.

4 – Avalie como anda o controle glicêmico.

5 – Averigue a existência de comorbidades inerentes ao descontrole glicêmico.

6 – Levante os fatores de risco cardiovascular. Não se pode esquecer que a maioria dos diabéticos apresenta hipertensão e dislipidemia.

7 – Identifique quais são os hábitos de vida do paciente.

8 –Verifique como o paciente aderiu ao tratamento farmacológico e não farmacológico.

9 – Passe à orientação sobre medicamentos. Divida os pacientes em dois grupos, os insulinizados e/ou em uso de medicações injetáveis para controle dos níveis de glicose (Victoza, Lyxumia e Trulicity) e os não insulinizados.

10 – Oriente os pacientes que fazem uso de insulina e medicações injetáveis para controle dos níveis de glicose nas melhores práticas, tais como:

  • Fazer o rodízio do local de aplicação;
  • Escolher o tamanho da agulha;
  • Definir o melhor dispositivo para aplicação (seringa ou caneta);
  • Adequar as melhores práticas para armazenamento e transporte, já que insulinas e medicamentos injetáveis são susceptíveis às variações de temperatura;
  • Orientar sobre a não reutilização de material descartável;
  • Explicar como descartar adequadamente o material perfuro-cortante.

11 – Preste atenção, com relação ao uso de medicação oral, à interação medicamentosa, pois os pacientes diabéticos são polimedicamentados. Com o passar do tempo de diagnóstico, estes pacientes fazem uso de medicações para controle de outras doenças que fazem parte das complicações, como neuropatia, nefropatia, retinopatia e doenças cardiovasculares.

12 – Instrua os pacientes em uso de medicações hipoglicemiantes (insulinas, glibenclamida, glicazida), sobre o risco de crises de hipoglicemia, que podem ocorrer devido à alimentação insuficiente.

13 – Estimule a mudanças de hábitos alimentares, tão necessária para um melhor controle glicêmico. Uma dieta equilibrada deve ser adotada. Os farmacêuticos podem sugerir a adoção do método do prato com 50% de verduras e legumes (que afetam muito pouco a glicemia), 25% de carboidratos (que costumam aumentar a glicemia) e 25% de proteínas (que aumentam ligeiramente a glicemia).

14 – Direcione a prática de atividade física. Oriente o paciente na realização de, pelo menos, 30 minutos de atividade, cinco vezes na semana. Essa atitude melhora a absorção da glicose pelas células do músculo, aumenta a sensibilidade da insulina, ajuda na perda de peso corporal e no controle da pressão arterial. Aconselhe o paciente a buscar uma atividade física que lhe dê prazer. Deve-se iniciar em um ritmo mais lento, aumentando gradativamente. Dessa maneira se consegue uma melhor adesão do paciente.

15 – Garanta que, mesmo se encontrando com taxas glicêmicas normais, os pacientes não abandonem a medicação prescrita e o tratamento.

16 – Monitore e acompanhe os parâmetros bioquímicos desses pacientes, encaminhando-os a outros profissionais de saúde, que fazem parte da equipe multidisciplinar, quando necessário.

17 – Capacite o paciente diabético a gerir melhor o seu controle, por meio do autocuidado. Oriente-o nas melhores práticas de uso correto das medicações e equipamentos, como glicosímetros e dispositivos para aplicação de insulina (canetas e seringas).

 

Matéria publicada no Portal de Notícias do ICTQ

AUTOTESTE DE HIV EM FARMÁCIAS

 

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O primeiro autoteste de HIV começa a ser comercializado em grande escala nas redes de farmácias brasileiras. O teste Action foi desenvolvido pela empresa OrangeLife e identifica em apenas 20 minutos, com precisão de 99,9%, a presença dos anticorpos associados ao vírus da Aids no organismo. Segundo o ministério da Saúde, de 2007 a 2016 foram notificados quase 137 mil casos de infecção por HIV no Brasil.

O kit do Action conta com um dispositivo de teste, líquido reagente, lanceta específica para furar dedos, sachê de álcool e tubo para coleta de sangue. O produto é uma solução para quem busca privacidade ao suspeitar de infecção e favorece para o diagnóstico precoce. Cada teste deve custar entre R$ 50 e R$ 60 e a previsão de produção gira em torno de 100 mil kit ao mês. Veja a aplicação do autoteste neste link

Em setembro, as redes Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo – marcas que formam o Grupo DPSP anunciaram a comercialização do primeiro autoteste para HIV do Brasil.

 

 

NA COLÔMBIA, OS FARMACÊUTICOS GANHAM A PARTIR DE R$ 800

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Com uma população de mais de 47 milhões de pessoas, a Colômbia tem a 29ª maior população do mundo e a segunda maior da América do Sul, depois do Brasil. A Colômbia é o terceiro país mais populoso com a língua espanhola como idioma oficial (depois do México e da Espanha), e tem a quarta maior comunidade de língua espanhola no mundo, depois do México, Estados Unidos e Espanha.

A desigualdade de renda é prevalente e sua riqueza é mal distribuída. Seu PIB per capita é de US$ 8.100 (2015), com taxa de inflação em torno de 8% ao ano. Sua população abaixo da linha de pobreza está em 32,9% (2015), com taxa de desemprego em 10,1% (2016). A moeda do país é o peso colombiano.

Atualmente, a Colômbia é o quinto maior mercado farmacêutico da região, com taxa de crescimento anual em torno de 14%. Quem conta os detalhes sobre a legislação do país é o farmacêutico, Leandro Villanueva Bendek, que trabalha em uma farmácia em Bogotá, a capital da Colômbia.

1 – Regulamentação do segmento farmacêutico

A legislação na Colômbia é bastante complexa no que diz respeito aos medicamentos e à prática farmacêutica em drogarias e farmácias de manipulação. Essas questões são regulamentadas por dois órgãos, concomitantemente: o Mistério da Saúde e o Ministério da Proteção Social.

Os medicamentos de prescrição são isolados do contato direto com os pacientes. Já os de venda livre estão em gôndolas e são expostos no salão e nas partes mais visíveis do balcão.

As farmácias podem ser consideradas drugstores, no entanto, há farmácias que são chamadas de “entrega ou dispensação institucional”. Essas garantem a entrega de medicamentos aos pacientes do sistema básico de saúde da Colômbia. Vendem genéricos e esses medicamentos governamentais devem ter uma inscrição em sua embalagem que diz “uso institucional”. “Isso existe para evitar a comercialização desses produtos, no entanto, há um mercado negro que tira vantagem dos baixos custos de operadores ou laboratórios de vendas que fazem essa dispensação para distribuir em canais comerciais”, revela Bendek.

2 – Prescrição de medicamentos

Na Colômbia, há o farmacêutico (chamado de regente farmacêutico) e o auxiliar de farmácia, além dos vendedores ou balconistas. Eles só estão autorizados a dispensar medicamentos, mas não podem prescrever. Não há necessidade de retenção de receita para os antibióticos. Segundo Bendek, na prática, o que acontece é que o farmacêutico é quem recomenda, prescreve e formula os medicamentos, muitas vezes substituindo o médico.

De acordo com a lei colombiana, mais especificamente a Resolução 1403/2007, do Ministério da Proteção Social, que dispõe sobre a gestão dos serviços farmacêuticos, esses profissionais não poderiam prescrever. Os farmacêuticos podem:

1. Promover e incentivar estilos de vida saudáveis e uso adequado de medicamentos e dispositivos médicos.

2. Prevenir fatores de risco decorrentes do uso inadequado de medicamentos e dispositivos médicos, bem como problemas relacionados com o seu uso.

3. Dispensar medicamentos e dispositivos médicos, e informar aos pacientes sobre seu uso adequado.

4. Fornecer assistência farmacêutica aos pacientes, fazendo intervenções necessárias para o cumprimento da farmacoterapia prescrita pelo médico.

3 – Propriedade da farmácia

Para o proprietário da farmácia, não há a exigência de que ele seja farmacêutico. No entanto, para a aprovação de abertura ou transferência de farmácias em todo o país, deve haver uma distância mínima de 150 metros lineares entre as drogarias. Em shoppings ou centros comerciais, pode ser instituída uma farmácia a cada 100 lojas comerciais.

4 – Presença do farmacêutico

Ao longo do período de funcionamento de uma farmácia é necessária a presença de um farmacêutico permanentemente no estabelecimento. Ele também deve ser apoiado por um químico farmacêutico, como responsável técnico, que não permanece necessariamente no local, mas responde pela qualidade dos processos na farmácia. Além disso, há os auxiliares de farmácia e os vendedores no balcão.

5 – Remuneração do farmacêutico

Os salários dos farmacêuticos, na Colômbia, variam muito de acordo com a rede ou empresa para a qual trabalham, mas variam entre R$ 800,00 a R$ 2.500,00, o que inclui salário fixo e uma parcela variável de taxas ou recompensas e incentivos para promover produtos de marca própria e outros.

 

 

Matéria publicada no Portal de Notícias do ICTQ


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