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QUER GANHAR SALÁRIO DE R$ 25 MIL? #PARTIU ALEMANHA!

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POR EGLE LEONARDI

 

A economia da Alemanha é a mais importante da Europa e é a quarta potência econômica mundial, depois dos Estados Unidos, China e Japão. O país é o sexto no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial.

O país agrega quatro importantes feiras para negócios farmacêuticos: World Drug Safety Congress Europe, Expopharm, Global Pharmaceutical Regulatory Affairs Summit e Biotechnica. A indústria farmacêutica do país é bastante forte e tem como representantes as gigantes Altana, Bayer, Boehringer Ingelheim, Merck KGaA e Schering.

Com população de 82,9 milhões de habitantes, sua expectativa de vida chega a 80,57 anos, com um índice de desenvolvimento humano (IDH) muito alto, de 0,926 (Pnud 2016). A Alemanha é formada por 16 unidades federadas e fica no centro-norte da Europa. Confira a seguir 4 aspectos importantes da profissão e do mercado farmacêutico na Alemanha:

1 – Regulamentação do comércio farmacêutico      

Na Alemanha há um Conselho Regional que regulamenta as relações do segmento farmacêutico, chamado de Regierungspräsidium Apotheker.

Farmácia em alemão é Apotheke. São estabelecimentos de saúde, e não são configurados como drugstores. Somente nesses locais é que são encontrados os medicamentos propriamente ditos. Na Alemanha, para a maioria dos medicamentos, são requeridas prescrições médicas. Nas Apothekes, os medicamentos ficam todos acondicionados atrás do balcão de atendimento, fora do alcance dos consumidores.

Medicamentos para gripes ou dores de cabeça podem ser comprados sem prescrição em pequenas quantidades e em baixas dosagens de princípios ativos. No entanto, medicamentos com maiores concentrações e até mesmo anticoncepcionais não são passíveis de compra sem prescrição médica.

Nesses estabelecimentos são ainda comercializados alguns produtos voltados para cuidados da pele, cabelos e higiene pessoal de marcas sofisticadas e com perfil voltado para preservação da saúde da pele e cabelos (como os dermocosméticos no Brasil).

Há ainda na Alemanha outro tipo de estabelecimento chamado de Drogarie, no qual não são comercializados medicamentos propriamente ditos, somente produtos alternativos, como chás e pomadas de origem natural. E além desses produtos são vendidos os mais diferentes tipos de cosméticos e produtos de higiene. Há sessões de alimentos naturais, guloseimas, brinquedos, produtos eletrônicos, produtos para animais de estimação e itens de limpeza da casa. Lá, as redes mais conhecidas desse tipo de estabelecimento são a Müller e DM, e estão distribuídas em grande número por todas as cidades.

 

2 – Perfil das farmácias

Não há prática de farmácia clínica propriamente dita na Alemanha. São poucos os medicamentos fornecidos sem receita médica.

No entanto, o cuidado adequado e seguro para a população com os medicamentos é importante para o Estado alemão. Assim, apenas os farmacêuticos podem abrir uma farmácia.

Definitivamente não são encontrados os mesmos tipos de produtos dentro de um estabelecimento alemão, como ocorre no Brasil. Na Apotheke há medicamentos e dermocosméticos. Na Drogarie há uma mescla entre itens para a saúde e higiene pessoal e cosméticos, mas não há medicamentos. Já as perfumarias só comercializam itens para a beleza e higiene e não podem vender itens para a saúde (chás e pomadas).

3 – A formação do farmacêutico

É importante ressaltar que, na Alemanha, após o término do curso básico de farmácia (quatro anos), é necessário um ano adicional de estudo especializado para o farmacêutico se tornar apto a atuar nas Apothekes. Portanto, o proprietário deverá, não somente ser farmacêutico, como ainda ter a especialização de Apotheker.  A fim de abrir uma Apotheke, o farmacêutico deverá apresentar toda a sua documentação para o órgão regulamentador e apresentar as futuras instalações, visando à manutenção do padrão de qualidade das Apothekes. Por lá, o farmacêutico proprietário deve permanecer a maior parte do tempo no estabelecimento enquanto ele estiver aberto, podendo se ausentar por no máximo três meses por ano. Não há redes de Apothekes na Alemanha.

4 – Presença e remuneração do farmacêutico

As farmácias ficam abertas somente com a presença do farmacêutico. Se ele precisar se ausentar por algum momento, o estabelecimento deve permanecer fechado até a sua volta.

Em média, um farmacêutico ganha por ano na Alemanha 60 mil euros (R$ 225 mil). Um Apotheker ganha de 3.380 € (R$ 12.673,79) a 6.873 € (R$ 25.771,30) e um farmacêutico técnico ganha entre 1.852 € (R$ 6.944,34) e 3.121 € (R$ 11.702,64).

 

Matéria publicada no Portal de Notícias do ICTQ

FUMANTES TÊM 4 VEZES MAIS COMPLICAÇÕES EM CIRURGIAS

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29 de agosto é o Dia Nacional de Combate ao Fumo, uma data que visa lembrar a importância de largar o vício do tabagismo, uma vez que a fumaça de cigarro contém mais de quatro mil compostos químicos (a maioria tóxicos), e que estão ligados ao estresse oxidativo celular com consequentes efeitos patológicos no organismo.

“O cigarro é irritante à mucosa respiratória, o que causa acúmulo de secreção, podendo complicar a anestesia. Além disso, a tosse pode atrapalhar a recuperação de algumas cirurgias como abdômen e face. Do ponto de vista vascular, o risco de trombose também é maior em pacientes fumantes”, explica a cirurgiã plástica, Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Isaps (International Society of Aesthetic Plastic Surgery).

Um estudo publicado na revista da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, em fevereiro deste ano e com análise de 40 mil pacientes, comprovou a maior incidência de complicações em pacientes tabagistas, incluindo trombose pulmonar, infecção, hematoma, necrose de tecidos e problemas com qualidade de cicatriz.

FUMAR SÓ CAUSA PREJUÍZO

De acordo com a médica, além da produção de radicais livres, hoje responsáveis por aceleração do envelhecimento, cada cigarro leva a um período de diminuição no calibre dos vasos sanguíneos, aporte de oxigênio e nutrientes na região da pele. “Alguns estudos apontam um aumento de até quatro vezes o número de complicações e intercorrências em decorrência do tabagismo, tanto no aparelho respiratório como risco de necroses e dificuldade de cicatrização da área operada”, observa.

Já sobre o risco de trombose, a angiologista e cirurgiã vascular, Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, detalha que a nicotina presente no cigarro está ligada à diminuição da espessura dos vasos sanguíneos. “Além disso, o monóxido de carbono oferece um fator adicional de risco ao diminuir a concentração de oxigênio no sangue. Todo esse processo pode causar complicações para o normal funcionamento dos vasos, que ficam mais susceptíveis ao entupimento, podendo levar a processos de trombose principalmente quando há fatores de risco envolvidos”, afirma a angiologista. A trombose é um termo que se refere à condição na qual há o desenvolvimento de um ‘trombo’, um coágulo sanguíneo, nas veias das pernas e coxas. Esse trombo entope a passagem do sangue.

Nos casos em que se realizam cirurgias com amplos descolamentos, a tendência é de haver um risco maior de comprometimento do processo de cicatrização. Isso pode levar ao surgimento de necroses teciduais, deiscências de suturas (afastamentos das partes costuradas), dentre outras complicações. Desta maneira, é imprescindível adequar técnicas menos agressivas, com descolamentos teciduais menores para proteger o paciente de possíveis complicações, além de aconselhá-lo a cessar o fumo no pré-operatório.

RISCO DE NECROSE

“Seguindo orientação de artigos científicos, recomendo parar de fumar de quatro semanas antes da cirurgia até quatro semanas depois. A piora na cicatrização e aumento de complicações são conhecidos por todos os médicos e o paciente que deseja realizar a cirurgia precisa estar ciente dos riscos”, explica Beatriz. Na ritidoplastia (plástica ou lifting facial), o tabagismo aumenta muito a chance de necrose (morte da pele), portanto, independentemente do tipo de cirurgia, vale a pena o esforço de parar de fumar.

A cirurgiã plástica ainda reforça que o interessado em realizar cirurgia plástica deve consultar sempre um especialista membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

74% DOS CARIOCAS APROVAM VACINAÇÃO EM FARMÁCIAS

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Pesquisa encomendada pela Associação do Comércio Farmacêutico do Estado do Rio de Janeiro (Ascoferj) mostrou que 74% dos cariocas utilizariam os serviços de vacinação, caso fossem oferecidos por farmácias e drogarias da cidade. E que 63% estariam até mesmo dispostos a pagar pelo serviço. A vacinação nos estabelecimentos farmacêuticos do município do Rio de Janeiro foi autorizada pela Lei Complementar 167/2016, mas, desde então, aguarda regulamentação por parte da Secretaria Municipal de Saúde.

A farmácia, desde 2014, tem sido reconhecida, por lei, como um estabelecimento de saúde. Essa definição facilita o avanço dos serviços farmacêuticos prestados nesses locais. Para o presidente da Ascoferj, Luis Carlos Marins, o resultado dessa pesquisa não é uma surpresa, tendo em vista a carência da população no âmbito da saúde. “O serviço de vacinação em farmácias e drogarias poderá beneficiar os consumidores em vários sentidos: de acesso, devido à capilaridade dos estabelecimentos, e econômico, pois temos a certeza de que o valor da vacina será mais baixo do que o cobrado nas clínicas”, avalia Marins.

Segundo ele, o setor não quer nenhum privilégio para si e nem todos os estabelecimentos farmacêuticos vão disponibilizar as vacinas. “Acredito que apenas as farmácias localizadas em pontos estratégicos e dispostas a se adequar às normas sanitárias para vacinação passarão a oferecer o serviço”, acrescenta o presidente da entidade.

A PESQUISA

Os dados sobre vacinação fazem parte de um estudo conduzido pela da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a pedido da Ascoferj. Os pesquisadores investigaram o grau de interesse dos cariocas na utilização dos serviços que podem ser prestados por farmacêuticos. O objetivo da pesquisa foi verificar se as pessoas estariam dispostas a utilizar e a pagar por eles.

Mais de dez bairros foram pesquisados, entre eles, Ipanema, Catete, Botafogo, Centro, Lapa, Campo Grande, Taquara, Barra da Tijuca, Portuguesa (Ilha do Governador), Madureira e Tijuca. A maioria dos entrevistados é do sexo feminino e se encontra na faixa etária entre 30 e 50 anos, com ensino médio e curso superior completo. Mais da metade das pessoas entrevistadas possui crianças entre 0 a 10 anos na família. Importante notar que 33% delas vão às farmácias toda semana.

De acordo com os resultados da pesquisa, 54% dos entrevistados reconhecem a figura do farmacêutico e 74% já pediram auxílio a ele, ao menos uma vez, avaliando que o atendimento foi útil. Além disso, 74% utilizariam o serviço de acompanhamento e orientação sobre o uso de medicamentos, mas apenas 35% pagariam por ele.

O estudo trouxe outros dados, entre eles, que 75% dos cariocas utilizaram o serviço de aferição de pressão arterial e 51% pagariam por ele. O serviço de aplicação de injetáveis foi o que mais despertou interesse nos entrevistados: 79% utilizariam esse serviço e 82% pagariam por ele, percentual mais elevado da pesquisa. Atualmente, a aplicação de injeção é um dos serviços mais procurados em farmácias e drogarias do Rio.

9 DICAS PARA SER UM FARMACÊUTICO CLÍNICO NA PRÁTICA

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POR EGLE LEONARDI

 

No Brasil há cerca de 76 mil farmácias e drogarias, de acordo com o Censo Demográfico Farmacêutico realizado pelo ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico. Nelas atuam quase 177 mil farmacêuticos!

O fato é que com a resolução 13.021/14, que constitui as farmácias como estabelecimentos de saúde, há, cada vez mais, vagas para farmacêuticos que atuem clinicamente nesses locais. O desafio não se dá apenas pela falta de profissionais no País, mas também pelo despreparo e inexperiência da maioria deles na atenção farmacêutica à população.

As mudanças históricas nos processos produtivos voltados para a produção de medicamentos e a influência dessas mudanças nos currículos acadêmicos convergiram para um profissional tecnicista, de conhecimentos adquiridos em blocos e desconexos e descontextualizados no que se refere à relação com a população, mantendo uma relação mais íntima com o produto (medicamento) do que com o usuário dele (paciente). “Com isso, o farmacêutico tornou-se um mero dispensador de medicamentos. Com esse novo contexto de farmacêutico clínico, esse profissional tem que ampliar seus conhecimentos para além dos medicamentos. O foco agora é o paciente. E isso demanda maior conhecimento por parte do profissional”, defende o professor do ICTQ, Clezio Rodrigues de Carvalho Abreu.

Falta preparo?

O farmacêutico clínico da Clinifar – Farmácia Escola do ICTQ em São Paulo-SP, Ronaldo Ribeiro, comenta que a formação do profissional na universidade não mantém na grade curricular uma farmácia clínica atuante na anamnese ou interpretação de exames laboratoriais. Ele pensa que um farmacêutico recém-formado não está apto a desenvolver a clínica nas farmácias e drogarias, nem mesmo na farmácia hospitalar.

“Se ele tiver interesse de exercê-la, uma pós-graduação em farmácia clínica é a base e princípio de preparo e formação. Apesar de os Conselhos de Farmácia não exigirem uma residência em farmácia, é fundamental procurar um curso que ofereça no mínimo aulas práticas, pois assim o farmacêutico terá bagagem de conhecimento teórico e prático”, ressalta ele. Vale lembrar que o mesmo Censo citado no início dessa matéria, descobriu que apenas 38,5% dos farmacêuticos entrevistados cursaram ou estão cursando uma pós-graduação.

Abreu observa ainda que falta formação que inclua conhecimentos e habilidades em boas práticas de prescrição farmacêutica, fisiopatologia, semiologia, comunicação interpessoal, farmacologia clínica e terapêutica. Esses conhecimentos podem promover o reencontro entre farmacêutico e paciente, para que possa novamente se responsabilizar pelo seu bem-estar e tornar-se um dos provedores de cuidados em saúde.

Sobram desafios

Para Ribeiro, o principal desafio é ser reconhecido pela classe médica, que não entende que o farmacêutico soma os serviços e não divide ou disputa o paciente. Para vencer esse desafio, é preciso demonstrar na prática para outros profissionais de saúde, o ganho no atendimento multidisciplinar, para o paciente e para todos os profissionais envolvidos no tratamento. Outro desafio importante é ser reconhecido pela população que perdeu ao longo dos últimos anos, a percepção de um farmacêutico voltado para os cuidados essenciais de saúde.

“Vejo outros colegas tendo dificuldade na atuação em grandes redes, onde não se reconhece o farmacêutico clínico. Isso evidencia que as vezes os proprietários assumem um posicionamento estritamente comercial, o que vão na contra mão das resoluções do Conselho federal de Farmácia (CFF)”, diz Ribeiro.

Ele lembra que, mesmo nas farmácias onde já se existe um consultório, há uma atuação muito rasa no âmbito clínico. Isso ocorre porque o perfil do farmacêutico que atua nessas drogarias não corresponde a necessidade de conhecimento e expertise para a atividade. “Hoje temos como aliar um bom faturamento a um atendimento ético, principalmente por meio de acompanhamento farmacoterapêutico, entre outras atividades”, relata.

O desafio de voltar à sala de aula!

Abreu descreve como um dos principais desafios encontrados pelos farmacêuticos a dificuldade em voltar a estudar depois da graduação. Muitas redes não liberam ou não flexibilizam a escala, outras vezes o próprio profissional avalia exaustivo trabalhar durante a semana e estudar no sábado a cada 15 dias. “O profissional farmacêutico precisa ter a consciência de que o processo de auto capacitação é um trabalho árduo, porém indissociável do profissional que trabalha com clínica eatendimento ao paciente. E é importante salientar que cursinhos online, mesmo aqueles vendidos como especialização, são insuficientes por não trazerem a oportunidade de aprendizado coletivo e prático”.

Existem ainda as dúvidas sobre a legalidade e durabilidade das resoluções do CFF, uma vez tão questionada pela classe médica. Abreu acredita que não há incertezas na legislação farmacêutica porque as resoluções disponíveis sobre a atuação clínica (Resoluções 585 e 586/13) já são uma realidade irreversível. “Já no tocante à insegurança, isso é o que predomina somente no meio farmacêutico que está em cima do muro. Não há insegurança nas resoluções, mas nas atividades de natureza técnica e na capacidade de fazer algo que no Brasil era feito só por médicos”, alerta.

Palavra de quem vive o dilema

A farmacêutica da rede de Drogarias Pacheco, em Rio das Ostras (RJ), Eniana Campolina, já teve certa prática clínica no passado pelo atendimento no balcão, que ela considerou um grande aprendizado, mas sente que o farmacêutico precisa de mais qualificação para isso. Por isso, atualmente ela não faz mais esse atendimento.

“Hoje, a todo o momento, somos procurados para fazer uma indicação, confirmar prescrição…e, sinceramente, não temos preparo para este tipo de atuação em saúde. Somos ainda muito despreparados para essa abordagem. Existe uma insegurança e muito pouco embasamento para que possamos nos movimentar livremente neste universo da clínica”, lamenta Eniana.

Para a profissional, é preciso mais conhecimento sobre patologia e diagnóstico, além de interações medicamentosas e alimentares, sem contar com a conscientização, por parte do farmacêutico, do seu papel educativo e psicossocial junto à população.

A maioria dos profissionais tem uma atuação deficiente pela falta de incentivo dos empresários e também porque grande parte deles ainda não se especializou, e prefere se esquecer da responsabilidade. “Precisamos também divulgar e dar mais credibilidade a esta vertente de nossa formação profissional”, acredita ela.

Fazer qualquer curso serve?

Ribeiro afirma que os cursos de curta duração ou ainda os treinamentos online, não acrescentam conhecimentos sólidos, apenas uma informação ou ideia a ser desenvolvida. Para ter conhecimento profundo para atuar no atendimento, é básico ser especializado em farmácia clínica. “Participar de programas de residência, ou ainda de especializações mais específicas em determinadas patologias e acompanhamentos farmacoterapêuticos pode trazer uma base mais sustentável para o profissional atuar no campo clínico”, diz ele.

Eniana concorda com Ribeiro: “vejo muitos cursos que existem para dar o diploma aos alunos, com conteúdos imensos, mas pouca prática e exercício para o preparo do profissional. A meu ver, a prática clínica farmacêutica exigiria uma residência, uma vivência interativa para trazer segurança aos profissionais em formação”. Ela gostaria muito de estar mais preparada e especializada para poder trabalhar atuante dentro da clínica com segurança.

Abreu acredita que o conteúdo teórico adquirido nos cursos de qualificação e pós-graduação em farmácia clínica é muito importante para a atuação prática do farmacêutico, mas de forma complementar. “A formação do farmacêutico para a prática clínica, de forma descontextualizada de seu local de trabalho, tem se mostrado uma forma ineficaz de tornar o cuidado farmacêutico uma realidade. Os profissionais, às vezes, até têm formação e conhecimento suficientes para a atuação em um consultório. O que falta a eles é justamente saber aliar esses conhecimentos a sua realidade dentro do varejo. Nesse contexto, a prática sempre será soberana”.

Superando os obstáculos

Abreu diz que os farmacêuticos precisam estar motivadoscom a ideia dessa nova atividade clínica, e buscar, de forma incansável, aliar essa clínica à prática do dia a dia. “É fundamental eles entenderem sua importância dentro do plano de cuidado e estimulando a interação entre a categoria de clínicos para alavancar sua implantação. Eu observo que apenas com a união, a motivação e o esforço coletivo é possível mostrar a importância do trabalho clínico e a implantação de sua prática no sentido de ocupar seu lugar no cuidado ao paciente no varejo farmacêutico”.

É preciso levar em consideração o reconhecimento das fronteiras de atuação dentro do consultório, jamais a avaliação farmacêutica deve ser fragmentada e restritiva. Pelo contrário, uma avaliação integral do paciente pelo farmacêutico permite a identificação da necessidade do compartilhamento do caso com outros profissionais de saúde, gerando um cuidado interdisciplinar e até transdisciplinar.

Os 9 desafios que o farmacêutico clínico precisa vencer

1 – Descrédito sobre a validade, no médio e longo prazo, das resoluções acerca das atribuições clínicas do farmacêutico;

2 – Ausência de conhecimento no que se refere às patologias e farmacologia;

3 – Ausência de exercício prático em aulas de campo ou residências;

4 – Falta de autoconfiança para a prática dos serviços farmacêuticos;

5 – Acomodação na zona de conforto e ausência de empreendedorismo para se propor a realização dos serviços clínicos aos gerentes e empregadores;

6 – Medo das críticas por parte dos profissionais de medicina;

7 – A visão e entendimento estreito de que terá que trabalhar mais, com maiores responsabilidades e com o mesmo salário;

8 – Falta de condições físicas e falta de investimentos por parte de empregadores, para a realização da prática clínica na farmácia;

9 – Ausência de harmonização entre regulamentações do Conselho Federal de Farmácia e ANVISA, principalmente na classificação dos medicamentos e funcionamento dos consultórios farmacêuticos.

 

 

Matéria publicada no Portal de Noticias do ICTQ

JAPÃO – O PAÍS DA FARMÁCIA DRIVE THRU

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POR EGLE LEONARDI

 

O Japão é um país com muitos idosos. Sua taxa de mortalidade é baixa e a expectativa de vida da população japonesa é uma das mais elevadas do mundo, chegando a 83,6 anos. Além disso, há uma baixa taxa de natalidade. Sua população é de 127,3 milhões de pessoas, mas o curioso é a alta densidade demográfica, que chega a 336,8 habitantes por km² (no Brasil esse índice é de 24 hab./km²).

O país é formado por um arquipélago que fica no Oceano Pacífico, no extremo leste do continente asiático. O território japonês possui uma área de 377.899 km². Com a terceira maior economia do mundo (perdendo apenas para os Estados Unidos e a China), o Japão possui renda per capita de US$ 43 mil (R$ 142 mil).

Quem falou sobre a farmácia no Japão foi Elza Satoko Mio Nakahagi, que publicou o Dicionário de Termos Médicos com nove mil palavras em japonês, português, espanhol e inglês. Embora ela seja formada em medicina no Brasil, atua no Japão como intérprete trilíngue e dá aulas em faculdades de saúde, inclusive na área farmacêutica, para estrangeiros que vivem naquele país.

Ela trabalha no SABJA-DISQUE-SAÚDE do Conselho de Cidadãos do Consulado Geral do Brasil, em Nagoya, para o atendimento, informações e aconselhamentos gratuitos sobre saúde, e é voluntária de ONGs de assistência aos estrangeiros residentes no Japão. Elza conta que, naquele país, há três tipos de linha de medicamentos:

Linha 1– Só se vende com prescrição médica. Inclui todos os medicamentos utilizados para enfermidades em geral (antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, anti-hipertensivos, hormônios, medicamentos oncológicos, antiácidos, antialérgicos etc.). Os itens dessa linha possuem as seguintes características:

– Necessitam da presença do farmacêutico para sua venda;

– São vendidos nas farmácias de manipulação;

– Podem ser vendidos tanto nas farmácias dentro do hospital como nas farmácias fora do ambiente hospitalar;

– São cobertos pelo seguro de saúde público, portanto o paciente paga apenas 30% do seu custo real.

Linha 2 – Pode ser vendida na ausência do farmacêutico, mas necessita de um técnico de medicamentos – profissional licenciado pelo governo nacional. A linha compõe medicamentos mais leves, com menos efeitos colaterais, como itens para dores leves, antigripais, alergias comuns, xarope simples para tosse etc. Estes produtos não são cobertos pelo seguro de saúde público, portanto, seus usuários pagam 100% do seu valor real.

Linha 3 – Agrega os medicamentos mais comuns do que os da segunda linha, e que não necessitam do farmacêutico ou técnico de medicamentos, ou seja, são dispensados apenas pelo balconista, como emplasto para torção, produtos para curativo, gargarejo, sabonete antisséptico etc. Eles não são cobertos pelo seguro de saúde público, portanto, os consumidores pagam 100% do seu valor real.

Conheça a seguir outros 7 aspectos da farmácia e da profissão farmacêutica no Japão:

1- Regulamentação do segmento farmacêutico

O governo estadual (no caso do Japão, diz-se governo provincial) é quem controla e autoriza o funcionamento das farmácias por meio do Departamento de Medicamentos, Drogas e Burocracias. Há muita rigidez com relação às regras, leis e normas que regulam o setor.

2 – Perfil das lojas

Uma farmácia pode optar por vender as três linhas de medicamentos, apenas a primeira, a primeira e segunda, ou apenas a terceira, desde que o farmacêutico esteja presente, o técnico de medicamentos ou o balconista, ou seja, o profissional responsável pela dispensação de cada linha.

Os medicamentos de primeira linha ficam localizados dentro de um recinto particular, onde apenas os farmacêuticos têm acesso. Os itens das linhas 2 e 3 ficam à vista dos consumidores.

3 – Prescrição de medicamentos por farmacêuticos

Não há a permissão da prescrição para o farmacêutico. Apenas o médico pode prescrever. Cada receita é válida apenas por quatro dias, a partir da data aviada. Também não se aplicam injeções em farmácias. Todas as consultas, intervenções e procedimentos são realizados nos hospitais ou clínicas.

4 – Propriedade das farmácias

Não há exigência legal sobre a propriedade das farmácias. Qualquer pessoa pode comprar um estabelecimento, mas o local deve seguir as regras de dispensação dos medicamentos, atendidas pelos profissionais responsáveis por cada linha, sejam farmacêuticos, técnicos ou balconistas.

5 – Presença do farmacêutico na farmácia

O farmacêutico pode ser contratado e remunerado por horário de trabalho. Não há a exigência de período integral. No entanto, se ele estiver ausente, o estabelecimento pode funcionar, mas não pode vender os medicamentos de primeira linha. Com isso, as farmácias procuram manter os farmacêuticos durante todo o período de funcionamento, pois os medicamentos de primeira linha são os mais vendidos (por conta do subsídio governamental).

6 – Remuneração do farmacêutico

Os farmacêuticos japoneses recebem, em média, 250.000 ienes por mês (R$ 7.312,50).  Podem também receber por hora, entre 2.000 (R$ 58,28) a 2.500 (R$ 72,85) ienes.

7 – Algumas curiosidades da farmácia no Japão

Os japoneses veem vantagem em comprar medicamentos de primeira linha, mesmo que sejam obrigados a passar por uma consulta, pois, além de poderem adquirir o medicamento, eles ainda pagam somente 30% do seu valor por conta da cobertura do plano de saúde do governo. “Eu sempre digo que, às vezes, é mais prático e menos oneroso passar por consulta médica e receber uma prescrição”, afirma Elza.

Os brasileiros que vão ao Japão e tentam comprar seus medicamentos de costume, como anticoncepcionais, por exemplo, não conseguem fazê-lo, pois a maioria desses medicamentos são itens de primeira linha, vendidos sob prescrição.

É muito comum que um japonês frequente a sua farmácia de costume. Ao passar por uma consulta, em clínica ou hospital, é comum que esses órgãos já enviem a receita diretamente à farmácia. Assim, o usuário só precisa ir até o estabelecimento para retirar o pacote pronto e pagar uma pequena parcela.

O sistema de drive thru é facilmente encontrado nessas condições. O hospital, por exemplo, já envia a receita, os dados do paciente, seu cartão de saúde etc. É só pegar e sair.

Dessa forma, todo o histórico do paciente fica registrado na farmácia de costume, e o farmacêutico tem o cuidado para não cruzar as reações e doses medicamentosas, pois mantém todas as informações das consultas realizadas nas diversas especialidades.

O próprio paciente também recebe uma Caderneta de Medicamentos, onde fica registrado todo o histórico de medicamentos, para o caso de ele precisar visitar outra farmácia além daquela de costume.

 

 

Matéria publicada no Portal de Notícias do ICTQ.

FLAGRANTE DE EXERCÍCIO ILEGAL DA PROFISSÃO FARMACÊUTICA

Shot of a doctor and a surgeon having a difficult conversation

POR EGLE LEONARDI

 

Em Hospital no Rio de Janeiro (RJ) enfermeiros e técnicos de enfermagem realizavam as atividades do farmacêutico com a ordem e anuência de todo o corpo clínico e do médico diretor da unidade! Embora pareça uma notícia sensacionalista, o fato é real, e merece ser denunciado…e para se ter uma ideia da gravidade dessa revelação, vale acompanhar o desenrolar da história.

Na primeira quinzena de julho deste ano, fiscais do Conselho Regional de Farmácia do Rio de Janeiro (CRF-RJ) e policiais civis da Delegacia do Consumidor (Decon) realizaram operação conjunta no Hospital SAMOC, que fica no Rio de Janeiro (RJ), para apurar denúncia de exercício ilegal da profissão. Na ação, foi constatado que enfermeiros realizavam funções privativas dos farmacêuticos no período noturno.

Durante a fiscalização, os agentes do CRF-RJ verificaram a rotina de dispensação, armazenamento e fracionamento dos medicamentos, além de seu uso no ambiente hospitalar. Fizeram, ainda, a avalição de prescrições e identificaram os profissionais envolvidos nos processos que seriam de exclusividade dos farmacêuticos.

Com essa averiguação, foi comprovado o acesso da equipe de enfermagem do período noturno nas farmácias do hospital, o que caracteriza exercício ilegal da profissão! Como se não bastasse, foram encontrados medicamentos sólidos, já fracionados e não identificados por paciente, assim como medicamentos na forma farmacêutica injetável, caracterizando estoque de medicamentos sem a presença de um farmacêutico responsável, conforme obrigatório por lei.

RESULTADO: todos os envolvidos foram parar na Delegacia! Houve um flagrante e, tanto os profissionais de enfermagem que realizavam os procedimentos privativos dos farmacêuticos, como o administrador e o advogado do hospital foram conduzidos à delegacia para prestar depoimento.

A Decon está dando andamento às investigações e procedimentos referentes ao inquérito policial. Os responsáveis terão que responder pelo artigo 282 do Código Penal, que estabelece pena de seis meses a dois anos de detenção e multa, se o crime for praticado com fim de lucro.

Para o farmacêutico diretor Técnico Científico da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde (Sbrafh), Marcelo Polacow, a atuação do CRF-RJ e da Policia Civil foram perfeitas, pois as atividades de dispensação de medicamentos são privativas do farmacêutico, e a execução por pessoas de outras profissões (mesmo que da área da saúde) configura crime. “Além disso, a Lei 13.021/14 não permite o funcionamento de farmácias sem farmacêutico, o que configura infração sanitária do estabelecimento. A população é colocada em alto risco por práticas como essa”.

O presidente do CRF-RJ, Marcus Athila, concorda: “Acreditamos que esta é uma prática irregular, provavelmente, motivada por maus gestores, que priorizam um suposto lucro em detrimento da lei e da segurança do paciente. Acima de tudo, este tipo de administração reflete sérios riscos à saúde dos pacientes”.

Uma questão é importante salientar: há somente três profissões previstas no Art. 282 que proíbem seu exercício ilegal, ainda que a título gratuito, que são a do médico, do dentista e do farmacêutico, dada à sua importância para a saúde pública e aos possíveis danos que seu exercício pode causar à saúde da população. “A história do farmacêutico deve ser resgatada. Não podemos mais aceitar que outros profissionais exerçam atividades privativas dele”, dispara Athila.

Como denunciar

A operação conjunta com a Decon é uma ação pioneira do CRF-RJ, visando coibir a prática de exercício ilegal da profissão de farmacêutico. E outros Conselhos também devem entrar nessa luta, pelo bem da população. Cabe ressaltar que, além de resguardar os profissionais farmacêuticos, esse tipo de operação visa proteger a sociedade com relação às condições do medicamento que será consumido.

Para denunciar esse tipo de crime, qualquer cidadão, farmacêutico ou outro profissional, deve chamar a força policial. “Todos nós, através dos tempos, acabamos nos acostumando com essa situação inaceitável que vem ocorrendo”, lamenta Athila. Por enquanto, quem quiser fazer denúncias desse tipo ao CRF-RJ pode escrever para o e-mail denuncia.fiscalizacao@crf-rj.org.br.

Com relação ao caso do hospital, ele explica que já avançou nos entendimentos junto ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) e, também, ao Coren, a fim de buscar formas de coibir essa prática, mas resguardando os profissionais. “Sabemos que, em geral, a ordem vem da direção desses hospitais, que visam, em primeiro plano, ao lucro em detrimento de priorizar a saúde dos pacientes”.

Para Polacow, iniciativas como essa do CRF-RJ são louváveis e garantem um maior reconhecimento e valorização da profissão farmacêutica.

O que pensam os enfermeiros

Os próprios profissionais de enfermagem são contra essa imposição dos hospitais de obrigá-los a dispensar medicamentos. Há a Decisão 008/2016, do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren-RS), que veda a dispensação de medicamentos por enfermeiros. E os demais conselhos da classe caminham para o mesmo entendimento.

O presidente do Coren-RS, Daniel Menezes de Souza, ressalta que a dispensação de medicamentos é uma atividade privativa dos farmacêuticos e que a enfermagem deve focar-se em suas responsabilidades estabelecidas.  Ele acrescenta que os enfermeiros não têm condições técnicas para essa função: “Os profissionais da enfermagem não têm respaldo legal para fazer a dispensação de medicamentos. A entrega equivocada de um medicamento à população pode gerar intoxicação e até situações mais graves, podendo ser considerado um desvio ético, passível de punição”, alerta Souza.

Ele ressalta outro aspecto sobre essa questão. Ele diz que quando um profissional de enfermagem acaba fazendo uma tarefa que não é sua, ele deixa de fazer uma atividade importante, inerente à sua atribuição: “Somos comprometidos com a saúde da população e, por isso, não podemos assumir uma função que é privativa de outra categoria profissional”.

Quando o exercício ilegal provoca a morte de pacientes

É uma triste realidade, mas erros podem acontecer até no exercício de sua função, num simples momento de descuido. Imaginem se o profissional assumir atribuições alheias! Vejam o caso da auxiliar de enfermagem, Cátia Aragaki, que injetou vaselina em vez de soro na veia da menor, Stephanie Teixeira, e que resultou na morte da menina, na madrugada do dia 4 de dezembro de 2010. Ela tinha ido a hospital de São Paulo (SP) para se tratar de uma virose. “Esse instante de que eu olhei pra garrafa, mas não vi, esse momento que meu cérebro desligou, esse instante eu não tenho como fugir, como escapar”, disse, transtornada, a profissional ao programa Fantástico, da Rede Globo. Cátia admitiu ter administrado a vaselina na menina, mas afirmou ter sido induzida ao erro por causa da semelhança dos rótulos.

Em abril de 2016, uma técnica de enfermagem injetou óleo mineral na veia do paciente de 87 anos, Ivo Assine, internado no Hospital Stella Maris, de Caraguatatuba (SP), com pneumonia. O caso aconteceu durante a madrugada, quando a profissional deveria trocar o soro e aplicar óleo mineral pelas vias nasais do paciente. Durante o procedimento, ela errou a aplicação e acabou introduzindo o óleo de forma intravenosa. Após a medicação, o idoso teve uma parada cardíaca e não resistiu.

Mais recentemente, em março de 2017, uma técnica de enfermagem aplicou um medicamento errado na fotógrafa, Zélia Lúcia Barbosa Moreira, na Santa Casa de Franca (SP), que teve parada cardiorrespiratória e morreu horas depois. A profissional aplicou 10mL de cloridrato de ropivacaína (um anestésico que não pode ser usado por via intravenosa), em vez de aplicar o antitóxico prescrito.

A técnica afirmou no depoimento à Polícia: “Foi me entregue a medicação errada. A medicação certa estava em outro local. Foi um funcionário que entregou pra mim. Nessa troca de plantão, ele me entregou e disse pra mim que era aquela medicação que era para ser administrada e o procedimento como era para ser feito”.

Todo cuidado é pouco. Para Polacow, os profissionais de enfermagem desenvolvem um papel assistencial incrível no hospital e são dignos de alto reconhecimento profissional, mas assim como eles têm o âmbito específico, os farmacêuticos também têm, e devem ser respeitados. “Grande parte dos enfermeiros desenvolve estas atividades pressionada pela administração dos hospitais, e não por vontade própria, já que elas são privativas do farmacêutico.

O farmacêutico é fundamental nos hospitais

Medicamento é coisa séria. “A principal causa de internação por intoxicação no SUS envolve o medicamento e em torno de 30 mil brasileiros morrem anualmente por causa dele”, relata Athila.

Segundo Polacow, o farmacêutico é um profissional fundamental na estrutura hospitalar, pois atua tanto na esfera de gestão como na clínica, buscando a racionalização do uso dos medicamentos e a sua logística. “Do ponto de vista clínico, o farmacêutico melhora os resultados farmacoterapêuticos, atua incrementando a segurança do paciente e garante o melhor controle das infecções hospitalares”.

Vale lembrar as funções privativas do farmacêutico, como dispensação, armazenamento, fracionamento, diluições dos medicamentos, avaliação de prescrição e seu uso no ambiente hospitalar. Ele é o profissional capacitado e responsável por esses procedimentos.

É fato que, em caso de erro ou mal uso de medicamentos, ou mesmo no seu armazenamento, todo o tratamento é comprometido, inclusive podendo levar o paciente a óbito. Por erro de medicação, morrem milhares de pessoas em todo o mundo diariamente. Athila questiona: quantas pessoas no Brasil vão a óbito dentro dos hospitais por esse motivo? “É uma pergunta para qual não temos a resposta. Mas, acredito que não seja um número desprezível”.

O presidente do CRF-RJ tem a intenção de seguir no trabalho de conscientização da importância do profissional farmacêutico para a saúde da população. Além disso, pretende atuar fortemente no sentido de resguardar os profissionais farmacêuticos.

Cabe ressaltar que esse tipo de operação de combate ao exercício ilegal da profissão visa, sobretudo, proteger o cidadão. “Devemos lembrar à sociedade que o exercício ilegal da profissão farmacêutica é uma prática gravíssima, seja no hospital ou em outro estabelecimento. Por isso, pedimos a todos que denunciem esse crime”, conclama ele.

 

 

Matéria publicada com exclusividade no Portal do ICTQ

O CAPITÃO FARMACÊUTICO QUE FATURA R$ 1,8 MILHÃO/MÊS

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POR EGLE LEONARDI

 

Farmacêuticos, é possível que muitos de vocês apresentem histórias semelhantes de empreendedorismo, mas este paranaense, apaixonado pela farmácia e por todas as questões que envolvem esse universo, construiu uma distribuidora de medicamentos dando várias reviravoltas em sua vida! Ele é o Giuliano Jamberci, dono da G1 Distribuidora de Produtos Farmacêuticos, que conquistou o mercado pernambucano a custa de muito trabalho.

A G1 Distribuidora é especializada em medicamentos genéricos e similares das principais indústrias farmacêuticas do País. Com sede própria, está instalada em três mil metros quadrados no Recife (PE).

Mas esse nem é o seu maior trunfo! Jamberci tem muita história para contar! Ele perdeu o pai ainda menino, aos 15 anos. Foi trabalhar como auxiliar em uma pequena farmácia situada em Cambará (PR). A paixão começou e, aos 18 anos, foi aprovado no curso de Farmácia na Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR).

Recém-formado e muito determinado, comprou sua primeira farmácia e, no ano seguinte, veio a segunda unidade. Ambas se chamavam Farmaclin.

No entanto, com muito estudo e o seu espírito inquieto ele tentou uma carreira no exército. Assim, resolveu prestar concurso para farmacêutico daquela instituição. E, por um capricho do destino, como ele mesmo diz, foi aprovado em primeiro lugar na Escola de Saúde do Exército para a vaga de farmacêutico hospitalar.

Posteriormente, fez o Curso de Formação de Oficiais da Escola de Saúde do Exército Brasileiro, no Rio de Janeiro (RJ), quando recebeu a medalha Marechal Hermes por conquistar o primeiro lugar entre os farmacêuticos. Assim, foi promovido a 1º Tenente Farmacêutico, e, posteriormente, foi designado para servir em Recife (PE), no hospital do exército.

Embora paranaense de nascença, o Estado do Pernambuco o abraçou, e sua trajetória de sucesso foi ainda mais brilhante. Logo no início do milênio, ele continuava em Recife, mas administrava suas farmácias no Paraná, graças à ajuda de um irmão, que também acabava de se formar no curso de Farmácia; e da esposa, Gisele Hoffmann, também farmacêutica. Naquele momento, o mercado da distribuição entrava no seu foco de atuação. Acompanhe a entrevista exclusiva com Giuliano Jamberci, e conheça as guinadas que ele impôs à sua trajetória profissional.

ICTQ – O senhor já atuou em diferentes segmentos farmacêuticos. Como a distribuição surgiu na sua carreira profissional?

Giuliano Jamberci – Em meados de 2003, eu não tinha condições de me transferir para o Paraná com o objetivo de administrar minhas farmácias mais de perto. Naquele momento, decidi colocá-las à venda, mas o meu tino comercial e a minha paixão pelo segmento farmacêutico me fizeram buscar alternativas para não abandonar meu sonho. Foi quando vislumbrei uma oportunidade de me tornar um distribuidor de protetores solares em Pernambuco, mais precisamente em Recife.

ICTQ – Foi quando o senhor montou a G1 Distribuidora?

Giuliano Jamberci – Na verdade, ainda não. Eu inaugurei uma pequena distribuidora de cosméticos, a qual também batizei de Farmaclin, nome das minhas antigas farmácias no Paraná. O começo foi muito difícil, pois eu não tinha conhecimento do ramo de atacado, nem mesmo do mercado local. Mas, com muita persistência e perseverança, fomos em frente e a empresa foi crescendo.

ICTQ – E desde então o senhor vem atuando no ramo da distribuição?

Giuliano Jamberci – Sim, mas o sonho de atuar no varejo farmacêutico não foi esquecido. Em 2008, inaugurei minha primeira farmácia em Pernambuco e a paixão pelo segmento era tão grande que, alguns anos depois, eu já possuía quatro unidades na região.

ICTQ – E o senhor se dividia entre todas essas frentes de atuação?

Giuliano Jamberci – Claro, mas a carga começou a pesar demais, já que ainda trabalhava diariamente no Hospital do Exército, cuidava da distribuidora de cosméticos e ajudava a gerir as farmácias. Tive de tomar uma decisão muito importante. Precisava reestruturar minha vida profissional, pois era difícil conciliar tudo. Em decorrência dessa decisão, comecei a colocar em prática a reestruturação da minha vida profissional, e acabei esbarrando no meu principal dilema, que era a carreira militar, já que eu já era capitão farmacêutico naquela época. Por tudo isso, com o apoio da minha família, acabei pedindo exoneração do exército.

ICTQ – Como isso impactou o negócio?

Giuliano Jamberci – Eu acreditava que concentrar todos os recursos em um único negócio me faria crescer ainda mais. Então, vendi minha rede de farmácias e foquei no meu maior projeto. Montei a G1 Distribuidora de Produtos Farmacêuticos, especializada na distribuição de medicamentos genéricos e similares das principais indústrias farmacêuticas do País. Ela abrange o mercado de distribuição de todo o Estado de Pernambuco.

ICTQ – Ela foi estabelecida no Recife?

Giuliano Jamberci – Sim. Possuímos sede própria na capital pernambucana de, aproximadamente, três mil metros quadrados, distribuídos em área administrativa, de armazenamento e de logística, inclusive com entrega própria e terceirizada. Na G1 Distribuidora eu passei a colocar em prática todos os conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, na distribuição de cosméticos e nas farmácias.

ICTQ – E quais foram seus principais desafios?

Giuliano Jamberci – Atualmente, a empresa cresce a passos largos, mas isso só se deu porque superamos os desafios de convencer as indústrias farmacêuticas de que a G1 Distribuidora era capaz de prestar um serviço eficiente e de qualidade.

ICTQ – O senhor sofreu os impactos com a recente crise econômica brasileira?

Giuliano Jamberci – Não é fácil conciliar nosso crescimento com a instabilidade da economia, mesmo assim, não paramos de investir em nenhum momento.

A crise não afetou nosso negócio de maneira contundente. Investimos na aquisição de novos produtos, na qualificação profissional e no crescimento de nossa rede de fornecedores. Mensalmente, disponibilizamos recursos para treinamento de pessoal, principalmente na força em vendas.

ICTQ – O senhor tem fama de ser bem arrojado, não é mesmo?

Giuliano Jamberci – Eu não meço esforços para fazer meu negócio crescer. Para se ter uma ideia, somos a única distribuidora do mercado a atender pedidos até as 21 horas, e ainda fazer estas entregas já no dia seguinte. Se o pedido for de um cliente da Grande Recife, consigo fazer a entrega até às 9 horas da manhã seguinte. Isso é para poucos que têm coragem.

ICTQ – Quais linhas de produtos são distribuídas?

Giuliano Jamberci – Nosso portfólio é baseado em medicamentos genéricos e similares, mas também temos correlatos e uma linha de filtros solares exclusiva, que se chama Anasol, do laboratório Dahuer, do qual temos uma boa participação no mercado pernambucano.

ICTQ – Qual sua região de atuação?

Giuliano Jamberci – Nossa distribuição abrange todo o Estado do Pernambuco. Ainda não conquistamos outros Estados por conta das legislações tributárias estaduais, que inviabilizam a comercialização interestadual, no que se refere ao atacado e ao varejo.

Temos diversos parceiros comerciais na linha de fornecimento: Eurofarma, Legrand, Merck, Cimed, Cremer, Takeda/Multilab, Ranbaxy, Geolab, Globo, Delta, Dahuer, Brasterápica, Farmax, Medquimica, Natulab, Nova Quimica, Pharlab, Pharmascience, Zydus, entre outros.

ICTQ – Qual o faturamento atual da G1?

Giuliano Jamberci – Nós temos crescido muito. Nosso faturamento atual encontra-se na casa de R$ 1,8 milhão/mês. A movimentação fica em torno de 550 mil unidades/mês.

Nossa distribuidora ainda não é uma das maiores, mas temos aumentado nosso tamanho mensalmente devido ao aporte de novos fornecedores e, consequentemente, ao aumento da disponibilidade de novos negócios. Iremos entrar em 2018 com o mesmo potencial de crescimento percebido no decorrer deste ano.

 

 

 

NO EGITO, A FARMÁCIA É PROFISSÃO DE BAIXA RENDA

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POR EGLE LEONARDI

Com a riqueza de sua história, reconhecida mundialmente, não é de se admirar que o principal setor da economia do Egito seja o turismo, com ênfase às pirâmides e o litoral do Mar Mediterrâneo. Há também forte movimento econômico por conta do tráfego do Canal de Suez. O Egito possui um PIB de cerca de 200 bilhões de dólares.

Um dos principais obstáculos com que depara sua economia é a distribuição de renda. Muitos egípcios criticam o governo pelos altos preços de produtos básicos, já que seu padrão de vida e poder aquisitivo permanecem relativamente estagnados. Por conta disso, mais de três milhões de egípcios trabalham no exterior, em especial na Arábia Saudita, no Golfo Pérsico e na Europa. Sua população é de 95.538.227 pessoas.

O Egito, oficialmente chamado de República Árabe do Egito, é um país do nordeste da África, numa região predominantemente desértica, que inclui também a península do Sinai, na Ásia, o que o torna um Estado transcontinental.

A cidade do Cairo mantém algumas feiras de interesse dos farmacêuticos, como a Glass World Exhibition, a EgyMedica & Hospital Build e a Medicine New Advance.
O farmacêutico, Mustafa Rashed Abouleinim, forneceu mais detalhes sobre o segmento farmacêutico em seu país. Acompanhe:

1 – Regulamentação do segmento farmacêutico
No Egito, a legislação farmacêutica é regulamentada pelo Ministério da Saúde e o Sindicato de Farmácia (Egyptian Pharmacists Syndicate), inclusive esses órgão também atuam no tabelamento dos preços dos medicamentos.

As farmácias no Egito são consideradas pela classe profissional um estabelecimentos de saúde, ou seja, só dispensam medicamentos e produtos para a saúde, além de artigos de higiene pessoal e cosméticos. Não existe a venda de produtos alheios, como chinelo, roupas, sorvetes, chocolates etc.

Na mesma farmácia também funciona, além da dispensação de remédios industrializados, a manipulação de medicamentos. É comum esses locais ostentarem equipamentos e instrumentos de laboratório que podem ser utilizados para realizar alguns exames e fracionamento de doses.

Os medicamentos ficam em armários dentro da loja, e não permanecem ao alcance e nem à vista do usuário. Também é comum que o atendimento seja feito em mesas. Mas há farmácias que nem mantêm balcões em seu interior.

2 – Prescrição de medicamentos
No Egito, é possível que o farmacêutico faça a prescrição de medicamentos, inclusive de antibióticos nas farmácias. Além disso, eles executam vários procedimentos de menor complexidade nos estabelecimentos, o que, de certa forma, facilita o acesso da população à saúde primária. Há o acompanhamento farmacêutico do tratamento, e o paciente só é encaminhado ao serviço médico se não houver melhora do quadro.

3 – Propriedade da farmácia
Todas as farmácias no Egito têm, necessariamente, um farmacêutico como proprietário. No entanto, há aqueles leigos que compram farmácias, mas dão a propriedade do estabelecimento a um farmacêutico (não que a lei permita tal fato) – o famoso laranja como apelidamos no Brasil.

Há uma lei de zoneamento que não permite a existência de uma farmácia a menos de 500 metros da outra. Não existem redes grandes de farmácias no país e é obrigatória a presença do farmacêutico no estabelecimento em tempo integral.

4 – Remuneração do farmacêutico
Os salários não são, grosso modo, pagos por um contrato mensal de trabalho. Os farmacêuticos contratados para ficar nas farmácias recebem, na maioria das vezes, por hora trabalhada. Eles ganham pouco, por volta de R$ 7,50 a R$ 8,00 a hora, mas podem ser contratados por apenas algumas horas no dia ou na semana, já que a propriedade das farmácias, em sua maioria já são de farmacêuticos.

 

 

Matéria publicada no Portal do ICTQ

FARMACÊUTICO LUCAS PORTILHO: DE ESTAGIÁRIO A PALESTRANTE NA HARVARD

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POR EGLE LEONARDI

Você, farmacêutico, já se pegou reclamando do excesso de trabalho? Você já achou que não daria conta de executar todas as tarefas que seu chefe designou?

Esqueça tudo isso…eu vou lhe dar o exemplo de um farmacêutico empreendedor que tem, nada menos, que nove atribuições executivas. Estou falando do farmacêutico empresário Lucas Portillho!

Para se ter uma ideia, ele é sócio-diretor científico na Consulfarma Assessoria e do Congresso Consulfarma, sócio-diretor no IPUPO (Instituto de Cosmetologia e Ciências da Pele), sócio-diretor no Instituto Hi Nutrition, sócio-diretor no Laboratório de P&D do Instituto de Cosmetologia, consultor em P&D para indústrias e farmácias, palestrante internacional, coordenador da Comissão de Farmácia Estética no Conselho Regional de Farmácia, colunista internacional no Prospector e coordenador dos estágios internacionais em P&D cosmético na Itália, França e Espanha.

É um dos farmacêuticos com maior número seguidores no Facebook e é o palestrante mais convidado pelos principais eventos de cosmetologia em todo o Brasil.

Internacionalmente, ele já palestrou em Hamburgo, Alemanha, Chile e, em novembro, irá palestrar na Harvard Medical School, em Boston (EUA), no curso de harmonização orofacial. Além disso, anualmente vai à Europa com seus alunos, onde coordena o estágio internacional em cosmetologia realizado na Itália, França e Espanha.

Seus desenvolvimentos na área cosmética já foram destaque em mídias televisivas como Rede Globo, Globo News, Record, Bandeirantes e os principais jornais e revistas em todo Brasil.

Você quer saber como ele chegou até esse ponto? Acredite…ele começou lá de baixo! Acompanhe a entrevista exclusiva, concedida ao Portal de Conteúdos do ICTQ.

ICTQ – Como se deu sua trajetória profissional?

Lucas Portilho – Entrei na área da saúde influenciado por um professor de ciências. Assim, me matriculei em um curso técnico de bioquímica e fui estagiar em uma farmácia de manipulação. De cara, me apaixonei pela atuação em laboratório e percebi que aquele ambiente seria meu local de trabalho pelo resto da vida. Daí, foi natural ingressar no curso superior de farmácia e bioquímica, e tenho certeza que foi a escolha certa. Após atuar em farmácia de manipulação passei pela indústria farmacêutica e um dia recebi uma proposta para atuar em uma consultoria farmacêutica, chamada Consulfarma, onde entrei como estagiário.

ICTQ – Então a Consulfarma entrou desde cedo em sua vida?

Lucas Portilho – Sim. Fui contratado por aquele que considero um dos farmacêuticos mais empreendedores do Brasil, o professor Mauricio Pupo. Fui efetivado rapidamente, como pesquisador. A Consulfarma foi uma escola complementar à faculdade, pois eu atuava em laboratório realizando desenvolvimentos de produtos e ainda preparando material técnico para os clientes da empresa. Isso me obrigava a estudar muito e estar sempre antenado com as novidades farmacêuticas.

ICTQ – E como o senhor complementou sua qualificação?

Lucas Portilho – Fiz especialização na área da cosmetologia e também fiz um MBA para me capacitar melhor nessa área. Comecei a palestrar, ensinar alunos a desenvolver produtos, e acabei virando professor. Após ser convidado para fazer uma demonstração prática em uma aula, fui convidado para montar um curso de cosméticos veterinários, e partir daí não parei mais.

Em 2006, depois de três anos na Consulfarma, fui contratado como gerente de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em uma empresa de cosméticos chamada Adatina, onde tive a oportunidade de viajar para a Itália para realizar desenvolvimento de produtos.

ICTQ – E quando o senhor começou a empreender?

Lucas Portilho – Naquele mesmo ano, em 2006, juntamente com o professor Mauricio Pupo, abri uma escola de Cosmetologia que oferecia cursos de pós-graduação em Cosmetologia – o IPUPO Educacional. Em 2009 fui contratado pela Natura Cosméticos como coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento onde atuei em diversas categorias realizando a criação de produtos cosméticos. No entanto, a escola de cosmetologia foi crescendo e se destacando no cenário brasileiro como uma das melhores do Brasil. Utilizando minha rede de contatos nas indústrias cosméticas, criei um time de professores de grandes empresas, como Boticário, L’Occitane, J&J, Natura e outras grandes companhias para compor meu quadro de ministrastes. Assim, nos transformamos na instituição com as maiores turmas de cosmetologia do Brasil. Aquelas turmas iniciais em Campinas com 20 alunos se transformaram em turmas com mais de 100 alunos e expandimos para São Paulo, Porto Alegre e Curitiba, além dos cursos online, em que atingimos toda a América Latina. Já chegamos a vender cursos para uma empresa cosmética de Israel.

Em 2013 me desliguei da Natura para empreender de fato e fiz a aquisição do Instituto de Cosmetologia como sócio majoritário. Compramos a Consulfarma, a assessoria farmacêutica na qual eu havia atuado como estagiário, e abrimos mais um instituto educacional, desta fez com foco em nutrição: o Instituto Hi Nutrition, que oferece cursos de pós-graduação na área de nutracêuticos.

ICTQ – São várias frentes de atuação?

Lucas Portilho – Sim. Após sair da Natura, várias empresas me buscaram como consultor em desenvolvimento de produtos, e atualmente tenho um laboratório de P&D que elabora formulações para indústrias e farmácias.

Desenvolvi uma plataforma de ensino à distância para atender aos cursos de minhas empresas, no entanto, devido à facilidade de acesso e intuitividade, a plataforma despertou o interesse de outras empresas. Foi quando vi a oportunidade de transformá-la em um novo negócio. Atualmente a plataforma, chamada Liveclass, é utilizada por outras empresas para treinamentos e aulas.

Além disso, abrimos uma agência de propaganda farmacêutica, a Consulfarma Agência, onde produzimos todos os tipos de campanhas, vídeos, materiais publicitários e consultoria em marketing digital.

ICTQ – Quais foram seus maiores desafios profissionais?

Lucas Portilho – Sem dúvida o meu maior desafio profissional é o momento atual à frente das minhas empresas. Ser colaborador é algo totalmente diferente de ser responsável pelos colaboradores. Meus cargos de coordenador e gerente não se comparam à responsabilidade de ser proprietário. No Brasil, o maior desafio de um empreendedor é a carga tributária. É fundamental ter a noção de quão saudável está sua empresa e, além disso, um bom empresário precisa entender de pessoas e ter uma inteligência emocional muito grande. Creio que os maiores desafios sempre estão por vir, que é buscar a perfeição sempre. A perfeição é ter uma empresa saudável financeiramente, com colaboradores satisfeitos e que contribui de forma satisfatória para os clientes.

ICTQ – Quais as suas principais realizações à frente dos seus negócios?

Lucas Portilho – Já capacitamos mais de 20 mil profissionais nas áreas da cosmetologia, farmácias de manipulação e nutracêuticos.

Na Consulfarma, estamos transformando donos de farmácias em verdadeiros empresários, por meio de capacitação. Sabemos que no curso de farmácia pouco aprendemos sobre empreendedorismo e gestão, portanto, os donos de farmácia são tecnicamente bons, mas têm deficiência no quesito gestão.  Na Consulfarma, temos atuado de forma eficaz nesse sentido.

No Instituto de Cosmetologia, temos certificado milhares de farmacêuticos e profissionais da saúde na área da cosmetologia e farmácia estética.

No instituto Hi Nutrition, capacitamos farmacêuticos, nutricionistas e médicos a prescreverem nutracêuticos de forma eficiente.

Realizamos o maior congresso para farmácias de manipulação do mundo. O Congresso Consulfarma reúne mais de 120 expositores e 55 cursos em um Congresso que, todo ano, leva novidades que podem ser encontradas nas farmácias de manipulação.

ICTQ – O senhor acredita que tem influenciado o mercado nacional farmacêutico?

Lucas Portilho – Por meio de minhas redes sociais, levo diariamente novidades em tratamentos de pele e tendências em cosmetologia, mantendo os mais de 50 mil seguidores sempre atualizados.

Alguns dos produtos que desenvolvi contribuem para impulsionar o mercado cosmético no Brasil. Entre os produtos, destaco o primeiro filtro solar que protege a pele e ainda permite a síntese de vitamina. Uma verdadeira inovação no mercado da dermatologia.

ICTQ – Nem a crise chegou a afetar seu negócio?

Lucas Portilho – De forma alguma. Felizmente a área de educação no Brasil, em cursos de pós-graduação, recebe uma busca constante após a graduação. Em 2013, foi aprovado pelo Conselho Federal de Farmácia a atuação do farmacêutico na área de estética, porém só é possível atuar em clínica farmacêutica de estética após cursar pós-graduação em farmácia estética. Nós oferecemos esse curso e, de 2013 pra cá, o número de alunos em nosso instituto só tem aumentado.

Na área de consultoria farmacêutica também não observamos problemas, pois diversificamos o número de produtos da empresa, como consultorias para redes sociais para farmácias, implementação de ações novas, como o inbound marketing para farmácias, e assim aumentamos o número de clientes.

ICTQ – Quais são seus próximos desafios?

Lucas Portilho – Meu desafio principal é implementar uma incubadora em meu laboratório com foco em desenvolvimento de produtos e novas tecnologias cosméticas. Visitando um parque tecnológico em Barcelona, na Espanha, tive essa ideia, que pretendo colocar em prática em 2018. Vejo que temos excelentes ideias surgindo por aí e também há colegas farmacêuticos que não possuem estrutura para colocar essas ideias em prática. Por meio da incubadora, pretendo oferecer recursos para que profissionais possam desenvolver seus projetos.

Além disso, pretendo expandir para a área da educação médica. Abrir um Instituto de Cosmiatria em parceria com médicos prescritores é uma das metas para os próximos anos.

ICTQ – Como as empresas estão configuradas?

Lucas Portilho – Atualmente nosso quadro de colaboradores conta com 93 profissionais divididos em farmacêuticos, químicos, publicitários, programadores e vendedores.

Nossa principal vantagem é a autonomia em produzir tudo “in loco”, desde nossos sites, plataformas online, peças publicitárias, gravação de aulas, edição de material, desenvolvimento de novos produtos e produção de material científico.

Produzimos conteúdo relevante por meio de pesquisa e desenvolvimento de produtos e materiais técnicos. Nossa sede fica em Campinas, no interior de São Paulo, e conta com mil metros quadrados com escritórios segmentados por áreas, sendo vendas, marketing, administrativo, laboratório e estúdio de gravação e edição.

ICTQ – Qual a expectativa de fechar 2017?

Lucas Portilho – Desde que assumi a frente da Consulfarma, juntamente com meu sócio Neto Motagnini, dobramos o faturamento das empresas, e a projeção para 2018 é crescer sempre.

 

Matéria publicada no Portal de Notícias do ICTQ


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