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NOS EMIRADOS ÁRABES UNIDOS OS FARMACÊUTICOS PRESCREVEM ATÉ ANTIBIÓTICOS

 

POR EGLE LEONARDI

 

Apenas a título de curiosidade, vale citar que os Emirados Árabes Unidos (EAU) são formados por uma confederação de monarquias árabes, equivalentes a principados. Os sete emirados são Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman, Umm al-Quwain, Ras al-Khaimah e Fujairah. A capital é a segunda maior cidade dos EAU – Abu Dhabi. O islamismo é a religião oficial e o idioma é o árabe.

Os Emirados possuem um clima desértico e têm uma das mais desenvolvidas economias do Oriente Médio. Têm o 14º maior PIB per capita do mundo e o terceiro maior do Oriente Médio. Sua moeda é o Dirham dos Emirados (AED). O mercado farmacêutico da região espelha seu desenvolvimento econômico, proporcionando ao profissional da farmácia um salário de alto nível, relativo a R$ 18 mil.

Para fornecer informações para a construção desta matéria, foram consultados três farmacêuticos dos Emirados Árabes: Mustafa Rashed Abouleinim, Manar Said e Aboud Forsa. Eles atuam em farmácias de Abu Dhabi como farmacêuticos clínicos. O contato com os profissionais foi facilitado pelo professor do ICTQ, o farmacêutico André Schmidt Suaiden, que detém conhecimento da língua do país.

 

1 – Regulamentação do comércio farmacêutico      

Três órgãos trabalham em conjunto para a regulação do mercado farmacêutico nos Emirados Árabes Unidos: Autoridade Sanitária – Abu Dhabi (HAAD), Autoridade de Saúde – Dubai (DHA) e o Ministério da Saúde e Prevenção.

 

2 – Perfil das lojas

Todos os países árabes mantêm farmácias como estabelecimentos de saúde. Não há a venda de produtos alheios à saúde, como sorvetes e chocolates. As gôndolas são abastecidas apenas com produtos de higiene pessoal e cosméticos, além de itens médico-hospitalares. Não há medicamentos ao alcance e nem à vista do consumidor.

 

3 – Prescrição de medicamentos

Todos os procedimentos de menor complexidade são realizados nas farmácias inicialmente, inclusive a prescrição de antibióticos pelo farmacêutico. O acompanhamento também é bastante eficaz. Assim, somente em casos em que não há melhora do paciente é que é feito o seu encaminhamento aos serviços médicos.

 

4 – Propriedade da farmácia

As farmácias, nos EAU, são obrigatoriamente de propriedade de farmacêuticos. Existem, na mesma farmácia, bancadas para instrumentos de laboratório, que podem ser utilizados para realizar alguns exames e também para o fracionamento de medicamentos, o que facilita o acesso da população a medicamentos na dose precisa e, com isso, o tratamento acaba sendo mais barato.

Nos Emirados Árabes há legislação que estabelece uma distância de, no mínimo, 500 metros entre as farmácias.

 

5 – Presença do farmacêutico

A exigência da presença do farmacêutico em período integral é lei no país, e é cumprida à risca por todos os estabelecimentos.

 

6 – Remuneração do farmacêutico

Os salários nos Emirados Árabes Unidos são diferentes para o nível de experiência de cada farmacêutico. De modo geral, os profissionais recém-formados recebem salário mensal em torno de R$ 4 mil (3500 AED).   Os farmacêuticos experientes ganham algo em torno de R$ 12 mil (10000 AED) e o farmacêutico responsável pela farmácia tem rendimento de R$ 18 mil (16000 AED).

 

7 – Curiosidade

Em todos os países árabes, os medicamentos ficam em armários dentro da loja. Não há balcões de atendimento, como se encontram no Brasil. Nas farmácias dos EAU há apenas mesas para o paciente se sentar e conversar com os farmacêuticos. Não é raro encontrar a oferta de café e frutas para o consumo do paciente durante seu atendimento.

Outro fato que difere do padrão brasileiro é a dispensa de receita médica para os antibióticos, já que os farmacêuticos mesmos podem fazer a prescrição. Aliás, há poucos profissionais trabalhando em cada estabelecimento, ou seja, de dois a três farmacêuticos e mais dois assistentes numa farmácia de grande porte. Não há balconistas, como no Brasil.

 

LUIZ DONADUZZI, O FARMACÊUTICO GERADOR DE IDEIAS E RIQUEZAS

POR EGLE LEONARDI

 

Alguns – considerados sensatos e prudentes – diriam que a melhor coisa para um farmacêutico é ter sua própria farmácia e estar confortável, atuando como farmacêutico ao lado de sua esposa, também adepta da mesma profissão…que vida boa…Sim, para alguns!

Para outros – com bem menos sensatez e bem mais ousadia – a melhor opção foi escolher algo totalmente diferente! Estamos falando de Luiz Donaduzzi, que vendeu sua farmácia próspera no interior do Paraná e largou sua vida tranquila para fazer mestrado e doutorado na França, juntamente com sua esposa! Resultado? Seu arrojo e coragem o levaram, algumas décadas depois, a se tornar um dos mais respeitados líderes farmacêuticos do Brasil, dono de uma das maiores indústrias nacionais – a Prati-Donaduzzi.

É fato que, atualmente, ele é considerado uma das figuras mais influentes no cenário industrial farmacêutico. Mas engana-se quem pensa que ele herdou seu império! Na verdade, ele o conquistou com sua visão futurista e perfil empreendedor.

Este farmacêutico e doutor em Biotecnologia pelo Instituto Politécnico de Lorraine de Nancy (na França) propiciou um crescimento sem precedentes da indústria nacional, com as operações sempre amparadas na tríade qualidade, ética e seriedade. Isso proporciona à Prati-Donaduzzi a projeção de crescimento de 25% ao ano, previsto até 2020.

Claro que tanto trabalho e sucesso lhe conferem poder suficiente para ter seu transporte aéreo particular e também a Equipe Prati-Donaduzzi de Stock Car, cujos pilotos são o paranaense Júlio Campos e o amazonense Antonio Pizzonia.

Além disso, ele doou (de recursos próprios, em conjunto com sua esposa Carmem) R$ 100 milhões ao empreendimento chamado Parque Científico e Tecnológico de Biociências (Biopark). Com uma estrutura total de 4 milhões de metros quadrados, o maior parque tecnológico do Brasil está sendo instalado em Toledo, e transformará a região Oeste do Paraná em um polo de pesquisa, desenvolvimento empresarial e inovação tecnológica voltado para a biociência.

A estrutura, com mais de 3 mil terrenos, gerará 30 mil empregos em diversas áreas e já conta com um espaço reservado para universidades, hospitais, incubadoras, indústrias e áreas comerciais e residenciais. A inauguração do seu primeiro prédio será em janeiro de 2018 – a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná.

Conheça mais sobre esse proeminente líder farmacêutico.

ICTQ – O senhor se define como gerador de ideias. Foi isso o que o fez vender tudo e levar sua esposa para a França para estudar?

LUIZ DONADUZZI – De certa forma, sim. Eu não me via passando o resto da vida no balcão de uma farmácia. Minha esposa, Carmem, apoiou minha ideia e fomos estudar fora. Isso me deu subsídios para pensar grande, pensar no futuro e conquistar grandes realizações.

Eu sou um gerador de ideias. Talvez não seja um excelente farmacêutico e nem um excelente gestor, mas hoje gero muitas ideias que valem milhões de reais. E eu criei um grupo com o objetivo de desenvolver e gerar ideias que sejam implantadas de acordo com o momento cultural da empresa.

ICTQ – E como tudo isso começou?

LUIZ DONADUZZI – No final da década de 1980 iniciei as atividades na área de medicamentos hospitalares em uma pequena fábrica. Depois é que surgiu a Prati-Donaduzzi. Em 1999, quando da aprovação da Lei dos Genéricos (nº 9.787), nós nos voltamos em direção a esse incipiente mercado.

Há 23 anos, a indústria farmacêutica parecia um sonho distante. Buscamos, na construção de um modelo próprio de negócio, a gestão orientada para a valorização do trabalho em equipe, de forma a fortalecer e potencializar a contribuição e a autonomia das pessoas. Assim, a Prati é um sonho realizado.

Vale lembrar que, desde o começo de 2016, Eder Maffissoni, assumiu o comando da empresa. Atualmente eu presido o Conselho de Administração.

A empresa é destaque na produção de medicamentos genéricos, sendo a maior fornecedora para órgãos públicos no Brasil. Atualmente, emprega mais de quatro mil colaboradores e produz cerca de 12 bilhões de doses terapêuticas por ano.

ICTQ – O senhor acredita que os farmacêuticos podem ser empreendedores?

LUIZ DONADUZZI – Sempre digo que ganhar dinheiro é fácil, desde que você se prepare para isto e tenha vontade, sobretudo estudando. Não consigo ver outra forma de crescimento. O empreendedorismo começa com uma ideia. Mas há momentos em que existem gargalos e, se você não estiver preparado, estes gargalos vão limitar o seu crescimento.

O farmacêutico, sem querer generalizar, gosta da área técnica e não gosta tanto do contato humano, acha que apenas dominar o que aprendeu na universidade vai ser suficiente para ter sucesso. Para conquistar algo, além do conhecimento técnico (que é a parte mais barata) é necessário ter conhecimento de gestão. Desenvolver a liderança é o mais difícil. O farmacêutico que se dedica a fazer um mestrado, um doutorado, e que aprende na indústria terá um ótimo salário, principalmente se ele for para uma área que paga muito bem, como a inovação.

ICTQ – Mas nem todos têm esse perfil de inovação. Há outras oportunidades para o farmacêutico?

LUIZ DONADUZZI – Claro que há várias possibilidades. O profissional que montar uma farmácia no interior do Brasil e gostar de trabalhar vai se dar bem na vida e vai ter sucesso porque terá uma farmácia onde faltam farmacêuticos, como no interior. Quem tem conhecimento e vontade, vai ter sucesso. O investimento inicial não é grande. É possível que não dê certo na primeira e na segunda vez. Eu mesmo quebrei várias vezes. Tivemos de fechar umas duas vezes nossa indústria farmacêutica, mas eu persisti. O grande erro dos currículos farmacêuticos é não ter matérias sobre gestão, psicologia, formação e trabalho em equipe e liderança.

ICTQ – Se as profissionais investirem em sua formação, poderão se tornar empresários?

LUIZ DONADUZZI – Na verdade, a classe empreendedora é uma pequena parcela dos profissionais que está disposta a correr riscos e gastar energia em um projeto. Muitas pessoas preferem ficar limitadas a um salário muito ruim, que é cômodo. Pouca gente investe em si, ou seja, paga um curso de MBA ou um curso no exterior. Os farmacêuticos são pouco empreendedores. Normalmente o pessoal técnico é assim. Precisamos de gente com boas ideias.

ICTQ – O senhor é um gerador de ideias. O senhor considera que os brasileiros têm essa qualidade?

LUIZ DONADUZZI – Há uma dificuldade enorme de formar pesquisadores no Brasil. Não há muitos brasileiros com capacidade de fazer pesquisa, pois isso não faz parte de nossa cultura. Precisamos de gente que execute, que faça pesquisas, inove e que gere empregos. O farmacêutico tem que fazer pesquisas que culminem em geração de empregos de qualidade e em produtos que beneficiem a população. Só assim, depois de 20 anos, poderemos olhar pra trás e dizer que somos indivíduos realizados e que estamos cumprindo nossa missão.

ICTQ – Qual foi o seu objetivo com a doação de R$ 100 milhões à Biopark?

LUIZ DONADUZZI – Sempre pensei em criar um ecossistema de inovação para proporcionar benefícios sociais e econômicos no Oeste do Paraná, fomentando, assim, o conceito de economia empreendedora. Eu quero deixar algo como legado que beneficie a sociedade e que possa contribuir com a cultura e o desenvolvimento da região. Quero levar para a população de Toledo, e de todo o Paraná, algo que possa deixar como legado, que a sociedade possa se beneficiar, trocar ideias, realizar pesquisas, efetivar um intercâmbio multicultural de conhecimento. Foi com este pensamento que tive a ideia desse parque tecnológico. Venho estudando há alguns anos como ele poderia ser e como eu contribuiria para que ele se tornasse concreto. E essa hora chegou!

Matéria publicada no Portal de Notícias do ICTQ
A FARMÁCIA E A PROFISSÃO FARMACÊUTICA NO REINO UNIDO

 

 

POR EGLE LEONARDI

O presidente da Royal Pharmaceutical Society,  Ashok Soni falou sobre a legislação geral da farmácia no Reino Unido. Além disso, a farmacêutica da renomada rede BOOTS, da Irlanda, Lorna Linx, foi entrevistada pelo correspondente do ICTQ naquele país, Jan Noronha – Gerente de relacionamento do Paraná. Confira a seguir as principais informações levantadas sobre o cotidiano do farmacêutico.

– O que fazem os farmacêuticos na farmácia

Há cerca de 40 mil farmacêuticos em todo o Reino Unido. Na Inglaterra, a farmácia e o farmacêutico realizam basicamente duas funções na distribuição de medicamentos: uma sanitária e outra comercial. Em termos de serviços, os farmacêuticos desses países fazem o controle da pressão, glicemia, exame de sangue, teste de gripe, tratamento do tabagismo e dispensam medicamentos.

Na Irlanda, o órgão responsável pelo registro dos farmacêuticos é o Pharmaceutical Society of Ireland – PSI. Há farmacêuticos em diversos cargos na indústria, mas com menor frequência, pois farmácias comunitárias e hospitais pagam mais para esses profissionais. Farmacêuticos clínicos com curso de pós-graduação são mais  bem remunerados.

– Sobre a propriedade da farmácia

Nos termos dos Artigos 69, 70, 71 e 72 do “Medicines Act”, apenas podem ser proprietários de farmácias: a) os farmacêuticos e as sociedades total ou parcialmente constituídas por farmacêuticos; b) os “bodies corporate”; c) os herdeiros de farmacêutico falecido e os representantes de farmacêutico tornado incapaz (a medida temporal da situação é variável, indo de cinco anos em caso de morte a três anos em caso de falência ou doença mental). A composição de grandes redes de farmácia é perfeitamente legal.

– Permanência do profissional na farmácia

Em toda farmácia é obrigada a ter o farmacêutico presente durante o seu funcionamento, fechando no período de férias e nas ausências ocasionais do farmacêutico. No entanto, as farmácias ficam abertas apenas no horário comercial, geralmente.

– Possibilidade de prescrição

A prescrição independente é recorrente no Reno Unido, mas há limitações. Para fazer a prescrição é preciso frequentar um curso específico para tal por mais de seis meses. A prescrição exige treinamento e competência clínica. A prática ocorre principalmente em casos de asma, problemas gastrointestinais, hipertensão e diabetes.

Para a prescrição em farmácia o desafio é como receber dinheiro por isso, já que a prescrição está no orçamento federal da prescrição médica. Os atendimentos são registrados nos prontuários dos pacientes. Já na Irlanda a prática da prescrição está mais concentrada nas mãos dos médicos.

– Legislações

No Reino Unido a lei dos medicamentos “Medicines Act” de 1968 é um instrumento legislativo completo para o controle e a distribuição de medicamentos. Em vigência desde setembro de 1971, exerce o controle sobre a fabricação, a importação, a venda, a distribuição, a etiquetagem e a publicidade dos medicamentos.

Os medicamentos são classificados em três tipos: a) medicamentos que somente podem ser vendidos com receita médica ou odontológica; b) medicamentos de farmácia, que podem ser vendidos livremente só em farmácia e exclusivamente pelo farmacêutico; e c) medicamentos de venda totalmente livre (em supermercados, por exemplo).

No caso dos prescritos, interessante salientar que o farmacêutico faz a dispensação apenas da quantidade exata de pílulas ou quantidade de medicação que o médico receitou, ou seja, a venda é fracionada.

– Remuneração dos serviços farmacêuticos

Pelo desempenho de suas atividades, o farmacêutico recebe uma remuneração ou compensação econômica que se baseia em diferentes conceitos. Para tanto, o preço de venda dos medicamentos ao público é fixado pelo laboratório industrial farmacêutico. A remuneração do farmacêutico se produz por diversos fatores, baseada no volume de vendas e na remuneração fixa. Na prática, cabe distinguir duas formas de atendimento ao público. Os medicamentos pagos pelo paciente, que são os medicamentos de farmácia, e aqueles do receituário médico privado, que não são reembolsados pela National Health Service (NHS), e os medicamentos que são pagos pela NHS.

Na Irlanda predomina o seguro privado de saúde para a população, que cobre os gastos com medicamentos realizados nas farmácias. Apenas 10% da população, que não tem condições de pagar o seguro privado, é atendida pelo poder público, que reembolsa os farmacêuticos pelos gastos com medicamentos.

10 MANEIRAS DE SER UM FARMACÊUTICO CLÍNICO DE EXCELÊNCIA

 

POR EGLE LEONARDI

Para você, é suficiente ser bom no que faz em sua área de atuação? Pois saiba que aqueles que prezam a excelência profissional precisam dominar o que se refere à sua área, e muito mais! Eles procuram conhecer mais sobre os segmentos relacionados ao seu setor para atender à demanda do cliente, com qualidade.

Isso funciona da mesma forma com o farmacêutico clínico. Para ter excelência, ele precisa exigir a qualidade máxima em todos os processos que envolvem o cuidado com o usuário de medicamentos, independentemente de onde eles atuem. Para falar sobre o tema, o ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico conversou com o farmacêutico clínico que mantém um consultório em Recife (PE), Diego Medeiros Guedes, e com o farmacêutico e professor do ICTQ, Leonardo Doro Pires. Eles falam sobre as 10 maneiras para ser um farmacêutico clínico de excelência. 

1- Foco no paciente – Há os farmacêuticos clínicos que atuam em ambiente hospitalar, nos consultórios das farmácias e drogarias e no âmbito ambulatorial. No entanto, a visão em qualquer local de atuação deve ser voltada essencialmente às necessidades do paciente. Sua atuação já é imprescindível na composição de uma equipe multidisciplinar nos hospitais e nas grandes redes do varejo. Por isso, não pode haver espaço para disputa de egos com outros profissionais de saúde. Não há tempo para choramingar falta de reconhecimento ou outras coisas do gênero. A saúde do cliente, que passa ser na verdade paciente, deve estar sempre acima de tudo. Quando esse foco está bem resolvido, a excelência em todas os campos do profissional farmacêutico clinico é só uma consequência.

2 – Visão Sistêmica – O varejo farmacêutico está cada vez mais buscando por profissionais que sejam clínicos, gestores, técnicos e líderes, tudo ao mesmo tempo. Para isso, eles precisam desenvolver um senso crítico de todos os processos que o cercam no ambiente de trabalho. Não se faz necessário ser especialista em tudo, mas no mínimo deve-se ter visão sistêmica. Guedes diz que é extremamente difícil encontrar essas quatro qualidades ou habilidades em um só profissional. “Além do mais, caso encontremos essas quatro qualidades, corremos o risco de encontrarmos um profissional pato: nada, anda e voa, e não é reconhecido por sua excelência em nenhuma das três atividades”. Assim, é importante entender e saber qual habilidade potencializa o trabalho como clínico, sem perder de vista as demais qualidades que, em diversas circunstâncias, podem ser muito importantes.

3 – Criatividade – O mercado precisa de excelentes líderes e gestores, mas também procura por profissionais qualificados na clínica farmacêutica e que façam esse serviço acontecer mesmo quando há limitação de recursos. Isso depende da criatividade do farmacêutico e de sua flexibilidade na atuação. Perguntas a serem analisadas: Ainda não tem um consultório? Por que não se sentar com o paciente em um espaço mais reservado da loja para conversar sobre o tratamento dele? Está dispensando MIP no balcão? O que impede um clínico de perguntar ao paciente, de imediato, questões chave para uma anamnese que conduza a uma posterior orientação? Por que não imprimir para cada paciente que passa pela loja, orientações fundamentais sobre o uso racional de medicamentos? Saúde e atenção clínica farmacêutica se fazem em qualquer contexto e circunstâncias. Basta usar um pouco de imaginação e boa-vontade!

4 – Mentalidade aberta a novos conhecimentos – Há uma expressão popular que diz: Pense fora da caixa! Isso ilustra bem o que é ter mente aberta! É pensar de forma diferente, estar aberto às inovações e às novas ideias. Ter mente aberta mostra a capacidade também de mudar de opinião frente ao novo. Muitos entendem a excelência profissional como o status adquirido em sua carreira, e que o torna uma referência naquilo que lhe compete. Ao se tornar uma referência em determinado segmento, o profissional adquire uma autoridade no tema, e por isso é reconhecido no seu meio. Esses têm mente aberta! Esteja aberto às inovações. O farmacêutico clínico de excelência pensa fora da caixa e nunca concluí que já sabe o bastante!

5 – Capacidade de encarar desafios – A sorte existe? Alguns especialistas dizem que sorte é a junção do preparo com a oportunidade. E, convenhamos, só tem sorte quem está preparado e consegue superar os desafios profissionais que, certamente, surgem para todos. Assim, todo profissional que se preza precisa de desafios para que possa amadurecer. A farmácia clínica é uma conjunção de desafios que precisam ser enfrentados. “Desde a década de 1990, o movimento clínico farmacêutico vem se solidificando e ganhando espaço”, diz Guedes. O maior exemplo disso, para ele, é a legislação farmacêutica, principalmente com a publicação das resoluções 585/13 e 586/13, do CFF, que regulamentam a prática clínica e a prescrição farmacêutica – os verdadeiros desafios dessa profissão na atualidade. O farmacêutico clínico de excelência tem encarado esse desafio com coragem e tem prestado um atendimento diferenciado ao usuário de medicamentos, independente das circunstâncias. Assim, ele também tem superado outro desafio importante em sua carreira – o de obter o reconhecimento como um agente de saúde competente.

6 – Liderança no atendimento ao paciente – Tomar a frente dos cuidados com os pacientes traz reconhecimento e mostra liderança. Pires diz: “O farmacêutico precisa se apresentar como profissional de saúde e exercer a autoridade que seus conhecimentos e habilitação lhe conferem”. Assistir passivamente ao balconista (e às vezes até ao caixa) dispensando medicação sem o mínimo de reação é inaceitável para um farmacêutico clínico de excelência.

7 – Não trabalhar de graça – O trabalho de um farmacêutico clínico não deve ser filantrópico. A farmácia pode até oferecer os serviços farmacêuticos gratuitos, mas o farmacêutico clínico deve ser remunerado para tal. Seja pelo cliente ou pelo patrão. “Só o fato de o farmacêutico ser uma referência em determinado conhecimento clínico faz com que atraia a atenção e os olhares para a sua atuação, o que é extremamente positivo para a imagem pessoal do profissional e facilita as negociações”, destaca Guedes. Além disso, tornar-se uma autoridade no assunto permite que seus serviços sejam devidamente cobrados proporcionalmente ao seu valor agregado, e o salário do farmacêutico aumenta. Pensar no resultado faz o farmacêutico traçar planos e cumpri-los. Guedes atende em sua clínica com o foco em pacientes fumantes, no sentido de motivá-los à cessação tabágica. Também atua com os polimedicados, que precisam de intervenção na sua farmacoterapia. Ele rentabiliza seu negócio, embora ainda haja a necessidade constante de divulgação junto a outros profissionais e aos pacientes. Ele cobra R$ 100,00 por consulta (com direito a retorno). Para os pacientes tabagistas, cobra R$ 350,00 num pacote contendo cinco consultas, tendo em vista que dessa maneira há uma maior adesão ao tratamento. Vale lembrar que um farmacêutico que possui capacidade de entrega é cobiçado pelo mercado profissional, se destacando em qualquer empresa onde atue, fazendo dos seus resultados um trampolim salarial e de carreira.

8 – Conhecimento técnico – Para Pires, quando determinado profissional consegue reunir conhecimento técnico aprofundado de sua área, experiência prática e capacidade de entrega, ele atingiu o estágio de excelência: “Na área de farmácia clínica, precisamos inserir a essas características a capacidade de comunicação e relacionamento com o paciente”. Ingressar em uma especialização que ofereça a prática pode ajudar na experiência desse profissional, principalmente em uma pós-graduação em farmácia clínica e uma pós em farmácia hospitalar. A melhor maneira de aplicar os conhecimentos adquiridos é na prática, sobretudo em se tratando da atividade clínica, pois o trato com o paciente vai além do conhecimento técnico adquirido nas folhas do papel.

9 – Pró-atividade – Ser pró-ativo denota que uma pessoa tem atitude, que faz as coisas acontecerem e que se antecipa aos fatos, criando suas próprias oportunidades. O pró-ativo prevê as necessidades e os conflitos e resolve problemas antecipadamente. Pires afirma: “O mercado precisa de farmacêuticos clinicos pró-ativos, inovadores e com capacidade de decisão. Gosto muito de uma frase que um grande empresário do mercado farmacêutico me disse um dia desses – Quando o profissional se propõe a praticar o mais do mesmo, eu me proponho a pagar a ele mais do mesmo”.

10 – Capacitar-se em instituição que ofereça experiência prática – A prática é a chave para o aprendizado e, consequentemente, para o desenvolvimento profissional. “Somos medidos pela régua da prática, e neste cenário a unidade de medida é a entrega”, comenta Pires. Uma especialização que ofereça a aula prática pode propor ao aluno as mais diversas situações profissionais, clínicas ou não, em um ambiente controlado, preparando-o para reagir de maneira adequada aos mais diversos cenários.

Matéria publicada no Portal de Notícias do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico.

 

FARMÁCIA PET – ESSE MERCADO É O BICHO!

 

POR EGLE LEONARDI

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o mercado PET nacional cresceu 5,7% em 2016, chegando a R$ 19 bilhões em faturamento. A projeção foi feita com base nos dados coletados pela entidade entre janeiro e setembro. O mercado brasileiro é o terceiro no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos e Reino Unido.

O segmento PET veterinário (medicamentos veterinários) corresponde a 7,8% do faturamento total do mercado brasileiro. Segundo o IBGE, o Brasil tem mais de 132 milhões de animais de estimação, distribuídos entre cães (52 milhões), aves (38 milhões), felinos (22 milhões) e peixes (18 milhões), entre outros.

De acordo com a farmacêutica e sócia fundadora da DrogaVET, Sandra Schuster, atualmente, no Brasil, existem mais cachorros de estimação do que crianças. A Pesquisa Nacional de Saúde, feita pelo IBGE, aponta que 44,3% dos domicílios do País possuem pelo menos um cachorro. 52,2 milhões de cães habitam os lares brasileiros, o que dá uma média de 1,8 cachorro por casa.

O brasileiro ama seus bichinhos

As pessoas gastam mais de R$ 18 bilhões por ano com produtos e serviços para animais de estimação (dados de 2015). O PIB do mercado PET aqui no Brasil, por exemplo, se compara ao dos eletrodomésticos da linha branca, como geladeira, fogão, máquina de lavar e forno de micro-ondas.

Por conta disso, o segmento farmacêutico está acordando para o sucesso do setor de animais. Há diferentes tipos de estabelecimentos com produtos voltados aos bichinhos. A grande maioria dos players é especializada nesse tipo de cliente. No entanto, é possível encontrar diversas redes nacionais de farmácias que também incluem gôndolas destinadas aos PETs e até medicamentos isentos de prescrição (MIPs) e prescritos!

O melhor exemplo é, de longe, a Drogaria Araujo que, por se posicionar como drugstore, oferece uma extensa linha de itens voltados aos animais. A rede não abre números de faturamento nem de participação de mercado, mas sabe-se que o peso desse segmento nos negócios é bastante significativo. Os produtos são comercializados tanto nas 160 lojas como on-line. Eles são voltados às aves, bovinos, cães, caprinos, equinos, gatos, ovinos e suínos.

Assim como acontece com os produtos voltados ao ser humano, na Araújo se encontra de tudo para os PETs: ração, medicamentos, inseticidas, brinquedos, biscoitos, artigos de higiene, petiscos, suplementos, antissépticos etc.

Lojas especializadas

A DrogaVET é um dos bons exemplos que também ilustram a pujança desse segmento. É uma franquia de manipulação exclusiva para animais, com 13 anos de existência. Há 35 lojas distribuídas por Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Ceará, Goiás, Paraíba, Rio de Janeiro, Bahia, Piauí e Pernambuco. A previsão é de abertura de mais 10 lojas até dezembro de 2017.

Já a rede de farmácias Fórmula Animal está no mercado há 7 anos. Possui 17 unidades em Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia. O faturamento da rede em 2016 chegou a R$ 4 milhões e a previsão para 2017 é dobrar este valor.

Atenção farmacêutica

A DrogaVET atende cães, gatos, animais silvestres, cavalos, aves e peixes, sendo que os três últimos apenas se forem animais de esporte ou estimação.

Sandra explica que em termos de categorias de medicamentos são comercializados desde antibióticos, vermífugos, antipulgas, anti-inflamatórios, até produtos dermatológicos e de higiene e embelezamento, como xampus, lenços umedecidos, clareadores de manchas, entre outros.

“Na DrogaVET não temos produtos industrializados para serem adquiridos pelos clientes, trabalhamos somente com a manipulação de fórmulas mediante uma prescrição veterinária”, lembra a proprietária. Todas as unidades têm farmacêuticos em tempo integral na loja, que estão disponíveis para prestar atenção farmacêutica aos clientes.

Sandra lembra que esses farmacêuticos não fazem a prescrição: “Porém, quando o cliente solicita, podemos indicar produtos para manipulação desde que constem em compêndios oficiais e que não sejam produtos de tratamento como antibióticos e anti-inflamatórios”.

Parece uma farmácia humana

A Fórmula Animal atende a cães, gatos, cavalos e animais silvestres. “Trabalhamos com medicamentos alopáticos e homeopáticos. Além da indicação via oral, trabalhamos com ativos e formas farmacêuticas de uso transdérmico”, ressalta a sócia-fundadora da empresa, Renata Piazera.

Suas lojas se parecem com uma farmácia humana. Possui laboratórios exclusivos e dedicados de acordo com a sua classificação, sistemas de ar independentes, áreas de controle de qualidade, parlamentação e atendimento personalizado ao cliente. “Porém, os produtos vendidos sem prescrição médica são apenas da linha de higiene e embelezamento, e não contemplam os medicamentos”, lembra Renata.

Há farmacêutico durante todo o período, mas ele não realiza nenhum tipo de atendimento. Apenas os veterinários fazem a prescrição. O farmacêutico é responsável por checar se todos os ativos estão na dosagem certa na ordem do pedido solicitado.

O vigor desse mercado vem atraindo cada vez mais farmacêuticos que desejam empreender ou se especializar no atendimento animal. Se esse é o seu caso, parabéns…sucesso a vista!

MAPEAMENTO TÉRMICO NA ARMAZENAGEM DE MEDICAMENTOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Egle Leonardi

As Boas Práticas de Armazenamento, Distribuição e Transporte asseguram a manutenção da qualidade do produto tendo como importante requisito a temperatura, que deve ser monitorada ou controlada em atendimento à legislação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Isso existe para minimizar alterações que podem comprometer a efetividade, eficácia, estabilidade e as características físico-químicas de insumos farmacêuticos ativos (IFAs), de produtos acabados, intermediários, provenientes de pesquisa clínica, produtos médicos hospitalares ou simples amostras grátis.

“Além disso, para assegurar a qualidade e integridade de matérias-primas, imunobiológicos e outros medicamentos comuns é importante obedecer às recomendações dos seus fabricantes e importadores legitimados, detentores de registro após regularização legal sanitária”, lembra a farmacêutica, professora e consultora técnica em Assuntos Regulatórios e Gestão da Qualidade & Produtividade, com expertise em supply chain, Tatiane Ramos López García. Ela comenta que as recomendações são em relação aos limites de temperatura e umidade aceitáveis para transporte e armazenagem.

O objetivo e relevância do mapeamento térmico aliado às Boas Práticas de Armazenagem e Good Manufactoring Practices (GDP) internacionais é comprovar com registros de temperatura a homogeneidade e a estabilidade térmica do ambiente e, com base nos registros, identificar os pontos mais críticos, mais quentes e mais frios, para a tomada de decisão com relação aos pontos a serem monitorados na rotina, e sendo um facilitador na adequação de estrutura.

“Importante utilizar ferramentas que monitoram a temperatura desde freezers, câmaras frias, caixas térmicas e ambientes climatizados para produtos de interesse à saúde, de forma que estabeleça um alerta aos envolvidos neste processo sempre que houver algum desvio que demande atenção, evitando desta forma a perda de materiais armazenados por variação de temperatura”, comenta Tatiane.

O almoxarifado deve ser projetado de acordo com as necessidades de produtos e matérias-primas. A farmacêutica afirma que, além disso, esses parâmetros precisam ser monitorados para que evidências comprovem que o produto, durante seu período de estocagem, esteve armazenado dentro dos seus requisitos, mitigando ameaças potenciais e aumentando a segurança do processo.

O monitoramento e o controle térmico são reforços para reduzir riscos aos pacientes e clientes, dar segurança e credibilidade à organização e garantir a integridade dos medicamentos de todas as suas formas de classificação, seja um hemoderivado, um produto de classificação perigosa (a exemplo um rádio fármaco), uma vacina ou até mesmo um padrão de referência. “Se a qualidade dos produtos farmacêuticos é comprometida, o risco é maior do que somente a perda da carga, pois pode comprometer a saúde pública e o bem-estar dos consumidores finais”, alerta Tatiane.

Como definir os critérios para o mapeamento

De acordo com o diretor Técnico da M&D Consultoria, Fabricio Rodrigues Dias, especializado em sistemas de qualidade e garantia da qualidade, qualificação e validação, engenharia e projetos, além de logística e transportes, o mapeamento térmico é um item fundamental, quando se fala em Boas Práticas de Armazenagem para depósitos climatizados e não climatizados. No entanto, há algumas perguntas recorrentes sobre o tema:

– Qual a periodicidade para a aplicação dos testes?

– Por quanto tempo devem-se realizar as medições?

– Como definir a quantidade de sensores?

– Onde localizar esses sensores?

– Quais instrumentos utilizar?

– Qual a frequência de aquisição dos dados?

Ele ressalta que a definição dos passos para um correto mapeamento térmico deve acontecer de forma documentada e estruturada. “Para a realização do mapeamento, necessitamos passar por alguns itens fundamentais para execução dos trabalhos, como planejamento, documentação, execução, análise dos resultados e relatório final e a manutenção do status de validado”, comenta Dias. É ele quem vai explicar, na sequência, cada item que compõe esse mapeamento.

PLANEJAMENTO

O planejamento é um dos itens fundamentais para execução do trabalho de mapeamento térmico. Ele pode ser divido nas seguintes etapas:

  1. Pré-requisitos;
  2. Análise de riscos;
  3. Seleção da tecnologia adequada para mapeamento;
  4. Quantidade de sensores.

1. Pré-requisitos

Antes de iniciar as etapas do mapeamento, devem-se verificar alguns pré-requisitos que são entendidos como:

– Conclusão da qualificação de instalação e operação do sistema de HVAC do almoxarifado (para almoxarifados climatizados);

– Se a área está acabada e com todos os seus componentes (porta paletes, portas, luminárias etc.);

– Se todos os desenhos estão atualizados. Este item auxilia na documentação para descrever as localizações dos pontos.

2. Análise de riscos

Deve ser feita uma avaliação de riscos para verificar os itens relacionados ao almoxarifado. A ferramenta a ser utilizada é de livre escolha do responsável pelos testes, e podem ser FMEA,  QRM 5  do GAMP,  FMECA,  árvore de falhas, espinha de peixe, HACCP e HAZOP.

Na avaliação de riscos devem ser considerados os seguintes itens:

– Sazonalidade dos testes – Definir em qual ou em quais estações devem ser feitos os testes (verão, inverno, outono ou primavera). É recomendável fazer no inverno e verão;

– Frequência e tempo de medição – definir de quanto em quanto tempo devem ser realizadas as medições do estudo (como referência, para depósitos onde não há uma mudança brusca de temperatura e umidade, o tempo de 15 minutos é aceitável). “Em casos em que haja equipamentos com mudanças bruscas de temperatura, como validação de transporte ou salas climatizadas, este tempo deve ser de no máximo 5 minutos”, ressalta Daniela. O estudo deve ser feito por um período de sete dias (uma semana), seja com carga ou sem carga.

– Identificação de áreas de risco – As áreas de risco devem ser levadas em consideração avaliando os seguintes aspectos:

  • Volume do espaço: um grande armazém ou depósito tem encargos de controle diferentes do que uma área de armazenamento pequena, com maiores exigências no sistema HVAC e o potencial para uma maior variação de temperatura e umidade em vários locais;
  • Capacidade Interna: a capacidade dos difusores ou ventiladores para circular o ar adequadamente;
  • Diferenças de temperaturas: gradientes de temperatura entre o piso mais frio e o ar mais quente perto do teto.
  • Fontes externas: fontes de energia independentes, tais como aquecedores de espaço e ar-condicionados e ventiladores, que criam bolsões quentes ou frios;
  • Montagem dos racks: layout de racks, prateleiras e paletes que obstruem o fluxo de ar;
  • Posicionamento dos sensores: localização de sensores de controle HVAC. Por exemplo, um termostato localizado perto de uma fonte de calor ou frio pode fazer com que a temperatura do espaço flutue excessivamente;
  • Locais críticos: locais próximos de fontes de calor ou frio, como telhado e paredes exteriores, janelas e docas de carregamento;
  • Locais de tráfego intenso: áreas de tráfego intenso, onde o produto ou equipamento é movido;
  • Definição das variáveis: é preciso definir quais variáveis deverão ser medidas (temperatura somente ou temperatura e umidade). Esta definição deve tomar como base a criticidade dos produtos armazenados.

3. Seleção da tecnologia adequada para mapeamento

Atualmente existem vários tipos de tecnologias para a realização do mapeamento térmico, como dataloggers e validadores. Para o mapeamento térmico, devido à facilidade de custo, normalmente é utilizado o datalogger, que consiste na programação de loggers de interface entre o computador, por meio de um software.

Independentemente da marca ou modelo do logger a ser utilizado, deve sempre se atentar se ele está calibrado e validado, conforme o guia da validação de sistemas computadorizados da Anvisa ou de acordo com a norma 21 CFR Part 11 do FDA.

 4. Quantidade de sensores

Não existe uma quantidade correta de sensores mínimos e máximos para o mapeamento térmico. O importante é se todos os pontos críticos definidos na análise de riscos foram considerados.

Outra forma de abranger o depósito é avaliá-lo em, pelo menos, três níveis, sendo o primeiro na altura da posição de palete mais baixo, o segundo na metade e o terceiro na posição de palete mais alto.

Já no sentido longitudinal, pode-se adotar, por exemplo, uma distância padrão (+/- 7 metros) e avaliar os três níveis. Deve-se lembrar de que esta distância varia de depósito a depósito.

É aconselhável inserir sensores do lado externo do prédio para verificar temperatura e umidade ambientes, e próximos às portas de entrada e de saída do depósito.

Documentação

Após a etapa de planejamento, o próximo passo é colocar no papel todas as rotinas de testes:

  • Posicionamento e quantidade de sensores (se possível inserir desenhos, layouts etc.);
  • Quantos sensores podem falhar durante o teste (normalmente se considera 10%);
  • Critérios de aceitação para as variáveis selecionadas (temperatura e umidade);
  • Cálculos estatísticos: máximo, mínimo, média;
  • Em quais cargas estão sendo realizados os testes.

Vale lembrar que, para a qualificação inicial, devem-se fazer dois testes, um com carga vazia e outra com carga cheia do depósito. Para revalidações, é preciso fazer os testes com a carga habitual do depósito. Durante os testes, ele deve ser utilizado normalmente.

O nome desse documento é protocolo de qualificação de desempenho, mas em algumas empresas esse nome pode mudar para protocolo de mapeamento térmico e protocolo de revalidação térmica de depósito, entre outros.

Independentemente dos nomes adotados, deve haver um roteiro de testes para a execução dos trabalhos.

Execução

Com o protocolo ou roteiro de testes na mão, a execução consiste em programar os loggers e distribui-los nos locais determinados na análise de riscos e protocolo de qualificação.

Um ponto muito importante é colocar os loggers sempre em locais seguros, longe de impactos com as empilhadeiras e contato direto com água (para sensores de ambientes externos).

Análise dos Resultados e Relatório final

Após o estudo já realizado, é preciso analisar os dados e elaborar o relatório final. A análise dos dados consiste em verificar os seguintes fatores:

  • Identificação dos pontos mais quentes e mais frios;
  • Caso algum ponto saia de especificação, verificar por quanto tempo ele ficou fora;
  • Verificar a média de cada ponto de medição;

“Com os resultados, podemos definir qual região é mais perigosa e realocar os materiais menos críticos para esse local. Se for o caso, a região deve ser interditada até que o problema seja solucionado”, alerta Dias.

Deve-se anexar ao relatório final e ao protocolo de qualificação o certificado de calibração de todos os loggers ou sensores utilizados nos testes.

Manutenção do status de validado

Os testes devem ser realizados sempre de forma periódica. A periodicidade é definida por cada empresa. É aconselhável que ela seja feita de forma anual. Caso existam sensores monitorando os pontos mais críticos, é aceitável espaçar os testes para cada dois anos.

É fundamental considerar que essa definição deve ser escrita em análise de riscos e deve ser justificada qualquer mudança de periodicidade. Seguem abaixo as ferramentas que são fundamentais para manter o sistema validado:

  • Controle de mudanças;
  • Formulário de desvios;
  • Plano de calibração dos sensores;
  • Plano de manutenção preventiva do sistema HVAC do depósito;
  • Protocolo de qualificação periódica ou revalidação.

“Vale lembrar que o ciclo é sempre contínuo durante a vida de um depósito, e qualquer mudança significativa deve ser validada”, ressalta Dias.

Faltam melhorias

Em um País com realidades diversas, poucos recursos em infraestrutura logística (em especial em portos, aeroportos e fronteiras), além de ampla extensão continental, como o Brasil (estabelecido na zona climática IV b), o armazenamento de produtos com temperatura controlada ou até mesmo que não exigem climatização é um grande desafio para os laboratórios, operadores logísticos, transportadoras, distribuidoras e, principalmente, para o profissional designado pelo acompanhamento e qualificação desse processo para toda a cadeia farmacêutica, segundo Tatiane. “Cabem melhorias para a falta de padronização por parte dos Estados e Órgãos Anuentes e para o não cumprimento de exigências legais por parte dos prestadores de serviço e a falta de fiscalização por parte das autoridades, uma vez que são fatores complicadores desse cenário”, comenta ela.

A indústria consegue garantir os requisitos técnicos só até certo ponto da cadeia e, a partir dessa fronteira, não é mais possível o controle direto efetivo, já que há a dependência de outros players da cadeia executarem tal missão – cerceada pela responsabilidade solidária, ou seja, cada integrante do elo é responsável pela sua parte.

Em especial, a respeito das inovações técnicas, existe um desenvolvimento tecnológico e científico dinâmico dos materiais, embalagens e instrumentos utilizados no controle e na manutenção da temperatura desse ramo de negócios, trazendo uma evolução interessante para esse segmento, segundo Tatiane.

Porém, em contrapartida, há desnível de qualificação de mão de obra; falta de armazéns e terminais com as adequações exigidas pela cadeia farmacêutica, podendo sofrer variações de temperatura muito superiores às permitidas; contaminações cruzadas e base deficitária de infraestrutura. Pensando em abrangência nacional, isso maximiza o custo e denota complexidade desse controle, inclusive no transporte farmacêutico que, de certa forma, é um armazenamento temporário e deve ser meticulosamente considerado.

Por fim, o mapeamento e qualificação térmica em depósitos climatizados ou não climatizados, bem como a inserção da cultura de Boas Práticas como alicerce nesse processo, permitem um controle assertivo e monitoramento constante, não somente da temperatura, mas na gestão de custos operacionais e de qualidade. “Além disso, se faz necessária a gestão de desperdícios, a fim de minimizar impactos no abastecimento do mercado da saúde em caso de possíveis falhas no processo de cargas de cadeia fria ou não (carga seca), em especial às de alto valor agregado (medicamentos de alto custo) e pensando também na logística da área pública”, finaliza Tatiane.


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