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PARA O FARMACÊUTICO EVANDRO TOKARSKI, NÃO EXISTEM PROBLEMAS, EXISTEM DESAFIOS

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POR EGLE LEONARDI

Farmacêutico, faça uma reflexão comigo: você sabe medir o tamanho do seu sonho? Você tem claro aonde quer chegar em sua carreira? Respostas difíceis… mas vamos dar mais complexidade a questão: Você conhece alguém que tenha sonhado algo pequeno e tenha realizado algo grande? Aposto que sua resposta é NÃO!

Você sabe que só tem grandes realizações quem tem grandes sonhos, e podemos dizer isso com conhecimento, principalmente, porque entrevistamos um dos mais importantes líderes empresariais do varejo e da indústria farmacêutica do Brasil. Estamos falando de Evandro Tokarski, que, generosamente, compartilhou seus sonhos, em entrevista exclusiva para o Portal do ICTQ.

Ele tem o empreendedorismo no sangue! Mas não pense que veio de família abastada. Sua origem é humilde e sua família sonhava em ver seus filhos na universidade, embora tenham frequentado a escola pública. No entanto, recebeu como herança o caráter e o princípio básico: tenha sonhos e realize-os! Dito e feito!

Há 36 anos deu início a uma farmácia, que atualmente se transformou em nada menos que a rede de Farmácias Artesanal, com 22 unidades próprias e mais 24 franquias, baseadas em Goiás, Tocantins, Minas Gerais e Pará. Possui um modelo de expansão muito bem estruturado e planeja atingir de 50 a 60 franquias até 2020. Além disso, Tokarski foi dono de uma indústria farmacêutica, a TKS, negociada posteriormente com um grupo indiano, a Sun Pharma.

Aos 62 anos, não lhe faltam fôlego e nem vitalidade. Ao contrário! Este farmacêutico acaba de finalizar sua 6ª pós-graduação, desta vez em Liderança e Gestão Organizacional. E tudo isso, tendo superado um de seus maiores desafios pessoais: ele foi vítima de uma paralisia infantil, que exigiu, incialmente, sua locomoção por meio de muletas, mas recentemente ele conta com o auxílio de uma cadeira de rodas. Mas isso nunca foi um fator limitante para ele.

O fato é que Tokarski é ímpar, e sua inteligência e persistência o transformaram num dos empresários farmacêuticos mais importantes do Brasil. Acompanhe um pouco de sua trajetória e de suas ideias.

ICTQ – Antes de falarmos propriamente sobre a Farmácia Artesanal, o senhor poderia comentar sua trajetória na indústria TKS?

EVANDRO TOKARSKI – Eu iniciei a indústria farmacêutica TKS em 1998. Em 2009 eu vendi 80% da operação ao grupo indiano Sun Pharma, e continuei na gestão. Já em 2013 deixei a negócio industrial para me dedicar exclusivamente à Artesanal.

ICTQ – E como surgiu a Farmácia Artesanal?

EVANDRO TOKARSKI – Há 36 anos, eu fundei uma unidade magistral em Goiânia (GO). De lá para cá, fomos estabelecendo 22 unidades próprias distribuídas no Brasil. Porém, nosso foco, atualmente, é a montagem de franquias. Há 24 unidades franqueadas, e nossa expectativa é atingir a marca de 50 a 60 franquias nos próximos três anos.

ICTQ – E como o senhor tem enfrentado a crise em seu negócio?

EVANDRO TOKARSKI – Acredito que não existem problemas, existem desafios! Eu transformo os desafios em oportunidades. Atravessamos todas as turbulências nesta crise, mas ela não nos afetou tão profundamente. Estamos saindo dela com mais força e conhecimento.

ICTQ – Isso significa que a Artesanal não experimentou retração?

EVANDRO TOKARSKI – Não. Crescemos em 2016 10,4% (em relação ao ano anterior). Nossa expectativa é fechar 2107 com crescimento similar ao de 2016. Conquistamos isso com cerca de 35 mil atendimentos ao mês, nas 46 unidades.

ICTQ – O senhor tem algum desafio em curso?

EVANDRO TOKARSKI – Sim! Nossa mais recente conquista foi a inauguração, dia 10 de julho de 2017, do nosso e-commerce, que atende no www.farmaciaartesanal.com.

ICTQ – Quais são os planos para esse novo negócio?

EVANDRO TOKARSKI – Nós planejamos este lançamento por 10 meses e articulamos um plano de negócios muito bem estruturado. Com isso, estimamos iniciar a operação com receitas entre R$ 500 mil e R$ 600 mil. Nos próximos 12 meses, a previsão de faturamento gira em torno de R$ 1 milhão, já que a demanda irá aumentar com a divulgação do serviço.

ICTQ – É fato que o senhor tem energia de sobra para abraçar vários projetos.

EVANDRO TOKARSKI – Claro. Não se pode parar. Eu também sou diretor financeiro do Conselho Regional de Goiás (CRF-GO) e participo do conselho diretivo da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag). Mas participo de outro projeto que considero de fundamental importância para o setor magistral no País. É o Grupo Katalis.

ICTQ – O senhor poderia dar detalhes desse projeto?

EVANDRO TOKARSKI – Sou o presidente do grupo. É uma jointventure formada por mais de 150 pontos de vendas, de farmácias de manipulação. Ele tem como propósito fomentar novos negócios e oportunidades para os participantes do negócio.

O Grupo Katalis busca gerar sinergias, inovação de novos produtos e serviços, capacitação técnica de seus profissionais e a representatividade perante o mercado, parceiros, fornecedores e clientes.

ICTQ – Quem participa do Grupo Katalis?

EVANDRO TOKARSKI – São redes que já tem representatividade em 18 Estados: Farmácia Artesanal, Artpharma, Drogaderma, Equilíbrio, Essencial, Farmafórmula, Officilab e Almaderma.

ICTQ – Para finalizar, o senhor não se cansa de estudar?

EVANDRO TOKARSKI – Não. Estou terminando minha sexta pós-graduação e não vou parar. Não se pode achar que sabe tudo. Estudar abre os horizontes e as possibilidades. Eu prezo isso para mim e para minha equipe. Para você ter uma ideia, meu comitê de gestores cursaram, em média, duas a três pós-graduações cada. Isso faz o conhecimento ser compartilhado. Eu não pretendo parar. Tenho energia positiva transbordando.

 

A CARREIRA DO FARMACÊUTICO CLÍNICO

POR EGLE LEONARDI

PERFIL

A carreira farmacêutica especializada em farmácia clínica vem sendo cada vez mais valorizada pelo mercado, principalmente após a aprovação da Lei Federal 13.021, de agosto de 2014, que garante a presença do farmacêutico nas farmácias e ainda conceitua o estabelecimento como sendo de saúde. Esta carreira permite ao profissional prestar serviços clínicos farmacêuticos, como por exemplo, o acompanhamento farmacoterapêutico, a conciliação terapêutica e a revisão da farmacoterapia.

Devido à grande capilaridade do varejo farmacêutico brasileiro, o profissional que deseja seguir a carreira de farmacêutico clínico tem um campo de ação nacional, podendo atuar, inclusive, fora dos grandes centros urbanos.

Ser especialista em farmácia clínica exige que o profissional tenha um perfil multidisciplinar, habilidade de comunicação, capacidade de tomar decisões e de interagir com os pacientes, além de possuir conhecimentos aprofundados em fisiologia humana, patologia, farmacologia e farmacoterapia. Ter fluência na língua inglesa é importante para acessar a literatura técnica dessa carreira, e o espanhol é um importante diferencial.

O QUE FAZ

– Realiza e desenvolve procedimentos para a promoção, proteção e recuperação da saúde;

– Assegura que o medicamento seja administrado na dose, frequência, via de administração e horário corretos;

– Verifica se a prescrição médica está de acordo com aspectos técnicos e legais;

– Promove intervenções terapêuticas, quando necessário;

– Realiza consulta, anamnese e avaliação farmacêutica;

– Integra comissões, criadas com o objetivo de promover o uso racional de medicamentos e garantir a segurança do paciente;

– Planeja e coordena, junto com outros profissionais da saúde, estudos epidemiológicos e outras investigações relacionadas à área da saúde;

– Participa de comitês de ética em pesquisa;

– Monitora e avalia os resultados da farmacoterapia por meio da solicitação de exames;

– Analisa os níveis terapêuticos dos fármacos administrados durante o tratamento do paciente;

– Identifica interações medicamentosas;

– Desenvolve plano de cuidado farmacêutico individual para cada paciente;

– Analisa, em períodos pré-determinados, os resultados das intervenções farmacêuticas;

– Administra medicamentos aos pacientes, quando for de sua competência profissional;

– Orienta quanto à administração de formas farmacêuticas;

– Prescreve no âmbito de sua competência profissional;

– Verifica a adesão do paciente ao tratamento medicamentoso.

– Desenvolve métodos para promover a maior adesão do paciente ao tratamento;

– Informa e orienta a sociedade quanto ao uso racional de medicamentos, por meio de programas e materiais educativos;

– Participa da formação e desenvolvimento profissional de farmacêuticos;

– Faz parte da coordenação, supervisão, auditoria, acreditação e certificação de ações e serviços relacionados às atividades do profissional farmacêutico;

– Elabora e atualiza formulários terapêuticos e protocolos clínicos para a utilização de medicamentos;

ONDE ATUA

– Hospitais públicos;

– Hospitais privados;

– Hospitais filantrópicos;

– Farmácias e Drogarias;

– Clínicas.

FAIXA SALARIAL

De R$ 1.800,00 a R$ 12.000,00

COMO SE PREPARAR

O curso de graduação em Farmácia é imprescindível para profissionais que desejam seguir carreira em farmácia clínica. Especializações em farmácia hospitalar ou farmácia clínica são obrigatórias para se destacar nessa carreira.

É importante que durante a preparação para exercício desta carreira o profissional realize estágios que permitam experiências em semiologia e anamnese na avaliação inicial de pacientes para prescrição farmacêutica.

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COMO MONTAR UM CONSULTÓRIO FARMACÊUTICO

 

R EGLE LEONARDI

A partir das Resoluções 585 e 586 de 2013, do Conselho Federal de Farmácia (CFF), e da Lei nº 13.021/14, começou a surgir um movimento entre os farmacêuticos, ainda que tímido, de montar suas clínicas para prestação de serviços farmacêuticos à população, dentre eles, a prescrição de medicamentos.

Aqueles profissionais que saíram na frente e partiram para a prescrição têm dado depoimentos defendendo a atividade e referindo excelente adesão de sua clientela e até mesmo bons lucros.

Claro que para vender serviços farmacêuticos e dentre eles exercer a prescrição é preciso maior capacitação e certa dose de coragem e empenho, já que a atividade exige conhecimento e muita responsabilidade.

Grandes redes do varejo farmacêutico já operam seus consultórios em todo o País. No entanto é importante enfatizar que o modelo de consultório farmacêutico independente de farmácias ou drogarias ainda é muito novo. O que tem gerado inúmeras incertezas e perguntas muitas vezes sem resposta assertiva por parte dos órgãos de regulação.

Para os farmacêuticos cujo objetivo é empreender nessa área, o professor exclusivo do ICTQ, Lincoln Cardoso recomenda os principais aspectos a serem observados para a montagem de uma clínica farmacêutica, em 16 passos importantes. Confira todos eles:

1- Exigências iniciais

O primeiro passo para a montagem de um consultório farmacêutico consiste na formação do empreendedor, que deve ser farmacêutico, graduado como Bacharel em Farmácia por uma instituição de ensino superior devidamente reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC). Ainda, o profissional deve estar devidamente registrado no Conselho Regional de Farmácia (CRF) da sua jurisdição, e não se encontrar impedido por motivos éticos ou administrativos de exercer a profissão. Este primeiro requisito é fundamental para a consolidação do farmacêutico clínico que busca empreender na prestação de serviços farmacêuticos e de saúde direcionados aos usuários de medicamentos.

O próximo passo a ser cumprido é o da capacitação. A grande maioria dos farmacêuticos que atuam em farmácias comunitárias e drogarias, públicas ou privadas, no Brasil, não tiveram formação clínica durante a graduação. Isso mudará a partir da conclusão da revisão das Diretrizes Curriculares dos Cursos de Farmácia – processo em andamento atualmente. Portanto, agregar conhecimentos e competências clínicas e em gestão de serviços de saúde é fundamental para o farmacêutico que busca empreender em um consultório.

Outro passo de grande importância: estabelecer de forma bem nítida os verdadeiros objetivos de um consultório farmacêutico. Para isso é necessário um estudo crítico da legislação que regulamente as atribuições clínicas do farmacêutico e a prescrição farmacêutica no Brasil, especificamente as Resoluções 585 e 586 do CFF, ambas publicadas em 29 de agosto de 2013. É recomendável, também, uma releitura da RDC-ANVISA 44, de 17 de agosto de 2009, que dispõe, entre outros temas, sobre a prestação de serviços farmacêuticos em farmácias e drogarias. Completando este estudo preliminar, a leitura analítica da Lei 13.021, de 08 de agosto de 2014, será de grande contribuição para a conclusão quanto aos objetivos de um consultório em relação à prestação da assistência farmacêutica e de serviços em saúde.

Os próximos passos dependerão de uma decisão estratégica: o consultório farmacêutico será implantado dentro da instalação de uma farmácia ou drogaria ou será instalado de forma independente, sem relação ou interligação com um estabelecimento farmacêutico.

No primeiro caso (consultório farmacêutico instalado em farmácia ou drogaria), a regulamentação segue uma via mais simples, pois este estará anexado a uma estrutura já existente e que será regulamentada como um estabelecimento farmacêutico (farmácia ou drogaria) que passa a oferecer serviços na sua prática profissional. Serão necessárias atualizações da documentação quanto às atividades desenvolvidas para os estabelecimentos já em funcionamento ou, em caso de estabelecimentos novos, uma adequada descrição inicial das atividades a serem desenvolvidas quando do processo de abertura do estabelecimento junto à Vigilância Sanitária local. Em ambos os casos, o enquadramento da atividade econômica na Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE se dará por um dos seguintes códigos: 4771-7/01 (comércio varejista de produtos farmacêuticos, sem manipulação de fórmulas); e/ou 4771-7/02 (comércio varejista de produtos farmacêuticos, com manipulação de fórmulas); e/ou 4771-7/03 (comércio varejista de produtos farmacêuticos homeopáticos).

No segundo caso (consultório farmacêutico independente de farmácia ou drogaria) o processo de abertura ainda é incerto. Isso porque não existe um código CNAE que contemple este tipo de atividade especificamente e, ainda, não há uma regulamentação sanitária específica da Anvisa que regulamente ou normatize a infraestrutura mínima e as atividades destes tipos inovadores de estabelecimentos. Assim, o desafio se torna ainda maior para os farmacêuticos empreendedores que se lançam na vanguarda dessa nova iniciativa na prestação de serviços de cuidado farmacêutico individualizado.

Os primeiros consultórios farmacêuticos brasileiros têm sido instalados dentro de farmácias ou drogarias, ocorrendo tanto em grandes redes como também em microempresas, ou ainda, anexados a clínicas que agregam diferentes especialidades médicas entre outros atendimentos de saúde, como nutrição, psicologia, fonoaudiologia e fisioterapia, por exemplo. Os consultórios independentes de farmácias ou drogarias ainda deverão ser regulamentados no Brasil, tanto quanto à atividade econômica específica, quanto aos aspectos sanitários ainda a serem estabelecidos pela Anvisa.

Tendo estabelecido todos os termos abordados anteriormente, o farmacêutico empreendedor contará com dados e argumentos que permitirão o início da elaboração do plano de negócio, que deve considerar o aspecto inovador da iniciativa de se implantar um consultório farmacêutico em uma comunidade que ainda não está familiarizada com este tipo de serviço de saúde, o que ocorre praticamente em todo o Brasil. A qualidade do plano de negócio será essencial para a tomada de decisão de iniciar ou não o empreendimento e mais, caso o farmacêutico empreendedor venha a precisar levantar recursos financeiros para o investimento.

Considerando a necessidade de buscar recursos junto às instituições financeiras, um novo desafio surge: a inovação deste modelo de negócio. Por um lado a inovação é positiva, quando possibilita diferenciação de mercado e conquista de mercados ainda não explorados. Por outro lado, quando se trata de captação de recursos, esta iniciativa pode gerar insegurança na instituição credora no processo de aprovação do financiamento. É neste sentido que a qualidade do plano de negócio poderá contribuir para a expressão da confiança necessária junto aos investidores. Em se tratando de consultórios farmacêuticos instalados em farmácias e drogarias o processo de captação de recursos pode ser mais simples, por configurar uma expansão das atividades do negócio já existente. Quanto aos consultórios independentes, o fato de ainda não haver um código de CNAE específico para esta atividade pode ser um agravante neste processo.

2 – Como se preparar em termos de recursos financeiros

As estratégias devem ser bem diferentes, de acordo com a natureza e configuração do negócio. Consultórios farmacêutico implantados em farmácias ou drogarias podem requerer menores investimentos. Entretanto, esta conclusão é dependente do nível de adaptação necessária na infraestrutura do estabelecimento para receber a nova expansão. Já os consultórios independentes tendem a requerer maior investimento inicial, considerando que precisarão ser submetidos a todo o processo de abertura e regulamentação de uma nova empresa, o que envolve diversos custos com processos e documentação.

Em se tratando da estrutura necessária, ambos os modelos podem ser muito semelhantes. Isto dependerá dos serviços a serem realizados e do potencial de atendimento pretendido. Estas decisões também dependem da avaliação crítica do plano de negócio.

Tomadas as decisões, e feita a planilha de custos, sugere-se que o empreendedor preveja um valor próximo àquele definido para o investimento de implantação destinado ao capital de giro, de modo a sustentar o empreendimento até que se atinja o ponto de equilíbrio econômico e financeiro. Muitos novos empreendimentos fracassam no Brasil antes de completarem um ano de atividade por falta deste tipo de previsão.

3 – Equipamentos necessários

A definição dos equipamentos necessários depende diretamente dos serviços a serem oferecidos. Nesta análise é importante que o farmacêutico empreendedor saiba diferenciar serviços farmacêuticos de serviços de saúde. Os serviços farmacêuticos compreendem basicamente a análise da farmacoterapia, a conciliação de medicamentos prescritos, o manejo de doenças autolimitadas e o acompanhamento farmacoterapêutico. Os principais equipamentos para a prática desses serviços são o conhecimento e a expertise clínica do profissional. Entretanto, o farmacêutico pode se apoiar em um aplicativo informatizado para a gestão dos serviços e em referências bibliográficas de qualidade, entre livros e bancos de dados de informações clínicas na internet.

Já os serviços de saúde, que complementam e integram os serviços farmacêuticos, requerem instrumentos específicos para a sua realização. São exemplos: esfigmomanômetro com estetoscópio, aparelho determinador de glicemia, insumos para aplicação e administração de medicamentos, refrigerador com controle de temperatura para armazenamento de vacinas, entre outros.

A estrutura geral se assemelha muito a de qualquer outro consultório de cuidado à saúde, envolvendo cadeiras, mesas, computadores, maca, pia com água corrente, entre outros, respeitando a legislação sanitária específica ou aquela que melhor se aplicar.

4 – Necessidade de colaboradores

Esta questão também deve ser respondida de forma diferenciada, dependendo da natureza e modelo do negócio. Os consultórios instalados em farmácias ou drogarias já contarão com o suporte de RH já existente no estabelecimento. Nesses casos, pode ser necessária a contratação de outro profissional farmacêutico, seja para as atividades clínicas, seja para desempenhar as demais funções de responsabilidade técnica.

Em se tratando de consultórios independentes, a estrutura de RH adequada é outra. Parte-se da necessidade de uma secretária, incumbida do agendamento e do controle das informações dos pacientes. Em alguns casos, dependendo dos serviços ofertados, uma auxiliar de enfermagem pode contribuir na realização e procedimentos, como determinação de parâmetros fisiológicos e bioquímicos, realização de pequenos curativos ou ainda na aplicação e administração de medicamentos e vacinas. Em ambos os casos, os serviços devem ser prestados e coordenados por um farmacêutico com formação clínica.

5 – Seleção de pessoal

Caso o empreendedor não seja farmacêutico clínico, o primeiro critério é selecionar um profissional com essa qualificação. Este profissional deve ter competências não somente em práticas clínicas e em farmacoterapia, mas também em gestão, que o permitam atender aos pacientes e administrar todo o processo de cuidado a eles.

Os demais profissionais devem ser selecionados de acordo com os critérios de cada empresa. Entretanto, é importante se avaliar o nível de credibilidade e confiança que esses profissionais depositam nos serviços ofertados, pois serão fundamentais no estabelecimento de relações de cuidado ao paciente.

6 – Período desde o planejamento até a abertura

Este tempo também dependerá da natureza e do modelo do negócio. Entretanto, o ideal é que, em qualquer caso, o tempo entre a elaboração do plano de negócio, a captação dos recursos financeiros, e a conclusão do processo de implantação não ultrapasse seis meses. Este prazo deve ser considerado na incorporação do capital de giro necessário para sustentar o empreendimento até que se atinja o ponto de equilíbrio econômico e financeiro.

7 – O que é essencial na hora de abrir as portas

Basicamente:

• Infraestrutura completa;

• Regulamentação fiscal e sanitária;

• Farmacêutico clínico com competências em gestão;

• Equipe de RH treinada;

• Divulgação à sociedade e aos demais profissionais da saúde da região.

8 – Inauguração

A inauguração pode ser explorada em dois focos: o público-alvo, ou seja, a população em geral; e os profissionais de saúde prescritores. Assim, o importante é demonstrar a natureza do consultório farmacêutico como estabelecimento prestador de serviços de saúde. Campanhas educativas em saúde podem estabelecer melhor esse contexto. O velho e tradicional modelo com palhaços, pipocas, algodão doce e bexigas coloridas pode chamar a atenção, mas não transfere mensagem alguma nem tão pouco marca a natureza do negócio junto ao público-alvo, portanto são desaconselhados.

9 – Divulgação à comunidade

Esta também deve ser uma abordagem dupla: focada na população e, diferentemente, aos profissionais prescritores. No primeiro caso esclarecendo quanto aos benefícios e vantagens dos serviços oferecidos. No segundo, apresentando as contribuições que tais serviços podem proporcionar à qualidade dos tratamentos dos pacientes.

10 – O atendimento

Pode-se estabelecer uma sequência mínima de ações que devem ser contempladas na prática do cuidado ao paciente:

a) Atendimento cortez e atencioso pela recepção (seja por uma secretária ou pela equipe de atendimento de uma farmácia ou drogaria);

b) Triagem do paciente. Em farmácias e drogarias isto é importante no sentido de se identificar a real necessidade de se encaminhar o paciente ao serviço farmacêutico. Em consultórios independentes, este processo pode integrar as funções da recepcionista/secretária no sentido de identificar a real compreensão do paciente quanto aos serviços oferecidos no consultório.

c) Acolhimento do paciente. Realizado de forma atenciosa e comprometida pelo farmacêutico clínico, que demonstra verdadeiro interesse em cuidar da saúde do paciente que busca por seus serviços.

d) Acompanhamento. Por meio do estabelecimento de uma metodologia de monitoramento do processo de cuidado ao paciente, considerando suas necessidades individuais.

11 Documentos a serem oferecidos ao paciente

Após cada atendimento, o paciente deve receber a Declaração de Serviço Farmacêutico, em cumprimento ao Artigo 81, Seção III, da RDC-ANVISA nº 44, de 2009, referida anteriormente. Ainda, em caso de prescrição farmacêutica decorrente do serviço de manejo de problema de saúde autolimitado, o paciente também deve receber a primeira via da prescrição emitida, independentemente dessa prescrição conter tratamentos farmacológicos ou não.

Nos casos em que os serviços farmacêuticos são cobrados do paciente, o que deve se consolidar como tendência, o paciente ainda deve receber o recibo de serviços, de acordo com a legislação vigente em cada Estado da federação.

12– Indicação da farmácia para a compra de medicamentos

Essa é uma discussão bastante importante diretamente relacionada à ética profissional. Considerando que uma prescrição farmacêutica seja emitida em um consultório instalado em uma farmácia ou drogaria, não há impeditivos legais ou éticos que impeçam o paciente de adquirir seus medicamentos nesse mesmo estabelecimento. Do mesmo modo, esse cliente não pode ser coagido a fazê-lo, tendo total liberdade para decidir adquiri-los em outro estabelecimento, se assim julgar conveniente.

Em se tratando de um consultório farmacêutico independente de uma farmácia ou drogaria, a indicação de um estabelecimento para a aquisição de medicamentos ou outros recursos terapêuticos prescritos pode incorrer em prática antiética, passível de processo ético-administrativo.

13 – Cobrança pela consulta

A consulta farmacêutica, assim como qualquer outro serviço farmacêutico, deve ser cobrada. Esse é um dos caminhos a ser percorrido na busca do maior reconhecimento profissional do farmacêutico clínico. Todo serviço de saúde de qualidade e prestado com bases na ética deve ser devidamente e justamente remunerado, e nisso se incluem os serviços farmacêuticos.

A determinação dos valores a serem cobrados deve ser o resultado de um estudo de formação de preços, no qual devem ser considerados a natureza e complexidade dos serviços prestados, as condições socioeconômicas do público-alvo, os custos operacionais do consultório e a expectativa de lucro do empreendimento. Deste modo, os valores variam conforme cada realidade. Experiência já em funcionamento, indicam valores que variam de R$ 15,00 a R$ 100,00 por consulta e serviços farmacêuticos prestados.

14- Recibo

É necessário emitir Recibo de Serviço, uma vez que se trata de prestação de serviço em saúde. O recibo deve conter nome, CPF, endereço, carimbo e o CRF ao qual está ligado.

15 – Pós-atendimento

O pós-atendimento é muito importante no sentido de acompanhar os resultados dos serviços farmacêuticos prestados. A estratégia e a qualidade deste acompanhamento estarão atreladas aos princípios e valores da empresa. Quanto ao aspecto clínico, o acompanhamento deve ser parte da metodologia empregada no processo de cuidado dos pacientes, principalmente nos casos de revisão e conciliação da farmacoterapia, do manejo de problemas de saúde autolimitados e do acompanhamento farmacoterapêutico.

16 – Controle da farmacoterapia

O controle da farmacoterapia engloba o monitoramento dos resultados e a identificação de possíveis resultados negativos associados aos medicamentos (RNMs) decorrentes de problemas relacionados ao uso dos medicamentos (PRMs), que podem ser desde o uso incorreto dos medicamentos, reações adversas a estes, e até interações medicamentosas.

A sistemática de acompanhamento e controle dependerão da metodologia de atenção farmacêutica praticada pelo farmacêutico clínico. Entretanto, as formas de comunicação e relacionamento como paciente podem envolver desde consultas frequentes por agendamento, até contatos por telefone e sistemas de mensagens via aparelhos celulares e seus aplicativos.

Matéria publicada no Portal de Notícias do ICTQ

A FARMÁCIA NA ÍNDIA – O PAÍS DAS VACAS SAGRADAS

POR EGLE LEONARDI

Você já ouviu algo sobre o funcionamento de uma farmácia na Índia? Acredito que não…Por isso, dando sequência à série de reportagens que abordam, com exclusividade, a estrutura dos estabelecimentos farmacêuticos ao redor do mundo, você irá conhecer as peculiaridades das drogarias daquele país.

E, para começar, vale dizer que a Índia (Bharat Juktarashtra) é um país situado na Ásia Meridional. É o sétimo maior em área geográfica e o segundo país mais populoso do mundo, com população de 1,311 bilhão (2016). Sua capital é Nova Deli e sua língua oficial é a hindi, seguida do Inglês.

Com renda per capita em torno de R$ 5.650,00, tem força de trabalho girando em torno de 502 milhões (2015) e taxa de analfabetismo chegando a mais de 37% da população. Sua economia gira em torno da agricultura, pecuária, mineração, além de uma área industrial bem desenvolvida e baseada em produção de medicamentos, entre outros produtos.

Para conhecer melhor a estrutura da farmácia no país das vacas sagradas, o farmacêutico, Sachin Jadhav, fala sobre a legislação e conta sua experiência no estabelecimento onde trabalha, em Aurangabad – uma cidade do Estado de Maharashtra, com cerca de 945 mil habitantes.

1 – Regulamentação do comércio farmacêutico              

O comércio farmacêutico é regulado pela Organização Central de Controle Padrão de Medicamentos do Governo da Índia (é como se fosse a Anvisa no Brasil). E detalhe…na Índia, somente os farmacêuticos podem ser proprietários das farmácias, e eles são os responsáveis técnicos em seus estabelecimentos.

A exigência de um farmacêutico nos estabelecimentos é em período integral. Nenhum estabelecimento pode estar aberto sem a presença desse profissional.

2 – Perfil das lojas

Todos os medicamentos na Índia ficam atrás do balcão, inclusive os medicamentos isentos de prescrição (MIPs).

Não se vendem alimentos nesses locais, porém, fora isso, é possível encontrar de tudo: óculos, camiseta, chinelo e muito mais nas gôndolas, pelo menos nos grandes centros (mas há notícias de que farmácias de áreas remotas comercializam também todo tipo de alimento, como doces, balas, chocolates, sorvetes e refrigerantes). É muito comum encontrar também artigos cirúrgicos e médico-hospitalares nas gôndolas de todo o país.

3 – Prescrição de medicamentos

Em algumas farmácias há a prática da prescrição farmacêutica, amparada por lei. No entanto, a maioria não abraçou essa prática, pendendo apenas para a dispensação de medicamentos industrializados e manipulados e para a prestação de serviços farmacêuticos, como aplicação de injetáveis.

4 – Remuneração do farmacêutico

Jadhav afirma que o salário do farmacêutico é muito bom na Índia. Eles ganham mensalmente de 30.000 INR (R$ 1.500,00) a 60.000 INR (R$ 3.000,00) – considerado alto para os padrões do país.

5 – Curiosidade

As farmácias maiores, localizadas nas cidades, se parecem muito com as do Brasil, porém com uma diferença básica: a manipulação também acontece no mesmo ambiente. Além de dispensar medicamentos industrializados, os farmacêuticos também manipulam as substâncias dentro da própria farmácia, e muitas vezes no balcão mesmo, na frente do cliente. Isso inclui medicamentos e cosméticos, como cremes (hidratantes, emolientes, etc.) e filtros solares.

É importante salientar que, em outubro de 2016, foi firmada uma parceria na área de regulação de produtos farmacêuticos entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Organização Central de Controle Padrão de Medicamentos do Governo da Índia.

A cooperação é feita a partir de experiências regulatórias entre as duas instituições, troca de informações sobre exigências regulatórias do Brasil e da Índia e visitas mútuas de técnicos para conhecer os procedimentos de trabalho. A parceria engloba: inspeções internacionais, regulação de estudos de bioequivalência e biodisponibilidade e de estudos clínicos, regulação de dispositivos médicos, regulação de Ingredientes Farmacêuticos Ativos (IFAs), farmacovigilância, regulação de produtos biológicos e medicamentos, farmacopeia e medicamentos espúrios e fora da qualidade padrão.

Matéria publicada no Portal de Notícias do ICTQ

COMO TRABALHAM OS FARMACÊUTICOS RICOS DA SUÍÇA

 

POR EGLE LEONARDI

 

Em suas andanças pelo mundo, o ex-presidente da Anvisa e do CRF-SP, e  presidente do Conselho Cientifico do ICTQ, Dirceu Raposo de Mello, pesquisou as diversas facetas da farmácia na Suíça. Descubra todas as peculiaridades daquele país.

1 – Regulamentação do comércio farmacêutico

A agência suíça que regula os medicamentos se chama Swissmedic. Qualquer produto médico para humanos ou animais precisa ser aprovado pela agência para ser comercializado no mercado da Suíça. E isso só ocorre se os testes de qualidade, segurança e eficácia forem suficientemente avaliados e comprovados.

A lei federal sobre medicamentos e dispositivos médicos (Lei de Produtos Terapêuticos, TPA) é a 812.21, de 15 de dezembro de 2000, da Assembleia Federal da Confederação Suíça.

2 – Perfil das lojas

Na Suíça, as farmácias são chamadas de Apotheke. Elas mantêm um expediente bem diferenciado, ou seja, funcionam em dois períodos comerciais – manhã e tarde -, e fecham no horário do almoço e á noite. Quem precisar de um medicamento aos domingos ou fora do horário comercial, terá de se dirigir até as farmácias de aeroportos ou de estações de ônibus e trem para o atendimento.

Em todos esses estabelecimentos, os medicamentos ficam escondidos, longe da visão dos consumidores. Há a possibilidade de expor alguns medicamentos isentos de prescrição (MIPs) sobre o balcão, mas sempre com bula, e nunca em blisters.

Nas gôndolas, há somente itens de higiene pessoal, correlatos e cosméticos. Não há sequer vestígios de venda de produtos alheios à saúde nesses estabelecimentos, portanto, a ideia de drugstore está muito longe da realidade daquele país.

3 – Prescrição farmacêutica

Os farmacêuticos não fazem a prescrição, mas oferecem uma orientação bem consistente aos pacientes. Para o auxílio do farmacêutico, não há balconistas. Há técnicos em farmácia, com formação para tal.

De qualquer forma, cerca de 60% dos medicamentos comercializados na Suíça são de prescrição médica, e eles podem ser dispensados nas farmácias mediante apresentação de receita médica. A regulamentação é muito rigorosa.

Importante lembrar que é função do farmacêutico checar as possíveis interações medicamentosas das receitas múltiplas. Para isso, é muito comum que a população adquira seus medicamentos sempre na mesma farmácia (chamada de hausapotheke – farmácia de casa). Isso garante controle mais eficiente dos medicamentos de prescrição e de uso contínuo.

4 – Propriedade da farmácia

Apenas o farmacêutico pode ser proprietário das farmácias, e ainda há a hereditariedade da propriedade. Por conta disso, não há a possibilidade da formação de redes farmacêuticas. Como as farmácias na Suíça são, geralmente, o estabelecimento de saúde inicial para a busca de alívio de sintomas leves de doenças, os profissionais das farmácias possuem boa formação e oferecem um aconselhamento competente.

5 – Presença do farmacêutico

Há a presença obrigatória do farmacêutico durante as cerca de oito horas de expediente na farmácia, que fecha para o almoço do farmacêutico e de seus funcionários.

6 – Remuneração do farmacêutico

Independentemente de seu local de atuação, os farmacêuticos na Suíça ganham remuneração média mensal (salário, comissão e bônus) em torno de R$ 25 mil! O país é considerado um dos dez que oferecem a melhor remuneração para farmacêuticos no mundo!

Mas que ninguém se iluda! O governo suíço indica que apenas 9% da população economicamente ativa (330 mil suíços) recebem rendimento mensal inferior R$ 10.000,00, portanto, os salários altos não são privilégios apenas dos farmacêuticos naquele país!

7 – Curiosidade

Na Suíça, cerca de 80% dos custos com medicamentos são bancados pelos planos de saúde. Esses medicamentos constam de uma lista de especialidades, que contém todos os itens autorizados para tal. No entanto, apenas os medicamentos prescritos por médico recebem reembolso, e isso exclui os MIPs consumidos por conta própria, o que dificulta muito a prática da automedicação.

Geralmente o pagamento é feito via reembolso, mas há algumas circunstâncias em que o paciente mantém um cartão com um crédito pré-aprovado para o pagamento dos medicamentos.

Vale lembrar que as farmácias na Suíça também dispensam medicamentos genéricos, que custam cerca de 20% mais baratos que os de referência. Sendo assim, há a orientação para que os médicos prescrevam, sempre que possível, essa classe de medicamentos para efeito de reembolso.

Matéria publicada no Portal de Notícias do ICTQ

CONHEÇA O FARMACÊUTICO QUE REVOLUCIONOU A HISTÓRIA REGULATÓRIA E SANITÁRIA NO BRASIL

Por Egle Leonardi

“Para ter sucesso como farmacêutico, é preciso, fundamentalmente, fazer o que gosta… e fazê-lo bem feito. Isso trará realização e ajudará a manter o foco”. Eu mesma gostaria de ter dito esta frase…mas não! Sua autoria é de um dos maiores líderes do mercado farmacêutico… desde sempre! E saiba que sua atuação à frente de importantes instituições tem mudado o rumo da história farmacêutica no Brasil.

Claro que estou me referindo a Dirceu Raposo de Mello, que foi presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entre 2005 e 2010, e foi presidente do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF–SP), no período de 1998 a 2003. Atualmente, preside o Conselho Científico do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico.

Considerado um líder polêmico e com mãos de ferro, Raposo (como é conhecido) fez uma carreira brilhante à frente dos mais exigentes e importantes órgãos reguladores nacionais, tendo lidado com os mais diversos e polêmicos temas referentes à manutenção e à recuperação da saúde e à preservação da vida no Brasil.

Embora ele seja uma figura proeminente nesse cenário – e dispense apresentações – vale destacar, também, parte de sua atuação fora da Anvisa e do CRF-SP. Ele é doutor em Análises Clínicas, mestre em Ciências da Saúde e especialista em Bioética, Administração Hospitalar, Análises Clínicas e Toxicológicas, Patologia Clínica e Farmácia Homeopática. Foi servidor público da Prefeitura de São Paulo, diretor do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de São Paulo e atuou como conselheiro do Conselho Federal de Farmácia (CFF).

Apesar da atuação brilhante nesses órgãos, seria importante salientar o período em que a Anvisa se estabeleceu como uma referência, nacional e internacional, para a regulação de objetos da vigilância sanitária, que foi entre 2005 e 2010, ou seja, nos seis anos em que se tornou uma instituição reconhecida pela sociedade como a guardiã da confiança e do respeito em sua área de atuação. E foi este o período presidido por Raposo, cujas ações revolucionárias favoreceram, prioritariamente, o bem-estar da população. E elas perduram até os dias atuais.

Conheça, a seguir, um pouco sobre a trajetória transformadora de Raposo por meio de algumas de suas mais importantes ações à frente da Anvisa.

ICTQ – O senhor propôs, e a Anvisa aprovou, a RDC 44/10, que é considerada um avanço no setor farmacêutico. Como o senhor vê isso?

Dirceu Raposo de Mello – A RDC 44/2010 foi um importante passo na regulação sanitária com forte balizamento ao mercado farmacêutico. Ela reforça a importância de as farmácias agirem como estabelecimentos de saúde, trazendo o controle de forma efetiva à dispensação dos antibióticos. A resolução mudou as regras para o comércio e dispensação desses produtos, exigindo a apresentação de duas vias da receita médica, o que evita seu uso indiscriminado e, em consequência disso, o aumento da resistência das bactérias a esses medicamentos. Essa mudança foi possível porque as receitas com as substâncias antimicrobianas de uso sob prescrição médica tiveram as vendas registradas no SNGPC.

ICTQ – Falando nisso, o senhor criou o SNGPC. Ele ainda é outro ponto polêmico?

Dirceu Raposo de Mello – Primeiro, em nome da verdade eu não criei. O projeto já existia, enquanto ideia, quando cheguei à Agência. Meu papel foi, na verdade, materializá-lo e, sem dúvida, ele é um avanço. O Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) aprimora o monitoramento e a fiscalização de substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. O sistema possibilita o controle efetivo da movimentação desse tipo de substâncias nas farmácias e drogarias, como anorexígenos e antidepressivos e também mais recentemente de antibióticos.

Com o SNGPC, os estabelecimentos informam, via internet, os dados sobre compra, venda, transferência e perda de medicamentos controlados e outros, possibilitando a rápida identificação de problemas, como desvios etc.

Antes, esse processo era feito em livros de registro. As informações disponíveis atualmente no sistema são detalhadas, incluindo, por exemplo, o nome do prescritor e do estabelecimento distribuidor. Assim, a Anvisa pode acompanhar o uso desses produtos e, em caso de irregularidades, adotar medidas imediatas, em conjunto com as vigilâncias sanitárias dos estados e municípios.

ICTQ – O senhor e sua equipe propuseram a RDC que redefiniu as Boas Práticas para Farmácias e Drogarias. Como isso se deu?

Dirceu Raposo de Mello – A norma foi definida em 2009 e visa à prestação de serviços de assistência farmacêutica em farmácias e drogarias, como a aferição de pressão arterial e o monitoramento de parâmetros fisiológicos e bioquímicos, por exemplo.

Além disso, de acordo com a legislação, somente produtos relacionados à saúde podem ser comercializados em farmácias e drogarias, como medicamentos, cosméticos, produtos de higiene pessoal e produto de saúde para uso por leigos, entre outros.

É preciso salientar que essa foi outra norma bastante polêmica, pois o varejo farmacêutico no Brasil comportava-se de maneira, a meu ver, até desrespeitosa para com o paciente. Muitos empresários e entidades¸ na época, insurgiram-se contra as medidas, alegando que, por exemplo, a prática comercial de outros produtos era comum nos Estados Unidos. O fato é que isso é uma verdade pela metade. Nos Estados Unidos, vende-se de tudo (ou quase) em farmácias, mas lá o tratamento dado ao medicamento é diferente do de outros produtos. Lá, a área reservada à farmácia não funciona se o farmacêutico não estiver presente. Quando o farmacêutico está almoçando não se vendem medicamentos que necessitam de receita, por exemplo. Se quiser seguir esse modelo, eu topo, mas integralmente, sem o jeitinho brasileiro.

ICTQ – Com relação aos medicamentos manipulados, por que a Anvisa decidiu regulamentar suas atividades?

Dirceu Raposo de Mello – Entre 2004 e 2007, equipes da Anvisa trabalharam na regulamentação das atividades de manipulação em farmácias. A RDC 214, de 2006, que foi atualizada em 2007 pela RDC 67, fixou os requisitos mínimos para a manipulação de medicamentos, abrangendo questões relacionadas a instalações, equipamentos, recursos humanos, aquisição e controle de qualidade da matéria-prima. Ela é muito importante, na medida em que traz também as exigências para o armazenamento, conservação, transporte e atenção farmacêutica aos usuários. Seu objetivo é garantir a qualidade, segurança, efetividade e promoção do uso racional de medicamentos manipulados. A medida, sem dúvida, trouxe uma série de exigências que foram vistas primeiramente como problemas não relevantes pelo mercado, mas que se mostraram absolutamente eficientes em melhorar a atividade no País. Muitas empresas que tinham condições precárias de funcionamento foram instadas a se adequar, e as que o fizeram estão hoje concorrendo em condições muito melhores. Ganhou o setor em organização, respeito e confiança, e ganhou a sociedade em segurança, eficácia e qualidade.

ICTQ – Sua equipe também trabalhou no registro de insumos farmacêuticos, certo?

Dirceu Raposo de Mello – Instituímos a DC 57/2009, que tornou obrigatório o registro dos insumos farmacêuticos ativos. A nova regra passou a incentivar a indústria nacional de insumos, além de melhorar as garantias sanitárias dos medicamentos utilizados pela população. Com o registro de insumos, produtores nacionais e internacionais têm que atender a critérios mínimos para produzir e comercializar seus produtos.

O registro tem validade de cinco anos e pode ser revalidado por períodos iguais. A agência publicou ainda uma instrução normativa (IN 15/2009) que definia os prazos, cronogramas e priorizações para o registro.

ICTQ – Mudando de assunto, qual a importância das parcerias, principalmente com o SUS, efetivadas em sua gestão à frente da Anvisa?

Dirceu Raposo de Mello – No começo de meu mandato, demos início a um verdadeiro processo de reformas institucionais, com o objetivo de alcançar maior eficiência e qualidade nas ações da Agência. O primeiro passo foi participarmos firmemente do Pacto pela Saúde, e dentro dele do Programa Mais Saúde: Direito de Todos, do SUS. A Anvisa participou na construção, apoio e implementação dos programas, que tiveram impacto direto no desempenho institucional da Agência.

Lembro que o então presidente do Conselho Nacional de Saúde entre 2006 e 2010, Francisco Batista Júnior (também farmacêutico), apoiou nossa ação, dizendo: “Num sistema grandioso, como o SUS, as ações de prevenção de doenças e de promoção da saúde têm sofrido resistências, em função dos interesses que são atendidos pelo modelo de atenção vigente pautado no tratamento da doença. Invertendo prioridades de forma positiva, entre 2005 e 2010, a Anvisa cumpriu um papel estratégico, mudando paradigmas e estruturando a rede de proteção à saúde das pessoas no SUS”.

ICTQ – Ainda sob a ótica da gestão institucional, como surgiu o Prêmio de Inovação na Gestão Pública?

Dirceu Raposo de Mello – Bem, diga-se oportunamente que esse era um prêmio instituído pelo Governo Federal a partir de sua escola de Administração Pública. Ocorre que ao assumirmos a direção da Agência, definimos com a Diretoria Colegiada três pilares para a gestão: Transparência, Excelência e Descentralização.

Assim, no sentido da melhoria da gestão da Agência, o Programa de Implantação e Aperfeiçoamento da Gestão da Qualidade (Pimaq) foi talvez o primeiro dos muitos programas instituídos para dar suporte ao alcance dos objetivos projetados. O resultado desse nosso esforço foi o prêmio da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), no 11° Concurso Inovação na Gestão Pública Federal em 2006, com o trabalho Melhoria de gestão com foco no trinômio: pessoas, processos e tecnologia de informação. Em 2007, o Pimaq foi substituído pelo Programa de Modernização da Gestão do Governo Federal.

ICTQ – O senhor se orgulha por dar mais agilidade no trâmite documental da Anvisa. Qual foi o impacto dessa ação?

Dirceu Raposo de Mello – Importante dizer que a Anvisa foi a primeira agência reguladora a contar com normas próprias para definir o tempo obrigatório de arquivamento dos documentos produzidos e recebidos pelas diversas áreas da instituição. Também foi a precursora no estabelecimento de prazos específicos para guarda e destinação de documentos concedidos ao setor regulado, como autorizações de funcionamento, registros de produtos, licenças de importação, entre outros.

Acesso às informações de forma simples, ágil e segura foram os principais benefícios decorrentes do Programa IPE – do Impresso para o Eletrônico. Essa foi mais uma estratégia que implementamos para a modernização da gestão da Anvisa.

Esse programa, iniciado em 2009, permitiu a migração do papel para a documentação eletrônica. Para isso, foram utilizados recursos como a digitalização de documentos, a construção de um sistema para a gestão eletrônica de toda a documentação da Agência, assim como a definição dos fluxos para produção, classificação, avaliação, tramitação e arquivamento dos documentos. O programa foi um sucesso e atingiu, em sua fase inicial, a marca de 20 milhões de folhas digitalizadas.

 

ICTQ – Ainda na questão do tratamento das informações, o senhor foi o responsável pelo acesso eletrônico?

Dirceu Raposo de Mello – Sim. Nós instituímos, em nossa gestão, a Plataforma Eletrônica de Serviços em Vigilância Sanitária. Abrangendo inúmeros recursos e possibilidades, a plataforma passou a atuar em diversas frentes e de variadas formas, buscando atender às necessidades identificadas pela Anvisa no que se refere à gestão da informação. O primeiro passo dado naquela época foi o embrião para a implantação do registro eletrônico de medicamentos.

Ressalte-se que, por estarmos conscientes da importância da pesquisa em vigilância sanitária e preocupados com as ações desenvolvidas nesse sentido, criamos, em 2006, a Comissão de Pesquisas em Vigilância Sanitária (Copesq), para delinear a estrutura do plano estratégico de pesquisa nesse campo de atuação, além de promover a articulação com órgãos de fomento e instituições de pesquisa, contribuindo para a expansão da produção técnico-científica em vigilância sanitária. No ano seguinte, apresentamos o Plano Estratégico de Pesquisa em Vigilância Sanitária, o Pep-Visa, para orientar e incentivar a pesquisa na área, além de buscar a transparência e o aperfeiçoamento da aplicação dos recursos nesse setor.

Outro exemplo: criado em 2008, o Diretório de Conhecimento em Vigilância Sanitária, DCVisa, é um serviço de governo eletrônico que permite aos integrantes do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) e aos demais profissionais que se relacionam com a vigilância sanitária, o registro de seus conhecimentos, experiências e capacitações nessa área da saúde.

ICTQ – Como o senhor conseguiu que a Anvisa se tornasse referência também para outros países?

Dirceu Raposo de Mello – Mais uma vez quero ressaltar que a visibilidade e o respeito conquistados pela Agência não são frutos de uma pessoa ou de uma só gestão, são frutos de toda uma equipe envolvida e competente que se dedica a isso e da qual tenho muito orgulho de ter feito parte. Mas respondendo a sua pergunta, além dos avanços ocorridos em âmbito nacional, a regulação e a avaliação econômica de medicamentos no Brasil também obtiveram grande destaque internacionalmente, tornando-se referência para muitos países. Por exemplo, em 2007, representantes dos governos do Uruguai, da Colômbia e da República de Cabo Verde visitaram a Agência para conhecer o nosso trabalho na área.

No ano seguinte, foi a vez de Cuba, que veio representada pelo Centro para Controle Estatal de Qualidade de Medicamentos (Cecmed). Ainda em 2008, a Agência recebeu representantes de Moçambique. Além de conhecer detalhadamente o papel da Anvisa na regulação e monitoramento econômico de medicamentos, alguns desses países também estabeleceram termos de cooperação técnica, como é o caso de Cuba, Cabo Verde e Moçambique.

 

13 – Ainda na linha internacional, a Anvisa também se aproximou da FDA?

Dirceu Raposo de Mello – Bem lembrado! Em setembro de 2010, a Anvisa e a FDA – uma das principais entidades reguladoras do mundo – anunciaram em Washington um termo de confidencialidade, possibilitando uma maior aproximação nas áreas de inspeção, registro e vigilância pós-mercado. Na prática, a medida visava melhorar as trocas de informações sobre medicamentos e produtos médicos, e talvez no futuro diminuir a necessidade de inspeções e acelerar a avaliação sobre entrada e retirada de produtos do mercado.

O acordo com a mais antiga agência de regulação do mundo expressa um reconhecimento da qualidade do nosso trabalho, tanto é que a diretora Adjunta de Programas Internacionais da Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos, Lou Va ldez, disse: “Ficamos muito honrados em receber a delegação de alto nível da Anvisa na sede da FDA. Durante nosso encontro, o então diretor-presidente Dirceu Raposo e a presidente Hamburg assinaram um acordo entre a Anvisa e a FDA para compartilhar informações confidenciais, com o objetivo de fortalecer a cooperação entre as duas agências para proteger e promover a saúde e a segurança de nossas populações. A FDA tem muito a aprender com a Anvisa. Na verdade, nós podemos aprender muito uns com os outros. Por isso, nós nos dedicamos a trocar informações sobre nossas respectivas estratégias e processos regulatórios”.

ICTQ – O senhor poderia dizer que sua atuação foi uma das mais frutíferas da história da Agência?

Dirceu Raposo de Mello – Não desejo e nem devo ser pretencioso a tal ponto. Credito o sucesso daquele período a todo o grupo de colaboradores que nos acompanharam naquela jornada. Eu diria que minha atuação foi pautada por um impulso transformador e realizador. Meus parceiros podem confirmar isso. Um excelente exemplo é o depoimento do gestor de Relações Institucionais da Pastoral da Criança, Clóvis Boufleur: “Como dizer para a sociedade que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) faz muito mais que publicar normas sobre medicamentos e fiscalizar? Esta pergunta orientou a parceria com a Pastoral da Criança, que se iniciou em maio de 2005. Com linguagem simples, direta e inovadora, construímos uma estratégia de comunicação e materiais educativos que levaram informações sobre saúde, higiene e prevenção às comunidades mais pobres do Brasil. Falamos das diversas áreas de atuação da Anvisa. Mostramos como a Vigilância Sanitária faz parte do cotidiano das pessoas. Utilizamos os meios de comunicação de rotina da Pastoral da Criança, como jornais e as parcerias com mais de duas mil rádios espalhadas pelo país. A notícia chegou aos lugares mais distantes, e mudou o jeito das pessoas falarem sobre a Vigilância”.

Para saber mais sobre o tema, acesse o relatório da Anvisa: Gestão 2005-2010 – principais realizações

Matéria publicada no Portal de Notícias do ICTQ.

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A FORÇA DA FARMÁCIA CLÍNICA NO CHILE

 

POR EGLE LEONARDI

A projeção da farmácia clínica no Chile se dá por conta dos diversos programas educacionais oferecidos pelas faculdades daquele país. Há os que defendam que lá há as melhores universidades de Farmácia Clínica do mundo, como a reconhecida Universidade do Chile.

Outro destaque do mercado farmacêutico chileno é a diferença de preços entre os medicamentos de referência e os genéricos, que é considerada enorme, e pode chegar a 2.000%.

Para conhecer um pouco melhor sobre a farmácia no Chile, o ex-presidente da Anvisa e do CRF-SP, e  presidente do Conselho Científico do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Dirceu Raposo de Mello, conta sua experiência naquele país, durante viagem em que pesquisou a farmácia e a legislação local. Acompanhe.

1. Regulamentação do comércio farmacêutico             

Não há uma agência de regulação naquele país, nos moldes como é estabelecida a Anvisa no Brasil. Há uma espécie de secretaria, ligada ao Ministério da saúde, chamada Instituto de Salud Pública de Chile (ISP).  Ele regulamenta a prática do comércio varejista e estabelece políticas e normas dos segmentos de saúde em geral.

O proprietário das farmácias no Chile não precisa ser farmacêutico. A legislação local permite a constituição de grandes redes de farmácias, que se estabelecem por todo o país. Há também farmácias menores, independentes. No entanto há a exigência do farmacêutico em tempo integral. Se a farmácia não tiver um farmacêutico presente, fecha as portas.

2. Perfil dos estabelecimentos farmacêuticos

No Chile, as farmácias são muito parecidas com as do Brasil. Há medicamentos prescritos dentro do balcão e há também os medicamentos isentos de prescrição (MIPs) nas gôndolas, ao acesso da população. Aliás, no autosserviço podem-se encontrar muitos itens de higiene pessoal e cosméticos, mas não são permitidos itens alheios à saúde, como chinelos, roupas e doces, por exemplo.

Não há nenhum tipo de zoneamento que restrinja a abertura de farmácias nas localidades, por isso, elas são muito frequentes e próximas umas das outras, o que provoca uma acirrada competição por preços mais baixos. Há a predominância de grandes redes, sendo as três marcas principais a Ahumada, Cruz Verde e SalcoBrand.

3. Prescrição farmacêutica

O Chile se destaca por ter seus cursos de graduação em Farmácia voltados para a formação clínica e oferece diversos cursos de especialização nessa área, do qual têm participado profissionais brasileiros na busca de conhecimento e aperfeiçoamento. É incontestável que a formação de farmacêutico clínico tem sido maior no Chile, quando comparado ao Brasil, devido à sedimentação e valorização da farmácia clínica pelas universidades, e seu reconhecimento pela comunidade. Por conta disso, farmacêuticos prescrevem especialmente nos hospitais.

4. Remuneração do farmacêutico

O salário do farmacêutico gestor ou responsável técnico em farmácia no Chile gira entre R$ 3.938,00 a R$ 5.415,00 (de CLP 800.000 até CLP 1.100.000). Os salários na indústria e nos hospitais costumam ser cerca de 20% mais altos que no varejo.

5. A maconha na farmácia

Farmácias do Chile começaram a vender, em maio de 2017, medicamentos à base de cannabis. O país legalizou o uso de maconha medicinal em 2015, mas só disponibilizou o produto neste ano, por meio da distribuidora canadense de cannabis, Tilray, que se associou com a companhia local, Alef Biotechnology, que é licenciada pelo governo chileno.

Para a compra desses produtos, é necessária a prescrição médica. Eles só podem ser indicados como tratamento paliativo da dor, e não para uso recreativo. Os produtos do laboratório são o T100 e TC100, e estão sendo comercializados, inicialmente, em farmácia da capital do país, Santiago.

O preço médio de venda é de cerca de R$ 1.085,00 (CLP 207 219,251) para um tratamento que dura cerca de um mês. Desde a aprovação da maconha medicinal no país, os pacientes apenas podiam obter o produto por meio da importação ou a partir de um número limitado de fazendas dedicadas à causa.

Matéria publicada no portal de Notícias do ICTQ.

11 PASSOS PARA FAZER ACOMPANHAMENTO FARMACOTERAPÊUTICO NO PÓS-OPERATÓRIO EM CIRURGIA PLÁSTICA

 

POR EGLE LEONARDI

O Brasil está entre os países que mais realiza cirurgia plástica no mundo, sendo considerado referência nesse tipo de procedimento. O paciente que procura a cirurgia plástica, seja ela reparadora ou estética, busca realização, autoestima, melhora da aparência, aceitação ou mesmo retomar a função de alguma parte do corpo.

Nesse contexto, o acompanhamento farmacoterapêutico realizado pelo profissional farmacêutico visa contribuir para um resultado seguro e garantir a satisfação e o bem-estar do paciente. Para isso, é importante que a equipe de saúde envolvida nesse processo tenha uma visão multidisciplinar, pois o paciente seguramente precisará de profissionais de áreas transversais e que somam o atendimento com foco nesses objetivos.

De acordo com a farmacêutica e mestra em Ciências Farmacêuticas, Rita Sampaio, o farmacêutico contribui dentro da equipe de saúde, desde a assistência farmacêutica, no acompanhamento dos medicamentos prescritos pelo médico, sugerindo o melhor horário posológico, orientando sobre possíveis interações medicamentosas que colocam em risco a saúde do paciente, reações adversas que poderão surgir durante o tratamento, entre outras funções que complementam o trabalho da equipe. “O farmacêutico colabora por transmitir ao paciente a segurança e a tranquilidade necessárias, ajuda a reduzir o risco de complicações e aumenta as chances de êxito da cirurgia plástica”.

Parceria é fundamental

Entretanto, o professor do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Alexandre Massao Sugawara, comenta que a relação entre a equipe clínica, principalmente o cirurgião, deve ser profissional e harmoniosa, procurando estabelecer parceria nas ações de saúde em prol dos pacientes. “É evidente, atualmente, que o trabalho em equipes multidisciplinares é condição necessária e irrevogável no âmbito da saúde”, diz ele.

Vale lembrar que a relação do farmacêutico com o prescritor deve compreender a prescrição, o relacionamento colaborativo e humanitário, identificar o modelo de abordagem, coordenar consensos, facilitar a relação com o paciente e estabelecer corresponsabilidades.

Sendo assim, Rita Sampaio é quem desenha a melhor forma de fazer o acompanhamento farmacorterapêutico em pacientes no pós-operatório de cirurgias plásticas. Acompanhe:

1- No início da consulta – Os cuidados farmacêuticos com os pacientes pós-cirúrgicos vão além do acompanhamento farmacoterapêutico. Durante a consulta deve-se deixar claro que a colaboração dele é fundamental para o sucesso da cirurgia e, principalmente, para evitar complicações. O paciente tem uma importante participação nesse resultado, e contar com esse apoio é fundamental.

Aspectos como repouso, exercício físico, alimentação, higiene, entre outros fatores, são extremamente relevantes e devem fazer parte das orientações.  Nesse momento, é importante que os cuidadores estejam presentes e sintam-se parte desse processo.

2 – Fazer a anamnese – Outro ponto importante é levantar todas as informações acerca desse paciente, como hábitos, doenças coexistentes, uso de medicamentos e até mesmo identificar e orientar sobre possíveis riscos da automedicação. Em face disso, o farmacêutico pode solicitar os exames mais recentes, para assim poder ter uma ideia geral e segura do estado de saúde atual do paciente.

3 – Ressaltar as principais orientações sobre medicamentos – Inicialmente, é importante ressaltar que o farmacêutico tem um papel fundamental na adesão do paciente ao tratamento medicamentoso prescrito, pois é o profissional habilitado a orientar a população sobre o uso racional de medicamentos. No período pós-cirúrgico de cirurgia plástica é preciso assegurar que o tratamento será realizado com precisão, respeitando-se os horários e o tempo necessário até que se concluam as doses, e os sintomas e sinais desapareçam.

4 – Explicar as complicações – Algumas complicações, como a formação de seromas e fibrose são evitadas com o tratamento medicamentoso e procedimentos adequados. Exemplo disso é o uso de antimicrobiano após a cirurgia plástica, o qual deve ser tomado pelo tempo e horário determinados, evitando infecções ou resistência a esses princípios.

É preciso evitar o uso de fármacos como a warfarina, heparina, ácido acetilsalicílico (AAS), vitamina k e o fitoterápico Gingko Biloba. Todos, de alguma forma, podem comprometer a coagulação e circulação levando a sangramentos ou hematomas no local da cirurgia. O AAS, por exemplo, está presente em algumas marcas de analgésicos e deve ser tomado com cautela por pacientes com histórico de problemas como úlcera e gastrite.

O uso de anticoncepcional hormonal deve ser suspenso em cirurgias com anestesia peridural, raqui ou geral, já que esses medicamentos aumentam o risco de trombose e embolia pulmonar. Pacientes diabéticos apresentam dificuldade de cicatrização, portanto, devem manter a glicemia sob controle e não deixar de tomar seus medicamentos nos horários corretos, aferindo a glicemia com regularidade.

5 – Evitar a automedicação – É preciso orientar o paciente sobre os riscos da automedicação nos casos de dor, febre ou outros eventos que possam levar ao consumo indiscriminado de medicamentos. Isso evita intercorrências pós-operatórias. Casos de complicações pós-cirúrgicas, infecções, sangramentos anormais, dificuldade de cicatrização, formação de queloides, hipertrofia, hematomas e edemas são episódios que podem ser minorados com as orientações e cuidados farmacêuticos sobre o uso correto de medicamentos e procedimentos a serem seguidos.

6 – Orientar sobre dieta e exercícios físicos – Alguns fatores considerados de risco como obesidade, tabagismo e hipertensão podem levar a deficiências nutricionais e que podem ser corrigidos por meio da dieta monitorada por um nutricionista. Seguir a dieta prescrita por um profissional evita complicações e facilita a cicatrização no pós-operatório de cirurgia plástica. Por isso, há a importância da equipe multidisciplinar atuando. A falta de algumas vitaminas e oligoelementos, como as vitaminas A, B, C, ferro, cobre e zinco podem aumentar as chances de sangramentos e dificultar a cicatrização. Portanto, uma boa dieta é fundamental, tanto no pré como no pós-operatórios. Os exercícios físicos podem alargar as cicatrizes, pois forçam e tencionam a pele e só são liberados gradualmente de acordo com a recuperação do paciente. O farmacêutico auxilia o paciente a cumprir com as orientações do cirurgião bem como da equipe de saúde, corroborando para o êxito do procedimento.

7 – Alertar sobre as interações medicamentosas – As interações medicamentosas ocorrem quando os efeitos de um fármaco são comprometidos pela presença de outro fármaco, alimento, bebida ou algum agente químico ambiental, podendo ser tanto positivas (aumento da eficácia) quanto negativas (toxicidade, redução da eficácia ou idiossincrasia). Durante o acompanhamento farmacoterapêutico é importante considerar alguns aspectos que predispõem os pacientes a interações medicamentosas severas, como quantidade de medicamentos prescritos, esquema posológico, idade, tempo de tratamento e presença de doença renal ou hepática.

As interações podem ocorrer em qualquer fase da cirurgia plástica e o farmacêutico deve orientar o paciente a evitar o tabagismo, álcool e a automedicação para não comprometer a eficácia do procedimento e evitar complicações. Alguns grupos terapêuticos, como os antimicrobianos, anti-inflamatórios e analgésicos, estão entre os fármacos mais utilizados na recuperação pós-cirúrgica e podem interagir com outros medicamentos, como antidepressivos, ansiolíticos, anti-hipertensivos, antiácidos, medicamentos para tratamento de diabetes, entre outros. Nesse sentido, o farmacêutico pode ajustar o esquema posológico ou sugerir alterações de fármacos para otimizar o tratamento.

8 – Mostrar a importância no processo – No acompanhamento farmacêutico o foco é o bem-estar do paciente e a garantia do tratamento mais indicado, efetivo, seguro e conveniente. O atendimento ao paciente torna-se mais humanizado quando a equipe interdisciplinar está atuando em conjunto. O farmacêutico deve explicar ao paciente que a ausência do acompanhamento farmacêutico pode ignorar aspectos como a ocorrência de eventos adversos ou problemas de saúde relacionados aos medicamentos, buscando medidas preventivas e corretivas.

9 – Sucesso do trabalho – Esse modelo de trabalho, em que o farmacêutico atua de modo integrado à equipe multidisciplinar já é sucesso em vários países. Nos Estados Unidos, por exemplo, desde a década de 1960, a farmácia clínica já é realidade dentro do âmbito hospitalar. A resolução Nº 585, de 29 de agosto de 2013, que regulamenta as atribuições clínicas do farmacêutico, vem contribuindo, desde a sua publicação, com a expansão desse modelo em todos os níveis de atenção à saúde. Sendo assim, o acompanhamento farmacoterapêutico realizado de forma responsável e integrado, sem dúvida alguma, traz grandes chances de sucesso ao paciente, que recebe esses cuidados, bem como a família e a comunidade.

10 – Interação com a equipe médica – A atividade do farmacêutico complementa o trabalho do médico e de toda a equipe de saúde. Reconhecer a importância de cada profissional nesse processo de acompanhamento pós-cirúrgico traz benefícios ao paciente. O foco dos cuidados farmacêuticos é o indivíduo, seu bem-estar e a recuperação da sua saúde. Portanto, o trabalho conjunto e complementar deve ser considerado.

11 – Documentar sempre – O plano de cuidados farmacêuticos é muito amplo e deve ser documentado visando a otimizar o acompanhamento farmacoterapêutico e controlar a evolução do paciente. São muitas as possibilidades de intervenção e orientação clínica. Registrar o atendimento facilita a atuação de toda a equipe de saúde.

A matéria foi publicada no Portal de Notícias do ICTQ.


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